A alienação do trabalho

Publicado: novembro 1, 2013 em Marxismo

Outro fundamento defendido por Marx como mais uma evidência da exploração do trabalho é aquilo que ele chamava de alienação. Em linhas gerais a alienação pode ser definida como a perda da autonomia, do conhecimento e do domínio do trabalhador com relação ao poder de decisão sobre os métodos de produção após a revolução industrial. Para Marx, o artesão antes possuía domínio sobre a produção, pois conhecia todo o processo produtivo. Ele poderia definir como e quando produzir. Entretanto, com a industrialização, o artesão foi levado à ruína, forçado a se sujeitar a funções, horários e salários. A produção não mais lhe pertencia. O trabalhador e sua produção se tornaram indiferentes através dos novos métodos produtivos. Por estes motivos, o empregado aliena-se do processo total, forçado a trocar o capital que recebe pelos produtos que produzira. Neste universo, o comércio torna-se a engrenagem de tudo. Para tudo é dado um preço. Marx alega que a alienação provoca uma coisificação, tornado o homem um reflexo do mundo material e não o contrário. Com isto, as necessidades dos trabalhadores os levarão a buscar produtos fora de seu alcance, o que vos pressionara a desejar romper com a própria alienação.

No sistema capitalista pautado na suposta alienação, a produção e o consumo tornam-se os únicos componentes da sociedade. Neste caso, somente a tomada de consciência por parte dos trabalhadores e a revolução comunista são as únicas formas para mudar esta realidade. Para entender esta teoria, devemos analisar mais profundamente os conceitos de Max. Para o filosofo, este estranhamento entre o trabalhador e a perda de autonomia sobre a produção – o que vos distanciaria do que fora produzido – pode ser descrito sobre quatro aspectos:

1º – O trabalhador é estranho ao produto de sua atividade, pois ele pertence a outro. Por esta via, o produto se consolida perante o trabalhador como um “pode independente”. Quando mais o operário se esgota produzido gerando bens que não lhe pertencem, mais poderoso se torna o explorador e mais indiferente é o mundo que o cerca. O mundo objetivo que se ergue diante sua existência é opressivo, tornando-a cada vez mais pobre e assim menos de seu próprio mundo interior lhe pertence.

2º – A alienação do trabalhador com relação ao que produzira que surge com a alienação da atividade produtiva, torna o trabalhador um escravo do que não lhe pertence. O trabalho deixa de ser uma manifestação essencial e voluntária e passa a ser um “trabalho forçado” baseado apenas em uma necessidade externa. O trabalho que deveria existir pela satisfação de uma necessidade interna, torna-se um meio de adquirir bens externos e indiferentes destes anseios. Deixa de representar uma confirmação do indivíduo por si mesmo mediante o pleno desenvolvimento de sua energia física espiritual, tornando-se um penoso sacrifício, o que leva a degeneração dos modos do comportamento humano.

3. Com a alienação da atividade produtiva, temos a alienação do gênero humano.  Ao trabalhar em exclusivo para manter uma sobrevivência alienada, o homem perde sua humanidade por completo. As atividades livres que deveriam ser exercidas em função das realizações intelectuais foram destruídas em função de uma condição imposta e genérica a todos os trabalhadores.  A vantagem que o homem possuía sobre o reino animal – o fato de fazer da natureza laborada o seu corpo inorgânico – desaparece, uma vez que seu labor não lhe pertence. O homem estaria como os animais: a mercê de necessidades básicas em um meio que não pode controlar.

4. Em função de o trabalhador estar alienado em uma vida genética e sem humanidade, incide a alienação do homem pelo homem. O homem torna-se estranho e indiferente a outro, perseguindo somente aquilo que pode aliviar suas necessidades externas.  Esta alienação recíproca entre homens é ainda mais visível na relação entre a burguesia e o proletariado.

Referências:

Manuscritos Econômicos-Filosóficos – Karl Marx

A ideologia Alemã – Karl Marx

Sociologia: introdução à ciência da sociedade – Maria Cristina Castilho

Divisão técnica do trabalhoNa imagem temos o falacioso conceito da alienação do trabalho na visão marxista.

Chris Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/11/01/divisao-do-trabalho-e-dispersao-do-conhecimento/

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