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O Manifesto do Partido Comunista (em alemão: Manifest der Kommunistischen Partei), publicado pela primeira vez em 21 de fevereiro de 1848 é sem dúvidas, um dos mais influentes tratados de economia-política de todos os tempos. Não é atoa que seus ideais se propagaram pelo mundo, resultando na Revolução Russa (1917) que desencadearia uma série de outras revoluções que a partir de então, conduziram as mais severas e cruéis ditaduras já vistas. Como exemplo podemos citar; China, Camboja, Coreia do Norte, Vietnã, Zimbábue, Angola, Etiópia, dentre inúmeras outras. E embora vários economistas tenham alertado quanto aos erros grotescos na teoria de Marx (Bohm Bawerk, Mises e Hayek), o teor utópico da ideologia comunista e a influência que seus defensores tiveram sobre as massas, foram suficientes para impor o destino inevitavelmente cruel daqueles que vivem sob o modelo de Marx.

Neste pequeno manifesto, Marx faz um resumo de suas principais teorias; a mais-valia, (refutada por Menger e Bohm Bawer), a luta de classes (refutada por Mises), expondo sua sociedade coletivista e economicamente planejada (refutada por Mises e Hayek). No entanto, Marx fez uso de um linguajar simples, muito diferente daquele tipo de escrita rebuscada, usada em O Capital (em alemão: Das Kapital). O motivo é muito claro; Marx não estava mais interessado em convencer os intelectuais a cerca de seu arcabouço de falácias históricas, políticas e econômicas, mas sim, convencer as massas e os menos intelectualizados de que uma revolução era necessária. Para tanto, um manifesto partidário internacionalista caiu como uma luva. Marx entendia que a partir deste movimento, cedo ou tarde surgiram partidos comunistas ao redor do mundo, a fins de colocar em prática, seu modelo de sociedade utópica.

O Manifesto do Partido Comunista em muito se assemelha a seus contemporâneos; “A Doutrina do Fascismo” e “Minha Luta”. Possuem um forma simples de abordagem, fazem uso uma distorção dos processos históricos, culpabilizam as perspectivas políticas e econômicas que se opõe as suas, por todas as mazelas de seu tempo e ao final, trazem uma solução definitiva, revolucionária e messiânica para seu mundo. Na primeira parte do manifesto “Burgueses e Proletários”, Marx trata da suposto confronto entre estas duas classes e da necessidade de uma mudança radical. Na segunda parte “Proletários e Comunistas”, Marx intenta convencer a respeito do interesse mutuo destes grupos, a fins de consolidar uma aliança política. No final desta parte, Marx fala da necessidade de “uma violação despótica dos direitos de propriedade” e de uma série de medidas violentas, que contudo, se diferem pelo grau de desenvolvimento do país em questão.

A seguir darei a lista das ações revolucionárias idealizadas por Marx e na mesma linha, dissertarei sobre suas consequências.

1. Expropriação da propriedade fundiária e emprego das rendas fundiárias para despesas do Estado. A expropriação da propriedade fundiária centraliza o poder agrícola nas mãos do Estado e desestimula a produção agrária privada em todos os seus níveis. Mais grave que a perda de incentivos é a escassez provocada por um sistema redistributivo, incapaz de compreender os níveis regionais de oferta e demanda sem um sistema de preços. Isso ocorrera na Rússia bolchevique, levando Lenin a Nova Política Econômica.
2. Pesado imposto progressivo. Embora o imposto progressivo seja adotado em muitos países, na ótica de Marx ele é capaz reduzir o crescimento da renda dos mais ricos e seu consumo de bens e serviços, o que consequentemente pesa sobre os mais pobres que dependem dos empregos gerados pelas rendas mais elevadas
3. Abolição do direito de herança. A herança é um fator motivacional para que as famílias construam patrimônio a fins de dar conforto as futuras gerações, além é claro, de permitir a continuação de seu legado. A abolição do direito de herança desestimula este hábito, condicionando indivíduos a dilapidar seu patrimônio enquanto vivos e as instituições financeiras erguidas por ele. Isto é; se estes indivíduo não for capaz de adquirir patrimônio em países que não se validem desta lei.                                                                                                                                4 Confiscação da propriedade de todos os emigrantes e opositores. O confisco da propriedade de todos os emigrantes e opositores, desestimula a imigração que no geral, absorve uma demanda de mão de obra que não é encontrada internamente (geralmente para trabalhos menos capacitados), além de lançar milhares de imigrantes a miséria ou ao exílio. Ainda pior é o poder agregado ao Estado pelo confisco da propriedade dos opositores, o que as autoridades o poder de se apropriar de qualquer bem através do uso da força, sendo ou não opositor.
5. Centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo. Embora este seja uma prática atualmente comum em todo mundo a centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e monopólio exclusivo tem efeitos nocivos como demonstra a TACE (Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos). O crédito nas mãos do Estado dá ao governo diversos poderes negativos: a) financiar suas guerras, mesmo sem reservas fiduciárias; b) gerar inflação através da impressão de papel moeda sem lastro; c) financiar partidos, grupos e interesses de seus partidários em oposição aos interesses do povo; d) produzir crises financeiras de larga escala, através de um estímulo artificial da economia.
6. Centralização do sistema de transportes nas mãos do Estado. A centralização do sistema de transportes nas mãos do Estado é outra prática comum em todo mundo, com a diferença que não ocorre em prol dos ideais marxistas no qual impede o direito de ir e vir e precariza as estradas e o transporte. Os exemplos mais recentes estão em Cuba e Coreia do Norte onde o transporte é precário enquanto civis tem acesso a áreas muito restritas.
7. Multiplicação das fábricas nacionais, dos instrumentos de produção, arroteamento e melhoramento dos terrenos de acordo com um plano comunitário. A estatização das fábricas nacionais gera imensa burocracia, produz monopólios inquebrantáveis (diferentes dos de mercado) impedindo que seja pensada qualquer relação custo/benefício, além de sofre do “Problema de Cálculo Econômico” que impossibilita uma alocação racional gerando desperdício ou escassez. Este é sem dúvidas, um dos maiores motivos para o racionamento e para a absoluta miséria das economias planejadas, da URSS á Venezuela bolivariana.
8. Obrigatoriedade do trabalho para todos, instituição de exércitos industriais, em especial para a agricultura. A obrigatoriedade do trabalho e instituição de exércitos industriais, ignora a ociosidade voluntária, além do fato de que nem toda mão de obra pode ser empregue no mercado em determinado momento. Este feito produz trabalho escravo e precarizan as condições de trabalho. Este efeito foi visto em quase todos os sistemas socialistas da primeira a segunda metade do século XX.
9. Unificação da exploração da agricultura e da indústria, atuação com vista à eliminação gradual da diferença entre cidade e campo. A unificação da exploração da agricultura e da indústria, atuação com vista à eliminação gradual da diferença entre cidade e campo ignora discrepâncias claras em ambas as atividades econômicas. Este tipo de política utópica, termina por realocar os investimentos da indústria para o setor agrário, levando a precarização ambas as atividades como foi visto na China maoísta.
10. Educação pública e gratuita de todas as crianças (…) Unificação da educação com a produção material, etc. Este sistema dá ao Estado um poder doutrinador sobre as crianças, mesmo porque, busca uma “educação em base ao materialismo dialético” de Marx, como rogam os pedagogos comunistas seja em qual for a época. Esta sistema de ensino, destrói qualquer principio de autonomia, censura filosofias opostas e apenas visa gerar um comportamento automático e planejado. É o que vemos na atual educação da Coreia do Norte.

A partir do conhecimento praxeológico, empírico e histórico podemos presumir as implicações destas medidas eliminam todos os incentivos para a produção, geram burocracia, são ineficientes para suprir as demandas sociais, sem falar que implicam na necessidade do uso irrestrito da força, o que conduz inevitavelmente a um estado de opressão.

Christiano Di Paulla

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Da URSS à Venezuela bolivariana: a escassez e o racionamento são as certezas do modelo econômico idealizado por Marx. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Horkheimer comete erros similares ao de Gramsci e Lucáks. O primeiro erro é considerar que o pensamento lógico e as ciências empíricas sejam fruto da necessidade de dominação. Em primeiro, devemos recapitular as bases do pensamento lógico: este conceito busca apurar fatos mediante uma análise racional dependendo de análises externas que possam servir de base para o estabelecimento de determinada regra. Ele conceito é distinto em três tipos de raciocínio: dedução, indução e abdução. Dedução corresponde à determinada afirmação inicial oriunda da observação. Um exemplo clássico fora dado por Aristóteles ao afirmará: “todos os homens são mortais”. Partindo desta premissa, Aristóteles define: “logo Sócrates, como homem é mortal” chegando à indução que seria uma regra baseada na afirmação inicial. Partido destes dois pontos, chegamos à abdução a fins de defender a premissa: ou seja: “Sócrates sendo como um ser mortal, assim falecera” ou “já que falecera, Sócrates, como homem é mortal”. Ou seja, todo raciocínio lógico depende de uma referencia tangível e que possa ser defendida racionalmente.

Ao negar o pensamento lógico em nome da dialética marxista, Horkheimer ignora as evidências descritas pelo método dedutivo e investigativo em nome de uma mera objeção. No exemplo acima, fora provado que Sócrates é mortal, através de evidências aplanadas pelo pensamento racional. O principio dialético não se importa com a observação final, mas visa simplesmente contrapor ideias e até mesmo fatos através de uma contradição, ou seja: “já que não falecera, Sócrates como homem é imortal”. Por mais infantil e obviamente equivocado que este pensamento possa parecer, constitui-se à base da teoria de Horkheimer. Todavia, como isto poderia ser alegado em uma discussão intelectual? Bastaria dizer que a figura de Sócrates é mítica, inventada pela burguesia da época para criar uma figura destruída pela força dos soberanos, logo, como não existira, não morrera, embora sua figura fosse imortalizada pela história. Há neste sentido, a negação da premissa inicial, ou seja: “que os homens sejam mortais”, a negação da regra, que seria “a mortalidade de Sócrates”, e por fim, do fato: “de que como homem, Sócrates morrera”.

Ao negar o raciocínio lógico, marxistas provam seu total interesse em analisar o objeto, mas somente em contrapô-lo com uma roupagem de identidade original obliterada pela indução social do sistema capitalista. Todas estas observações estariam equivocadas, uma vez que o homem tomado pela produção industrial e cultural fora afugentado de um “real pensar”. Portanto, as teorias marxistas não se importam com a razão ou com a evidência, mas com a simples contraposição das alegações. Horkheimer também ataca o empirismo com três alegações: a primeira que a transmissão do conhecimento cientificista mecanize o homem em função de seu método, pautado na experimentação e reprodução materialista. Este conhecimento seria estático na medida em que supre as necessidades da classe dominante. Em segundo; que a divisão do trabalho na produção do conhecimento acarrete alienação, impedindo que o homem em sua produção intelectual material entenda questões políticas e econômicas gerais. Por fim, considera o método falso, visto que ignora as condições sociais vividas em função do único aprofundamento no meio de produção.

O primeiro erro de Horkheimer é associação indevida do método de produção acadêmica positivista a criticismo social. O simples fato de um engenheiro trabalhar na produção de um projeto automobilístico, não vos retira a percepção de movimentos sociais que estão mais ligados à suas opiniões subjetivas que a seus conhecimentos matemáticos.  Em exemplo, o físico não reproduz em sua vida diária, os mesmos métodos utilizados para medir o comportamento de uma partícula. Ele usará de suas concepções morais e observações racionais, empregando um método distinto, por mais similar que possa parecer. Outro equivoco faz-se da suposição de que o pensamento positivista seja estático, uma vez que a própria experimentação pode fazer emergir um novo conhecimento. Todavia, a ciência empírica que trabalha com evidências e experimentação, não se permite tamanha volatilidade ao ponto de aceitar qualquer objeção – na teoria dialética, uma mera inversão. Isto anularia todos os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, em função de um mero devaneio filosófico. Por fim, sem a divisão do trabalho na produção intelectual, seria impossível alcançarmos o desenvolvimento atual, visto que é impossível para qualquer cérebro, dominar todos os conceitos, como dito anteriormente.

Horkheimer parece desconhecer o processo de produção intelectual, a dimensão absurda destes conhecimentos e o tempo demasiado que é dado para aprendermos determinada função. E mais: associa a alienação da produção intelectual a uma suposta alienação de concepções políticas e econômicas. Por fim cabe citar o argumento de Horkheimer à produção de manufaturas e à cultura de massas. Para ele, a produção em massa faz copias dos mesmos bens e de fácil manuseio a fins de evitar uma compreensão profunda de sua validade, assim, abandonando-os. Todavia, a produção industrial é padronizada porque de outro modo, não haveria qualquer meio de produzir em massa. Seriam necessários inúmeros moldes para se produzir uma peça, o que aumentaria demasiadamente os gastos e os custos do objeto final. Isto prejudicaria a produção e o consumo, lesando toda a economia. Já na questão da facilidade de manuseio, há uma preocupação com a praticidade favorecendo sua utilização a fins de ampliar os lucros, somente porque os consumidores demandam de produtos práticos. Caso demandassem de bens complexos – o que não é uma tendência humana – assim seriam produzidos.

Horkheimer também comete outro erro ao alegar que as pessoas consomem os mesmos bens de forma repetida. Como bem explica Böhm-Bawerk através da Lei de Utilidade Marginal, a necessidade de um bem decresce na medida em que novas copias são adquiridas. Não é interessante para uma pessoa comprar o mesmo aparelho de televisor várias vezes e embora o faça com alimentos industrializados, por exemplo, não compra várias unidades do mesmo produto para uma alimentação diária, além do fato que alterna produtos em função de necessidades subjetivas momentâneas. O que ocorre é que pessoas diferentes adquirem produtos iguais, mas por interesses psicológicos semelhantes. Neste caso, nenhum consumo estipula uma subjetividade falsa, mas aquilo que realmente demanda, seja por qual for o motivo. Não cabe ao produtor questioná-lo, mas atender a estas necessidades. Assim como os demais marxistas Horkheimer nega que o consumidor tenha desejos autônomos e que por tais vias seja baseada a produção. O homem não tornara-se refém de suas ferramentas ou bens laborados, mas os dominara na medida em que necessita deles.

Referências:

Aplicações de Abduções: Modelagem em Nível de Conhecimento – Tim Menzies

A Dialética do Esclarecimento –  Max Horkheimer

Eclipse da Razão –  Max Horkheimer

Teoria Positiva do Capital – Eugen Von Böhm-Bawerk

eletrodoFazendo menção às palavras de Mises: “Não é porque produzem fogões que as pessoas cozinham. É porque as pessoas cozinham que produzem fogões”.

Christiano Di Paulla

Mesmo absolutamente equivocadas, as ideias de Gramsci e Lukács influenciaram inúmeros marxistas ocidentais como Karl Korsch, um filósofo alemão que possuía grande admiração pelo Socialismo Fabiano. Korsch foi professor de Felix Weil, filho do abastado industrial alemão-argentino Hermann Weil. Em 1923 Felix conseguiu convencer seu pai que financiasse o Centro de Pesquisa Social associado à Universidade de Frankfurt – que mais tarde teria seus afiliados conhecidos como Escola de Frankfurt. Embora o intuito de seu pai fosse o pluralismo de concepções e interpretações da modernidade, a intenção de seu Felix Weil era disseminar o marxismo como aprendido com seu professor. O Centro de Pesquisa Social era formado inicialmente por “cientistas sociais” marxistas que buscavam encontrar um novo viés para a teoria tradicional, buscando entender o sucesso capitalista no ocidente e como remediá-la. Seus principais teóricos foram: Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Friedrich Pollock, Erich Fromm, Otto Kirchheimer e Leo Löwenthal. Doravante, discorrerei sobre as teorias de cada um deles.

Max Horkheimer associou-se ao o Centro de Pesquisa Social durante sua criação em 1923, tornando-se seu diretor em 1931. Mais tarde, seus trabalhos acerca da Razão Instrumental tornar-se-iam juntamente com as teorias de Adorno e Marcuse, os pilares da Escola de Frankfurt. Para Horkheimer a razão instrumental seria um estado no qual os processos racionais seriam totalmente operacionalizados , opondo-se a razão crítica (baseada na dialética) que seria capaz de desestabilizar estas considerações tidas como falsas e manipuladoras. Para ele, na medida em que a razão se torna instrumental a ciência deixa de ser uma forma de acesso ao conhecimento para tornar-se um instrumento de dominação, poder e exploração, sendo sustentada pela ideologia cientificista através da educação acadêmica, meios de comunicação, produção etc. Por esta via, assim como Marx Horkheimer é um severo opositor das ciências tradicionais e laboratoriais, alegando que sejam falsas e usadas a fins de dominação de massa. A única libertação seria os métodos analíticos e práticos adotados pelos marxistas.

Horkheimer deixa claro em A Dialética do Iluminismo que as ciências tradicionais através do pensamento lógico e das ciências empíricas são os maiores inimigos do marxismo cultural, pois servem para escravizar pessoas inserindo-as em padrões fixos do mundo real. Para ele, o trabalho do especialista nos moldes da teoria tradicional, desvinculando-se das demais, o tornaria alheio à conexão global dos setores de produção (em um processo de alienação). Assim o pensamento cientificista seria caracterizado pela atuação segregada, de tal modo que o seu significado para o todo social não é relevado. Horkheimer também alega que na medida em que as ciências empíricas tornam-se mais rigorosas, a realidade social torna-se ainda mais estranha a seu praticante. Estas ciências baseada na alienação do conhecimento e no distanciamento do homem de sua realidade social total, seriam incapazes de compreender se determinado sistema politico ou econômico é valido ou não. Para ele, somente as condições históricas vividas pelos homens através de seus instrumentos de trabalho seriam capazes de construir uma ciência justa, tal como sugere Lucáks.

O principal argumento usado por Horkheimer em A Dialética do Esclarecimento é a alegação gramscista de que toda indústria cultural seria cunhada a fins de entorpecer as massas com copias infinitas copias produzidas da mesma coisa. Estas cópias produzidas em massa parecem mudar com o tempo, quando na verdade representam uma repetição das mesmas. Estes produtos seriam feitos de forma padronizadas a fins de ajudar os consumidores a compreender a compreendê-los e apreciá-los com pouca atenção dada a eles. Para o filosofo alemão há na aquisição destes bens repetidos, uma falsa individualidade, visto que o interesse dos industriais é somente o consumo repetido das mesmas coisas. Em Eclipse da Razão, escrito um ano depois, Horkheimer prossegue nos seus argumentos alegando que a ciência empírica e toda sua tecnologia dominaram o homem, tornando-o um mero escravo daquilo que estuda e produz e que “a máquina expeliu o maquinista e está correndo cegamente no espaço”. Como os demais marxistas culturais, Horkheimer funde a visão materialista no qual a subjetividade é anulada pela produção industrial (e assim cultural), de tal modo que somente a visão dialética seria capaz de trazer uma “real libertação”.

Referências:

A Origem da Teoria Crítica – Helmut Dubiel

A Dialética do Esclarecimento –  Max Horkheimer

Eclipse da Razão –  Max Horkheimer

AdornoHorkheimerHabermasbyJeremyJShapiro2Na imagem Horkheimer e Adorno, dois inimigos da lógica e do positivismo que deram continuidade ao pensamento de Gramsci e Lucáks.

Christiano Di Paulla

O pilar central das teorias de Gramsci é o conceito de hegemonia postulado inicialmente por Lenin. Em Memórias do Cárcere, Gramsci alega que este conceito seja a maior contribuição teórica do ditador: “O princípio teórico-político da hegemonia (…) é a maior contribuição teórica de Ilitch à filosofia da práxis.” Segundo as definições de Gramsci a hegemonia serve para descrever o tipo de dominação ideológica e cultural de uma classe sobre outra, particularmente da burguesia sobre o proletariado e outras classes de trabalhadores: “A dominação e manutenção de poder que exerce uma pessoa ou grupo em posição de domínio a outro(s) minoritário(s), impondo seus próprios valores, crenças e ideologias que configuram e sustentam o sistema majoritário, consegue assim um estado de homogeneidade no pensamento e ação como também uma restrição”. Para reverter este processo, os comunistas deveriam criar sua própria hegemonia: “O proletariado, afirmou ele (Lenin), pode se tornar classe dirigente e dominante na medida em que consegue criar um sistema de alianças de classes que permita mobilizar  a maioria da população trabalhadora contra o capitalismo e o Estado burguês.”

Cabe citar que a própria definição de cultura, se transforma ao longo do tempo: durante o século XVII se referia ao aperfeiçoamento individual através da educação. Nos séculos XVIII e XIX à referencias comuns em populações inteiras. Tais colocações parecem ter servido de base para teoria de Gramsci, embora reflitam uma visão limitada do tema. No século XX e XXI a cultura ganhou novos significados. O cientista Eduard Taylor refere-se a cultura como capacidade humana universal. Já Adamson Hoebel sugere que a cultura seja parte de um sistema integrado de comportamentos. Estudiosos mais recentes da antropologia, alegam que a cultura seja oriunda da capacidade humana em evoluir na medida em que classifica e representa experiências através de símbolos, criados a partir de sua imaginação. Logo há diversas maneiras das pessoas classificarem e viverem a partir de seus pontos de vista. A cultura seria uma criação constante, subjetiva e irrefreável que está ligada a própria natureza humana. Logo, ao contrário do que alegava Gramsci, nunca houvera uma hegemonia cultural criada pela burguesia. A cultura não é uma criação de determinada classe social, mas de inúmeros grupos e indivíduos ao longo da história.

A teoria de Gramsci nega a natureza subjetiva e independe do ser humano  e suas contribuições pessoais para a formação da cultura. O indivíduo livre está propício à idealizar suas próprias perspectivas, buscar alcançar seus interesses, errar e assim está disposta à uma constante mudança de opiniões e costumes. Ao mesmo tempo, o homem influencia, assim como é influenciado em um constante contanto com os símbolos de diversas classes sociais. Deste modo, neste universo de arquétipos não existe uma hegemonia política ordenada por classe. Por esta via, manifestações culturais podem emergir de qualquer nível social, influenciando umas às outras. Não há qualquer predominância dos mais ricos pelos hábitos dos mais pobres ou vice versa, mas um constante contanto entre as classes sociais criando tendências que mudam a todo instante. Tão pouco há um isolamento dos trabalhadores da formação da cultura. Em exemplo, na teoria de Gramsci seria impossível a música de a periferia alcançar os altos escalões da sociedade. Todavia, a propagação da música negra norte-americana é um dos inumeráveis exemplos deste equívoco.

Uma vez que a cultura seja uma formação continua e de inumeráveis autores – o que independe de classe social – não há uma consciência coletiva formada pela hegemonia, logo não há necessidade de uma hegemonia dialética e revolucionária. Portanto está claro que foram os marxistas os inventores deste pensamento dicotômico de classes, a fins de reproduzi-lo no imaginário popular visando propagar sua revolução. Ao entendermos esta regra marxista, encontramos a fórmula de todo teu pensamento: acusar seus inimigos de seus intentos, ações e resultados. Marxistas clássicos, assim como nazistas e fascistas, produzem um inimigo comum, na tentativa de gerar uma unidade, de tal modo que qualquer um que lhe faça oposição é tido como subversivo, legando a necessidade de ser descartado pelo sistema. Todavia, o marxismo cultural é mais inteligente: visa descartar elementos culturais de forma sutil através da doutrinação bem elaborada. Eles agem tal como cita H L Mencken: “A ânsia de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para a ânsia de governá-la”.

Embora, Gramsci negue a concepção fatalista e materialista do marxismo (baseada nos meios de produção), no qual o capitalismo estaria destinado a ruir dando lugar a uma sociedade socialista. Para ele, esta alegação mascarava a incapacidade política do partido produzir uma iniciativa capaz de conquistar a hegemonia. Somente através do marxismo cultural isto seria possível. Todavia, quando analisamos a história após a invenção desta forma velada de revolução notamos que suas concepções também deterministas estavam equivocadas. As reforma políticas em todo mundo, rumam na direção da liberalização como revela o Índice de Liberdade Econômica. Poucas nações retrocederam como intentam os marxistas culturais, como no caso da Venezuela. Do contrário que alegaram os marxistas, a real crise inevitável ocorre no socialismo, como bem teorizara Mises através do Problema de Cálculo Econômico. Esta crise cedo ou tarde levará qualquer nação à ruína, como sempre ocorrera através da história.

Gramsci é um fatalista cultural e econômico ao supor uma futura crise hegemônica ligada à incapacidade de gerenciar problemas sociais. Para ele, as classes dominantes falhariam ao tentar resolver os problemas sociais através de sua imposição de uma visão especifica de mundo. Entretanto, como a cultura não é oriunda em exclusivo das classes mais abastadas e poderosas, os trabalhadores vivem e recriam sua cultura sem que exista esta colisão de valores culturais – o que impedia a crise da hegemonia. E do contrário: ao observarmos a realidade histórica, notamos que ambas as culturas estão a cada dia mais interligadas. A arte da periferia está cada dia mais presente na vida das elites, como os modos de viver dos mais ricos inspiram os pobres em seus hábitos, ambos, em uma reconstrução constante. Lembrando: que no quesito econômico, a própria Revolução Industrial resolvera seus problemas, tal como o mercado está em constante adaptação às novas condições. Por tais vias, os trabalhadores jamais tiveram qualquer inclinação comunista. Esta consideração emergiu em exclusivo de intelectuais que jamais pisaram em uma indústria.

Como sempre, o marxismo falha por sua arrogância em descrever a história a partir de suas ideias revolucionárias e assim intentar reinventar o tempo futuro. Nunca houvera na história, uma crise cultural capaz de destruir todos os elementos de uma cultura (burguesa no caso). As culturas que se perderam através do tempo, findaram por razões naturais, mas jamais por uma revolução ideológica oriunda das massas. Como exemplo, nem mesmo a Revolução Francesa em sua introdução a certos pensamentos burgueses foram capazes de apagar o poder e a cultura monárquica. Do mesmo modo, a cultura burguesa nunca intencionou nem tão pouco fora capaz de inibir o desenvolvimento cultural das classes trabalhadores. Somente na Revolução Russa, uma cultura fora totalmente reformulada, mas não pelos trabalhadores, mas por uma classe marxista elitista que se difere dos intentos de Gramsci apenas pelos métodos. Quando analisamos estes fatos, notamos que a hegemonia não é vivia em nações com Estado de Direito e com economia de mercado, mas em nações socialistas como no caso de Cuba, Coreia do Norte e Venezuela.

Referências:

O Manifesto Comunista – Karl Marx

Cadernos do Cárcere – Antonio Gramsci

O que é cultura? – L. Robert Kohls

Antropologia: Estudo do Homem –  Adamson Hoebe

A Vida Simbólica: Escritos Diversos – Carl Gustav Jung

Índice de Liberdade Econômica – Heritage Institute

especial1Na Coreia do Norte as pessoas são doutrinadas desce criança à adorar seus ditadores a fins de criar uma hegemonia cultural. No entanto são inúmeros aqueles que mesmo sob pressão ideológica, tentam fugir de todos os modos para a Coreia do Sul.

Christiano Di Paulla

As teorias de Lukács e Gramsci Gramsci são fundamentadas no conceito de consciência e luta de classes, afirmando-a como um fenômeno histórico e cultural. Estes filósofos usaram da metodologia marxista, baseando-se no modelo dialético a fins de contrapor uma conjuntura histórica supostamente arquitetada pelas classes dominantes. Entretanto, a contradição dialética imposta sobre a análise histórica ignora as volições particulares dos sujeitos envolvidos na formação das condições históricas abordadas. Eis um determinismo (e reducionismo) histórico. A contradição dialética sobre o fluxo histórico seria necessária, uma vez que a história se resumiria no conflito de classes, no qual o grupo dominante, dotado de uma consciência uniforme, rivalizaria com o grupo explorado, também dotado de uma consciência uniforme. Ao inserir esta dicotomia entre classes, cria-se uma falsa contradição pautada na generalização psicológica. Tal dicotomia sugere que indivíduos não agem por si, mas por apenas dois tipos de consciência grupal. Eis um determinismo (e reducionismo) psicológico.

Ao alegarem que o revanchismo dicotômico é imposto pela classe dominante (superestrutura), ignoram as volições das classes supostamente dominadas (infraestrutura) e suas livres contribuições para o fluxo histórico. Este modelo determinista e reducionista, oblitera que a história seja feita por toda humanidade e que as subjetividades envoltas à este processo independam de classe social. Cabe citar que a história não é feita em exclusivo de rivalidades, mas em muitos casos, da união entre grupos. Em muitos casos, se unem mesmo quando partilham interesses distintos. Logo a história é movida pela ação de consciências individuais que se unem ou não em grupos distintos, voláteis e até mesmo contraditórios. Eis uma grande diferença do método marxista e o método liberal austríaco. Os marxistas em sua visão materialista, ignoram a subjetividade, generalizando indivíduos em grupos. Já os liberais cujo método é a Ação Humana, aceitam a subjetividade, não generalizam indivíduos nem vos classificam por grupos.

Doravante, cabe refutar detalhadamente as premissas postuladas por Lukács. A base de suas teorias advém de Marx, que as ideias dominantes são oriundas das classes abastadas no que se refere a produção intelectual. Entretanto, se analisarmos a história, podemos notar claramente que muitas pessoas destituídas de grandes posses, realizaram grandes obras nas artes, ciências e filosofia. No que concerne a filosofia, religião e no pensamento político, podemos destacar que muitos pensadores viveram em voto de pobreza e nada disto impedira que seu oficio ou pensamento fosse disseminado. Do contrário, muitos tiranos e poderosos tentaram impor suas ideias, mas falharam severamente. Em exemplos temos Jesus, Buda, Sócrates etc. Nestes casos, marxistas poderiam alegar que suas ideias tomaram conta do imaginário popular simplesmente porque foram abraçadas pelos donos dos meios de produção. Todavia, somente foram abraçadas pelas elites, após serem severamente divulgada entre os mais pobres. Eis uma inversão onde a infraestrutura impõe-se sobre a superestrutura da teoria marxista.

No que concerne o pensamento artístico temos inúmeros pensadores pobres que ganharam renome, influenciando não somente os artistas contemporâneos, mas os modos de pensar das elites. Em exemplo temos Leonardo Da Vinci, Van Gogh, Pablo Picasso, Machado de Assis etc. Nas ciências não seria diferente. Ao contrário do que supunha a teoria marxista, o pensamento científico também não é movido por aqueles que detém os meios de produção, embora em muitos casos, como na física quântica, seja necessário um nível de experimentação extremamente caro. Cabe lembrar que este fato não está ligado a um modo de dominação intelectual, mas simplesmente com os custos envolvidos nos rigores do método cientifico. Todavia, nada disto impede que um pensador estipule uma teoria genial que será testada somente no futuro. Assim fora com diversas teorias, como a Teoria da Relatividade Geral, Teoria do Big Bang, com a existência de Buraco Negro etc. Em exemplo temos Galileu Galilei, John Dalton, Carl Friedrich Gauss, Michael Faraday dentre diversos outros.

 Para Lukács as ideias e concepções culturais, filosóficas e cientificas e “aceitas” são mera criação da burguesia, quando na verdade, são obra conjunta de toda humanidade através dos tempos, criando, se inspirando no que fora criado e inovando em uma nova produção. Lukács alega que a “real ciência” não seria esta supostamente arquitetada a fins de defender os interesses burgueses, mas uma totalidade concreta (que ele mesmo não define) somente descrita pelo período histórico. Ele desconsidera que a genialidade é estar “a frente de seu tempo” e não inserido no mesmo universo de ideias que os demais indivíduos da sociedade. Para ele, o mesmo se aplica as ciências econômicas que seriam tidas como “leis eternas” forjadas pela burguesia e que cedo ou tarde seriam desmistificadas por esta consciência. Na verdade, nenhum economista compromissado com a ciência (diferentemente dos marxistas) jamais alegara que seus conceitos fossem eternos. Eles sempre estiveram dispostos a debater, tal como a ciência econômica voltada ao livre mercado é aquela que mais evoluíra com o passar do tempo. Lembrando que Lukács critica tais leis supostamente eternas e predominantes sem qualquer teorização a fins de refutá-las.

Referências:

História da Consciência de Classe – György Lukács

Defesa da História da Consciência de Classe – György Lukács

Lênin: Um Estudo na Unidade de seu pensamento – György Lukács

A história da Arte – Gombrich, E. H

Estudos de História do Pensamento Científico – Koyré

A História das Religiões Mircea Eliade

pessoas-juntasEis a sociedade real: indivíduos diferentes, com ideias únicas por mais semelhantes que sejam ao invés do conceito de classes defendido pelos marxistas.

Christiano Di Paulla

Continuação:  https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2014/02/05/marxismo-cultural-4-refutacao-a-antonio-gramsci/

Os marxistas ocidentais passaram a trabalhar sobre o que Marx definia como “consciência de classe”. Para Marx, o indíviduo age de forma prestativa e organizada para com os membros de sua classe em prol de interesses coletivos – o que se reflete na organização das ações político-sociais. Esta consciência estaria intimamente ligada à divisão social dos métodos de produção. A superestrutura (instituições) seria responsável pela produção de ideais, enquanto a estrutura seria o receptáculo. Para Marx, as ideais dominantes, seriam as ideias da classe dominante, visto que dispõe dos meios de produção material que se refletem na produção intelectual. Entretanto, os dominados desenvolvem estratégias de resistências, o que gera a consciência do proletariado. Logo a consciência de classe é marcada pela luta de classes. György Lukács expande estes conceitos citando que a ideologia burguesa não é factível. A real ciência seria o pensamento da “totalidade concentra” através do que é descrito pelo período histórico. As chamadas “leis” eternas da economia são desmitificadas como uma ilusão ideológica projetada para a supressão desta totalidade.

Em Historia da Consciência de Classe, Lukács trabalha com a ausência de conceituação de classe na obra de Marx no qual a consciência de classe é somente definida pelos métodos de produção. Lukács considera que em cada classe social há uma consciência equivalente. Esta consciência equivalente não consiste em um entendimento com os interesses individuais dos membros, nem tão pouco com a soma destes interesses: é somente seu sentido histórico. Apenas a história é capaz de permitir que uma consciência seja interprestada dentro de sua classe. Dissertando sobre a burguesia e o proletariado, Lukács sugere que a classe dominante apesar de teoricamente possuir o poder para entender a totalidade da sociedade, tem sua compreensão limitada pelos seus interesses exploradores, fadada a uma falsa consciência. Já o proletariado possui o potencial pleno para a consciência da totalidade, uma vez que detém interesse na destruição do modo de produção capitalista. Eles somente precisariam compreender que são controlados: algo que ocorreria em função das crises do capitalismo. Assim o proletariado encontraria sua consciência: supostamente descrita de antemão pelos teóricos marxistas.

Na vanguarda do pensamento de Lukacs encontramos Antônio Gramsci – fundador do Partido Comunista Italiano. Gramsci se denominava antifascista, pois o fascismo se opunha a disseminação do comunismo na Itália. Em seus planos havia o forte intento de uma aliança entre comunistas russos e italianos, mas em 1926 fora preso pela polícia italiana, sendo levado ao cárcere onde permaneceria até ser liberado, próximo de sua morte em 1937. Na cadeia, Gramsci tivera bastante tempo para idealizar o marxismo cultural. Entre as teorias de Gramsci estava o conceito de hegemonia, inicialmente desenvolvido por Lenin designando a liderança política sobre as classes operárias. Gramsci expandiu este conceito de uma forma estratégica. Para Gramsci a hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de várias questões, fazendo com que as massas passem a acreditar que as ideias impregnadas pelos doutrinadores sejam as soluções. Estas ideias surgem do intelectual coletivo (Partido) que as dissemina pelos intelectuais orgânicos (formadores de opinião) representando a mídia, professores, jornalistas e o mercado edital.

Gramsci sintetizou o conceito de hegemonia ao pensamento de Lukacs referente à consciência de classe. Ele percebera que o trabalhador ocidental não seguia os preceitos estipulados por Marx, mas do contrário: o sistema fora cada vez mais aceito pelos trabalhadores, o que seria devido a uma homogenia cultural burguesa. Gramsci alegava que o poder das classes burguesas dominantes sobre o proletariado dentro do modo de produção capitalista, não resiste somente no controle capital ou através de sua coligação com o Estado, mas em uma dominação cultural através da educação, religião e meios de comunicação – o que inibiria a “consciência revolucionaria”. Caso o poder da burguesia estivesse meramente fundamentado no domínio dos meios de produção seria fácil destruir o sistema capitalista, pois bastaria uma revolução armada, desapropriando-os. Gramsci alegara que os marxistas devem deturpar os valores tidos como burgueses, criando sua própria hegemonia cultural a fins de vigorar o sistema comunista sem grande resistência.

Na teoria de Gramsci a ação política exercida pela teoria marxista em oposição às culturas dominantes faz-se o único meio de elevar as classes subalterna a uma “consciência superior sobre a vida”. Entretanto, o proletariado no geral, não possui a mínima consciência do papel que pode exercer nem de sua “condição subordinada”. O proletariado trabalha de modo prático, possuindo apenas uma consciência herdada pela burguesia – o que vos distanciaria da autocritica. Portanto, o pensamento marxista, pautado em uma luta de hegemonias políticas de direções conflituosas, partido do campo intelectual ao campo material seria a única forma de lhes revelar seu verdadeiro poder. A formação do trabalhador através do pensamento marxista seria a força capaz de construir uma consciência política efetiva a fins de tornar o proletariado uma classe hegemônica e autoconsciente. Para tanto, Gramsci alega que se faz necessária à criação de uma elite intelectual, especializada na elaboração conceitual e filosofia a fins de educar os trabalhadores a respeito da “própria consciência proletária”.

Gramsci não se limitava à visão ortodoxa de uma revolução direcionada somente a classe operária.  Sua teoria denomina como “classe subalterna” o subproletariado, o proletariado urbano, rural e até mesmo a pequena burguesia. Entretanto, Gramsci percebe que estes grupos divergem, estando unidos em tese somente como Estado. Ele se depõe em examinar como estas classes sociais poderiam se unir a fins de destronar a hegemonia dominante e chega à conclusão de que pode haver uma crise na hegemonia dominante, culminando na exaltação da revolução cultural. A crise da hegemonia dominante faz-se possível quando as classes sociais dominadoras tornam-se incapazes de resolver os problemas da coletividade ou de impor sua própria concepção do mundo. Assim, a classe subalterna emerge gerando soluções para estes problemas, tornando-se dirigente e expandindo-se até que seja criado um novo bloco hegemônico. Naturalmente estas soluções seriam diligenciadas pelos intelectuais marxistas formadores de opinião.

Gramsci também entendia que não havia um conceito hegemônico sobre todas as classes. Para que os burgueses pudessem alcançar este patamar, necessitavam fazer concessões aos trabalhadores sacrificando seus imediatos interesses materiais. Gramsci também alega que o Estado não é um instrumento puro da classe dominante, como definiam os marxistas mais ortodoxos, mas uma força revestida de consenso, ou seja: um poder tomado pela hegemonia. Na sociedade ocidental Gramsci a define em duas instancias: sociedade política + sociedade civil. O segredo para a revolução marxista estaria em levar a sociedade civil a absorve a sociedade política em prol do ideário comunista, algo que não havia ocorrido no sistema stalinista. Deste modo, Gramsci ataca o stalinismo, alegando que neste tipo de socialismo, seu fracasso ocorrera opressão militar, fruto da hipertrofia do Estado – caracterizando uma ditadura sem hegemonia. Para Gramsci, a hegemonia deveria vir acompanhada de uma forma mais sutil de revolução que a simples coerção armada. Estes seriam os novos rumos à derradeira ditadura do proletariado.

Referências: 

A ideologia alemã – Marx e Engels

História e Consciência – György Lukács

História da Consciência de Classe – György Lukács

Obras Escolhidas – Antônio Gramsci

Cadernos do Cárcere – Antonio Gramsci

dawawwLukcas e Gramsci: patronos do marxismo cultural e da manipulação comunista das massas.

Christiano Di Paulla

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