Arquivo da categoria ‘Problemas globais’

Embora com apenas um ano de mandato, Donald Trump é sem dúvidas um dos mais controversos presidentes da história dos EUA. Descendente de escoceses e alemães, Trump tornou-se um empresário de sucesso e até mesmo uma personalidade televisiva conhecido pelo programa “O Aprendiz”; que rendera versões em vários países, incluindo o Brasil. Conhecido por posicionamentos firmes e opiniões diretas, Trump se elegeu o 45º presidente dos Estados Unidos em janeiro de 2017, mesmo sendo alvo de um bombardeiro de ataques. Sua campanha foi marcada por uma série de polêmicas, como expressões indelicadas e a ampliação do muro inicialmente construído por Bill Clinton na fronteira com o México. Embora com menos votos populares que seu concorrente, Trump se tornou o 4º presidente dos EUA ganhar o colégio eleitoral.

Mesmo com todas as críticas não há como negar o sucesso econômico das politicas de Trump. Em apenas um ano o novo governo realizou uma rápida e ampla gama de reformas que deram folego à economia. Em 2017 a bolsa de valores bateu recordes históricos, ganhando US$ 8 trilhões e a Dow Jones fechou o ano registrando um aumento de 25,45%. O governo Trump foi responsável pelo maior corte de impostos da história dos EUA. As deduções gerais para empresas estadunidenses caíram de 35% para 21 %. O corte beneficiou principalmente pequenas empresas e agora possuem uma dedução máxima de 20%. Com um volume maior de capitais destinados a investimentos foram gerados 2,4 milhões de empregos, sendo 200 mil da indústria. Os cortes de impostos beneficiaram mais de três milhões de trabalhadores que receberam bônus e reajustes salariais – algumas horas depois do anuncio da lei.

A reforma tributária também foi direcionada às famílias. As famílias mais pobres dos EUA que recebem até US$ 24 mil anualmente estão isentas de impostos. Famílias de até quatro pessoas que recebem até US$ 75 mil tiveram seus impostos reduzidos em 50% (US$ 2 mil). Com o corte de impostos a renda média salarial estadunidense que até então estava estagnada, teve um aumento de cerca de US$ 4 mil. A taxa de desemprego caiu para 4% sendo a menor em 45 anos, superando o governo Clinton. O desemprego de negros e hispânicos é o menor em toda historia americana. Trump eliminou mandato individual do Obamacare e dobrou o crédito infantil. Mais de meio trilhão de dólares que estavam no exterior retornaram para a economia. Empresas do mundo todo anunciaram investimento nos EUA como a Apple que pretende investir 350 bilhões nos próximos anos.

O único erro econômico de Trump até o momento foi dar aval a politicas protecionistas. Em 1º de Março de 2018 seu governo impôs aumento das tarifas sobre o aço em 25% e em 15% sobre o alumínio com objetivo de inflacionar seus preços para a importação o que beneficiaria produtores internos. Entretanto há 200 mil trabalhadores neste setor e 2.4 milhões em áreas que se beneficiam dele. Com custos maiores estes empresas perderão lucratividade e seus trabalhadores perderão emprego e renda. Eis uma repetição em loop de fracassadas politicas anteriores. Em 2002 Bush impôs uma tarifa de 30% sobre o aço chinês com o mesmo objetivo. O resultado foram 200 mil empregos perdidos, o que representava na época um numero muito maior que de empregos supostamente protegidos. Infelizmente os EUA parecem ignorar que o protecionismo destruiu Detroit e outros setores altamente produtivos.

Com mais acertos que erros, a continuidade dos sucessos econômicos de Trump dependerá de como sustentará reformas e saldos positivos do primeiro ano. Um corte de impostos neste nível conduz a contensão de gastos o que implica em privatizações, cortes de cargos, salários e eliminação de regalias politicas. Contrariamente um orçamento enxuto tem se tornado atípico entre governos republicanos, cujos gastos sob Reagan e Bush foram mais elevados que com os democratas Clinton e Obama. Como se não bastasse Trump também enfrenta elevado endividamento publico deixado pelos governos anteriores. Seu maior entrave é sem dúvidas o gasto militar que tem gerado problemas desde janeiro de 2018. Seus maiores desafios são; reduzir o orçamento federal, se distanciar de grandes conflitos armados e reduzir a divida publica contrariando a tendência da ala conservadora de seu partido.

Por estas vias, as alegações quiméricas como a de que o presidente arruinaria o país e desencadearia até mesmo um conflito nuclear, não possuem o menor fundamento. Trump é um negociador notório e grande estrategista ao contrário da governança geopolítica frouxa de seu antecessor. Ao afastar os porta-aviões norte-americanos do mar da Ásia Obama permitiu que a China ameaçasse ilhas japonesas e que a Coreia do Norte fizesse o mesmo com a Coreia do Sul. Como se não bastasse ao retirar das baterias antiaéreas do leste europeu, permitiu que a Rússia ajudasse terroristas separatistas na Ucrânia. Trump reintegrou o apoio militar aos aliados, demonstrou grande afinidade com Putin e Xi Jinping estreitando laços com antigos rivais minimizando conflitos. Foio pivô de um ato histórico; em abril de 2017 pela primeira vez um líder norte-coreano cruzou a divisão das coreias anunciando um tratado de paz.

Conclusão

O que resta aos opositores de Trump é usar polêmicas que na maioria não retiram o mérito de sua gestão como o suposto caso com uma atriz pornô. Resta alegar que seja racista, mesmo que seu partido tenha combatido a escravidão e não o rival que a defendera, embora digam ter orgulho de eleger o primeiro presidente negro. Resta chamá-lo de xenófobo, mesmo que uma política de livre-imigração levaria milhões de imigrantes aos EUA, gerando problemas sociais, desemprego e salários baixos, embora com uma taxa de desemprego em queda só lhe restará abrir as fronteiras para suprir a futura demanda de mão de obra. Resta chama-lo de belicista, mesmo que seu notável corte de impostos o leve a uma direção contrária. A única crítica cabível se refere ao protecionismo apesar de que a redução dos impostos possa mitigar seus impactos. Para os demais resta esperar se sua gestão continuará a brilhar ou se apagará como falsa chama no fim do túnel.

Christiano Di Paulla

574222-donald

Os defensores de Trump possuem mais motivos para comemorar que para se entristecer. Aos mais céticos cabe aguardar o decorrer do mandato para que possamos compreender seu legado.

Anúncios

Um dos motivos para os EUA serem um país tão próspero é sua liberdade de expressão quase que irrestrita. Graças a ela o indivíduo pode abstrair-se ao máximo usando todo seu potencial criativo. Por este motivo a inovação é uma das chaves para o sucesso da economia americana. A liberdade é tamanha que nos EUA você pode se declarar nazista, comunista, pedófilo, terrorista e o que bem desejar. Naturalmente estes indivíduos não possuem liberdade para agir a partir de suas premissas uma vez que elas ferem o espaço alheio. Desde que o nazista não agrida judeus, que o comunista não tome posse das propriedades alheias que o pedófilo não abuse de crianças e que o dito terrorista não mate civis ele pode expressar seu pensamento. Entretanto para boa parte do mundo isso é uma perspectiva polêmica que deve ser evitada a todo custo. Recentemente a manifestação de grupos neonazistas repercutiram no mundo todo, criando um imenso debate a respeito de até onde pode ir a liberdade de expressão. Porque permitir expressões violentas e preconceituosas que podem conduzir a crimes execráveis sejam proferidas em público e disseminadas? A resposta é simples: inibir a expressão de um pensamento não inibirá que ele seja pensado, disseminado ou até mesmo manifestado na realidade.

Proibir as pessoas de se manifestarem a favor do nazismo não impedirá que pessoas se simpatizem por Hitler e compartilhem suas ideias assim como impedir que o pedófilo diga se atrair por crianças não prevenirá o abuso infantil. Na verdade a ilegalidade da expressão tem uma péssima consequência; ela retira da sociedade a visibilidade de agressores em potencial. Sem visibilidade os agressores possuem muito mais mobilidade para tramar seus planos e agir. Tomemos como exemplo um país como a França onde expressões de ódio a cultura ocidental são proibidas. Para a realidade francesa atentados terroristas vindos de radicais islâmicos são muito mais comuns que nos EUA, pois na França o agressor está acostumado com anonimato ocultando suas intenções até que elas se tornem realidade. Nos EUA um indivíduo que defenda em público atos terroristas à Washington em nome do Jihad será  alvo de investigações policiais de imediato e suas possíveis ações serão facilmente inibidas. Em consequência indivíduos como este são execrados da sociedade. Eis um dos motivos para a KKK usar capuzes. Se o funcionário de uma rede de supermercado for flagrado numa de suas manifestações será automaticamente demitido, já que nenhuma empresa desejará se associar a ele. Além disso, dificilmente conseguirá arrumar outro emprego.

Em países livres a sociedade trata de punir agressores sem que seja necessária qualquer intervenção estatal, enquanto em países paternalistas os agressores são protegidos pelas leis de censura. Um membro da KKK que perdeu o emprego, amigos e vínculos sociais devido a opiniões racistas dificilmente servirá de inspiração para seus observadores. Já uma expressão velada tende a se conservar através do tempo em face ao anonimato e a censura. Para muitos jovens atos ilegais são sedutores, mesmo porque não sofrem uma crítica aberta capaz revelar sua real natureza coibindo-os. Já o que é pronunciado abertamente pode ser refutado e desmoralizado enquanto tabus se tornam dogmas. Em outras palavras; os reais inimigos da sociedade moderna devem ser vistos, suas ideias devem ser debatidas com argumentos sólidos e suas ações devem ser barradas. Nada disso pode ser possível em uma sociedade onde existe censura para a livre expressão. Obviamente ninguém em sã consciência chamaria um nazista para um Pessach, contrataria um comunista para sua empresa ou deixaria seu filho pequeno aos cuidados de um pedófilo. Todavia, como identificá-los se não podem se expressar?! Não é exagero dizer que a irrestrita liberdade de expressão é benéfica para a sociedade ao desnudando malfeitores, deixando claro: “qual a origem destes males e como corrigi-los?”

O mais importante a ser dito a respeito da liberdade de expressão é que ela não existe pela metade. Não existe meio sentimento, meio pensamento, meia confissão. Da mesma forma não existe expressão que esteja livre de ofender outrem. Para um judeu é ofensivo sair para um passeio ao domingo e perceber que há lojas abertas por todos os lados. Para um indiano é ofensiva uma propaganda do Mcdonalds onde a carne está sendo devorada. Para um muçulmano é ofensivo o topless das mulheres em Copa Cabana. E é ainda mais ofensivo para ambos expressões de incentivo à estas práticas. Se perguntarem para Richard Dawkins o que ele acha do Deus do velho testamento ele não pestanejará em dizer que é “o ser mais desprezível da ficção”. O mesmo para Trump em relação à Obama, para um funkeiro em relação à um roqueiro, um cruzeirense com relação à um atleticano etc. É exatamente a liberdade para dizer o que pensamos, por mais ofensivo que possa ser que garante nossa própria liberdade. Significa que na medida em que a liberdade de expressão do outro for retirada, a minha também será e vise versa. Os filósofos dos tempos da Revolução Francesa entendiam esta perspectiva, tanto que Voltaire citou certa vez: “Posso não acreditar numa palavra do que dizes, mas lutarei até a morte pelo direito que tens em dizê-la”.

Na medida em que rogamos maior intervenção do Estado para impedir expressões que consideramos indevidas, permitimos que o mesmo seja feito com relação às nossas próprias expressões. É exatamente isso o que desejam governos autoritários. No Brasil a esquerda tornou comum a consideração de que qualquer expressão contrária a seu discurso demagogo representa supostamente um crime de “preconceito” ou “discurso de ódio.” Se você é contra cotas raciais, cotas de gênero, vagões para mulheres, manifestações artísticas obscenas ou contra o financiamento público de carnaval e passeatas gays é automaticamente considerado “preconceituoso” cabendo ao Estado o dever de silenciá-lo. Tal perspectiva está tão alicerçada em nosso tempo que tramita uma emenda que exige que os provedores de aplicativos e redes sociais sejam obrigados a suspender a publicação quando denunciada como “informação falsa” ou “discurso de ódio” até que o autor seja identificado. Seus defensores alegam que a lei evitaria que sejam criados usuários fictícios para difamar partidos ou candidatos. Assim uma vez que confirmado que se trata de um usuário real a publicação seria liberadas. Naturalmente isso não passa de um artifício para encontrar e silenciar opositores.

A nova onda de censura no Brasil não é privilégio da nova esquerda. A direita ultraconservadora segue pelo mesmo caminho como demostra o projeto de Lei 8615/2017, de 19 de setembro de autoria do pastor Marcos Feliciano. Segundo o texto, não será permitido que a programação de TV, cinema, jogos eletrônicos e de interpretação (RPG) e apresentações ao vivo abertas ao público “profanem símbolos sagrados”. Sem clareza, o texto pode embasar proibições desde Iron Maiden a Lady Gaga, até jogos eletrônicos como World of Warcraft e Diablo III. Infelizmente direita e esquerda parecem comungar num propósito; impedir que pensamentos contrários as suas ideologias se perpetuem limitando qualquer oposição. É exatamente por isso que não podemos considerar a existência de um tipo restrito de liberdade de expressão. O que consideramos ruim para nós e para nossos filhos devemos coibir no ímpeto privado como ocorre nos EUA. A exemplo podemos citar o recente boicote a uma exposição financiada pelo Banco Santander onde clientes insatisfeitos fecharam suas contas. Para o Estado deve caber apenas a inibição de crimes contra a propriedade privada como atos de vandalismo, incentivo à pedofilia, atentado ao pudor em áreas públicas etc.

Conclusão:

A liberdade irrestrita de expressão é a única que pode existir. Liberdade de expressão é o direito de ofender já que não há pensamento particular que não seja ofensivo para uma ou várias pessoas. Se permitirmos a censura de determinado pensamento, permitiremos aos censuradores a proibição dos nossos. Vivemos numa era em que tudo é “discurso de ódio” já que isso camufla ideias ardilosas pra que alguns governantes se mantenham no poder. Neste sentido não há limite para o que “deve” ser censurado. E acima de tudo a grande questão é não deixar que pensamentos execráveis se tornem um problema para a sociedade como roga o paradoxo da tolerância de Popper: “tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes.” Ideias nocivas podem ser expressas sem jamais a prática do que pensam. Se permitirmos mais que isso, tais práticas destruirão nossas liberdades. Tolerar acima de tudo não significa aceitar, mas ficar atento. Em suma; só poderemos conhecer os reais inimigos da liberdade se os observarmos de perto.

Christiano Di Paulla 

11008391_909979245700631_8472076053027295018_n

Estamos rumando para uma sociedade onde qualquer forma de pensar deve ser censurada uma vez que seja considerada ofensiva para outros. Mas isso não se trata de ofensa, trata-se de controle!

 

Nos últimos meses, a mídia global se voltou para o problema dos elevados fluxos migratórios na Europa. Desde o início de 2015, mais de 300 mil pessoas tentaram chegar ao continente através de travessias perigosas pelo Mediterrâneo. Segundo a ONU, 62% destas pessoas são refugiados que fogem do terrorismo e de conflitos armados. Os demais são imigrantes que buscam melhores condições. Estes fatos evidenciam dois grandes problemas globais; a violência sistêmica e a pobreza. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, cerca de 60 milhões de pessoas em todo mundo, não estão assentadas devido a conflitos armados. Desde total, 19,5 milhões buscam asilo em outros países. Já a miséria extrema atinge mais de um bilhão de pessoas, embora esteja caindo gradativamente, como informa o último relatório do Banco Mundial. Quais as causas destes problemas e como revertê-los?! É o que discorrerei neste artigo, sem demagogia ou receitas superficiais.

Os principais refugiados vem dos confrontos no Oriente Médio. Após a Primavera Árabe em 2011, quando a população tentou derrubar o ditador Bashar al-Assad, houve uma fragmentação do poder sobre o território sírio. Governistas, disputaram território com rebeldes e com radicais da al-Nursa. O conflito abriu espaço para o Estado Islâmico que passou a controlar mais de 50% do território. No Afeganistão o fluxo de refugiados tem quatro fases: invasão soviética (1978 a 1989), guerra civil (1992 a 1996), regime do Taleban (1996 a 2001) e intervenção norte-americana, após os atentados do 11 de setembro. Embora 3,8 milhões de afegãos que se refugiaram no Paquistão tenham retornado após a intervenção norte-americana, a insurgência do Taleban fez ressurgir a imigração. No Iraque, confrontos entre xiitas e sunitas, arbitrariedades no governo de Nouri al-Maliki após a saída da coalisão e a fragilidade das fronteiras durante os conflitos sírios, permitiram o avanço do EI, gerando mais refugiados.

Na África não é diferente. Desde que Isaias Afwerki tornou-se o primeiro presidente da Eritreia, o país sofre com a opressão militar e com uma economia planificada, sendo chamado de Coreia do Norte africana. Após a queda do terrível ditador marxista Siad Barre em 1991, a Somália passou a sofrer conflitos internos e com instabilidade política. Milícias islâmicas como do al-Shabaab, geraram 1 milhão de refugiados. Na Nigéria, conflitos com a milícia islâmica Boko Haram, que controla grande parte do país e serve ao EI, produziram 1,3 milhões refugiados. Além disto, parte do mundo sofre com a pobreza que advém de vários fatores. Grande parte dos países pobres possuem governos autoritários e corruptos ou aderiram a um modelo de economia planificada, eliminando sua produtividade, devido a influência soviética na África, Ásia e Oriente Médio (1960-1990). Exceções, prosperam consideravelmente (Maurício e Botswana). Além disto, há o problema seca que reduz as áreas necessárias para pastagem e agricultura.

Diante tais problemas, milhares migram para o ocidente em busca de um sistema político estável, liberdades civil, segurança e prosperidade. Todavia, a imigração não é bem vista por todos. Alguns alegam que os imigrantes prejudicarão a economia, além de “roubarem empregos”. Entretanto, a quase totalidade dos imigrantes fornecem mão de obra pouco qualificada, atuando em setores cuja demanda não é suprida pela mão de obra local. Isto libera a mão de obra local para atividades ainda mais produtivas, agregando a economia. Mas a grande maioria receia quanto a terroristas disfarçados entre os refugiados. Embora países desenvolvidos tenham leis severas quanto a identificação e registro, não há como garantir a segurança. Terroristas poderão (com toda certeza) usar os refugiados como “cavalo de troia” para promover futuros ataques. A única saída é usar de todo sistema de inteligência, para os riscos e redobrar a segurança. Atentados, prisões e deportações não serão incomuns.

Alguns receiam quanto a “islamização radical” da Europa pelo crescimento da intolerância religiosa, dissolução do laicismo e do Estado de direito etc. Isto ocorreria já que a natalidade europeia é baixa, enquanto a muçulmana é alta, levando a um repovoamento islâmico. Embora alguns chamem isto de xenofobia, não é. A maioria dos imigrantes vem de países tomados pelo fundamentalismo e crimes motivados pelo extremismo não são incomuns. Atitudes barbaras também são presenciadas em recém refugiados. Ilhas gregas estão sendo depredadas e fundamentalistas rejeitaram comida na fronteira da Grécia com a Macedônia, devido ao símbolo da cruz vermelha. Este comportamento é nocivo para o ocidente que consolidara seu sistema pautado no racionalismo, na liberdade civil e econômica. Caso imigrantes sejam aceitos, devem ser educados quanto a leis e costumes e a Europa deve incentivar o repovoamento local. Lembrando; nenhum país é obrigado a aceitá-los nem deve ser condenado por isto.

Mesmo que todas estas medidas sejam tomadas, a imigração persistirá até que a raiz do problema seja atacada. Grupos extremistas e ditadores não aceitam diplomacia e não fazem concessões. O único modo de derrota-los é pela força, mas os governos da Síria, Iraque e demais nações, não possuem meios para isto. Deve haver uma intervenção estrangeira, mas jamais, como pretende EUA e França; armando rebeldes locais. A história prova que isto alimentará uma nova guerra, uma vez que o inimigo comum seja derrotado. A OTAN deve lançar suas tropas sobre os territórios dominados pelo terror pessoalmente, uma vez consentido pelas nações ameaçadas. Uma vez que estes criminosos estejam derrotados, a reconstrução política orientada pela ONU e econômica orientada pelo FMI será fundamental. O ocidente deve auxiliar a defesa destas nações, em seu desenvolvimento, promover a cultura da democracia e da tolerância, para que a miséria e o fundamentalismo sejam erradicados. O menor dos problemas é a seca, que pode ser erradicada com investimentos na dessalinização da água do mar.

Conclusão:

O problema dos fortes fluxos migratórios só acabarão quando ninguém for mais forçado a abandonar seu país em face as privações da miséria e da guerra. Esta crise é global e deve ser abraçada por todos. Portanto é necessária uma ação conjunta, firme e bem definida, cujos custos ainda não podemos definir. Entretanto é melhor arcar com estes custos agora, que permitir que mazelas maiores se multipliquem para o futuro!

Se você é daqueles que acha que há outro caminho para deter o EI senão o militar, tente convencê-lo!

Se você é daqueles que acha que há outro caminho para deter o EI senão o militar, tente convencê-lo!

Christiano Di Paulla