Refutação a exploração do trabalho

Publicado: outubro 30, 2013 em Marxismo

É nítido que Marx não compreendia a origem do lucro, dos salários e dos preços, mas suas teorias tivessem grande sucesso ideológico. A partir do conceito do valor do trabalho, Marx sugere a existência da mais-valia fundamentando a teoria da exploração do trabalho. Entretanto ainda no século XIX, após analisar os trabalhos de Menger e tantos outros, Böhm-Bawerk contribuíra para a refutação da teoria da exploração do trabalho através da lei de preferência temporal. Este conceito estuda a influência do tempo nos processos produtivos a partir dos anseios dos consumidores e trabalhadores durante este período. Em síntese, as pessoas dão mais valor a obter um bem no presente, que no futuro, visto que o tempo é um bem escasso, logo é um bem econômico. Como a produção demanda tempo, os valores os ganhos produtivos não são somente destinados ao pagamento de funcionários, por consequência dos anseios imediatos de todos os envolvidos no processo produtivo.

Böhm-Bawerk tinha percebido o obvio: as mercadorias levam tempo para serem produzidas e vendidas (montadoras meses para produzir, transportar e vender um veículo), mas como salários são pagos antes da produção dos bens o que leva a um desconto do montante final, que é indefinido. É indefinido, pois obviamente não há meios de medir quantos produtos serão vendidos e a qual valor. Oferta e demanda levam a oscilação nos preços. Logo seria impossível supor o valor montante, tal como os trabalhadores precisam destes recursos para sua subsistência, antes que exista um retorno total referente os bens produzidos. Em alguns casos, o valor do produto marginal pode ser até superior, uma vez que os preços podem não cobrir os custos, como ocorre em indústrias que produzem bens, pagam os funcionários, mas tem seus produtos estagnados no mercado. Neste exemplo, o empresário deve encontrar um novo viés com recursos capitalizados, reduzindo custos para não decretar falência.

Obviamente, ninguém envolto ao processo produtivo – com exceção do proprietário – está disposto a esperar o pagamento após todo processo que vai da produção a venda em determinado período. Isto ocorre com trabalhadores, fornecedores de insumos, proprietários do espaço alugado, investidores e associados. Além disto, eles desejam estar livres dos riscos que podem ocorrer durante o processo. O sucesso da produção dependerá do quão visionário e talentoso é o empreendedor: figura central no processo produtivo. A produção depende tanto dele, quanto dos trabalhadores, ao contrário do que sugere Marx. Sem uma mente inovadora, o produto e os empregos resultantes simplesmente não existiriam. O lucro também significa uma valorização dos consumidores, pagando mais que o custo da produção. O retorno atrai a concorrência, aumentando a demanda por mão de obra o que leva a queda do preço deste mesmo produto pela oferta abundante. A taxa de lucros cai e os salários tendem a igualar ao valor marginal do produto, descontada a taxa de preferência temporal, representada pelos juros.

Böhm-Bawerk explica que muito do que é considerado lucro pela teoria marxista, na verdade deriva dos juros sobre bens futuros. Para isto cabe explicar o motivo dos juros e dos descontos. Os juros ocorrem já que as pessoas desejam bens no presente. Todavia, quando prefere o bem em curto prazo, sem que tenha poupado no passado, pode fazer uso do pagamento parcelado onde são embutidas de juros. Juros são uma espécie de compensação já que o empreendedor não recebera o pagamento total necessário para manutenção de sua atividade que serve para custear a produção e salários. Do contrário, quando o consumidor poupa em tempo prévio se abstendo do bem em imediato, recebe um desconto que serve de estímulo esta prática pois contribui para a receitas de uma empresa em curto prazo, auxiliando o empreendedor. Mais tarde, os austríacos desenvolveram o conceito de que lucros ou prejuízos líquidos são resultados dos ajustes incessantes de empresários diante mudanças constantes do mercado. Devido aos riscos referentes ao empreendimento, também são atribuídos os juros.

Podemos resumir a relação trabalhista em linhas gerais por: as pessoas envolvidas no processo produtivo sejam empregadores, fornecedores de insumos ou trabalhadores, possuem preferencias temporais análogas. Eles desejam receber à curto prazo, seja para investir, manter seus insumos ou para consumir bens e serviços. A produção demanda tempo de modo que o bem produzido pelo trabalhado só poderá ser vendido num futuro incerto, correndo o risco de não possuir retorno, devido a qualquer investimento equivocado. Os empregados necessitam de salários para custear sua sobrevivência em curto prazo e se abstém dos ricos, mesmo porque, não foram responsáveis pelo planejamento ou gerencia deste investimento. Eles recebem uma renda fixa previamente à venda de sua produção, mesmo que ela não seja garantida. Enquanto isto, o empregador depende do capital para manter seus investimentos, dando desconto a pagamentos à vista e juros a pagamentos a prazo.  Assim ele garante fundos para continuar investindo, empregando e mantendo salários elevados. Logo não há exploração do trabalho, mas uma parceria entre empreendedor e assalariado.

A teoria marxista supõe-se baseada na história, mas nega a própria origem do empreendedorismo e das relações trabalhistas. O empreendendo é alguém capaz de utilizar suas capacidades de forma rara e eximia, produzindo bens e serviços que atendem as necessidades subjetivas dos consumidores. Como bem cita Friedrich Hayek, Marx distorcia a realidade: “ “Karl Marx ensinou que o proletariado é uma criação do capitalismo. Na verdade, é. Mas não por exploração, como quer o marxismo. O “capitalismo criou o proletariado na medida em que possibilitou a sobrevivência de pessoas que sem ele não teriam como viver.” Isto significa que o mercado criou as condições necessárias para a manutenção da sobrevivência dos trabalhadores, o que implica na melhoria de suas condições de vida. E ao invés de haver entre o empregador e o assalariado uma relação de rivalidade e exploração há o contrário: o respeito e a cooperação para que ambos possam alcançar seus objetivos, que é obter os melhores resultados, bens ou serviços aos menores custos.

Referências:

Karl Marx  – O capital

Carl Menger – Princípios de Economia Política

Eugen Von Böhm-Bawerk – Capital e Juros

Eugen Von Böhm-Bawerk – A teoria positiva do capital

Eugen Von Böhm-Bawerk –  Teoria da Exploração do socialismo/comunismo

parceriaAo contrário do que alegava Marx, a relação entre empresário e assalariado é uma relação baseada na cooperação mutua a fins de realizar ambos os interesses.

Christiano di Paulla 

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