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Porque não levo o marxismo a sério

Publicado: abril 21, 2018 em Marxismo

Bastam cinco minutos ouvindo um marxista sincero para notar o teor cancerígeno de suas hipóteses. O Matrix da ficção marxista supõe uma condição irredutível de servidão do trabalhador, ganhos baixos e consumo fútil. Não importa o que seja feito, o trabalhador jamais abandonará esta condição em face ao conceito marxista monolítico de classes sociais. Eis um mundo materialista em concepções simplistas segundo a ótica de um processo histórico repetido. Perspectivas que se revelam contrárias à realidade complexa, dinâmica e em constante transformação. A demagogia marxista intenta disfarçar sua natureza ; a inveja da prosperidade, já que não é compreendida nem mesmo praticada. É neste momento que seus intentos nefastos são deflagrados, mesmo sob palavras de pessoas que não entendem sua real natureza ou para aqueles que muito tardiamente não estudaram suas refutações.

Geralmente as falácias marxistas iniciais remetem às supostas “luta de classes” e a “mais-valia”. Marx possuía uma visão histórica claramente idealista, mecanicista, economicista e reducionista no qual a história seria movida pela relação de produção. Sua visão materialista da história ignora a imprevisibilidade da cadeia de eventos e a subjetividade humana. Segundo ele a sociedade seria irredutivelmente dividida em duas classes antagônicas: burgueses e proletariados. Entretanto a palavra burguês vem de “burgo” que eram os primeiros povoados a se formar além dos domínios dos feudos, uma vez que as fronteiras europeias haviam se solidificado com Carlos Magno. Empregadores e mão-de-obra assalariada surgiram do mesmo tipo de sociedade livre, relacionando-se através de contratos voluntários de trabalho assalariado. Marx supôs uma falsa dicotomia numa mesma estrutura social.

O conceito de luta de classes sustenta a hipótese de irredutível servidão do proletário aos chamados “proprietários dos meios de produção”. Como cita Mises o capitalismo não possui classes estáticas como descrito por Marx – algo próximo do sistema indiano de castas. Nada impede que um trabalhador faça poupança (acumulando capital) atue como empreendedor (4º fator de produção) tornando-se empregador ou o contrário; que venha a falir caso não atue como demandado pelos consumidores. Trabalhadores adquirem capitais (ações, títulos etc.) e os produzem (capital intelectual e humano), assim como um mero pincel pode ser tido como meio de produção. A teoria marxista adultera não somente a estrutura da sociedade, mas a origem e função social do capital; que são a poupança e o investimento em longo prazo. Ela condiciona o trabalhador a pensar que jamais prosperará alienando-o de como.

Marx visa dar razão a sua ficção alegando que o trabalhador seria inexoravelmente explorado por não receber por tudo o que produzia (mais-valia). Entretanto o valor de insumos (incluindo salários) não é formatado pela produtividade,  mas pela lei básica de oferta e procura. Como a produção é incerta e demanda tempo, tanto o proprietário de um galpão que “vive de capital” segundo a ótica de Marx, como o assalariado e fornecedores de matéria prima não esperam o termino da produção para receber em proporcional, mas recebem um valor fixo a pago de antemão, blindando da espera e riscos (lei de preferência temporal). O valor não é material, mas subjetivo e o trabalho é incerto e heterogêneo. Nem preços, salários ou capital são determinados pelo trabalho, mas o contrário. Marx distorce o papel do empreendedor e demonstra nada saber a respeito de respeito de vendas, custos e contabilidade.

O conceito marxista de “alienação” sugere homem é dominado pela ferramenta e não o contrário. Devido a ausência de controle dos meios de produção, operários são incapazes de compreender seu processo e o valor. Entretanto o valor é subjetivo e indelineável na medida em que a psique humana está em constante transformação. Já o conhecimento humano é “disperso e ilimitado” e em irredutível transformação. Não há quem compreenda todos os métodos produtivos nem os anseios de todos os indivíduos ou que seja capaz de prever as inovações consequentes com segurança ou a simples descoberta ou mudança de utilização de determinado recursos natural. Entretanto, o trabalhador pode adquirir conhecimento distinto, empreender segundo suas estimativas e obter bons resultados gerando valor ao suprir necessidades percebidas.

Marx retira o poder decisório que é dado ao indivíduo através da propriedade privada delegando a quimérica onisciência dos planejadores centrais o dever de controlar todas as relações produtivas e sociais. É a destruição da mais perfeita democracia; aquela feita diretamente nas relações de troca comercial. Para alcançar seus objetivos nefastos faz-se necessário a total desapropriação de indivíduos e instituições; algo que só pode ocorrer através do uso da força uma vez que há inevitável resistência. Ele compensa esta tirania em seu no universo lúdico de Marx sob a hipótese de que estes nobres homens cuja moral e virtude estaria acima de todos (ladrões e assassinos), dariam fim ao período revolucionário para que surgisse uma autogestão imaginária que inexiste em possibilidade técnica. É sem dúvidas alguma; uma magistral obra de ficção.

As teorias marxistas guiam a um caminho tirânico e economicamente catastrófico. Ao destruir a propriedade privada, Marx impede que a troca voluntária dos bens formem preços necessários para coordenar uma economia complexa e dinâmica. Preços são indicadores da escassez relativa dos bens em termos monetários. Eles permitem que sejam feitos cálculos contábeis a fins de coordenar a produção e indicar os fatores mais econômicos. Marx elimina a racionalidade econômica defendendo uma “economia de vidência”. Sem preços os planejadores agem as cegas, e suas falhas atingem todos os agentes econômicos. Na medida em que planejadores centrais falham,  o colapso econômico produz rebeliões e sua contensão pela força como vimos em todas suas experiências. O registro histórico demonstra a escassez ou desperdício de recursos e o totalitarismo das nações que mais se aproximaram do marxismo.

A análise histórica e científica da economia é clara; a Revolução Marginalista e a Escola Austríaca de Economia refutaram as teorias socialistas – incluindo Marx. Todos os experimentos socialistas dos utópicos às bolivarianos falham catastroficamente. As previsões de Marx se revelaram o oposto. Países onde o capitalismo é mais direcionado ao lucro e ao mercado alcançaram níveis de prosperidade econômica e qualidade de vida jamais inimagináveis. Já países dominados pelo socialismo/marxismo fora alcançado o apogeu de tirania, corrupção e privações de todos os tipos. Estas premissas devem ser esclarecidas e o marxismo extirpado dos debates sérios a respeito das ciências que estudam o homem e a sociedade assim como a alquimia e o criacionismo de congressos a respeito de química e biologia evolutiva.

Porque não levo o marxismo a sério?! Não o levo porque é uma piada; uma piada macabra a respeito de como entronar tiranos, arruinar economias e cometer genocídios através da promessa de um paraíso de igualdade, prosperidade e paz.

Christiano Di Paulla

Vista corretamente a teoria de Marx não faz nenhum sentido senão conferir poder a tiranias a custo de milhões de vidas. O marxismo sobrevive apenas de promessas já fracassadas e de idealismos políticos com viés partidário.

 

 

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Uma breve refutação ao marxismo

Publicado: abril 5, 2018 em Marxismo

Se há um espectro nefasto que ronda o imaginário acadêmico disseminando falácias e utopias sociais é sem duvidas alguma a figura do comunismo. Chega a ser assustador a visão deste tipo letal de pseudociência impregnando universidades do mundo todo, doutrinando indivíduos em conceitos errôneos enquanto transvestido de senso crítico. A visão de teorias marxistas sendo usadas como reais em nosso tempo é similar ao uso de magia, alquimia ou de rituais xamânicos que conduzem ao adoecimento e falecimento do corpo em um centro de produção científica em pleno século XXI. Diante tamanha catástrofe, não há alternativa senão demonstrar a falibilidade destes conceitos. Para desmembrar estes mitos, este breve artigo visa trazer a tona refutações cabais as principais teorias marxistas de forma resumida, demonstrar sua impossibilidade como modelo econômico e evidenciar sua natureza anticientífica e citar seus resultados laboratoriais.

A tese marxista.

Para tratar do tema, primeiramente devemos dissertar sobre o marxismo enquanto hipótese. O pilar central da economia marxista é a teoria do valor-trabalho de Smith (1776) Ricardo (1817) no qual bens só possuem valor em face a ação laboral do homem. Para Marx (1867) o valor depende da quantidade de trabalho socialmente necessário para a produção de determinado bem. O acumulo de capital e a disparidade econômica entre empregador e empregado se daria pelo lucro, resultado do não pagamento do valor integral da produção ao contratado. Este seria o germe da “mais-valia” demonstrando uma irredutível exploração do sistema capitalista, no qual o trabalhador estaria alienado dos meios de produção devido ao domínio privado das classes dominantes. Isso seria reflexo de um processo histórico chamado “luta de classes” (1852) que só teria fim com uma revolução comunal capaz de extinguir a propriedade privada, as classes sociais e condições exploratórias, dando origem a uma hipotética sociedade igualitária, próspera e justa (1848).

A Revolução Marginalista.

Poucos anos após a disseminação da tese marxista houve a Revolução Marginalista, dando origem a economia neoclássica, austríaca e matemática através de Jevons (1870), Menger (1871) e Walras (1874). As teorias clássicas foram revisadas ou abolidas, como ocorrera com a finada teoria do valor-trabalho – base da teoria marxista. Como descreveu Menger o valor de um bem não depende da quantidade de trabalho impresso, mas da importância subjetiva dada pelos consumidores. O “valor é subjetivo” e decresce na medida em que novas unidades do mesmo bem são adquiridas. Em suma pessoas possuem apreços distintos de forma que agem em desigual ao demandar e consumir. Böhm-Bawerk (1896) acrescenta com a “Escolha Intertemporal” que bens demandam tempo para serem produzidos, de modo que colaboradores não esperam o resultado final do processo produtivo e não compartilham da incerteza dos resultados seja lucro ou prejuízo, optando por um recebimento fixo prévio e contratual.

Exemplificação da realidade.

Em suma; valor, preço e lucro independem de tempo laborado. Suponha que a empresa A e B produzem camisas de forma homogênea (tempo/custo). A empresa A decide produzir um lote estampado com Ayn Rand e a B com Che Guevara.  Em face à demanda por camisas do famoso Che, o lote B se esgota rapidamente, inflacionado preços e elevando a lucratividade e o acumulo de capital. Já o lote A fica meses sem venda, forçando até mesmo uma venda abaixo do custo, causando prejuízo. Mesmo assim, o empregador da fábrica B já pagou os custos incluindo salários, meses antes com capital previamente acumulado, auxiliando colaboradores já que devido à incerteza não é possível calcular o tempo nem o resultado final para pagamentos integrais. E como cita Böhm-Bawerk, o capital não se destina em exclusivo ao pagamento de salários, mas para cobrir eventuais prejuízos, investimentos, pesquisa de métodos mais eficientes, aumento da produtividade, empregos e somente então a renda derivada dos fatores anteriores, não o contrário.

Uma vez que a exploração da mais-valia não existe, as demais teorias desmoronam. Ao pagar uma renda fixa sem a segurança do resultado final o empregador não explora, mas presta ajuda ao trabalhador e demais fornecedores de insumos. O trabalhador jamais almejou o fim da propriedade privada, mas se tornar empregador (como relatam dados a respeito do empreendedorismo) uma vez no capitalismo não há classes estáticas como no hinduísmo. O marxismo em sua visão materialista tornou-se o mais cego interprete da natureza humana. Nenhum homem é igual a outro. Ele não sente da mesma forma, não trabalha, poupa, demanda bens e serviços e os consome na mesma medida. Ignorando a subjetividade foi ignorada a natureza humana. Marx jamais compreendeu as leis mais básicas da economia, como escassez, oferta e procura, prejuízos e lucro, formatação de preços e salários etc. Suas teorias resistiram pelo teor ideológico e politico, jamais pela precisão científica.

Porque o marxismo nunca funcionaria?

Segundo Mises (1940) o sistema marxista inevitavelmente colapsará gerando escassez ou desperdícios de recursos devido ao Problema de Cálculo Econômico. Sem propriedade privada não há trocas voluntárias, existência de mercado e formatação de preços cujos algarismos cardinais servem como referenciais contábeis para a alocação racional dos recursos econômicos acentuando oferta à demanda, além de demonstrar quais os fatores de produção mais eficientes. Em suma a economia marxista é um jogo de adivinhação às cegas já que excluiu a racionalidade matemática contábil ao extinguir a propriedade privada e consequentemente a moeda. Para agravar Hayek (1974) cita que na ausência das informações que são transmitidas através do sistema de preços, há supressão dos planos individuais, centralização da tomada de decisão a cerca de uma gama de informações indelineáveis referentes a cada agente econômico. Na medida em que o planejador falha há revoltas populares e a supressão pela força, até que o sistema desmorona por completo como na URSS e demais experiências socialistas.

Em todas as experiências laboratoriais as perspectivas descritas acima foram justificadas. A escassez e o desperdício foram vistos desde a Revolução Russa levando a Nova Política Econômica de Lenin que restituíra a propriedade privada a pequenos agricultores como no desperdício assombroso de cana de açúcar na Cuba da década de 1970. Todos os experimentos socialistas – incluindo os utópicos – falharam dos Falanstérios de Fourier até a Venezuela bolivariana. Mais de 110 milhões de pessoas morreram diante a privação da fome ou da opressão, classificando o comunismo como a doutrina mais genocida da história. Milhões foram escravizados já que o socialismo é um regime por natureza escravista. Rússia, China, Coreia do Norte, Camboja, Vietnã, Angola, Zimbábue, Etiópia, Congo dentre outros inumeráveis exemplos ilustram o fracasso do socialismo. Do contrário todas as previsões a respeito do capitalismo falharam. Austrália, Canadá, Suíça, Singapura, Luxemburgo são claras demonstrações de que o capitalismo é o melhor sistema socioeconômico já inventado pelo homem – ao contrário do que pregava Marx.

O marxismo é científico?

Marx apoiou suas ideias num suposto método científico chamado “materialismo histórico”. Para Popper (1880) a perspectiva marxista da história exclui a subjetividade e a incerteza decorrente de eventos que não podem não determinísticos que não podem ser catalogados. Segundo o pensador (1934) a teoria marxista possui características dogmáticas e reducionistas, não sendo passiva à falseabilidade do método cientifico. Marx falhou em suas previsões críticas ao capitalismo, fez deduções sem embasamento experimental, negou o método tradicional da ciência criando o próprio (1921) e sua teoria fracassou em todos os experimentos laboratoriais  Em suma não há qualquer motivo para considerar o método de Marx científico, tão pouco suas teorias cujos resultados experimentais foram catastróficos. O marxismo é na verdade mero idealismo, sem qualquer alicerce nas evidências. Sua persistência como uma suposta “ciência” em métodos e resultados é senão um câncer intelectual inenarrável.

Conclusão:

Desde meados de 1870 a teoria do valor-trabalho foi derrubada e com ela desmoronou toda teoria marxista, cujo fundamento se assenta na tese da mais-valia. Suas demais teorias foram refutadas ao longo do tempo, em principal pelo empenho da escola austríaca de economia – sendo esta uma das suas mais relevantes contribuições até a queda do Muro de Berlim. É possível supor que a persistência desta doutrina no mundo acadêmico consiste numa tradição com fundo politico, propagando não somente pelo seu grande impacto na história, mas porque mantém acesa a chama de interesses totalitários. É por estes motivo que o marxismo deve ser estudado e compreendido a luz da realidade e não como é feito na atualidade; servido a ideais políticos que uma vez implantados conduzem irredutivelmente a tirania e ao absoluto fracasso socioeconômico.

Referências:

  • SMITH, Adam. A Riqueza das Nações. 1776
  • RIRCARDO, David. 1817
  • MARX, Karl. Manifesto do Partido Comunista. 1848
  • MARX, Karl. 18 de Brumário de Luiz Bonaparte.1852
  • MARX, Karl. O Capital. 1867
  • JEVONS, Stanley William. Lições Lógicas Elementares. 1870
  • Menger, Carl. Princípios de Economia. 1871
  • WALRAS, Leon. Elementos da Economia Política Pura. 1874
  • BÖHM-BAWERK, Eugen Von. Teoria da Exploração do Socialismo-Comunismo. 1890
  • MISES, Ludwig Von. Ação Humana. 1940
  • HAYEK, Friedrich. O Caminho da Servidão . 1974
  • POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. 1921
  • POPPER, Karl. Miséria do Historicismo. 1934

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O Manifesto do Partido Comunista (em alemão: Manifest der Kommunistischen Partei), publicado pela primeira vez em 21 de fevereiro de 1848 é sem dúvidas, um dos mais influentes tratados de economia-política de todos os tempos. Não é atoa que seus ideais se propagaram pelo mundo, resultando na Revolução Russa (1917) que desencadearia uma série de outras revoluções que a partir de então, conduziram as mais severas e cruéis ditaduras já vistas. Como exemplo podemos citar; China, Camboja, Coreia do Norte, Vietnã, Zimbábue, Angola, Etiópia, dentre inúmeras outras. E embora vários economistas tenham alertado quanto aos erros grotescos na teoria de Marx (Bohm Bawerk, Mises e Hayek), o teor utópico da ideologia comunista e a influência que seus defensores tiveram sobre as massas, foram suficientes para impor o destino inevitavelmente cruel daqueles que vivem sob o modelo de Marx.

Neste pequeno manifesto, Marx faz um resumo de suas principais teorias; a mais-valia, (refutada por Menger e Bohm Bawer), a luta de classes (refutada por Mises), expondo sua sociedade coletivista e economicamente planejada (refutada por Mises e Hayek). No entanto, Marx fez uso de um linguajar simples, muito diferente daquele tipo de escrita rebuscada, usada em O Capital (em alemão: Das Kapital). O motivo é muito claro; Marx não estava mais interessado em convencer os intelectuais a cerca de seu arcabouço de falácias históricas, políticas e econômicas, mas sim, convencer as massas e os menos intelectualizados de que uma revolução era necessária. Para tanto, um manifesto partidário internacionalista caiu como uma luva. Marx entendia que a partir deste movimento, cedo ou tarde surgiram partidos comunistas ao redor do mundo, a fins de colocar em prática, seu modelo de sociedade utópica.

O Manifesto do Partido Comunista em muito se assemelha a seus contemporâneos; “A Doutrina do Fascismo” e “Minha Luta”. Possuem um forma simples de abordagem, fazem uso uma distorção dos processos históricos, culpabilizam as perspectivas políticas e econômicas que se opõe as suas, por todas as mazelas de seu tempo e ao final, trazem uma solução definitiva, revolucionária e messiânica para seu mundo. Na primeira parte do manifesto “Burgueses e Proletários”, Marx trata da suposto confronto entre estas duas classes e da necessidade de uma mudança radical. Na segunda parte “Proletários e Comunistas”, Marx intenta convencer a respeito do interesse mutuo destes grupos, a fins de consolidar uma aliança política. No final desta parte, Marx fala da necessidade de “uma violação despótica dos direitos de propriedade” e de uma série de medidas violentas, que contudo, se diferem pelo grau de desenvolvimento do país em questão.

A seguir darei a lista das ações revolucionárias idealizadas por Marx e na mesma linha, dissertarei sobre suas consequências.

1. Expropriação da propriedade fundiária e emprego das rendas fundiárias para despesas do Estado. A expropriação da propriedade fundiária centraliza o poder agrícola nas mãos do Estado e desestimula a produção agrária privada em todos os seus níveis. Mais grave que a perda de incentivos é a escassez provocada por um sistema redistributivo, incapaz de compreender os níveis regionais de oferta e demanda sem um sistema de preços. Isso ocorrera na Rússia bolchevique, levando Lenin a Nova Política Econômica.
2. Pesado imposto progressivo. Embora o imposto progressivo seja adotado em muitos países, na ótica de Marx ele é capaz reduzir o crescimento da renda dos mais ricos e seu consumo de bens e serviços, o que consequentemente pesa sobre os mais pobres que dependem dos empregos gerados pelas rendas mais elevadas
3. Abolição do direito de herança. A herança é um fator motivacional para que as famílias construam patrimônio a fins de dar conforto as futuras gerações, além é claro, de permitir a continuação de seu legado. A abolição do direito de herança desestimula este hábito, condicionando indivíduos a dilapidar seu patrimônio enquanto vivos e as instituições financeiras erguidas por ele. Isto é; se estes indivíduo não for capaz de adquirir patrimônio em países que não se validem desta lei.                                                                                                                                4 Confiscação da propriedade de todos os emigrantes e opositores. O confisco da propriedade de todos os emigrantes e opositores, desestimula a imigração que no geral, absorve uma demanda de mão de obra que não é encontrada internamente (geralmente para trabalhos menos capacitados), além de lançar milhares de imigrantes a miséria ou ao exílio. Ainda pior é o poder agregado ao Estado pelo confisco da propriedade dos opositores, o que as autoridades o poder de se apropriar de qualquer bem através do uso da força, sendo ou não opositor.
5. Centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo. Embora este seja uma prática atualmente comum em todo mundo a centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo tem efeitos nocivos como demonstra a TACE (Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos). O crédito nas mãos do Estado dá ao governo diversos poderes negativos: a) financiar suas guerras, mesmo sem reservas fiduciárias; b) gerar inflação através da impressão de papel moeda sem lastro; c) financiar partidos, grupos e interesses de seus partidários em oposição aos interesses do povo; d) produzir crises financeiras de larga escala, através de um estímulo artificial da economia.
6. Centralização do sistema de transportes nas mãos do Estado. A centralização do sistema de transportes nas mãos do Estado é outra prática comum em todo mundo, com a diferença que não ocorre em prol dos ideais marxistas no qual impede o direito de ir e vir e precariza as estradas e o transporte. Os exemplos mais recentes estão em Cuba e Coreia do Norte onde o transporte é precário enquanto civis tem acesso a áreas muito restritas.
7. Multiplicação das fábricas nacionais, dos instrumentos de produção, arroteamento e melhoramento dos terrenos de acordo com um plano comunitário. A estatização das fábricas nacionais gera imensa burocracia, produz monopólios inquebrantáveis (diferentes dos de mercado) impedindo que seja pensada qualquer relação custo/benefício, além de sofre do “Problema de Cálculo Econômico” que impossibilita uma alocação racional gerando desperdício ou escassez. Este é sem dúvidas, um dos maiores motivos para o racionamento e para a absoluta miséria das economias planejadas, da URSS á Venezuela bolivariana.
8. Obrigatoriedade do trabalho para todos, instituição de exércitos industriais, em especial para a agricultura. A obrigatoriedade do trabalho e instituição de exércitos industriais, ignora a ociosidade voluntária, além do fato de que nem toda mão de obra pode ser empregue no mercado em determinado momento. Este feito produz trabalho escravo e precarizan as condições de trabalho. Este efeito foi visto em quase todos os sistemas socialistas da primeira a segunda metade do século XX.
9. Unificação da exploração da agricultura e da indústria, atuação com vista à eliminação gradual da diferença entre cidade e campo. A unificação da exploração da agricultura e da indústria, atuação com vista à eliminação gradual da diferença entre cidade e campo ignora discrepâncias claras em ambas as atividades econômicas. Este tipo de política utópica, termina por realocar os investimentos da indústria para o setor agrário, levando a precarização ambas as atividades como foi visto na China maoísta.
10. Educação pública e gratuita de todas as crianças (…) Unificação da educação com a produção material, etc. Este sistema dá ao Estado um poder doutrinador sobre as crianças, mesmo porque, busca uma “educação em base ao materialismo dialético” de Marx, como rogam os pedagogos comunistas seja em qual for a época. Esta sistema de ensino, destrói qualquer principio de autonomia, censura filosofias opostas e apenas visa gerar um comportamento automático e planejado. É o que vemos na atual educação da Coreia do Norte.

A partir do conhecimento praxeológico, empírico e histórico podemos presumir as implicações destas medidas eliminam todos os incentivos para a produção, geram burocracia, são ineficientes para suprir as demandas sociais, sem falar que implicam na necessidade do uso irrestrito da força, o que conduz inevitavelmente a um estado de opressão.

Christiano Di Paulla

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Da URSS à Venezuela bolivariana: a escassez e o racionamento são as certezas do modelo econômico idealizado por Marx. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Horkheimer comete erros similares ao de Gramsci e Lucáks. O primeiro erro é considerar que o pensamento lógico e as ciências empíricas sejam fruto da necessidade de dominação. Em primeiro, devemos recapitular as bases do pensamento lógico: este conceito busca apurar fatos mediante uma análise racional dependendo de análises externas que possam servir de base para o estabelecimento de determinada regra. Ele conceito é distinto em três tipos de raciocínio: dedução, indução e abdução. Dedução corresponde à determinada afirmação inicial oriunda da observação. Um exemplo clássico fora dado por Aristóteles ao afirmará: “todos os homens são mortais”. Partindo desta premissa, Aristóteles define: “logo Sócrates, como homem é mortal” chegando à indução que seria uma regra baseada na afirmação inicial. Partido destes dois pontos, chegamos à abdução a fins de defender a premissa: ou seja: “Sócrates sendo como um ser mortal, assim falecera” ou “já que falecera, Sócrates, como homem é mortal”. Ou seja, todo raciocínio lógico depende de uma referencia tangível e que possa ser defendida racionalmente.

Ao negar o pensamento lógico em nome da dialética marxista, Horkheimer ignora as evidências descritas pelo método dedutivo e investigativo em nome de uma mera objeção. No exemplo acima, fora provado que Sócrates é mortal, através de evidências aplanadas pelo pensamento racional. O principio dialético não se importa com a observação final, mas visa simplesmente contrapor ideias e até mesmo fatos através de uma contradição, ou seja: “já que não falecera, Sócrates como homem é imortal”. Por mais infantil e obviamente equivocado que este pensamento possa parecer, constitui-se à base da teoria de Horkheimer. Todavia, como isto poderia ser alegado em uma discussão intelectual? Bastaria dizer que a figura de Sócrates é mítica, inventada pela burguesia da época para criar uma figura destruída pela força dos soberanos, logo, como não existira, não morrera, embora sua figura fosse imortalizada pela história. Há neste sentido, a negação da premissa inicial, ou seja: “que os homens sejam mortais”, a negação da regra, que seria “a mortalidade de Sócrates”, e por fim, do fato: “de que como homem, Sócrates morrera”.

Ao negar o raciocínio lógico, marxistas provam seu total interesse em analisar o objeto, mas somente em contrapô-lo com uma roupagem de identidade original obliterada pela indução social do sistema capitalista. Todas estas observações estariam equivocadas, uma vez que o homem tomado pela produção industrial e cultural fora afugentado de um “real pensar”. Portanto, as teorias marxistas não se importam com a razão ou com a evidência, mas com a simples contraposição das alegações. Horkheimer também ataca o empirismo com três alegações: a primeira que a transmissão do conhecimento cientificista mecanize o homem em função de seu método, pautado na experimentação e reprodução materialista. Este conhecimento seria estático na medida em que supre as necessidades da classe dominante. Em segundo; que a divisão do trabalho na produção do conhecimento acarrete alienação, impedindo que o homem em sua produção intelectual material entenda questões políticas e econômicas gerais. Por fim, considera o método falso, visto que ignora as condições sociais vividas em função do único aprofundamento no meio de produção.

O primeiro erro de Horkheimer é associação indevida do método de produção acadêmica positivista a criticismo social. O simples fato de um engenheiro trabalhar na produção de um projeto automobilístico, não vos retira a percepção de movimentos sociais que estão mais ligados à suas opiniões subjetivas que a seus conhecimentos matemáticos.  Em exemplo, o físico não reproduz em sua vida diária, os mesmos métodos utilizados para medir o comportamento de uma partícula. Ele usará de suas concepções morais e observações racionais, empregando um método distinto, por mais similar que possa parecer. Outro equivoco faz-se da suposição de que o pensamento positivista seja estático, uma vez que a própria experimentação pode fazer emergir um novo conhecimento. Todavia, a ciência empírica que trabalha com evidências e experimentação, não se permite tamanha volatilidade ao ponto de aceitar qualquer objeção – na teoria dialética, uma mera inversão. Isto anularia todos os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, em função de um mero devaneio filosófico. Por fim, sem a divisão do trabalho na produção intelectual, seria impossível alcançarmos o desenvolvimento atual, visto que é impossível para qualquer cérebro, dominar todos os conceitos, como dito anteriormente.

Horkheimer parece desconhecer o processo de produção intelectual, a dimensão absurda destes conhecimentos e o tempo demasiado que é dado para aprendermos determinada função. E mais: associa a alienação da produção intelectual a uma suposta alienação de concepções políticas e econômicas. Por fim cabe citar o argumento de Horkheimer à produção de manufaturas e à cultura de massas. Para ele, a produção em massa faz copias dos mesmos bens e de fácil manuseio a fins de evitar uma compreensão profunda de sua validade, assim, abandonando-os. Todavia, a produção industrial é padronizada porque de outro modo, não haveria qualquer meio de produzir em massa. Seriam necessários inúmeros moldes para se produzir uma peça, o que aumentaria demasiadamente os gastos e os custos do objeto final. Isto prejudicaria a produção e o consumo, lesando toda a economia. Já na questão da facilidade de manuseio, há uma preocupação com a praticidade favorecendo sua utilização a fins de ampliar os lucros, somente porque os consumidores demandam de produtos práticos. Caso demandassem de bens complexos – o que não é uma tendência humana – assim seriam produzidos.

Horkheimer também comete outro erro ao alegar que as pessoas consomem os mesmos bens de forma repetida. Como bem explica Böhm-Bawerk através da Lei de Utilidade Marginal, a necessidade de um bem decresce na medida em que novas copias são adquiridas. Não é interessante para uma pessoa comprar o mesmo aparelho de televisor várias vezes e embora o faça com alimentos industrializados, por exemplo, não compra várias unidades do mesmo produto para uma alimentação diária, além do fato que alterna produtos em função de necessidades subjetivas momentâneas. O que ocorre é que pessoas diferentes adquirem produtos iguais, mas por interesses psicológicos semelhantes. Neste caso, nenhum consumo estipula uma subjetividade falsa, mas aquilo que realmente demanda, seja por qual for o motivo. Não cabe ao produtor questioná-lo, mas atender a estas necessidades. Assim como os demais marxistas Horkheimer nega que o consumidor tenha desejos autônomos e que por tais vias seja baseada a produção. O homem não tornara-se refém de suas ferramentas ou bens laborados, mas os dominara na medida em que necessita deles.

Referências:

Aplicações de Abduções: Modelagem em Nível de Conhecimento – Tim Menzies

A Dialética do Esclarecimento –  Max Horkheimer

Eclipse da Razão –  Max Horkheimer

Teoria Positiva do Capital – Eugen Von Böhm-Bawerk

eletrodoFazendo menção às palavras de Mises: “Não é porque produzem fogões que as pessoas cozinham. É porque as pessoas cozinham que produzem fogões”.

Christiano Di Paulla

Mesmo absolutamente equivocadas, as ideias de Gramsci e Lukács influenciaram inúmeros marxistas ocidentais como Karl Korsch, um filósofo alemão que possuía grande admiração pelo Socialismo Fabiano. Korsch foi professor de Felix Weil, filho do abastado industrial alemão-argentino Hermann Weil. Em 1923 Felix conseguiu convencer seu pai que financiasse o Centro de Pesquisa Social associado à Universidade de Frankfurt – que mais tarde teria seus afiliados conhecidos como Escola de Frankfurt. Embora o intuito de seu pai fosse o pluralismo de concepções e interpretações da modernidade, a intenção de seu Felix Weil era disseminar o marxismo como aprendido com seu professor. O Centro de Pesquisa Social era formado inicialmente por “cientistas sociais” marxistas que buscavam encontrar um novo viés para a teoria tradicional, buscando entender o sucesso capitalista no ocidente e como remediá-la. Seus principais teóricos foram: Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Friedrich Pollock, Erich Fromm, Otto Kirchheimer e Leo Löwenthal. Doravante, discorrerei sobre as teorias de cada um deles.

Max Horkheimer associou-se ao o Centro de Pesquisa Social durante sua criação em 1923, tornando-se seu diretor em 1931. Mais tarde, seus trabalhos acerca da Razão Instrumental tornar-se-iam juntamente com as teorias de Adorno e Marcuse, os pilares da Escola de Frankfurt. Para Horkheimer a razão instrumental seria um estado no qual os processos racionais seriam totalmente operacionalizados , opondo-se a razão crítica (baseada na dialética) que seria capaz de desestabilizar estas considerações tidas como falsas e manipuladoras. Para ele, na medida em que a razão se torna instrumental a ciência deixa de ser uma forma de acesso ao conhecimento para tornar-se um instrumento de dominação, poder e exploração, sendo sustentada pela ideologia cientificista através da educação acadêmica, meios de comunicação, produção etc. Por esta via, assim como Marx Horkheimer é um severo opositor das ciências tradicionais e laboratoriais, alegando que sejam falsas e usadas a fins de dominação de massa. A única libertação seria os métodos analíticos e práticos adotados pelos marxistas.

Horkheimer deixa claro em A Dialética do Iluminismo que as ciências tradicionais através do pensamento lógico e das ciências empíricas são os maiores inimigos do marxismo cultural, pois servem para escravizar pessoas inserindo-as em padrões fixos do mundo real. Para ele, o trabalho do especialista nos moldes da teoria tradicional, desvinculando-se das demais, o tornaria alheio à conexão global dos setores de produção (em um processo de alienação). Assim o pensamento cientificista seria caracterizado pela atuação segregada, de tal modo que o seu significado para o todo social não é relevado. Horkheimer também alega que na medida em que as ciências empíricas tornam-se mais rigorosas, a realidade social torna-se ainda mais estranha a seu praticante. Estas ciências baseada na alienação do conhecimento e no distanciamento do homem de sua realidade social total, seriam incapazes de compreender se determinado sistema politico ou econômico é valido ou não. Para ele, somente as condições históricas vividas pelos homens através de seus instrumentos de trabalho seriam capazes de construir uma ciência justa, tal como sugere Lucáks.

O principal argumento usado por Horkheimer em A Dialética do Esclarecimento é a alegação gramscista de que toda indústria cultural seria cunhada a fins de entorpecer as massas com copias infinitas copias produzidas da mesma coisa. Estas cópias produzidas em massa parecem mudar com o tempo, quando na verdade representam uma repetição das mesmas. Estes produtos seriam feitos de forma padronizadas a fins de ajudar os consumidores a compreender a compreendê-los e apreciá-los com pouca atenção dada a eles. Para o filosofo alemão há na aquisição destes bens repetidos, uma falsa individualidade, visto que o interesse dos industriais é somente o consumo repetido das mesmas coisas. Em Eclipse da Razão, escrito um ano depois, Horkheimer prossegue nos seus argumentos alegando que a ciência empírica e toda sua tecnologia dominaram o homem, tornando-o um mero escravo daquilo que estuda e produz e que “a máquina expeliu o maquinista e está correndo cegamente no espaço”. Como os demais marxistas culturais, Horkheimer funde a visão materialista no qual a subjetividade é anulada pela produção industrial (e assim cultural), de tal modo que somente a visão dialética seria capaz de trazer uma “real libertação”.

Referências:

A Origem da Teoria Crítica – Helmut Dubiel

A Dialética do Esclarecimento –  Max Horkheimer

Eclipse da Razão –  Max Horkheimer

AdornoHorkheimerHabermasbyJeremyJShapiro2Na imagem Horkheimer e Adorno, dois inimigos da lógica e do positivismo que deram continuidade ao pensamento de Gramsci e Lucáks.

Christiano Di Paulla

O pilar central das teorias de Gramsci é o conceito de hegemonia postulado inicialmente por Lenin. Em Memórias do Cárcere, Gramsci alega que este conceito seja a maior contribuição teórica do ditador: “O princípio teórico-político da hegemonia (…) é a maior contribuição teórica de Ilitch à filosofia da práxis.” Segundo as definições de Gramsci a hegemonia serve para descrever o tipo de dominação ideológica e cultural de uma classe sobre outra, particularmente da burguesia sobre o proletariado e outras classes de trabalhadores: “A dominação e manutenção de poder que exerce uma pessoa ou grupo em posição de domínio a outro(s) minoritário(s), impondo seus próprios valores, crenças e ideologias que configuram e sustentam o sistema majoritário, consegue assim um estado de homogeneidade no pensamento e ação como também uma restrição”. Para reverter este processo, os comunistas deveriam criar sua própria hegemonia: “O proletariado, afirmou ele (Lenin), pode se tornar classe dirigente e dominante na medida em que consegue criar um sistema de alianças de classes que permita mobilizar  a maioria da população trabalhadora contra o capitalismo e o Estado burguês.”

Cabe citar que a própria definição de cultura, se transforma ao longo do tempo: durante o século XVII se referia ao aperfeiçoamento individual através da educação. Nos séculos XVIII e XIX à referencias comuns em populações inteiras. Tais colocações parecem ter servido de base para teoria de Gramsci, embora reflitam uma visão limitada do tema. No século XX e XXI a cultura ganhou novos significados. O cientista Eduard Taylor refere-se a cultura como capacidade humana universal. Já Adamson Hoebel sugere que a cultura seja parte de um sistema integrado de comportamentos. Estudiosos mais recentes da antropologia, alegam que a cultura seja oriunda da capacidade humana em evoluir na medida em que classifica e representa experiências através de símbolos, criados a partir de sua imaginação. Logo há diversas maneiras das pessoas classificarem e viverem a partir de seus pontos de vista. A cultura seria uma criação constante, subjetiva e irrefreável que está ligada a própria natureza humana. Logo, ao contrário do que alegava Gramsci, nunca houvera uma hegemonia cultural criada pela burguesia. A cultura não é uma criação de determinada classe social, mas de inúmeros grupos e indivíduos ao longo da história.

A teoria de Gramsci nega a natureza subjetiva e independe do ser humano  e suas contribuições pessoais para a formação da cultura. O indivíduo livre está propício à idealizar suas próprias perspectivas, buscar alcançar seus interesses, errar e assim está disposta à uma constante mudança de opiniões e costumes. Ao mesmo tempo, o homem influencia, assim como é influenciado em um constante contanto com os símbolos de diversas classes sociais. Deste modo, neste universo de arquétipos não existe uma hegemonia política ordenada por classe. Por esta via, manifestações culturais podem emergir de qualquer nível social, influenciando umas às outras. Não há qualquer predominância dos mais ricos pelos hábitos dos mais pobres ou vice versa, mas um constante contanto entre as classes sociais criando tendências que mudam a todo instante. Tão pouco há um isolamento dos trabalhadores da formação da cultura. Em exemplo, na teoria de Gramsci seria impossível a música de a periferia alcançar os altos escalões da sociedade. Todavia, a propagação da música negra norte-americana é um dos inumeráveis exemplos deste equívoco.

Uma vez que a cultura seja uma formação continua e de inumeráveis autores – o que independe de classe social – não há uma consciência coletiva formada pela hegemonia, logo não há necessidade de uma hegemonia dialética e revolucionária. Portanto está claro que foram os marxistas os inventores deste pensamento dicotômico de classes, a fins de reproduzi-lo no imaginário popular visando propagar sua revolução. Ao entendermos esta regra marxista, encontramos a fórmula de todo teu pensamento: acusar seus inimigos de seus intentos, ações e resultados. Marxistas clássicos, assim como nazistas e fascistas, produzem um inimigo comum, na tentativa de gerar uma unidade, de tal modo que qualquer um que lhe faça oposição é tido como subversivo, legando a necessidade de ser descartado pelo sistema. Todavia, o marxismo cultural é mais inteligente: visa descartar elementos culturais de forma sutil através da doutrinação bem elaborada. Eles agem tal como cita H L Mencken: “A ânsia de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para a ânsia de governá-la”.

Embora, Gramsci negue a concepção fatalista e materialista do marxismo (baseada nos meios de produção), no qual o capitalismo estaria destinado a ruir dando lugar a uma sociedade socialista. Para ele, esta alegação mascarava a incapacidade política do partido produzir uma iniciativa capaz de conquistar a hegemonia. Somente através do marxismo cultural isto seria possível. Todavia, quando analisamos a história após a invenção desta forma velada de revolução notamos que suas concepções também deterministas estavam equivocadas. As reforma políticas em todo mundo, rumam na direção da liberalização como revela o Índice de Liberdade Econômica. Poucas nações retrocederam como intentam os marxistas culturais, como no caso da Venezuela. Do contrário que alegaram os marxistas, a real crise inevitável ocorre no socialismo, como bem teorizara Mises através do Problema de Cálculo Econômico. Esta crise cedo ou tarde levará qualquer nação à ruína, como sempre ocorrera através da história.

Gramsci é um fatalista cultural e econômico ao supor uma futura crise hegemônica ligada à incapacidade de gerenciar problemas sociais. Para ele, as classes dominantes falhariam ao tentar resolver os problemas sociais através de sua imposição de uma visão especifica de mundo. Entretanto, como a cultura não é oriunda em exclusivo das classes mais abastadas e poderosas, os trabalhadores vivem e recriam sua cultura sem que exista esta colisão de valores culturais – o que impedia a crise da hegemonia. E do contrário: ao observarmos a realidade histórica, notamos que ambas as culturas estão a cada dia mais interligadas. A arte da periferia está cada dia mais presente na vida das elites, como os modos de viver dos mais ricos inspiram os pobres em seus hábitos, ambos, em uma reconstrução constante. Lembrando: que no quesito econômico, a própria Revolução Industrial resolvera seus problemas, tal como o mercado está em constante adaptação às novas condições. Por tais vias, os trabalhadores jamais tiveram qualquer inclinação comunista. Esta consideração emergiu em exclusivo de intelectuais que jamais pisaram em uma indústria.

Como sempre, o marxismo falha por sua arrogância em descrever a história a partir de suas ideias revolucionárias e assim intentar reinventar o tempo futuro. Nunca houvera na história, uma crise cultural capaz de destruir todos os elementos de uma cultura (burguesa no caso). As culturas que se perderam através do tempo, findaram por razões naturais, mas jamais por uma revolução ideológica oriunda das massas. Como exemplo, nem mesmo a Revolução Francesa em sua introdução a certos pensamentos burgueses foram capazes de apagar o poder e a cultura monárquica. Do mesmo modo, a cultura burguesa nunca intencionou nem tão pouco fora capaz de inibir o desenvolvimento cultural das classes trabalhadores. Somente na Revolução Russa, uma cultura fora totalmente reformulada, mas não pelos trabalhadores, mas por uma classe marxista elitista que se difere dos intentos de Gramsci apenas pelos métodos. Quando analisamos estes fatos, notamos que a hegemonia não é vivia em nações com Estado de Direito e com economia de mercado, mas em nações socialistas como no caso de Cuba, Coreia do Norte e Venezuela.

Referências:

O Manifesto Comunista – Karl Marx

Cadernos do Cárcere – Antonio Gramsci

O que é cultura? – L. Robert Kohls

Antropologia: Estudo do Homem –  Adamson Hoebe

A Vida Simbólica: Escritos Diversos – Carl Gustav Jung

Índice de Liberdade Econômica – Heritage Institute

especial1Na Coreia do Norte as pessoas são doutrinadas desce criança à adorar seus ditadores a fins de criar uma hegemonia cultural. No entanto são inúmeros aqueles que mesmo sob pressão ideológica, tentam fugir de todos os modos para a Coreia do Sul.

Christiano Di Paulla