Arquivo da categoria ‘Falácias socialistas’

Nos debates a respeito de economia política, uma das questões mais discutidas é sem dúvidas a dimensão do Estado. Muitos defendem que um Estado gigantesco, assistencialista e com impostos elevados como o ideal, tendo como bases os países escandinavos, cujo desenvolvimento humano também é elevado. Seria verdade?! Para analisar esta consideração, usarei a Noruega como exemplo, já que além de ser o primeiro no Índice de Desenvolvimento Humano, é uma referência para que possamos entender as politicas econômicas dos demais países escandinavos. De 1873 a 1945 o governo norueguês foi governado por liberais e conservadores, com impostos baixos e grande participação do mercado privado. Nesse período a Noruega deixou de ser uma nação consideravelmente pobre e que vivia da pesca para se tornar uma potencia industrial. Somente entre 1905 e 1916, o PIB cresceu 55% e o setor industrial 83%, superando os EUA. Todavia, após a Segunda Guerra Mundial, a Noruega descobriu imensas reservas de petróleo e gás natural e foi tomada por politicas socialdemocratas. Eles estatizaram estas reservas, antigas empresas alemãs (nazistas), elevaram impostos e criaram amplo regime assistencialista. Qual o motivo para tamanha mudança?! É o que tratarei neste artigo.

O registro histórico a cerca da dimensão do Estado é muito claro: nações só se desenvolvem num primeiro momento, com tributos baixos e mínimas regulamentações, além é claro, de um ambiente institucional favorável aos negócios. Com isto, há maior acumulação de capital e consequentemente, maiores investimentos e maior produtividade, o que alavanca o crescimento econômico. Suponhamos que antes de todo este processo, determinado país arrecadasse 25% de um PIB de $ 500 bilhões, ou seja; $ 125 bilhões. Com a nova economia mais robusta e de alcance internacional, o PIB saltou para $ 3 trilhões e a arrecadação para $ 750 bilhões. Se antes, o Estado se matinha com 1/6 deste valor, a nova posição parece muito mais confortável. Entretanto, como explica o economista Murray Rothbard, o aumento das receitas do Estado, atiça um “espirito voraz” existente na classe política. Césares surgem desejando erguer Coliseus a fins de enaltecer uma gloria que não é sua. Além disso, uma economia mais robusta permite que uma porção maior de capital ou poupança doméstica seja retirada do setor privado sem colocar em risco a continuidade do crescimento – embora sempre implique em decréscimos.

Graças a um período econômico voltado aos princípios laissez-faire, a Noruega conseguiu erguer um parque industrial completo, suficientemente capaz de alavancar sua economia interna, implicando em receitas mais elevados – o que atiçou o aumento de impostos. É óbvio, que se o governo norueguês elevasse os impostos de forma demasiada, como julgam os defensores do sistema tributário escandinavo (sem conhecê-lo), todos os empresários nacionais e investidores estrangeiros fugiriam para países cuja carga tributária é menor, sem qualquer sobra de dúvidas. Entretanto, no último meio século, a Noruega não teve grandes fugas de capitais. O motivo é bastante simples; o governo norueguês não aumentou os impostos sobre o capital, mas sobre o consumo. Engenhosamente, este arranjo não pesou tanto sobre o trabalhador, já que a Noruega tem um mercado de trabalho extremamente liberal como em qualquer país escandinavo. Não existem grandes regulamentações sobre o setor trabalhista, nem ao menos leis de salario mínimo – o que reduz a burocracia e os custos empregatícios, aumentado à demanda de mão de obra e consequentemente, os salários.

Somando os fatores descritos acima a uma população minúscula – menor que a população do Rio de Janeiro, a Noruega é metaforicamente uma ilha farta em recursos que podem ser facilmente lapidados, tendo apenas meia dúzia de pessoas para usufruírem disso. Portanto, pode ser “dar ao luxo” de ignorar em médio prazo, a primeira lei da economia; a escassez. Somente em 2015, a Noruega produziu 3,93 milhões de barris de petróleo por dia, possuindo população de meros 5,2 milhões de habitantes. Isso equivale a uma produção de 1,5 barris de petróleo por habitante a cada 48 horas – cotando em média, cerca de US$ 45 por barril durante o mesmo período. Além disto, a Coroa Norueguesa (NOK) é uma moeda desvalorizada, cotada a 11 centavos de dólar, por Coroa – o que imprime um custo de vida altamente elevado, já que a Noruega é uma grande importadora de bens de consumo. Mesmo assim, somente o setor petrolífero gerou em 2015, uma média de US$ 12.375 por habitante. Se relevarmos uma média salarial mínima de US$ 15hr e uma carga horária máxima de 37,5hs semanais, as receitas de petróleo poderiam pagar aproximadamente 5,5 meses de renda mínima para cada norueguês (120 NOK hora).

A produção petrolífera norueguesa é tão gigantesca, que quase metade da economia está ligada direta ou indiretamente ao setor. Assim, cerca de 1/3 das receitas do governo advém diretamente do petróleo. Com isso, o governo é capaz de empregar 30% da população e detém 31% das empresas abertas – e que na  maioria esmagadora, estão ligadas a extração de recursos naturais. Outro característica a ser citada, é o fato de que a economia norueguesa é pouco diversificada, tendo como segunda força motriz, o setor de pesca e ao fundo, a prestaçãode serviços. Isso se deve principalmente a uma politica econômica externa protecionista, com tarifas consideravelmente elevadas para empresas estrangerias que visam competir com empresas locais – reduzindo as necessidades das empresas locais se aperfeiçoarem ao ritmo global. Diante esta realidade, nos ultimos anos, o governo norueguês buscando criar medidas para impulsionar sua economia interna, já que compreende que não poderá ser dependente do petróleo para sempre. Desde o inicio da década de 1990, a carga tributária, as regulamentações e a participação do Estado na economia têm caído gradativamente.

A partir do ano 2000, o governo norueguês deu início a uma série de privatizações, vendendo 1/3 da maior empresa estatal do país; a petrolífera Statoil. Não é atoa que a Noruega está bem classificada no Índice de Liberdade Economia que mede o quanto uma economia é voltada para o livre mercado (25º posição). Cabe lembrar que a Noruega criou em 1990, o Fundo Estadual de Pensões (em norueguês: Statens pensjonsfond utland) visando estabelecer uma reserva financeira para manter a economia estável, impedindo uma queda brusca das receitas governamentais com o declínio da produção petrolífera. O fundo também visa amortecer os efeitos das grandes flutuações dos preços de petróleo, assim como para fomentar uma transição econômica, produzindo investimentos no setor privado – a exemplo do que já é projetado em algumas das maiores potências petrolíferas, como no caso nos Emirados Árabes. Cabe questionar, o quão eficiente será a transição da economia norueguesa. Neste quesito, acredito que os Emirados Árabes sairão na frente, uma vez possuem inclinações econômicas tão liberais quanto a Noruega, já atraíndo maiores somas de capital estrangeiro, sem falar na mega infraestrutura que estão erguendo com fins turísticos.

Conclusão

Está claro que um Estado gigantesco, assistencialista e com impostos elevados só funciona por tempo limitado em ambientes extremamente raros, como no caso de alguns países escandinavos, que detém vastos recursos naturais, baixa população e um parque industrial desenvolvido após um século de industrialização liberal. O próprio Eldar Saetre, presidente da Statoil, disse em entrevista a Folha de São Paulo no final de 2016 que este representa um modelo a ser seguido. Para ele, uma boa economia não deve depender exclusivamente de um setor, deve diversificar e se manter competitiva. Em suma, exceções à regra não devem ser tomadas como modelos, mas sim como perspectivas no máximo temporárias, tal como é feito pelo governo norueguês. Para a economia em sua condição natural de escassez, não há outro caminho senão a liberalização, a redução da carga tributária e a privatização – mesmo que num segundo momento, de abundância, o governo sempre intentará o caminho contrário. Políticas pró-mercado consistem no rumo natural da economia, ainda mais em tempos de crise e transição econômica – não importa o que digam “especialistas” cegos com visões de curto prazo.

Fontes: 

Produção de petróleo e gás da Noruega sobe em 2015 pelo segundo ano consecutivo – IstoÉDinheiro

Cotação média dos preços históricos do petróelo – https://br.investing.com/

Staten må selge seg ut av Statoil – NRK Rogaland – Lokale nyheter, TV og radio

CIA – The World FactBook

Index Economic Freedom 2015

Norges Bank Investment Management – Statens pensjonsfond utland

Presidente da Statoil defende fim da exclusividade da Petrobras no pré-sal – Folha de São Paulo

Chris Di Paulla

image_large

A Statoil é um exemplo de receita abundante para o Estado com prazo de validade bem definido.

Quem nunca ouviu que “o capitalismo é nocivo ao homem, pois degrada o meio ambiente”, certamente nunca participou de um debate político-econômico. Sobretudo, este não é um pensamento recente, e transcende as gerações. Desde que o socialismo emergiu com maior poder no cenário político e econômico durante o final do século XIX, combater a economia de mercado sob todas as bandeiras, tornou-se sua sina. Desde então, os socialistas sugerem que para proteger o meio ambiente, é necessário destruir o capitalismo, tomar os meios de produção e controlar a cadeia produtiva. Em 2007, a Declaração Ecossocialista de Belém, sistematizou tais críticas que podem ser resumidas em: “o capitalismo necessita de lucros crescentes que dependem da extração descontrolada de recursos naturais, levando a degradação do meio ambiente”. Com o atual desastre em Mariana (MG), este tema voltou emergira como uma bandeira da esquerda. Todavia, seria isso uma verdade e o socialismo de fato, preservaria o meio ambiente?! É o que veremos neste artigo.

É fato que o homem dependente do meio para sua sobrevivência e que desde tempos remotos, se apropria e faz uso dos recursos naturais para desenvolver ferramentas a fins de melhorar sua qualidade de vida. Antes mesmo do surgimento da economia capitalista, povos já se valiam do expansionismo para obter recursos. Imperadores e reis exibiam seu poder seja através de especiarias obtidas no exterior ou por ornamentos produzidos a partir de recursos escassos em sua região. Com o surgimento da economia de mercado, estas práticas tornaram-se descabidas. Bastavam trocas voluntárias para obter determinado recurso, ao invés de fazer o uso indiscriminado da força. Fisiocratas e liberais consideravam que a mão de obra escrava era deficitária, pois não detinha incentivos para agregar na mesma medida em que a mão de obra livre e remunerada. A abolição da escravatura e o fim do colonialismo tornaram-se a bandeira capitalista em prol do desenvolvimento econômico e mais; resultariam na preservação do meio ambiente através do direito à propriedade privada.

Embora socialistas aleguem que o mercado em si, não é capaz de preservar o meio ambiente e que portanto, a economia dependeria da exclusiva intervenção do Estado a fins de resolver estes problemas. Entretanto, os fatos tem demonstrado o contrário, como já fora proferido por diversos economistas liberais ao longo do século XX e XXI. Em uma sociedade genuinamente capitalista, a propriedade privada e os termos contratuais voluntários são as máximas a serem defendidas. Empresas poluidoras são forçadas por meio de um governo limitado (que não poderia ser seu cumplice) ou por via de um contrato passivo a indenização, a pagar por eventuais danos a propriedade privada de terceiros. Como se não bastasse, as externalidades já estão incorporadas aos preços de mercado. Custos altos com retratações ou tratamento de poluição ou uma irreversível situação de escassez, produzem reflexos imediatos nos preços, forçando o consumidor a procurar uma empresa que poluía menos e que seja mais econômica – o que independe de sensibilidade ambiental.

Os lucros interferem nas tomadas de decisão pois são responsáveis pela troca de informação econômica. Assim sabemos os custos para a produção, quando determinado recurso está escasso e como agir. Sem eles, não há uma alocação saudável e bem ordenada. Condenar o lucro e o mercado não resultará em uma melhoria dos cuidados com o meio ambiente, mas sua ruína. Um exemplo notável, é o Acidente Nuclear em Chernobyl, durante o regime comunista. O governo da época divulgara uma baixa de 4 mil mortos, porem estudos recentes apontam entre 30 e 60 mil em face a cancros oriundos da exposição à radiação. Mais de 500 mil pessoas sofreram com o acidente e grande parte não recebera qualquer indenização ou os devidos cuidados, graças a ausência de direitos de propriedade. Sobretudo, confunde-se lucro com corrupção. Sem a separação entre Estado e economia, políticos venderão favores em troca de dinheiro, prejudicando a punição de empresas irresponsáveis como no caso do vazamento químico na cidade de Bhopal na Índia.

Doravante abordarei as evidências. Segundo o Índice de Desempenho Ambiental que analisa o efeito do ambiente sobre a saúde, poluição nos ecossistemas, mudanças do clima, biodiversidade de habitat e recursos hídricos, florestais, agrícolas e marítimos, dentre outros, os países mais bem colocados em 2014 foram: 1º Suíça, 2º Luxemburgo,3º Austrália, 4º Singapura, 5º República Checa, 6º Alemanha, 7º Espanha, 8º Áustria, 9º Suécia e 10º Noruega. Das 30 primeiras colocadas, somente a Grécia não possui uma economia extremamente voltada para o mercado e para os direitos de propriedade – que é reflexo de governos recentes. A única nação legitimamente capitalista em má colocação é Bahrein (82º). Já as piores colocações são de nações que estão sob regime socialistas e que possuem os menores direitos de propriedade: 178° Somália, 177º Mali, 176º Haiti, 175º Lesoto, 174º Afeganistão, 173º Serra Leoa, 172° Libéria, 171° Sudão e 170° República Democrática do Congo. A única nação legitimamente socialista em boa colocação é a Venezuela (57º).

Conclusão:

A degradação do meio ambiente não é interessante para nenhuma empresa. Os empreendedores sempre buscam economizar seus recursos para produzir uma quantidade maior de bens a longo prazo. O esgotamento dos recursos é seu maior vilão. Poluir também não é vantajoso. A queda do preço das ações em face a uma imagem prejudicada no mercado, indenizações por danos à saúde, remanejamento de populações ou qualquer outra consequência de atos irresponsáveis, pode levar uma empresa a ruína, uma vez que esteja inserida numa economia legitimamente capitalista. Nela o Estado não vende favores e os direitos de propriedade estão assegurados.

Referências: 

Declaração Ecossocialista de Belém 2007

A seletiva interpretação de Adam Smith – Gramm W.

Ambientalismo e Livre Mercado – Walter Block

O Outro Relatório Sobre Chernobyl – ONU

Índice de Desempenho Ambiental 2014

Chernobyl é um dos vários exemplos de desastre ambiental sem qualquer ambição de lucro - o que não se associa em nações cujos direitos de propriedade são bem representados.

Chernobyl é um dos vários exemplos de desastre ambiental sem qualquer ambição de lucro – o que não se associa em nações cujos direitos de propriedade são bem representados.

Christiano Di Paulla

Há um texto circulando na internet (do site Raiz da Questão), que alega que a escola austríaca não tenha de fato, refutado as teorias de Marx. Após uma pequena detalhada, encontrei uma série de equívocos que me levaram a escrever esta réplica. De início, o autor cita Lenin, alegando que não pode ser feita uma revolução (marxista) sem ideologia e que este é o motivos para o socialismo perder espaço para o pensamento capitalista. Eis uma grande ilusão. Embora o peso ideológico seja uma premissa atenuante para as massas – que no geral são desprovidas de grande conhecimento acadêmico – é diante as evidencias, ignoradas pelos marxistas, que emerge seu fracasso. A mais simples comparação entre economias capitalistas e socialistas é capaz de arrasar com qualquer argumento “revolucionário”. Não é preciso ser expert em economia para notar a gritante diferença socioeconômica entre os dois lados da Alemanha dividida, Coreia do Norte e Coreia do Sul, China e Singapura etc. O socialismo (como um todo) foi refutado pela realidade.

O argumento do autor

O autor inicia o texto descrevendo o materialismo dialético, segundo o qual a existência seria regida pela matéria e suas interações, existindo o natural (terra) e o artificial (plantações). Há também o concreto (tomates) e o abstrato (sabor do tomate). Assim o homem transforma a natureza concreta em artificial em face a abstração. Nestes aspectos, Marx insere sua dialética e divide a sociedade em dois grupos: O primeiro é a infraestrutura, representada pela base concreta da economia. O segundo é a superestrutura representada pela base ideológica da sociedade; governo, cultura e religião. Estas forças exerceriam poder uma sobre a outra, modelando a sociedade. Na teoria de Marx, também há o valor-de-uso e valor-de-troca. O valor-de-uso seria a água para beber, o celular para se comunicar e o carro para se locomover. O valor-de-troca seria derivado do tempo socialmente necessário para esta produção, obtido através de outro bem, cujo tempo socialmente necessário lhe é referente. Todavia, como a sociedade compartilha de valores estéticos, este valor é distorcido.

Aquilo que distorceria o valor-de-troca, seria o chamado “fetichismo”, que por sua vez seria oriundo de uma pressão da superestrutura sobre a infraestrutura. Funciona da seguinte forma: caso uma água estiver engarrafada com um rotulo bonito e gelada, ela poderá ter um valor-de-troca maior subvertendo a característica substancial do objeto. A água não serve mais apenas para matar a sede, e começa a corresponder um estímulo externo desnecessário. Esta seria a base da produção capitalista; a produção de necessidades. Um exemplo usado é o da comunicação. Segundo o autor, não havia necessidade do celular até ele ser inventado. As pessoas se comunicavam muito bem sem ele. Como estas necessidades são criadas?! Ele cita James Buchanan Duke, que inventou uma máquina capaz de produzir 120 mil cigarros por dia. James apenas teria vendido seus cigarros, graças a publicidade que fez via corrida de cavalos e concursos de beleza. Assim o cigarro foi associado a elegância e ao poder atribuindo um valor que não possui, além do valor de uso; sua reação no organismo.

Pelas vias descritas acima, a teoria marxista do valor do trabalho, assume que o consumo não é determinado pelo indivíduo, mas condicionado pela ideologia da classe dominante. Assim, Marx não desconsideraria a subjetividade no consumo, concebendo-a alheia ao trabalhador. O autor deixa de citar a mais-valia, que seria a diferença entre o salário pago ao trabalhador e o valor do trabalho. A mais-valia absoluta e a mais-valia relativa. Em exemplo, a mais-valia absoluta ocorreria quando o salário é referente ao que é produzido em metade da jornada de trabalho. A mais-valia relativa seria oriunda da melhoria tecnológica, o que amplia a produção e o lucro em relação ao trabalho. Através desta exploração, haveria uma luta de classes que culminaria numa revolução marxista que resolveria todas as “contradições da sociedade capitalista”, eliminando a propriedade privada e as classes sociais. Ela seria manifestada pela necessidade dos trabalhadores, mas regida por um partido comunista que faria todo o processo de transição.

Réplica ao texto

Em A Teoria da História, Mises demonstra a fragilidade dos conceitos marxistas de infraestrutura e superestrutura, no qual uma suposta elite dominante imprimiria bases ideológicas a toda sociedade, transformando o homem num refém daquilo que é produzido. Mises, cita: Os homens usam armas de fogo”. Para aprimorá-las, desenvolveu-se a balística. Mas é claro que, precisamente porque desejavam uma maior eficácia, fosse para caçar animais, fosse para se matarem uns aos outros, procuraram desenvolver uma teoria balística correta. De nada serviria uma balística meramente ideológica”. São as bases da sociedade que transformam as ferramentas e o meio em prol de seu bem-estar e não o contrário. Métodos produtivos se aprimoram por noções técnicas, como no caso do desenvolvimento de um novo método de cálculo. Ideologias não são vetores de novos processos em engenharia, arquitetura ou agricultura. Nem mesmo a URSS obteve grandes sucessos neste sentido.

Ao contrário do que diz o texto, foi a necessidade de se locomover em grandes jornadas que deu origem a charrete e não sua invenção e propagação no mercado, que dera início a esta necessidade. A necessidade e melhorar a comunicação desenvolveu celulares, o habito de degustar tabaco levou a produção de cigarros e assim por diante. A dialética materialista de Marx perverteu a ordem e o motivo das ações humanas, colocando o homem como um mero fantoche de forças que desconhece e não controla. Seu fetichismo é uma distorção do valor subjetivo. Caso estivesse correto prejuízos e falências seriam incomuns. Temos vários exemplos de produtos sem saída, mesmo com imensa publicidade, exemplo: New Coke, Ford Edsel, Arch Deluxe do McDonalds, Ok Soda e o Ken moderno (barbie.) Só na gigante da tecnologia, a Apple encontramos diversos exemplos, como o iPod Hi-Fi, Apple III, Apple Bandai Pippin (videogame), Apple Newton (PDA) etc. Oferta não gera demanda, mas toda demanda gera oferta.

Ao longo da história da economia capitalista, milhares de bens e empresas falharam, mesmo com valor-de-uso, valor-de-troca e com ampla publicidade, porque simplesmente não agradaram as perspectivas subjetivas dos consumidores – ou seja, de baixo para cima. Como bem cita Mises, a ação humana é um ato que visa atingir objetivos determinados a fins de se encontrar um estado de satisfação temporária. Neste sentido, o trabalhador preza o suor de seu trabalho. No geral, ele buscará a melhor relação em custo/benefício. Uma vez que se encontre frustrado com determinado bem ou serviço, seja pelo contato direto no momento da compra, seja pela verificação através de terceiros, ele assumirá uma postura defensiva e não o consumirá. Esta abstenção produz a queda da demanda e a redução do lucro, podendo implicar em falência. É por estes motivos, que os empreendedores pesquisam a respeito das preferências dos consumidores, competindo uns com os outros a fins de aperfeiçoar seus produtos e lançar bens e serviços cada vez melhores.

O autor focou-se somente em sua crítica a teoria subjetiva e de utilidade marginal da escola austríaca, ignorando que a principal base de sua refutação é no que cerne a impossibilidade de um sistema socialista. O marxismo prega uma sociedade sem propriedade privada o que elimina a existência de trocas voluntárias através de um sistema de preços. Sem os preços, não há meio contábil de acentuar oferta à demanda, além de identificar os fatores de produção mais eficientes. Além disto, a revolução marxista visa a destruição de toda a propriedade privada através de uma revolução violenta, pois entende que raros seriam aqueles que adeririam a ela – ao contrário do que sua perspectiva filosófica (marqueteira) alegava. Para destituir toda sociedade, dos mais pobres aos mais ricos, somente através da centralização do poder. Associando isto, aos problemas econômicos causados, teremos imensa revolta popular, o que culmina no uso continuo do poder, levando a ascensão de um regime ditatorial. Todas as evidências históricas revelam que o socialismo foi da violência à escassez ciclicamente.

Outras falácias encontradas no texto: 

1º – Os economistas austríacos veriam as relações econômicas como abstrações. Não é verdade. A praxeologia indica que as relações econômicas possuem fins materiais bem definidos, embora coloque subjetividade a priori. Ações racionalmente definidas não são meras abstrações.

2º – Um buraco não será vendido porque tem trabalho, mas não tem utilidade, enquanto o ar tem utilidade, mas não tem trabalho. Assim eles não são mercadorias. Não é verdade. Um buraco pode ter utilidade, como a construção duma piscina. Mas se não houver demanda, não terá valor. O ar não possui valor porque não tem demanda já que é abundante e indelineável.

3º – Supostamente, somente os bens produzidos em massa são mercadorias. Assim um quadro de Picasso não seria mercadoria. Não é verdade. Tudo o que pode ser trocado em valores monetários é uma mercadoria. O autor visa ignorar que o preço é elevado em função de ser um recurso raro, tal como pela valorização subjetiva de seus admiradores.

4º – A terra só teria valor, porque pode ser usada para produzir bens, como alimentos ou simplesmente porque haveria custo em sua descoberta. Não é verdade. A terra pode servir como um meio de poupança, onde determinado capital é empregado para que no futuro, ela seja revendida a preços maiores. Trabalho e utilidade não serão relevados até então.

5º – O autor tenta sobrepor o paradoxo da água e do diamante através da teoria marxista do valor do trabalho, alegando que o diamante tem valor maior que a água porque nele é empregue um trabalho maior para ser descoberto e lapidado, além de imensa publicidade. Todavia, qualquer pedra preciosa terá um valor mais elevado que a água, mesmo que não lapidadas numa relojoaria, tal como a água de um lago tem valor zero.

6º – Em vários trechos do texto, notamos a persistência em considerar válida a teoria do valor do trabalho de Marx, ignorando que se uma empresa X gasta Y de horas produzindo um bem Z e ele não é vendido. Não importa a quantidade de mão de obra empregue, ele não terá valor, seja de uso ou de troca.

7º – Alega-se que as pessoas não consomem as mesmas coisas, relevando certa subjetividade, mesmo que supostamente condicionadas. Isto é contraditório. Se há relativismo indelineável a um suposto condicionamento, não há como provar que ele existe. Este argumento visa anular as escolhas subjetivas.

8º – O texto afirma que as empresas fazem pesquisa de mercado, não em face as preferências subjetivas, mas porque os condicionamentos dificilmente mudarão. Todavia empresas tradicionais que criam produtos similares ou até mesmo aquelas que são totalmente inovadoras são capazes de lucrar ou falir.

9º – Os empresários falhariam porque “criar valor social” de um produto num estágio avançado da economia é muito difícil. Não é verdade. Empresários falham, porque suas estimativas futuras ou o emprego dos fatores de produção são equivocadas, em face a dispersão do conhecimento. como bem cita Hayek.

Conclusão:

O texto do autor, assim como a teoria marxista, considera o homem como um animal sem autonomia, condicionado as forças materiais que vos cercam, além de incapaz de se projetar na sociedade; não é um indivíduo, mas um mero produto do meio. A neurociência jamais atestou isto. No máximo, temos reflexos involuntários e condutas que são produto da evolução biológica, mas persistimos aprendendo e evoluindo com nossas ações. A teoria coletivista do marxismo é antinatural porque visa reformar o homem, nega sua natureza e se opõe a todo o desenvolvimento histórico. A teoria da mais-valia e da luta de classes de tão inconsistentes, nem foram dissertadas. A impossibilidade de cálculo econômico, a escassez consequente, a opressão revolucionária e concentração do poder nas mãos dos dirigentes também fora ignoradas. E assim, será! Dirão que suas experiências não foram válidas e tentaram novamente impor o inferno na terra, ignorando o imenso fracasso do socialismo como modelo. O que lhes restá é uma fantasia ideológica barata.

Texto em original: http://raizdaquestao.com.br/?p=495

Referências: 

  •  Teoria da História – Ludwig Von Mises
  • O Cálculo Econômico sob o Socialismo – Ludwig von Mises
  • A Teoria da Exploração do Socialismo-Comunismo – Eugen von Böhm-Bawerk
  • Teoria do Socialismo e do Capitalismo – Hans Hermman Hope

Uma das provas de que Mises refutou Marx foi a tentativa frustrada de Oskar Lange tentar organizar a economia soviética através de preços artificiais obtidos no mercado exterior. Os russos entenderam a necessidade de preços, mas ignoraram a necessidade do mercado

Christiano Di Paulla

Uma das marcas mais atenuantes dos movimentos socialistas contemporâneos é sem dúvidas seu suposto discurso em defesa das minorias. Mas o que esta inclinação retórica realmente visa é a separação da sociedade em classes, raças e credos, a fins de incitar a uma conhecida tática marxista, que nas palavras de Cesar é resumida como “dividir e conquistar”. Desde Marx, eles compreendem que um povo dividido é mais facilmente manipulado e conquistado. Porém este novo discurso se difere de sua abordagem clássica. Marx alegava que nos países mais capitalistas a qualidade de vida dos trabalhadores decairiam e eles seriam cada vez mais numerosos, servindo assim ao ideal revolucionário. Todavia, nada disto ocorreu. A qualidade de vida melhorou gradativamente e os pobres se tornaram classe média. Até mesmo nos países menos capitalistas, a maioria da população tem uma inclinação natural para as finanças pessoais e para o comércio, sem tender ao socialismo. Diante este fracasso, os socialistas de nosso tempo se focaram nas minorias, a fins de conglomerá-las numa grande massa de manobra.

Contraditoriamente, as minorias que hoje são defendidas pelos socialistas, foram seus alvos no passado – com exceção dos judeus. Podemos citar negros, homossexuais, mulheres e indígenas e etc. Todavia, o objetivo deste texto não é discorrer a respeito das perspectivas preconceituosas de Marx, Engels, de seus antecessores e sucessores, mas focar nos motivos pelos quais, o discurso em prol das minorias é equivocado ao exigir retratações de uma suposta dívida histórica. Dívida histórica é um termo usado para afirmar que a população do presente deve pagar pelas injustiças que indivíduos, populações ou governos do passado, cometeram contra algum grupo. Em exemplo poderíamos dizer que a Alemanha teria uma suposta dívida histórica com os judeus, em função do Holocausto praticado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Da mesma forma, a Europa teria uma suposta dívida histórica com o continente africano, em face a colonização. Já o Brasil teria uma suposta dívida histórica com os negros, graças à escravidão negra que existiu no Brasil até 1888.

Os erros fundamentais destes argumentos são nítidos; o conceito de “dívida histórica” é anacrônico e penaliza terceiros. Não existem devedores vivos para que tal dívida possa ser cobrada. Portanto ela prescrevera. E mesmo que os descendentes dos responsáveis pela escravidão pudessem ser localizados, jamais poderiam ser penalizados pelo que fora feito por seus antepassados – em qualquer legislação do mundo. Por fim, não há qualquer ligação entre o governo, a constituição ou entre a população atual com os eventos daquela época. Os brancos de nossa época, descendem de imigrantes europeus que fugiram da opressão em países como Itália, Espanha ou Alemanha que chegaram no Brasil no início do século XX, quando já não havia mais escravidão – mesmo período em que chegaram os descendentes de asiáticos. Já os pardos que representam quase metade da população são descendentes de uma mistura de inúmeras etnias com origens e histórias distintas. Não obstante, estas não são etnias “puras”. O brasileiro é sem dúvidas, um dos povos mais miscigenados do mundo.

Ao contrário do que ocorreu com os judeus que foram indenizados pelo holocausto, uma vez que seus algozes estavam vivos e poderiam pagar por isto, o conceito de dívida história no Brasil é anacrônico e mais: fere o Estado de Direito, uma vez que qualquer retratação do governo atual, dependeria de de tributos pagos por toda a população, penalizando terceiros quando falamos de pensões. Assim, pagam pelo crime que não cometeram, para aqueles que não o sofrera. Quando falamos do tipo mais comum de retratação exigida: as cotas no sistema de ensino, penalizamos estudantes cujas medias são mais elevadas. Além disto, não há nada que possa provar qual a etnia de uma pessoa em nosso país nem mesmo um teste de DNA como ocorrera com os gêmeos idênticos Alan e Alex Teixeira da Cunha que foram declarados branco e negro pelo sistema de cotas da UNB em 2007. Para agravar, no Brasil negros e índios são classificados no sistema de cotas ao lado de deficientes. Isto demonstra um preconceito velado, como se estes indivíduos possuíssem alguma debilidade; que não possuem.

Quando o Estado, impõe que determinados indivíduos sejam aceitos em universidades sem que suas capacidades sejam relevadas ele tenta encobrir sua falha; um sistema público de ensino médio e fundamental decadentes. E neste ensino, não encontramos apenas negros ou pardos, mas estudantes pobres de todas as etnias. Por este motivo, estudantes mais pobres não são capazes de adentrar em uma universidade de qualidade, passam anos em pré-vestibulares e ao final, muitos desistem. Os motivos são simples. O economista norte-americano Thomas Sowell escreveu um estudo empírico chamado “Ações Afirmativas pelo Mundo”, no qual analisa as políticas de cotas. Ele chegou à conclusão de que todos elas – sem exceções – falharam no que buscavam. Muitos estudantes abandonavam os estudos, por não serem capazes de acompanhar as aulas. Em alguns casos, estas medidas apenas segregara populações, ampliando preconceitos. Segundo Sowell, lançar alunos que não tiveram um ensino de base de qualidade em universidades bem estruturadas não modificará seu histórico. Isto apenas encobre erros de gestão.

Conclusão:

O conceito de dívida história em muito é citado pelas militâncias socialistas a fins de fomentar uma luta de raças, e eles têm obtido certo êxito ao gerar ódio entre os que apoiam esta perspectiva, com relação aos que se opõe. Entretanto uma vez que analisemos o tema, podemos notar que o conceito de “dívida histórica” é uma falácia anacrônica, que penaliza inocentes e que gera uma série de ações afirmativas que não possuem qualquer resultado positivo; senão ocultar os reais problemas, como no caso das debilidades do ensino de base. E mesmo que qualquer um destes argumentos estivesse correto, nem ao menos haveriam meios de atestar quem é ou não negro, quem merece ou não uma retratação, visto tamanha miscigenação. Os socialistas visam impor tais “retratações” porque elas atingem a igualdade diante a lei, implicando na espoliação para fins de outros – o que fere o direito de propriedade. É um dos passos do marxismo cultural para o retrocesso e degradação da sociedade democrática e capitalista.

Referências:

Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior

CENSO 2010

Ações Afirmativas pelo Mundo – Thomas Sowell

classificacao_por_raca1

Christiano Di Paulla

O artigo “Porque o Socialismo”, escrito por Albert Einstein para a publicação de Maio de 1949 da revista Monthlty Review, é constantemente usado pela esquerda, como um pressuposto da superioridade intelectual de sua ideologia. Neste sentido, o conteúdo é o menos importante, afinal fora escrito por um pensador notório. Entretanto, tal afirmação, não é mais que mero apelo a autoridade, uma vez que o texto traz nada de novo para o debate político e econômico de sua época e pior; traz conceitos ultrapassados. Embora Einstein admita não ser versado em ciências econômicas e sociais, permite-se avançar num campo que desconhece – o que não se difere de um pintor que disserta sobre os procedimentos de uma cirurgia bariátrica para o controle de diabetes. Como cita o economista Murray Rothbard: “Não é crime ser ignorante em temas de economia, que é, afinal, uma disciplina especializada. Mas é totalmente irresponsável ter uma opinião enfatuada em assuntos de economia, enquanto se permanece num estado de ignorância”.

Einstein inicia o texto abordando a questão epistemológica, alegando que ambas as ciências (naturais e sociais) visam descobrir leis que sejam aceitáveis de modo generalizado, mas que mesmo assim se diferem já que as leis econômicas seriam obscurecidas pela classe política dominante ao longo da história. Entretanto a era capitalista seria diferente, pois os fatos observáveis que derivam desta fase exclusiva, não se aplicam a outras fases, já que o poder econômico teria transcendido o poder político. Einstein parece ignorar que é o poder político, que limita e regula o poder econômico através de impostos ou de burocracias (inversão de causa e efeito). Segundo ele, o socialismo buscaria transcender esta fase como uma contra-medida, o que impediria a ciência econômica da época, de prever a sociedade socialista do futuro. Neste trecho, Einstein decai ao nível da superstição por alegar que não podemos narrar os meios no qual o socialismo se aplicaria; uma clara falácia da teoria irrefutável, onde se argumenta com uma hipótese que não pode ser testada.

Na verdade, toda teoria – uma vez que falseável – deve ter fundamentos primários bem estabelecidos para somente então, ser testada. Mesmo que o rumo dado pelas evidências, mude fundamentos da própria experimentação, sempre será preciso um pilar teórico. E isso não é diferente no campo político e econômico. Partido das premissas teórica da ideologia socialista (utópica, marxista, socialdemocrata etc) e seus experimentos desde os falanstérios do século XIX, até a Venezuela do século XXI, é possível traçar possíveis alternativas, em face a conceitos e resultados. Foi assim que várias mudanças foram feitas no sistema ao longo do tempo – o que o imprimira novos termos como “leninismo”, “stalinismo”, “juche”, “castrismo” e “bolivarianismo”. É exatamente por isto que o socialismo não mudou muito desde o surgimento; é pautado na coletivização dos meios de produção através do poder estatal. Dizer que não podemos prever tais mudanças, fere a própria lógica de planejamento central, presente no pensamento socialista.

Na sequência, Einstein alega que a finalidade do socialismo é ética e social, diferentemente das ciências naturais que busca apenas meios de alcançar resultados. As finalidades sociais só poderiam ser alcançadas por pessoas com ideais éticos elevados, cujas premissas seriam adotadas pela sociedade, determinado sua evolução. Entretanto nada é mais equivocado, imoral e arbitrário que considerar que um ou mais “seres iluminados” tenham ciência de tudo, conhecendo a informação a respeitos de todos os agentes econômicos, estando numa posição superior ao conhecimento indelineável de milhares de indivíduos. Esta consideração vai de encontro ao Problema de Dispersão do Conhecimento, teorizado por Friedrich Hayek, em oposição ao modelo soviético. Tal consideração messiânica da economia, retira a imparcialidade a respeito da ação humana, cujo objetivo é prescrever leis baseadas na observação, além de delegar poderes políticos e econômicos ditatoriais a uma minoria.

Einstein prossegue o artigo alegando que a humanidade teria entrado em decadência, graças a sua indiferença e assim descreve sua concepção de sociedade moderna a partir do homem. Para ele, o homem seria solitário e social. A parte solitária estaria ligada a proteção de sua existência física, a satisfação dos desejos e o desenvolvimento de certas habilidades. Como social, o homem buscaria o reconhecimento e a afeição alheia, compartilhando do que dispõe. Estes aspectos seriam influenciados pela estrutura da sociedade, como valores e tradições. Assim o homem estaria irredutivelmente interligado a esta totalidade social, já que ela lhe forneceria tudo; comida roupas, lar, linguagem, formas de pensar, companheiros e etc. Entretanto, uma vez que a densidade demográfica conduziu a divisão do trabalho e a centralização produtiva em mãos privadas, a sociedade tornou-se uma comunidade de produção e consumo. É neste ponto, que Einstein explicita sua inclinação para o marxismo e tece sua defesa do socialismo:

“O proprietário dos meios de produção está em posição de comprar a força de trabalho do trabalhador. Usando os meios de produção, o trabalhador produz novos bens que se tornam propriedade do capitalista. O ponto essencial deste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e aquilo que lhe pagam, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que a contratação do trabalho é “livre”, o que o trabalhador recebe não é determinado pelo valor real dos bens que ele produz, e sim por quais são suas necessidade mínimas, bem como pela relação entre a demanda por força de trabalho por parte dos capitalistas e o número de trabalhadores que competem por empregos. É importante entender que nem mesmo na teoria o pagamento do trabalhador é determinado pelo valor do seu produto.”

Neste trecho, Einstein descreve sua visão da teoria marxista da “mais-valia”, demonstrando que nunca ouviu falar da Revolução Marginalista (1870-1874). Este marco na história das ciências econômicas se inicia pela derrubada da teoria do valor do trabalho, no qual os bens seriam precificados pela quantidade de trabalho empregue em sua produção. Como demonstra Menger, o valor dos bens é determinado pela necessidade subjetiva dos consumidores e flutua diante as leis de oferta e demanda. Já Böhm-Bawerk explicita o óbvio; o processo econômico demanda tempo e é incerto. Pode-se empregar mil trabalhadores para fabricar um milhão, que levarão semanas para sempre produzidas e que mais tarde, depois de enviadas ao vendedor final, podem não encontrar nenhum comprador. Como trabalhadores, locatários e fornecedores de insumos possuem necessidades imediatas, eles se abstém riscos, recebendo um rendimento fixo mensal pelo auxílio à produção. E tudo isso sem falar no conceito de incerteza, juros e prejuízos líquidos. Está claro para economia moderna, que não é a quantidade de trabalho que gera valor ou define a remuneração.

Einstein alega que os proprietários usam dos meios de produção como bem entendem em busca do lucro, e portanto, a produção não estaria voltada ao uso. Todavia, quem e como se define o voltado ao uso?! Pode-se alimentar-se por necessidade ou por degustação gourmet, gostar de roupas claras ou escuras. Quem define a utilidade são os consumidores. Em prol do lucro, os proprietários dos meios de produção devem estar atento a estas particularidades, fazendo uso de seus recursos para satisfazer tais necessidades a um preço aceitável, senão os concorrentes o farão. Embora Einstein também afirme que a competição levaria há um gigantesco desperdício de força de trabalho e a “deformação da consciência social”, a realidade é absolutamente contrária. Como os recursos econômicos são escassos, os empreendedores buscam maior rentabilidade com menores gastos. Como o consumo se baseia na renda, o consumidor estará sempre atento buscando uma aliança entre custo/benefício. A pressão de ambos os lados torna os bens cada vez mais avançados e acessíveis.

Os equívocos do físico Alemão não param por ai. Segundo ele, o progresso tecnológico levaria ao desemprego ao invés de aliviar o peso sobre o trabalhador. Todavia, foi justamente o progresso tecnológico e a ampliação da divisão do trabalho que possibilitaram a melhoria das condições de trabalho. As máquinas tornaram-se cada vez mais seguras, limpas e produtivas. Isto ajudou a encurtar a jornada de trabalho e prevenir acidentes. A mão de obra que supostamente estaria fadada ao desemprego se realocou para setores emergentes, equilibrando a oferta de mão de obra. Atualmente os países mais industrializados (Japão, Singapura, Coreia do Sul etc.), tem as menores taxas de desemprego e demandam de mão de obra estrangeira, ao contrário do que rogava Einstein. O trabalhador não ficou desempregado, seu rendimento salarial e sua qualidade de vida tem crescido anos pós anos. Já as economias menos voltadas a industrialização e ao mercado, são as que estão em piores condições.

Einstein conclui o artigo defendendo uma economia baseada no planejamento central, ajustada a supostas necessidades da comunidade. Ele também adverte que este tipo de economia poderia ser acompanhada por uma escravidão completa do indivíduo. A realização do socialismo exigiria a solução de alguns problemas como a centralização do poder político e econômico e a burocracia frente à proteção dos direitos humanos. Há solução?!  Não. A história prova que todas as tentativas de implantar este sistema, resultaram somente na total submissão do indivíduo. Anos depois da morte de Einstein, Hayek escreveu O Caminho da Servidão, no qual descreve os engôdos do socialismo e o motivo de seu fracasso. Segundo ele, um conjunto de burocratas é incapaz de prever a escassez, demanda, inovação ou demais aspectos econômicos. Na medida em que falha, o povo se revolta, e o meio de impedir isto é pela repressão. Tudo isso se cumprira em todos os regimes socialistas. Isso completa o Problema de Cálculo Econômico de Mises, que já tinha demonstrado a impossibilidade prática do socialismo.

Conclusão:

Anos mais tarde à publicação da mais famosa obra de Hayek, o planejamento central desmoronou com o fim da URSS. Não importava quantos matemáticos estivessem envolvidos nas tomadas de decisão; o cientificismo econômico defendido por Einstein falhara por completo. Em toda história do socialismo, seja nos falanstérios do século XIX, na URSS, China maoísta, Cuba castrista ou a Venezuela bolivariana, o resultado foi sempre o mesmo. As evidências laboratoriais do fracasso do socialismo são claras. E ao contrário do que alegou Einstein, as democracias que mais se desenvolveram, melhorando a vida do trabalhador foram justamente aquelas ordenadas pelo mercado e pela competição tão questionada pelo físico. Embora Einstein seja um dos maiores cientistas de todos os tempos, tendo agregado a história do pensamento humano com teorias tais como a Relatividade Geral, não era instruído nos conceitos mais básicos de economia. Além de perder um precioso tempo redigindo este artigo, manchou seu nome defendendo tal doutrina. É lamentável, mas para alguns; perdoável, se considerarmos suas notáveis contribuições no campo da física.

Biografia:

Porque Socialismo?! – Albert Einstein

História da economia política – George Stigler

The International Federation of Robotics (IFR)

A Teoria da Exploração do Socialismo Comunismo – Böhm-Bawerk

O Caminho da Servidão – Friedrich Hayek

Fonte para o artigo de Einstein na íntegra: https://www.marxists.org/portugues/einstein/1949/05/socialismo.htm

einstein_fail_1

Christiano Di Paulla

O mau caráter dos propagandistas marxistas, vos levaram a proliferaram um mito de que toda riqueza mundial estaria concentrada nas mãos de apenas 85 pessoas. Com isto, visam demonstrar que o capitalismo apenas contribuíra para o empobrecimento de grande parte humanidade. Nada mais estapafúrdio! Eles alegaram se basear num relatório publicado pela ONG inglesa Oxfan. Na verdade, o relatório diz os 35 milhões de milionários no mundo, concentram 44% das riquezas globais. Os 1% mais ricos, possuem outros 48%, enquanto as 85 pessoas citadas são donas de apenas uma fração do patrimônio deste valor. A riqueza deste pequeno grupo é de cerca de 1,7 trilhão de dólares e equivale a soma das riquezas da metade mais pobre da população, visto que estas pessoas não produzem praticamente nenhuma riqueza. Isto parece muito, mas na verdade não é. Um recém-nascido em um país desenvolvido, possui mais riqueza que os 10% mais pobres do mundo. Seria um simples bebê, outro causador de tamanhos males?!

Os marxistas costumam usar o termo “concentração de riquezas” ao invés de “produção de riquezas”, pois são incapazes de entender a gênese da riqueza ou da pobreza. Eles se baseiam na teoria clássica do valor que concebe que os bens possuem valor referente a quantidade de trabalho empregue. Assim, os capitalistas se apropriariam das riquezas que correspondem as horas não pagas do trabalho assalariado, retirando seu lucro. Menger demonstrou o erro fundamental deste pensamento: o valor que imprime preços é subjetivo. Um quadro de Dalí vale tanto quanto um automóvel, mesmo que tenha em sua produção, uma fração dos recursos empregues, seja no que tange matéria prima, mão de obra ou tempo para execução. Gigantes como Microsoft e Google são tão ricas quando os maiores conglomerados da construção civil, mesmo que não utilizem uma fração de seu trabalho e recursos. Portanto valor e lucro, depende da valorização pessoal dos consumidores, sem que seja relevante uma quantidade de recursos equivalentes. Pessoas não precisam ser expropriadas para que outras sejam ricas. Logo: a riqueza de uns não influencia na pobreza de outros, mas do contrário – o que explicarei mais adiante.

Uma vez que a valorização que se reflete no lucro, baseia-se na precificação dos consumidores, uma empresa somente crescerá se agradar seu público. É assim que as grandes companhias emergem e se dissolvem: sem que haja impossibilidade para novos concorrentes. Ao final, elas produzem para os consumidores que são os trabalhadores que eles mesmas empregam. Nestas inter-relações há nenhum complô entre o dono de uma simples padaria que emprega 10 trabalhadores com o proprietário de uma grande empresa de leite para que uns comprem os produtos uns dos outros. Eles vendem, pagam salários e empregam diante suas expectativas de investimentos direcionando-as às forças de mercado, tais como oferta e demanda. Para que isto ocorra, é necessário que poupem, para investir num tempo futuro, seja ampliando o estoque de um supermercado ou produzindo uma nova tecnologia de ponta. Logo: sem retenção previa de capitais não há investimentos e sem eles, não há bens, serviços, empregos e salários. Por estas vias, a riqueza só é possível em ambientes onde o capital pode ser acumulado e bem investido.

Ao chamarem atenção para uma visão distorcida da gênese da riqueza, descarta-se o real motivo de tantas pessoas não possuírem nada. Elas não possuem nada, pois não há liberdade para que possam empreender e assim construir riquezas. Assim novas riquezas seriam adicionadas por qualquer indivíduo que possa usar suas habilidades. Marxistas negam esta realidade visando justificar a redistribuição de renda a partir da tributação dos mais ricos. Quando isto é feito, os burocratas reduzem os capitais que são destinados aos investimentos mais produtivos, responsáveis por gerar um número maior de empregos e os salários mais elevados. Destruindo estas riquezas, não tornarão os pobres mais ricos, mas nivelarão todos por baixo. Para que a pobreza seja erradicada, devemos nos concentrar em criar um ambiente propicio para sua produção; com um governo sólido e pequeno, que garanta a segurança da propriedade privada, seja em pequenos vilarejos ou em grandes cidades. Este governo deverá atuar com pouca burocracia e cobrar impostos baixos para que haja um ciclo contínuo de acumulo e investimento.

Cabe citar que uma vez que não há um ambiente que possibilite a capitalização para investimentos, não pode-se classificar tal economias como verdadeiramente capitalista. A totalidade das nações em que se encontram a metade da população mais pobre está bem distante desta definição (China, Índia e África). O Índice de Liberdade Econômica que classifica países quanto ao seu direcionamento a economia de mercado identifica somente 30 nações voltadas ao capitalismo e apenas 5 nações estão extremamente inseridas nestes preceitos. Das 178 economias analisadas pelo ranking, 26 são extremamente repressivas, merecendo o título de anticapitalistas, enquanto outras 62 são moderadamente repressivas, tal como bem distantes das atividades que definem uma economia de mercado. As 55 nações restantes, encontram-se no meio termo, mesclando vários conceitos, sem que possam ser consideradas legítimas economias capitalistas. Portanto a pobreza generalizada que reina nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento é causada pela ausência de mercado e não por sua abundancia. Eis a típica falácia de inversão de causa e efeito.

Somente através do mercado que é o único gerador de riquezas que podemos eliminar a pobreza. Os Tigres Asiáticos são um exemplo disto. A renda per per capita de Singapura passou de U$ 511,00 em 1954 para 55.182,00 em 2013. A pobreza foi eliminada e a nação tornou-se uma das melhores em qualidade de vida, liderando todos rankings como saúde, educação, infraestrutura etc. No que cerna a concentração de renda; em Singapura, 2 a cada habitantes 10 são milionários! Todavia a desigualdade socioeconômica não foi nem poderá ser eliminada, visto que trabalho, poupança e investimento não são homogêneos. O lucro também não poderá ser igual, uma vez que os consumidores não precificam os mesmos bens. Cabe lembrar que são poucos os que desejam assumir a responsabilidade de investidor. Logo não devemos nos concentrar na diferença entre ricos e pobres, mas em como os mais pobres vivem. Que seria melhor: viver num país onde os 10% mais ricos recebem 100 mil e os 10% mais pobres $ 10 mil ou num país onde os 10% mais ricos recebem $ 3 mil e os 10% mais pobres $ 1 mil com o mesmo custo de vida?! Desigualdade na riqueza ou igualdade na pobreza?!

Em 2015, a pobreza extrema caiu para menos de 10% da população, pela primeira vez em toda a história, como informou o Banco Mundial. Mesmo que os critérios para medir a pobreza extrema tenham se elevado na última década, a população mundial conta com um total de 702 milhões de pessoas nesta situação em 2015, contra 902 milhões em 2012. Quando analisamos os gráficos ao longo dos últimos anos percebemos que houve uma queda acentuada da pobreza desde a década de 1990, quando o percentual era de 35%. Os motivos são claros; com a queda do Muro de Berlim, houve uma mudança de paradigma econômico. As economias planejadas passaram a ceder espaço para economias mais voltadas ao mercado. Houve um imenso processo de liberalização, principalmente nas nações emergentes, conhecidas como BRICS. Fomentada pela globalização econômica, as nações pobres e emergentes tiveram crescimentos muito superiores as nações desenvolvidas. Por estas vias, a pobreza teve uma queda tão atenuante. Todavia para permanecerem neste ritmo, precisam persistir na direção do livre mercado. Não há outro caminho!

Conclusão:

O argumento de que a metade das riquezas mundiais estejam concentradas nas mãos de apenas 1% da população em face ao sistema capitalista é uma falácia do espantalho. Estas pessoas não concentraram metade das riquezas, mas sim, produziram metade das riquezas, enquanto metade da população mundial, não desfruta de uma ambiente socioeconômico que possa garantir a produção de riquezas. Isso ocorre, porque não estão em legítimas economias de mercado. Neste sentido, esta falácia assume o caráter da inversão de causa e efeito. Como todas as evidências apontam, na medida em que uma nação se direciona ao mercado, ela tende a reduzir a pobreza, melhorar o padrão de vida dos trabalhadores, além de garantir um crescimento econômico acentuado. Caso nos deixemos iludir pelos engôdos marxistas, estaremos destinados a pobreza comum, ao invés da desigualdade na riqueza.

Referências:

Oxfan

Heritage Foundation

Carl Menger – Princípios de Economia Política

Este é o distrito de Bedok: a região mais pobre de Singapura.

Este é o distrito de Bedok: a região mais pobre de Singapura.

Christiano Di Paulla