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Friedrich Hayek proferiu uma das mais brilhantes frases a fins de descrever os defensores do pensamento socialista: “Caso socialistas soubessem alguma coisa de economia, não seriam socialistas.” A frase seria perfeita, se nela estivesse incluso: história, psicologia, antropologia, política e etc. Esta afirmação torna-se gradativamente mais vívida, a cada debate com os defensores da planificação econômica ou do mero intervencionismo estatal. Mesmo refutados por acadêmicos de inumeráveis correntes ou pelas evidências históricas, eles não abstém de seu desvario ideológico, visando mantê-lo através de todo tipo de engodo. É por este motivo que escrevi este texto onde faço um breve resumo de 10 das principais teorias socialistas e suas respectivas contestações. Obviamente cabe aos interessados buscar um maior aprofundamento, afinal o tema é extenso demais para um simples resumo.

1º – O mito do bom selvagem. Segundo esta teoria, Rousseau alega que o homem teria nascido bom e que fora corrompido pela sociedade. Esta corrupção teria se iniciado quando o primeiro homem tomou para si um pedaço de terra. Portanto, a propriedade privada seria a causa do egoísmo, da agressão e corrupção entre os homens. Tal suposição é de fato é um mito. Rousseau não possuía qualquer evidência arqueológica, tal como temos hoje. Em “A guerra antes da civilização”, o arqueólogo Lawrence H. Keeley comprova que a violência era maior antes ao surgimento da propriedade privada, com cerca de 60% de chance de um indivíduo falecer por homicídio. O criminalista Manuel Eisner concluiu através de estudos históricos que a criminalidade vem decaindo desde o final a Idade Média – período em que a propriedade privada se consolidava como um direito. Atualmente as estatísticas revelam que as nações menos corruptas e violentas são aquelas que mais preservam a propriedade privada, tais como Mônaco, Dinamarca, Nova Zelândia, Suíça, Hong Kong e Singapura.

2º – Materialismo histórico. Segundo esta abordagem metodológica desenvolvida por Marx, as condições produtivas seriam o principal vetor na transformação da sociedade; seja em premissas ideológicas, políticas ou sociais. Desde modo, o homem seria um mero objeto das relações socioeconômicas na medida em que elas se transformam a revelia de seu mando. Em Teoria da História, Mises demonstra a invalidade desta teoria, citando que é o homem em sua natureza subjetiva/objetiva que transforma as ferramentas e o meio em prol de seu bem-estar e não o contrário. Foi a necessidade de se locomover em grandes jornadas que deu origem a charrete e não a charrete que dera início a esta necessidade. Qualquer consideração materialista a respeito da história, exclui a razão humana tornando o indivíduo um mero objeto de forças que não concebe nem controla. Em A Miséria do Historicismo, Popper descreve que é impossível construir uma descrição geral da sociedade, visto que seria necessário listar uma quantidade incomensurável e ilegível de dados, além do fato de que estes dados são singulares e imprevisíveis. Logo, a teoria marxista da história é simplesmente reducionista.

3º – Mais-valia e exploração do trabalho. Estas teorias marxistas tentaram explicar o lucro, baseando-se na teoria do valor do trabalho, que sugere que as mercadorias seriam valorizadas em função da quantidade de trabalho empregue em sua produção. Uma vez que o trabalhador não recebe o valor total por todos os bens que ele produzira, Marx alega que ele seria expropriado pelo empregador que assim obtém seu lucro. Como Menger explica, o valor da mercadoria depende da precificação subjetiva dos consumidores e pela utilidade marginal. Pode-se gastar $ 1000 em matéria prima, 20 trabalhadores e 50 horas para produzir 100 cadeiras ao risco de que nenhuma será vendida ou que seu preço varie em função da demanda – que cai na medida em que o objeto de consumo é adquirido. Logo, o preço flutua gerando lucro ou prejuízo. Como cita Böhm-Bawerk, este processo demanda tempo e é incerto. Como trabalhadores, locatários e vendedores de insumos possuem necessidades imediatas, eles se abstém riscos, recebendo um rendimento fixo mensal pelo seu auxílio à produção. Além disto há o fenômeno do juros que é parte dos lucros, devido a estas mesmas preferências temporais.

4º – Alienação do trabalho. Este conceito sugere a perda da autonomia, do conhecimento e do domínio do trabalhador com relação ao poder de decisão sobre os métodos de produção. Para Marx, o artesão possuía domínio sobre a produção, pois conhecia todo o processo produtivo. Entretanto, com a industrialização, ele foi levado à ruína, forçado a se sujeitar a funções, horários e salários. Como Smith explica em Riqueza das Nações, a indústria modernizou a produção e tornou o trabalho cada vez mais complexo a fins de atender a uma demanda jamais imaginada. Isto só seria possível mediante a divisão do trabalho. Com o decorrer do tempo, esta divisão tornou-se ainda maior. Em nossos tempos, não há indivíduo que tenha tempo, disponibilidade ou recursos suficientes para compreender todo processo produtivo, como por exemplo; de um automóvel. Não há como conhecer e dominar habilmente todo o processo produtivo, desde a extração das matérias primas, sua transformação, a elaboração de todo maquinário industrial para que então, sejam produzidos os veículos. Há alienação, pois o conhecimento é sempre limitado.

5º – Luta de Classes. Este conceito sugere que a história humana é marcada pelo confronto de forças antagônicas (opressores e oprimidos) e teria surgido com a propriedade privada. Este embate seria visto na antiguidade com escravos e seus senhores, na idade média com servos e feudos e na sociedade moderna com burgueses e proletariados. Para dar-lhe fim, Marx cita que é necessário que a classe oprimida se revolte, tomando para si as forças produtivas, abolindo o Estado e as classes sociais. Em A Mentalidade Anticapitalista, Mises descreve que o erro desta teoria é confundir classe com casta. Num sistema de casta (sistema social hindu) o indivíduo nasce em determinado patamar e nele permanecerá não importa o quanto se esforce. Num sistema de classes (economia de mercado) não existem barreiras. A ascensão socioeconômica depende de esforços individuais mediante a poupança e o investimento, sem que haja uma classe estática, pobres podem prosperar e ricos podem falir, dependendo do apreço dos consumidores. Lembrando; os trabalhadores nunca almejaram o fim da propriedade privada, mas adquiri-la, tornando-se novos burgueses.

6º – Socialismo real nunca existiu. As primeiras tentativas de implantar o socialismo vieram dos falanstérios de Charles Fourier e falharam em questão de meses. Observando este fato, Marx alegou que tinha encontrado um método científico para alcançar a tão sonhada sociedade coletivista, sem classes ou propriedade privada: o comunismo. Mais tarde, este modelo seria tentado com Revolução Russa. Do período que se estendeu da revolução até Revolta de Kronstadt, a miséria e o genocídio se instauraram. A transição do socialismo para o comunismo não ocorreu como Marx previa. Lênin foi forçado a estabelecer a “Nova Política Econômica” que permitia a suspensão da estatização de fábricas que ainda não haviam sido coletivizadas, fim da requisição forçada das matérias primas e insumos agrícolas e etc. Ficou claro que o modelo como teorizado era incapaz de produzir os resultados esperados. No entanto,os marxistas desejavam aperfeiçoar o sistema de transição para que o comunismo fosse alcançado no futuro. Todas as formas socialistas que se seguiram, visaram o mesmo e sempre fracassaram.

7º – O socialismo pode funcionar. Socialistas jamais compreenderam a origem da propriedade privada. Como cita Hoppe, ela surgiu uma vez que a população humana tende a crescer e assim os recursos ficam cada vez mais escassos. O homem não poderia mais viver como coletor/caçador, fixando-se em determinada região, passando a cultivar a terra. A partir de então, surgem trocas voluntárias. Como o escambo é ineficiente para alocar e poupar recursos, surge a moeda e o preço. Em Cálculo Econômico Sobre o Socialismo, Mises cita que é impossível estabelecer uma economia socialista devido a ausência de propriedade privada. Sem ela, não há mercado e um sistema de preços responsável pelas operações contábeis que guiam a economia. Em Caminho da Servidão Hayek explica que o conhecimento econômico necessário para alocar os numa economia complexa e dinâmica é inteligível devido a sua dispersão, já que provém da constante tomada de decisão de inumeráveis agentes econômicos em separado. Logo não meios para os planejadores centrais obterem tamanha informação a fins de regerem a economia (nem mesmo com os preços artificiais de Langer). Logo são modelos utópicos.

8º – Crises do capitalismo. Desde Marx, socialistas alegam que o capitalismo colapsaria, provocando a ascensão do socialismo. Da Grande Depressão (1929) à Grande Recessão (2008) esta alegação se estendera. Como bem cita a TACE: o crack de Nova York tem sua raiz na Primeira Guerra Mundial. Naquele período, a Europa estava arruinada, dependendo dos bens importados dos EUA – o que elevara sua produção. Quando sua indústria se recuperou, os EUA passaram a consumir os excedentes produzidos, causando uma deflação. Contrariando o conceito de livre mercado, o governo injetou crédito e inflacionou os preços ampliando a oferta de moeda no mercado. Sem a solidez da poupança, consumidores e empreendedores foram incapazes de arcar com investimentos a longo prazo, causando a Depressão. Em seguida, as interferências de um BC ampliaram ainda mais os efeitos da crise, Desde então os governos não pararam mais de intervir no setor monetário regulando câmbio, oferta de crédito e papel moeda. Tais medidas, contrariam o pensamento laissez-faire que desde Smith a Rothbard se opõe a existência de um Banco Central. Portanto são crise do Estado através de um órgão regulador e não do mercado.

9º – Nazifascismo. O nazifascismo descende do socialismo, tal como herdara suas características. Mussolini começou sua carreira no Partido Socialista Italiano em 1902, escreveu para o jornal A Luta de Classes e publicou um livreto chamado o Trentino visto por um Socialista em 1910. Mais tarde cria o movimento fascista, declarando que suas principais influências são os socialistas Georges Sorel e Charles Peguy e Hubert Lagardelle. Seu sistema defendia que o Estado se impusesse acima de tudo, inclusive da economia. Já o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães foi fundado por Anton Drexler que escrevera “Do diário de um alemão socialista trabalhador”, de grande influência a Hitler. Mais tarde, Hitler compôs o Programa Vinte e Cinco Pontos tratando dos intentos nazistas. Suas diretrizes eram o controle total da economia; da produção, salários, aluguéis, lucros, proibição dos juros, da especulação e a nacionalização de empresas. Ambas estas doutrinas se opunham ao livre mercado e são socialistas, pois emergem da necessidade de um Estado absoluto, provedor, que busca reformar o homem, além de reger a economia.

10º – O Estado do bem-estar social. No final do século XIX, os socialistas Karl Kautsky e Eduard Bernstein perceberam que as profecias de Marx não se concretizavam e do contrário; falhavam. O poder de compra do trabalhador e a classe média aumentavam junto com seu bem-estar. Eles fundaram o movimento socialdemocrata desejando reformar o capitalismo, tornando-o “menos desigual”.  Inspirado nestas ideias, Gunnar Myrdal desenvolve o conceito de Estado do bem-estar social, no qual o governo tornar-se-ia regulador da economia, além de manter ampla seguridade social. O sistema foi implantado em países escandinavos a partir da década de 1970 (prósperos desde as reformas liberais do século XIX). Entretanto, em duas décadas o sistema já apresentava sinais de decadência. A inflação se elevara juntamente com o custo de vida, enquanto empresas e capitais fugiam para nações com menor carga tributária e pouca burocracia. A solução foi liberalizar, privatizar e desregulamentar – o que segue até os dias atuais. Os impostos permaneceram altos (embora em níveis muito menores) graças a elevada renda per capita, fruto de uma população baixa com imensas reservas naturais de grande rentabilidade – até que se esgotem.

Conclusão:

É evidente para qualquer pessoa razoavelmente informada, a grande diferença entre estes sistemas. O socialismo fracassou em todas as nações onde fora implantado, sem exceções. Posso citar o exemplo de URSS, China, Coreia do Norte, Vietnã, Laos, Iêmen, Angola, Etiópia, Somália,  Zimbábue e mais recentemente na Argentina e Venezuela. Já a economia de livre mercado fora bem sucedida em todas as nações onde implantada, tais como Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Suíça, Áustria, Irlanda, Coreia do Sul, Singapura, Hong Kong e mais recentemente no Chile e em Mauricio. Todas as estatísticas compram este fato: IDH, qualidade de vida, moradia saúde, educação, infraestrutura, percepção de corrupção, taxa de homicídio etc. A doutrina socialista persiste nos dias atuais, não em face a seus resultados, mas em função de um enraizamento cultural que em grande parte se deve ao empenho intelectual da Escola de Frankfurt. Por estas vias, sua influência cresce no mundo de uma forma assombrosa, movendo governos e o mundo acadêmico; trazendo a tona velhas e nocivas utopias.

Referências:

  • A Origem da Desigualdade entre os Homens – Rousseau
  • A Guerra Antes da Civilização –  Lawrence H.  Keeley
  • Lógica da Pesquisa Científica – Popper
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico – Engels
  • Teoria da História – Mises
  • A Miséria do Historicismo – Popper
  • O Capital – Marx e Engels
  • Princípios de Economia – Menger
  • A Teoria da Exploração do Socialismo/Comunismo – Böhm-Bawerk
  • A Riqueza das Nações –  Smith
  • A Mentalidade Anticapitalista – Mises
  • A Origem da Propriedade Privada e da Família – Hoppe
  • A Grande Depressão – Rothbard
  • Cálculo Econômico sobre o Socialismo – Mises
  • O Caminho da Servidão – Hayek
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Socialismo/marxismo: seu destino único é o fracasso!

Christiano Di Paulla

Tão débil quanto mito que sugere que os países nórdicos sejam socialistas (ou pelo menos Estado do bem-estar social) é a falácia da elevada qualidade de vida em Cuba. Como bem teorizaram Mises e Hayek é impossível para uma economia planificada produzir qualquer bom resultado socioeconômico devido ao “problema de calculo econômico” e “problema de dispersão do conhecimento”. O mito de que Cuba tenha uma elevada qualidade de vida, parte do ranking de Índice de Desenvolvimento Humano, divulgado anualmente pela ONU. Com isto, socialistas no mundo inteiro, deixam de ignorar o absoluto fracasso da URSS, China e Coreia do Norte, dentre outras nações para focar seus argumentos em um suposto sucesso cubano. O que os militantes socialistas se esqueceram de relatar (é mais provável que desconheçam) é o fato de que Cuba não permite vistorias internacionais a fins de verificar sua qualidade de vida. Todos os índices publicados pela ONU são enviados pelo governo. É fato histórico que todas as ditaduras socialistas, jamais permitiram que sua pátrias fossem assistidas internacionalmente.

O motivo para Cuba proibir vistorias internacionais profundas é claro, historicamente notório e de fácil entendimento e herança de antigos regimes socialistas. A URSS, por exemplo, enviava dados à ONU que a colocava como 26º em IDH. Todavia em 1990, com a dissolução do bloco e a introdução da análise internacional, seu epicentro: a Rússia despencou mais de cinquenta posições. As demais nações que formavam a URSS apareceram em posições muito piores que o centro do governo comunista. Logo, confiar nos dados cedidos pela economia planificada de Cuba, seria como confiar nos dados cedidos pela URSS. Doravante, a ideia de um IDH cubano elevado é de fácil refutação. O IDH combina três fatores: o primeiro é o Índice de Educação que calcula o numero de pessoas alfabetizadas e a taxa de escolarização, o segundo é a Longevidade que analisa a expectativa de vida, mortalidade infantil e a qualidade da saúde, o terceiro fator é a Renda a partir do PIB per capita e do PPP (pode de paridade e compra). Tendo em base a metodologia de medição usada pelo IDH, podemos garantir que o IDH de Cuba é falso.

É de conhecimento internacional que o PIB cubano não é calculado nos padrões internacionais. A ditadura castrista soma valores referentes a todo setor público às precárias atividades econômicas da ilha, ,produzindo uma elevação artificial. Segundo a ditadura, a renda per capita cubana é de UU$ 10.200 (2012) enquanto a mais elevada média salarial anual chega a míseros UU$ 300 (médicos mais bem pagos) em uma desproporção assombrosa. Também cabe citar que o PPP é um método que não pode ser usado em uma economia fechada com uma taxa de câmbio arbitrada pelo governo. Outro fator é a saúde: acalmada pelos “baixos índices” de mortalidade infantil. De acordo com os números cedidos de Cuba à ONU, a ilha está na 44º colocação no ranking mortalidade infantil. Entretanto, segundo a ONU, em 1958, (um ano antes à revolução) Cuba estava na 13º colocação. Logo encontramos um nítido retrocesso neste quesito, embora Cuba divulgue valores muito superiores a realidade, através de mentiras estatísticas impostas pelo regime.

Em 2001 o Dr. Juan Felipe Garcia da Florida entrevistou diversos médicos refugiados que alegaram que pediatras falsificam registros a pedido do regime. Eles não somente encobrem a morte precoce de crianças, como fazem dezenas de abortos diariamente. Mesmo sem sinais de anomalia na gravidez o aborto é uma prática usada para reduzir as taxas de mortalidade infantil, quando a realidade socioeconômica as levaria inevitavelmente ao óbito. A realidade da medicina cubana é oposta as imagens filmagens de Michael Moore. Ele apenas filmara os hospitais pagos em dólar para estrangeiros e para as elites políticas. Vários cinegrafistas amadores gravaram hospitais como os que foram exibidos pela Fox News e que revelam a medonha realidade cubana: postos de saúde fechados ou com mínimos medicamentos, hospitais sem infraestrutura, imundos, repletos de sangue, com aparelhos ultrapassados há década, além de pacientes insatisfeitos e médicos frustrados. A medicina cubana é tão precária que em 2013 o governo de Cuba informou sobre um novo surto de cólera em seu território com 163 casos, incluindo 12 turistas.

Há um outro fato inegável sobre a ilha; há mais de 50 anos Cuba sofre de um severo racionamento, tal como ocorre em qualquer nação socialista. Devido ao problema de cálculo econômico, Cuba sofrera imensa escassez logo no início de seu revolução socialista. Em 1963, o governo criou uma caderneta de racionamento usada para que a população possa adquirir uma pequena quantidade de produtos nas distribuidoras estatais. Nestas distribuidoras quase tudo é de má qualidade. Em exemplo não há partes nobres de carnes a disposição da população. O leite é extremamente difícil de se adquirido de tal forma que não dura poucos dias. Toda a população passa horas enfrentando longas filas para conseguir uma unidade diária de pão. E esta situação piora gradativamente de modo que o número produtos disponíveis na lista estatal tem escolhido ao redor dos anos. A única forma de conseguir tais produtos é através do mercado negro por um preço elevado devido a marginalização do comércio privado.

Outra grande falácia a respeito da ilha é sobre seu sistema educacional. As escolas cubanas estão séculos de distancia das escolas na Coreia do Sul, com um computador por aluno, bibliotecas enormes, infraestrutura completa, professores altamente capacitados e até mesmo robôs em sala de aula. Um exemplo claro é que 75% dos estudantes que cursaram graduação de medicina em Cuba (seu suposto melhor curso) não foram capazes de revalidar seu diploma na UFMG em 2012. O mesmo ocorre em todo mundo. Cubanos não participam de análises internacionais para testar o conhecimento de seus alunos ou professores. Em  filmagens amadoras são deflagradas mentiras a respeito das nações capitalistas e ocidentais enaltecendo Cuba, tal como se fosse a nação mais prospera do globo. Cuba também é  notória na censura e reconhecida mundialmente por violar os direitos humanos através de práticas como tortura, prisões arbitrárias, julgamentos injustos, execução extrajudicial, pela perseguição e exclusão de negros, mulheres e homossexuais.

Basta um pequeno passeio pela ilha para notarmos o nível da obsolescência cubana. Prédios em ruínas, sem pintura, ruas sujas, banheiros imundos, lojas com absoluta escassez, filas enormes em toda a ilha, carros que são peças de museus, ruas lotadas de prostitutas, nenhum acesso à tecnologia em um clima de nostalgia que lembra os anos 50. Leigos em história e economia poderiam alegar que todo fracasso cubano deve-se ao embargo norte-americano, o que obviamente é uma mentira. Em 2012 Cuba negociou com 96 países incluindo os EUA. Suas importações cresceram acentuadamente nas ultimas décadas. O problema de Cuba esta em sua quase nula produtividade, pois não há espaço para empreendedores. Mesmo que Raul Castro tenha liberado terras a agricultores privados e o direito de comercializar a determinados indivíduos faltam equipamento para trabalhar a terra e bens para serem comercializados uma vez que tudo deve passar antes pelo governo. A única solução para Cuba é dar fim a ditadura, privatizar setores, desregulamentar a economia como fizera a Rússia, China e Vietnã. No socialismo encontrarão somente a miséria e servidão!

Referências:

Humberto Fontova – Fidel: O Tirano mais Amado do Mundo

Conselho Regional de Medicina (CRM-MG)

Comisión Interamericana de Derechos Humanos

Índice de Liberdade de Imprensa Fox News

Cia – The World Factbook

Estatísticas da ONU

Old_Havana_Cuba Esta é a grande Cuba?! O paraíso socialista? Uma nação com alta qualidade de vida ou o banheiro público da América Latina?

Christiano Di Paulla

Nada é mais espantoso para um acadêmico sério e sem clichês ideológicos, cuja base de estudo faz-se da história, direito, economia e antropologia que a visão da persistência da doutrina socialista/comunista. Talvez porque apenas estas áreas não sejam capazes de explicar a inclinação psicológica das massas a estas doutrinas, cuja base faz-se das mais vis noções emocionais, como a inveja calcada na demagogia, e a usurpação como reajuste social. Esta inclinação descabida se assemelha a de um cosmólogo que defende com veemência o modelo geocêntrico. Para qualquer estudioso que se baseie numa ciência legitima, calcada em evidencias, esta defesa lhe parecerá insana ou motivada por razões pessoais quando advinda do mundo acadêmico. Quando originária de leigos, nada mais representa que um aspecto puro da ingenuidade ignorante. Uma vez que comprometido com a necessidade de respostas, seria inconcebível aceitar estes fatos superficiais. Portanto, cabe uma análise mais profunda a fins de entender o motivo desta corrente já refutada persistir na atualidade. Para tanto, devemos indagar sobre suas origens.

Vasculhando as evidências históricas e analisando a psicologia, pude perceber algumas razões que servem de motivação para a persistência desta doutrina. Em seu gênese, o socialismo emergira do fracasso. Os socialistas utópicos e primeiros a rogar esta doutrina, viviam num ambiente hostil à maioria dos trabalhadores. A monarquia absolutista barrava a democracia, governava com punhos de ferro, industrializava formando cartéis que com pouca concorrência detinham o poder de tratar os trabalhadores como bem desejavam sem que ao menos existisse qualquer lei trabalhista. No ambiente vivido pelos marxistas, estas tensões tinham eclodido em revoltas civis, levado ao emergir de grupos e ideologias distintas. Ambos acusavam o livre mercado das falhas governamentais autocráticas ignorando que o liberalismo econômico deve vir acompanhado do político: da democracia. Ambos tentavam apressar um processo inevitável de melhoria das condições trabalhistas, via democracia que traria o Estado de direito, quebrando monopólios concedidos pelo Estado o que favoreceria a livre concorrência capaz de melhorar as condições de trabalho.

Pelas vias citadas acima, o socialismo emerge do fracasso de governos absolutos e pré-capitalistas, da ignorância a respeito do sistema de livre mercado, da fobia para com a democracia e da agitação revolucionária propiciada por estes fatores. Atualmente ele persiste por estes mesmos fatores. Governos autoritários e que nunca empregaram o laissez-faire são chamados de capitalista, simplesmente porque possuem bancos e empresas privadas. No geral, estas particularidades são de bancos centrais e empresas que recebem auxilio financeiro de entidades publicas – conceitos opostos ao livre mercado. Eles detestam a democracia, a voz das maiorias e principalmente conservadores. Desejam sobrepor valores, sem preservar a liberdade, mas ampliando a libertinagem. Diante fracassos sociais, usam destes fatores para promover sua revolução, sem interesse em mudanças capazes de melhorar o sistema, mas visando sempre sua destruição. Socialistas são reducionistas, sempre ignorando os benefícios trazidos pelo capitalismo a quem acusam de exploração. Defendem um sistema que fracassara em absoluto e criticam o bem-sucedido. Taticamente atacam nações que não praticam livre mercado, rogando que ele seja o culpado de seus fracassos a fins de supor que seja inviável.

Pouco depois do surgimento e disseminação do pensamento marxista, os economistas austríacos se dispuseram a estuda-lo e rapidamente refutaram todos seus preceitos. Isto leva ao questionamento: como persiste? A resposta é simples: a oposição fraca que releva o socialismo como derrotado no mundo prático e acadêmico, ignorando seu poder de persuasão das massas. O erro dos estudiosos da economia liberal é ignorarem que mesmo com a impossibilidade pratica deste, ocorra à impossibilidade de uma revolução socialista. O socialismo nunca precisou de uma vitória no campo das ideias ou na realidade para que fosse disseminado ou imposto e por isto, persiste forte. O socialismo é calcado na militância estratégica e publicidade demagoga, sem nenhuma responsabilidade com resultados. Seu linguajar fácil e emocional visa seduzir as massas através do sentimento de revolta, a fins de gerar um conflito revolucionário entre classes. São manipuladores astutos que não se prendem a fatores, mas se aproveitam dos conflitos de sua época, isto é; quando não os produzem. A base de tudo é uma militância cega, idiotas úteis como diria a própria KGB.

Para tamanha cegueira ideológica de seus militantes existe um motivo psicológico. Hayek o chama de economofobia. Significa que muitos indivíduos (em geral o jovem) desejam bens materiais, mas não está compromissado com o sacrifício para obtê-lo. Em psicologia eles sofrem de imaturidade, ou seja: “um padrão comportamental ocasionado pela permanência de um indivíduo em estágios anteriores de desenvolvimento tanto intelectual como moral. Uma das principais características da imaturidade é a dificuldade em assumir a responsabilidade pelos próprios atos”. Neste sentido podemos compara-los a crianças que tem tudo em suas mãos, devido ao esforço alheio de seus pais. Eles não precisam trabalhar para obter comida e brinquedo. Quando se chega à maturidade, estas pessoas estão acostumadas com este tipo de perspectiva e fogem de suas responsabilidades acreditando que a sociedade lhe deve algo. E tal como crianças acostumadas a partilhar os mesmos brinquedos e brincadeiras, são contrários a qualquer comportamento individualista. Aquele que pensa e age de forma distinta lhe é estranho, antissocial e prejudicial à ordem preestabelecida em sua idealidade.

Logo, o pensamento socialista persiste através do tempo pelo fracasso de determinadas nações, mentira, demagogia, imaturidade de seus adeptos e pela visão simplória de muitos de seus opositores. O socialismo é uma doença que não independe de resultados, e que se espalha por sentimentos baixos e pelo desprezo para com a individualidade. Durante o tempo em que permuta, vários intelectuais se dispuseram a analisar e conceituar o socialismo. Mas fora nas palavras de Winston Churchill, responsável pela derrota nazista e pela Cortina de Ferro que viria dar fim no comunismo permitindo que ele mesmo se autodestruísse que vieram as palavras mais sábias: “O socialismo é a filosofia do fracasso, o credo na ignorância e o evangelho da inveja. Sua virtude inerente é a distribuição igualitária da miséria”.

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Christiano Di Paulla

Em 1944 Friedrich Hayek publicara uma de suas obras mais magistrais: O Caminho da Servidão, que lhe ajudara a conquistar o Nobel de Economia. Nesta obra, Hayek demonstra que o coletivismo político-econômico, seja na forma do nazismo, fascismo ou comunismo levariam qualquer nação ao inevitável fracasso. Segundo ele, em tais economias marcadas pelo planejamento central a responsabilidade impera sobre um pequeno grupo, que por sua vez, é incapaz de processar a enorme gama de informação econômica, o que prejudica toda a alocação de bens e serviços. Com isto, os visíveis fracassos econômicos, impulsionam revoltas populares que culminam no uso da força por parte dos governantes, ampliando a opressão. Pouco depois, em 1949 seu mentor, Ludwig Von Mises publica Ação Humana, onde demonstra a impossibilidade de um sistema socialista através do “Problema de Cálculo Econômico”. Segundo Mises, sem propriedade privada, não há mercados, nem a formatação de preços responsáveis por estabelecer cálculos econômicos a fins de alocar bens com eficiência, o que leva ao irredutível colapso econômico.

Como bem dissera o economista brasileiro Roberto Campos, caso os marxistas que dominaram grande parte da Ásia, África e Europa tivessem estudado tais autores, poderiam facilmente compreender seu destino inevitável e talvez: remediá-lo. Estes foram os motivos que propiciaram a ruína da Coreia do Norte, a dissolução da URSS, a abertura comercial da China e a aceitação do fracasso socialista por parte do governo cubano. Todavia, em pleno século XXI, ainda cabe questionar: qual o destino do sistema socialista?! A resposta é muito óbvia: para manter-se de pé, tais nações necessitam reduzir as dimensões do Estado e liberalizar suas economias. Neste sentido, as primeiras tentativas de liberalização vieram na China em 1978 após a morte de Mao Tse Tung. Deng Xiaoping eliminou as comunas agrícolas, privatizou setores, permitiu a entrada de empresas e capitais estrangeiros. Deste então a China se liberaliza à passos lentos. Mas atualmente, o primeiro ministro Li Keqiang assumira a responsabilidade de tornar Shangai uma área de livre comércio com uma estrutura livre de impostos e regulamentações a fins de atrair investimentos. Este é o primeiro grande passo para um capitalismo chinês de âmbito nacional.

A segunda foi à Rússia, logo após a queda da URSS. Durante a desintegração da URSS (1990-1991) a Rússia passara por severas mudanças, desde sua primeira eleição direta presidencial à liberalização de sua economia. Ocorreram desregulamentações, privatizações e uma grande abertura comercial. Todavia, este processo ocorrera inicialmente de forma equivocada, e muitas empresas foram entregues a membros do governo que saíram do país estimulando uma fuga de capitais. Embora a transição de uma economia planificada para uma economia de mercado tenha fora conturbada, o governo russo intensificou sua liberalização em 1997 e já em 1999 a Rússia detinha uma taxa de crescimento em 6,8% ao ano. Desde então, a Rússia não parou de se liberalizar e crescer. O mais recente exemplo russo foi a liberalização do mercado de gás (2013) pelo governo de Pútin. O resultado destas medidas não poderia ser outro: a pobreza russa caiu e a classe média aumentou juntamente com a melhoria geral da qualidade de vida.

O mais recente exemplo vem de Cuba que desde 1990 lentamente liberaliza sua economia. Em uma entrevista Fidel Castro afirmara: “O modelo cubano não funciona nem mesmo para nós”.  Nos primeiros anos, 400 mil pessoas abandonaram empregos em estatais, reduzindo déficits ao mesmo que ampliavam-se permissões para a fluência da instituição privada. Centenas de atividades foram permitidas desde então e o numero de pequenos empreendedores cresce anualmente. Os investimentos estrangeiros aumentaram e a agricultura coletivista passou nos últimos anos para a gestão privada. Com o governo de Raul Castro, mais de 1 milhão de empregos em estatais foram eliminados e seus subsídios cortados. Todavia, Cuba parece remediar seu inevitável fim ao máximo. Mesmo com mudanças econômicas jamais pensadas pelo governo cubano, as mudanças políticas parecem não existir. Mas sabe que permanecerá estagnada se não agir no caminho de maiores liberdades políticas e econômicas. Por fim, devo citar o exemplo da Coreia do Norte: a servidão e uma fome que levara ao canibalismo assolam a nação cujo governo não permite mudanças. Sobrevivem graças a ajuda internacional enquanto milhares arriscam suas vidas tentando fugir do país.

Em todos os exemplos, está extremamente claro que o sistema socialista está a beira da morte. Russa e China se liberalizam mais rapidamente, pois visam mercados globais e ampliação de seus poderes econômicos continentais. Destas nações, quem mais depende de uma liberalização é a China cujo setor imobiliário estatal gerara cidades fantasmas e uma inevitável e velada bolha imobiliária. Já Cuba, segue lentamente, enquanto o espectro socialista ainda ronda a América Latina, uma vez que a estupidez governos como da atual Venezuela lhe permitem remediar o inevitável através de financiamentos. Na contramão, a Coreia do Norte persiste em uma absurda utopia marxista, atrasada, pobre e com sério revanchismo militar, cujo blefe constante lhe garante de autoridades internacionais, o mínimo para sobreviver do pior modo. O socialismo/marxismo fora absolutamente derrotado por si mesmo, enquanto o mundo testemunhou o inevitável sucesso dos mercados capitalistas. Diante este fato, os prudentes visam deixar de lado o idealismo tolo e os fanáticos da doutrina do fracasso, persistem pregando seu sistema nefasto. Por isto aqueles que visam defender as liberdades individuais o progresso social, político e econômico, devem estar de prontidão para impedir que outras nações se tornem laboratórios desta doença fatal!

Referências:

Wei Ge (1999) – Zonas Económicas Especiais e da transição econômica na China. World Scientific Publishing

Park, Jung-Dong (1997) – As Zonas Económicas Especiais da China e seu impacto no seu desenvolvimento econômico. Greenwood Press

Nuffield Study Group-Aves visita à Rússia – A Research BEMB e Education Trust. A.

Elisabeth J. Perry , Christine Wong  (1985). Economia Política da Reforma da China pós-Mao. Harvard University Press

Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo – 2013

FMI 2008 – Rússia

BBC News Março 2008 – Rússia atrai investidores apesar de sua imagem

VI Congresso do Partido Comunista em abril de 2011

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A meio século quem imaginaria ver os símbolos do capitalismo americano na China e Rússia? Os economistas austríacos é claro!

Christiano Di Paulla