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Argumentos contra o Nazismo como doutrina socialista

Não resta dúvidas de que o nazismo teve sua origem no pensamento socialista, buscou criar um novo viés teórico inspirado na nacionalismo, chegou a admitir influência do marxismo embora fosse seu rival, teve sua política econômica e caráter ideológico voltado para conceitos socialistas e até mesmo marxistas. Embora o partido tivesse uma ala mais conservadora que intencionava se associar ao capitalismo, a ala socialista e radical foi predominante não somente em número, mas também no que tange os rumos de suas políticas econômicas. A propriedade privada foi sobreposta pela planificação econômica e pelos supostos interesses coletivos da raça de forma similar ao que ocorria na URSS, apenas alterando conceito de classe por raça. Ao notarmos estes fatos fica impossível conceber o nazismo como uma doutrina política de direita já que este lado do espectro está associado ao liberalismo e a democracia enquanto a  esquerda está associada ao socialismo, comunismo e o totalitarismo que mais se identificam com o nazismo. No mínimo o nazismo poderia ser chamado de centro ou mais propriamente de centro-esquerda.

Críticos desta posição alegam que o nazismo não consistia em um tipo real de socialismo uma vez que fora financiando por banqueiros e empresários e por permitir a atuação da iniciativa privada. Tais alegações ignoram a distinção alemã de socialismo. Desde o revisionismo de Eduard Bernstein e Karl Kautsky no fim do século XIX, novas modalidades de socialismo se tornavam comum na Alemanha, tal como a Socialdemocracia e o Socialismo Cristão, na admissão controlada da instituição privada. O nazismo não é nem um pouco diferente das novas formas de socialismo que emergiam na época. Como então o nazismo poderia ser uma tipo de “direita” enquanto outras formas de socialismo até menos radicais seriam de “esquerda”?! Para descaracterizá-lo como socialista a alegação de que fizera uso de investimento privado também é enfadonha, já que a Revolução Russa também foi financiada por banqueiros e empreendedores alemães, como demonstra o historiador Antony C. Sutton. Nem por isto a Revolução Russa é desconsiderada como uma forma de socialismo legítimo. E embora o Socialismo Alemão permitisse a existência da instituição privada, ela foi subjugada ao controle governamental como ocorre em todo modelo socialista.

Os que alegam que o nazismo era tanto nacionalista quanto socialista focam-se somente na perspectiva ideológica e não na economia. Ignoram a imensa intervenção do Estado na economia não pelo fato de ser um período de guerra, mas pela natureza coletivista do nazismo. Atualmente estes mesmos teóricos chegam ao cúmulo da insanidade ao afirmarem que países como Suécia, Noruega e Dinamarca sejam socialistas (embora estejam entre as nações mais capitalistas do mundo) simplesmente porque tem certas intervenções estatais. Tais intervenções econômicas nem se comparam com as intervenções nazistas. Há aqueles que citam que o nazismo perseguiu comunistas, socialdemocratas e toda espécie de socialista. Isso não é diferente do que ocorrera na URSS quando os bolcheviques destruíram os mencheviques. Em busca de poder absoluto tanto o nazismo como o comunismo perseguiriam qualquer forma de oposição, mesmo que estivessem do mesmo lado do espectro político. Lembrando: a socialdemocracia, o socialismo cristão e o anarco-socialismo também rejeitam o comunismo, assim como foram perseguidos por ele. No Brasil PCdoB, PT e PSOL são rejeitados por PSTU e PCO e nem por isso algum deles é capitalista ou de “direita”.

Há aqueles que citam o nazismo uma expressão de “direita” simplesmente porque era um movimento conservador. Todavia a URSS stalinista e as atuais Cuba, Coreia do Norte também são regimes conservadores. Em suma a terminologia política como temos é bastante equivocada. Mises foi um grande crítico do espectro: “A terminologia usual da linguagem política é estúpida. O que é esquerda e o que é direita? Por que Hitler é de direita e Stalin, seu amigo e contemporâneo, de esquerda? (…) Quem é antitrabalhista, aqueles que querem rebaixar o trabalho ao nível da Rússia, ou aqueles que querem para o trabalho o padrão de vida capitalista dos Estados Unidos? Quem é nacionalista, aqueles que querem colocar seu país sob os calcanhares dos Nazistas ou os que querem preservar sua independência?” Tais colocações provocaram os nazistas e Mises foi rapidamente perseguido, felizmente fugindo para Genebra. Durante o período de dominação nazista seu apartamento foi invadido e seus trabalhos foram roubados. Boa parte da obra de Mises só reapareceria com a queda da URSS; que se apoderou destes bens após derrotar os nazistas no leste europeu uma vez que também possuía interesse em silenciá-lo.

A terminologia do espectro político é equivocada como tratamos noutro artigo. Quem respeita a democracia, o mercado, a individualidade e quem deseja “socializar” bens e homens? O espectro político atual é repleto de contradições. Ele deveria se resumir a individualismo vs. coletivismo colocando nazifascistas e imperialistas ao lado de comunistas já que seus métodos visavam objetivos similares e Hitler deixou isto bem claro: “Não há mais licença, nenhuma esfera privada onde o indivíduo pertence a si mesmo. Isso é o socialismo, não tão trivial quanto a possibilidade de possuir privadamente os meios de produção. Tais coisas não significam nada se eu sujeitar as pessoas a uma espécie de disciplina que não podem escapar… O que precisamos ter para socializar bancos e fábricas? Nós socializamos os seres humanos.” É fato que o próprio Stalin serviu de inspiração para Hitler, até mesmo por recomendação de Goebbels – dando origem ao bigode icônico. Assim que Hitler anunciou seu conflito, filiou-se a quem tinha mais afinidade. E não eram os liberais democratas ocidentais, mas a URSS através do Pacto Molotov-Ribbentrop. Isso porque haviam pontos mais comuns entre nazistas e comunistas que com liberais e não somente por uma perspectiva tática como muitos afirmam.

Ao final restam perguntas como: porque o nazismo foi classificado como direita embora fosse de natureza socialista; porque as demais vertentes socialista negam associar-se ao nazismo; e porque embora o comunismo tenha matado 14x mais que os nazistas (mais de 110 milhões) são tão menos odiados?! O fato do nazismo nunca te se pronunciado quando a sua posição no espectro político permitiu uma livre interpretação de seu posicionamento. E como “quem ganha a guerra, conta a história” os soviéticos logo trataram de classificar o nazismo como ao lado de doutrinas ocidentais que eles visavam combater como a democracia e o liberalismo. O romantismo que permeou a URSS nos anos seguintes se encarregou de difundir esta concepção. Obviamente ninguém desejaria se associar a um regime que produziu um genocídio tão sistematizado, embora o comunismo tenha provocado lentamente o maior genocídio da história. Por fim, o comunismo é menos odiado em grande parte pela ignorância popular a seu respeito, basear-se num igualitarismo universal atrativo e demagogo, não ter assumido a responsabilidade por seus fracasso práticos e por terem assassinado seu próprio povo como traidores e não por mero preconceito racial.

Não seria equivocado dizer que caso o nazistas fossem os vencedores do confronto com a URSS sendo a doutrina do outro lado da cortina de ferro, hoje estaríamos estudando “a superioridade racial ariana” em universidades ao invés de outros conceitos também pseudocientíficos como mais-valia e luta de classes. Diferentemente do nazismo, o Comunismo pode experimentar algo descrito pelos próprios nazistas: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade.” Assim se disseminou o conceito de que os nazistas eram opostos aos comunistas quando na verdade foram seus primos bastardos, seja através da utopia de Morus ou do coletivismo político de Rousseau, tal como a falácia de que o genocídio comunista nunca passou de propaganda ocidental. De toda forma não devemos tolerar nem ou outro, senão corremos o risco de perder nossas liberdades sucumbindo há um novo Stalin ou Hitler. Como trata o Paradoxo da Tolerância de Popper: “tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes.”

Pontos comuns entre nazismo, comunismo e fascismo:

  • Origem no socialismo e no sindicalismo.
  • Ideologia monopolizadora a fins de reengenharia social.
  • Visão messiânica da política (espera de um líder ou evento salvador).
  • Totalitarismo através de um Partido único com liderança absoluta.
  • Negação do Estado de Direito
  • Negação dos direitos individuais
  • Antiliberalismo.
  • Organização social aos moldes militares.
  • Monopólio dos meios de coerção: polícia e exército.
  • Monopólio da comunicação pública.
  • Monopólio da doutrinação: sujeição da educação privada ao Estado
  • Centralização da economia; estatização, controle ou abolição da instituição privada.
  • Assistencialismo.
  • Protecionismo econômico.
  • Coletivismo político – o pilar central é uma suposta indenidade social idealista e não individual e subjetiva.
  • Trabalho escravo.
  • Contribuição compulsória.
  • Visão dualista do mundo: proletariados contra burgueses / arianos contra judeus / nação contra indivíduo.
  • Redução da diversidade cultural: massacre dos burgueses / judeus / opositores da nação.
  • Campos de confinamento e extermínio: gulags / campos de concentração / campos de prisioneiros

 

Referências:

Adolf Hitler – Apud Hermann Rauschning – Hitler m´a dit, Coopération

Adolf Hitler – Mein Kempf

Albert Speer – Inside the Third Reich: Memoirs, New York: NY, Simon and Schuster

Anton Drexler  – Mein politisches Erwachen: aus dem Tagebuch eines deutschen sozialistischen Arbeiters

Gottfried Feder – Os Vinte e Cinco Pontos

Henry A. Turner – Hitler’s Einstellung 1976

Gottfield Feder – Das Manifest Zur Brechung der Zinsknechtschaft des Gelde

Thierry e Pascal – Programa do NSDAP

Joseph Goebbels – New York Times (1924)

Joseph Goebbels – Die Verfluchten Hakenkreuzler

Joseph Goebbels Extratos da Época de Luta

Richard J. Evans – The Third Reich in Power, 1933-1939, New York. 2005

Günter Reimann, The Vampire Economy: Doing Business Under Fascism 2014

Götz Aly, Hitler’s Beneficiaries: Plunder, Racial War, and the Nazi Welfare State, New York: NY, Metropolitan Books, 2007

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Nazismo: um mal sem precedentes que assim como o comunismo jamais deverá ser tolerado.

Christiano Di Paulla

 

O Nacional Socialismo pela ótica de Goebbels

Hitler não foi o único a se pronunciar simpatizante de certas perspectivas marxistas, como sua forma de dirigir e manipular as massas. O famoso ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels, chegou a se declarar sobre a influência que detinha de líderes comunistas. Pouco após a morte de Lênin ele publicou uma matéria no New York Times dizendo: “O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores, no qual Hitler é patrão e pai persiste em acreditar que Lênin e Hitler podem ser comparados”. Mais tarde o ministro da propagando buscou definir sua concepção do socialismo antissemita: “O que é que o antissemitismo tem a ver com socialismo? Gostaria de colocar da seguinte forma: o que é que o judeu tem a ver com o socialismo? O socialismo tem a ver com trabalho. Quando é que ninguém nunca o ver trabalhando em vez de saquear, roubar e viver do suor dos outros? Como socialistas, somos adversários dos judeus, porque vemos em hebreus a encarnação do capitalismo, do mau uso dos bens da nação”. Inspirado nos primeiros nacional socialistas, Goebbels acreditava que os judeus eram uma classe burguesa que se apropriava indevidamente dos bens alemães.

Na obra Extratos da Época de Luta de 1935 Goebbels distingue socialismo de marxismo: “Vale lembrar antes de submeter-se à essa leitura de que a visão de socialismo do movimento nacional-socialista não se tratava do mesmo socialismo soviético, embora podemos notar que o materialismo histórico de Marx tem raiz em Hegel, e que a crítica capitalista do nacional-socialismo por sua fez tenha raiz em Marx e consequentemente em Hegel, indo até Heráclito Éfeso em aproximadamente 500 anos antes de Cristo, suas visões sobre a sociedade e economia são totalmente diferentes.” Entretanto, a critica de Goebbels não se limitava somente ao marxismo: “O pecado do pensamento liberal é ignorar a força de construção nacional socialista, assim permitindo que as suas forças se dispersem em objetivos que não são do interesse da nação. O pecado do marxismo é ter degradado o socialismo numa mera questão de salários e de comida, colocando isto em conflito com o Estado e a existência nacional. Entender tais factos leva-nos a uma nova forma de socialismo, que vê a sua natureza como nacionalista, fortalecedora do Estado, libertadora e construtiva…”

Em Extratos da Época de Luta o líder da propaganda nazista declara que a economia de mercado foi responsável pela crise de 1929 como seria pela ruína do mundo: “Capitalismo não é uma coisa, mas sim uma relação para com ela. Não são as minas, fábricas, imóveis e terrenos, instalações ferroviárias, dinheiro e ações, as causas de nossa necessidade social, mas sim o abuso destes bens do povo. O capitalismo não é nada mais que a usurpação do capital do povo e, de fato, esta definição não encontra sua definição na limitação da pura economia. Ela tem sua validade ampla em todas as áreas da vida pública. Ela representa um princípio. Capitalismo é, sobretudo, o uso abusivo dos bens comuns, e a pessoa, que comete este abuso, é um capitalista”. Goebbels considerava que o capitalismo era uma doutrina irresponsável e contrário aos interesses da nação, enquanto o socialismo significaria ordem: “No Socialismo é o contrário. A cosmovisão socialista começa no povo e então avança sobre as coisas. As coisas se submetem ao povo; o socialista coloca o povo sobre tudo, e as coisas são só meios para se atingir os fins”.

Goebbels também fala da superioridade socialista com relação ao capitalismo: “Em um sistema capitalista, o povo serve à produção, e esta é dependente por sua vez do poder do dinheiro. O fantasma do dinheiro triunfa sobre a presença viva do povo. Em um sistema socialista, o dinheiro serve à produção, e a produção serve ao povo. O fantasma dinheiro se submete à comunidade orgânica de sangue – povo. O Estado pode ter nestas coisas somente um papel regulador. Ele revela os eternos conflitos entre capital e trabalho, seu caráter destrutivo. Ele é o juiz entre ambos, mas que age implacavelmente quando o povo está ameaçado. Existe para ele somente uma clara decisão, seja como for. Se ele se coloca numa disputa econômica ao lado hostil ao povo – pode ser tão nacional como quiser – então ele é capitalista. Ao contrário, caso ele sirva à justiça, e que é análogo à necessidade estatal, então ele é socialista”. Por estas vias, Goebbels assim como Hitler acreditavam num novo tipo de socialismo anticapitalista que mais se aproximava das perspectivas stalinistas que das perspectivas liberais.

Nem Hitler ou Goebbels jamais definiram-se no espectro embora concordassem que o nazismo era uma forma nacionalista de socialismo. Em Mein Kempf direta e esquerda são criticadas: “Hoje, nossos políticos de esquerda, em particular, estão constantemente insistindo em sua política externa corajosa e obsequiosa que resulta necessariamente do desarmamento da Alemanha, enquanto a verdade é que esta é a política dos traidores…” Mas os políticos da direita merecem exatamente a mesma censura. Foi por sua miserável covardia que permitiu a aqueles rufiões de judeu que entraram no poder em 1918, roubar a nação de seus braços”. Quando perguntado se ele apoiava a direita burguesa, Hitler afirmou que o nazismo não era exclusivamente para qualquer classe e indicou que não era favorável à esquerda nem à direita, mas conservava elementos “puros” de ambos: “Do campo da tradição burguesa, é preciso uma determinação nacional e do materialismo do dogma marxista, socialismo vivo e criativo.” Para alguns historiadores seria menos equivocado mencionar o nazismo como uma doutrina de centro que situá-lo simplesmente como “direita”.

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Goebbels; representante do anticapitalismo radical do Partido nazista.

O Nacional Socialismo por suas práticas policias e econômicas

Embora os nazistas não tivessem assumido qualquer posição no espectro político, sempre defenderam a tese de que era um movimento legitimamente socialista e que toda outra forma de socialismo era falsa – algo bem similar ao extremismo marxista que rejeitava o socialismo utópico, socialdemocrata e o fabianismo. Doravante cabe questionar quais suas políticas sociais e econômicas? Inicialmente Hitler considerava questões de cunho econômico meramente secundárias. Hitler afirmou que nenhum país se torno grande na história em face a sua economia. Para os nazistas os rumos seriam definidos pela imposição do mais forte sobre o mais fraco de tal forma que um pequeno grupo de indivíduos governariam as massas. Os nazistas chegaram até mesmo a culpar todos os governos germânicos modernos por supostos fracassos proporcionados pela doutrina materialista encontrada no capitalismo industrial e no marxismo revolucionário. Sobre sua postura estar mais inclinada para o socialismo ou para o capitalismo como modelo econômico, os nazistas nunca se pronunciaram. Hitler certa vez se pronunciou a respeito dizendo: “A característica básica da nossa teoria econômica é que não temos nenhuma teoria.”

Embora ao regime nazista alegava aceitar a propriedade privada, o verdadeiro conteúdo da propriedade dos meios de produção residia no governo alemão. Mesmo que Hitler tenha dito em certa ocasião:  “eu absolutamente insisto em proteger a propriedade privada … devemos incentivar a iniciativa privada”, noutra justificou-a dizendo que o governo deveria ter o poder de regular o uso da propriedade privada para o bem da nação. Como citou Ludwig Von Mises, era o governo e não o proprietário privado quem determinava o que deveria ser produzido, em qual quantidade, por quais métodos, e a quem seria distribuído, assim como quais preços seriam cobrados e quais seriam os valores dos salários pagos, e quais dividendos ou outras rendas seria permitido ao proprietário privado receber. Em suma, era um regime tão estatizante no sentido de uma economia planificada quando aquele idealizado pelos socialdemocratas modernos. Para os nazistas o bem comum sempre estava acima do bem privado, como roga o coletivismo econômico socialista. Os nazistas apenas disfarçaram sua planificação econômica parcial para não afugentar os industriais da ala conservadora que financiara seus primeiros dias.

Os nazistas fizeram mais uso de políticas socialista quanto de políticas capitalistas. Quando chegaram ao poder em meio aos efeitos da Grande Depressão seguiram linhas keynesianas e socialdemocratas. Hjalmar Schacht foi eleito presidente do Reichsbank em 1933 e ministro da Economia em 1934. Vigoraram programas de obras públicas apoiados por déficit de gastos como a construção da rede Autobahn a fins de estimular a economia e reduzir o desemprego. Foi erguido um imenso Estado assistencialista a partir da nomeação de Erich Hilgenfeldt como o presidente do Bem-estar do Povo (NSV) que marcou o início a dissolução de todas as instituições de previdência privada incluindo apenas arianos no novo modelo estatal. Os nazistas também promoveram todo tipo de seguridade social através conceito nazista de Volksgemeinschaf: velhice, aluguel, desemprego, invalidez, empréstimos sem juros para casais, seguro de saúde etc. A propriedade governamental expandiu-se de forma exorbitante: aviação, petróleo sintético e borracha, alumínio, produtos químicos, ferro, aço, equipamentos do exército etc. Os ativos de capital da indústria estatal duplicaram e a propriedade estatal das empresas alcançou mais de 500 empresas. As finanças do governo para as empresas estatais quadruplicaram de 1933 a 1943.

No final da década de 1930 a produção e os valores de preços, salários, alugueis e demais aspectos econômicos já estavam sob total controle do Estado. A tributação, regulamentação e restrição ao setor privado eram extremamente preocupante para os poucos empreendedores capitalistas que ainda resistiam no país com medo de serem totalmente expropriados. Um empresário chegou a citar: “Esses radicais nazistas não pensam em nada além de distribuir a riqueza, enquanto alguns empresários foram forçados a estudar as teorias marxistas para melhor compreender o sistema alemão atual”. Em Hitler outubro de 1937 decretou uma medida que dissolvia todas as corporações com um capital inferior a US$ 40.000 e proibia o estabelecimento de novas com capital inferior a US$ 200.000. O regime nazista também fechou a maior parte das bolsas de valores, reduzindo-as de 21 a 9. Eles também instituíram a Frente Trabalhista Alemã para substituir os sindicatos de forma idêntica as políticas trabalhistas de Lenin. E embora o partido nazista tenha feito algumas privatizações foram demasiadamente modestas, visando agradar a ala corporativa. Entre os anos fiscais de 1934/35 e 1937/38 as privatizações representaram apenas 1,4% das receitas do governo alemão.

Os efeitos nocivos destas políticas socialistas já eram percebidas desde 1933 uma vez que os nazistas aumentaram a impressão de papel moeda para financiar seu belicismo. Como consequência houve aumento da inflação o que levou os nazistas a um controle de preços e salários em 1936. Este controle produziu demasiada escassez tal como ocorrera em todas as notórias experiencias socialistas, da URSS a Venezuela chavista. Para alguns historiadores esta postura estatizante seria apenas um reflexo do período de guerra. Entretanto estas características sempre estiveram presentes desde a fundação do Partido até seus últimos dias. Como descrevem os economistas liberais, principalmente os austríacos; o que difere um sistema legitimamente socialista de um sistema legitimamente capitalista é a liberdade dada a propriedade privada. Embora os nazistas não fossem tão radicais neste quesito quanto os comunistas, eram o mais próximo deles se comparado a outros tipos de socialismo. Hitler compreendia isso como deixou claro em suas declarações. Mais que isso, os nazistas copiaram inúmeras perspectivas políticas da ótica marxista; eles substituíram a “ideologia de classes” por “ideologia de raças” e a “luta de classes” por “luta de raças”.

O marxismo concebia o homem como mero produto das forças materiais que o cercavam. Sua forma de pensar estaria apenas voltada para classe ao qual pertence. A perspectiva individual nada mais seria que uma ilusão que cedo ou tarde se revelaria falaciosa frente a lei do pensamento coletivo. Os nazistas pensavam da mesma forma, porém com uma nova roupagem; o homem seria produto de forças étnicas sendo distinto por nacionalidade de modo que qualquer desvario individual nada mais seria que uma traição a mesma. Mises classificou esta perspectiva como polilogismo ou seja; “a crença de que há uma multiplicidade de irreconciliáveis formas de lógica dentro da população humana, e estas formas estão subdivididas em algumas características grupais”. Sob a ótima marxista, Ricardo, Bergson, Freud e Einstein estão errados porque são burgueses; enquanto para os nazistas, estão errados porque são judeus. Este argumento usado por Marx e Hitler consiste numa forma de “dividir para conquistar” segredando indivíduos em grupos a fins de criar um inimigo comum para que haja grande mobilização contrária. No geral estes inimigos comuns são um grupo invejado bem-sucedido e em menor número, como os judeus e proprietários dos meios de produção.

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Nazismo e comunismo; primos da publicidade ao intervencionismo econômico.

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/07/24/nazismo-uma-das-varias-expressoes-do-socialismo-parte-3/

Talvez a falácia mais persistente em toda história do pensamento político seja a alegação de que o nazismo seria legítima expressão do capitalismo. Até hoje o nazismo é situado como um movimento de “direita” permanecendo no mesmo lado do espectro político em que se encontra a democracia liberal. Este mito monstruoso carece de refutação. Para tanto devemos memorar as origens do nazismo. O National Deutsche Arbeiterpartei, ou seja: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães foi fundado 1919 pelo serralheiro Anton Drexler e o jornalista Karl Harrer baseado no trabalhismo nacionalista e no antissemitismo. Neste ano Drexler escreveu um artigo intitulado: “Meu despertar político” de subtítulo: “Do diário de um alemão socialista trabalhador” que influenciaria fortemente o nacional socialismo de Hitler. Neste texto Drexler afirmava que o partido deveria usar das classes trabalhadoras para vigorar seus intentos antissemitas. Ele alegava que os judeus usurparam 80% de toda a riqueza alemã e que por isto o proletariado deveria se tornar a força capaz de combater esta ameaça capitalista. Drexler declarou várias vezes que somente o “socialismo cristão” daria forças para lutar contra este mundo “materialista e talmúdico”.

Hitler compreendeu bem a doutrina socialista do Partido desde o momento em que começou a espioná-lo e logo se identificou com suas perspectivas. Após aderir ao movimento como membro oficial do Partido, Hitler rapidamente ascendeu ao poder devido a sua oratória acrescendo a sigla do partido o termo “Socialista”. Em fevereiro de 1920, Hitler anuncia a política do partido chamada de “Programa Vinte e Cinco Pontos ”. Este texto escrito em conjunto com Drexler e Feder marcava o pedido de revogação do Tratado de Versalhes e do Tratado de Saint Germain. Entre as diretrizes nazistas estavam: um Estado assistencialista capaz de fornecer todos os meios de vida para o cidadão; sujeição do indivíduo ao interesse coletivo; supressão de rendas não oriundas do trabalho direto; proibição dos juros; nacionalização de grandes empresas; divisão do lucro das pequenas empresas; aumento das pensões à alemães; entrega de grandes lojas a administração comunal; controle da produção, preços e salários; desapropriação de terras para reforma agrária sem indenização; proibição da especulação fundiária; controle da imprensa; e por fim, a expatriação e desapropriação de judeus – todas, considerações claramente socialistas.

Todos os 25 pontos do regime nazista estariam subjugados a um poder central revelando a real natureza do regime nazista: um sistema político-econômico baseado na propriedade estatal dos meios de produção. Esta perspectiva em nada se difere do governo soviético senão por um única característica: a suposição de que havia a manutenção da propriedade privada. O motivo para os nazistas alegarem que conservariam a propriedade privada eram simples: primeiramente a Alemanha ainda preservada certos valores democráticos ocidentais ao contrário da Russia czarista; em segundo os nazistas tinham vislumbrado o fracasso do marxismo devido a breve eliminação da propriedade privada e seu recuo com a Nova Política Econômica de Lênin. Eles não queriam a revolta dos alemães com ideias demasiadamente radicais nem o colapso econômico. É extremamente óbvio que as políticas nazistas deste programa alcançaram o mesmo nível de radicalismo socialista das 10 regras instituídas por por Marx em O Manifesto do Partido Comunista para transformar uma nação capitalista em socialista.

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Minha Luta – obra de Hitler no qual o líder do Partido narra suas perspectivas ideológicas.

Nacional Socialismo vs Marxismo e Liberalismo

Inicialmente os nazistas assumiram as características do socialismo radical visando ascender ao poder através da força. Entretanto após o fracasso do golpe de Estado do Putsch da Cervejaria em 1923, Hitler compreendia que estas perspectivas seriam ineficientes, levando-o a desenvolver uma nova e distinta concepção. A diferença entre o nacional socialismo alemão, o comunismo e a socialdemocracia como com as demais formas de socialismo pode ser encontrada em seu livro; Mein Kempf. Segundo Hitler Marx havia se apoderado do termo socialismo anulando sua personalidade nacional. O socialismo real não seria a luta de classes, mas ordem de classes já que o marxismo jamais pudera se consolidara em função de ignorar a personalidade humana. Para Hitler, a diferença do socialismo racista e do marxismo seria que o primeiro reconhece o indivíduo e assim o submete ao coletivismo nacionalista. No Capítulo 4 Hitler cita: “A concepção racista deve ser completamente diferenciada (do marxismo) desde que reconhece não só o valor da raça como o do próprio indivíduo, duas colunas sobre ao qual deve repousar todo o edifício.”

Ao criticar o marxismo alegando que ela nega a natureza nacionalista e racial em função de uma identidade homogênea e internacional, Hitler o coloca na mesma posição capitalista  que segundo ele havia “internacionalizado os valores nacionais”. O líder nazista ataca ambos quase que ao mesmo tempo. No capítulo X de Mein Kempf, Hitler faz sua descrição do colapso do Império Alemão. Segundo ele os capitalistas tinham uma grande responsabilidade neste evento: “Antes da guerra, a internacionalização dos negócios alemães já estava em andamento, sob o disfarce das sociedades por ações. É verdade que uma parte da indústria alemã fez uma decidida tentativa para evitar o perigo, mas, por fim, foi vencida por- uma investida combinada do capitalismo ambicioso, auxiliado pelos seus aliados do movimento marxista”. Como os primeiros nacional-socialistas, Hitler considerava que o capitalismo e o marxismo lutavam para tomar posse da indústria alemã o que declararia um dos dois como vencedor. Naturalmente o nacional socialismo através de seu patriotismo nacionalista, seria promulgado a força necessária para evitar este destino.

O líder nazista alagava que capitalistas e marxistas tentavam envenenar as massas alemães destruindo o Reich enquanto conflitavam num mesmo propósito. A partir destas considerações o ditador escrevera no capitulo X: “O que a chamada imprensa liberal fez antes da Guerra foi cavar um túmulo para a nação alemã e para o Reich. Não precisamos dizer nada sobre os mentirosos jornais marxistas. Para eles o mentir é tão necessário como para os gatos o miar. Seu único objetivo é quebrar as forças de resistência da nação, preparando-a para a escravidão do capitalismo internacional e dos seus senhores, os judeus”.  Criticando o governo Hitler cita: “Que fez o Governo para resistir a esse envenenamento em massa do povo alemão? Nada, absolutamente nada! Alguns fracos decretos, algumas multas por ofensas tão graves que não podiam ser desprezadas, e nada mais”! Para Hitler, o avanço do judaísmo, do capitalismo e do marxismo declaravam que a impressa seria uma arma destas ideologias para assegurar a derrota do Reich. Deste modo, Hitler considerava que uma mudança de paradigmas governamentais seria indispensável para um novo modelo.

Hitler associava o bolchevismo ao que intitulava “capitalismo internacional e judeu” as vezes representado pelas políticas de tolerância racial francesa: “A internacionalização da economia alemã, isto é, a exploração do trabalho alemão por parte dos financeiros judeus internacionais, somente será praticável em um Estado politicamente bolchevizado. Mas a tropa de assalto marxista do capitalismo internacional judaico só poderá quebrar definitivamente a espinha dorsal do Estado alemão mediante a assistência amigável de fora. Por isso, os exércitos da França devem ocupar a Alemanha, até que o Reich, corroído no interior, seja dominado pelas forças bolchevistas a serviço do capitalismo judaico internacional”. Estas alegações por mais estranhas que possam parecer tem certo fundamento. Haviam banqueiros judeus na Alemanha e EUA que apoiaram a revolução bolchevique e que tentavam penetrar na Alemanha. Porém Hitler desejava mais que expulsá-los, mas iniciar sua investida militar na Europa Ocidental, assim conquistando a Franca. Unindo isso a sua crítica ao marxismo e à URSS, seu real propósito era dominar ambos os lados.

Em Mein Kempf fica clara a aversão de Hitler possuía com relação a economia de mercado. No Volume 2 Capítulo VII, ele cita: “Em 1919-20 e também em 1921, eu assisti a alguns das reuniões os burgueses (capitalistas). Invariavelmente, eu tive o mesmo sentimento em relação a estes como para a dose obrigatória de óleo de mamona em meus dias de infância… E por isso não é de estranhar que as massas sãs e imaculadas devem fugir desses comícios burgueses “como o diabo foge da água benta”. Em outra parte do livro, Hitler culpava o avanço da economia de mercado através da bolsa de valores que segundo ele, teria contribuído para a ruína da economia nacional, subtraindo a propriedade dos alemães: “Um sintoma da ruína econômica foi a lenta eliminação do direito de propriedade individual e a passagem gradual da economia do povo para a propriedade das sociedades por ações. Por esse sistema, o trabalho desceu a objeto de especulação doa traficantes sem consciência. A alienação da propriedade aos capitalistas progrediu. A Bolsa começou a triunfar e preparou-se a pôr, lenta, mas firmemente, a vida da nação sob sua proteção e controle”.

Hitler jamais aceitou qualquer comparação com o capitalismo, sempre defendendo sua versão do socialismo. Em 21 de maio 1930, Hitler falou a Otto Strasser em Berlim: “Eu sou um socialista e um tipo muito diferente de socialista de seu amigo rico, Conde Reventlow (…) O que você entende por socialismo nada mais é do que o marxismo”. Mais tarde, Otto Strasser deixou o Partido sob a alegação de que Hitler havia traído os objetivos socialistas do nazismo uma vez que teria supostamente apoiado capitalistas. Grandes segmentos do Partido nazista apoiavam firmemente posições socialistas, revolucionárias e anticapitalistas e esperavam uma revolução social e uma revolução econômica, principalmente quando o partido ganhou o poder em 1933. Milhões de membros do Sturmabteilung (SA) estavam comprometidos com o programa socialista oficial do partido. O líder da SA Ernst Röhm visava uma “segunda revolução” (a primeira foi a conquista do poder pelos nazistas) visando combater qualquer resquício de capitalismo no partido, enfrentando diretamente membros da ala conservadora liderada por Heinrich Himmler e Reinhard Heydrich, que consideravam que Hitler deveria se apoiar aos capitalistas.

A postura de Hitler ao assumir o poder do Partido nazista foi sempre uma posição pragmática entre as facções conservadoras e revolucionárias, aceitando propriedade privada e permitindo que empresas privadas capitalistas existissem desde que aderissem aos objetivos do estado nazista. No entanto se uma empresa privada capitalista resistisse aos objetivos nazistas, ele próprio procurava destruí-la. Quando os nazistas alcançaram certo poder, a Röhm’s SA lançou ataques contra indivíduos considerados associados à ala conservadora sem a autorização do líder. Hitler considerou estas ações independentes uma violação e ameaça à sua liderança, bem como uma ameaça para o regime porque alienaram o presidente conservador Paul von Hindenburg e o exército alemão comprometendo o relacionamento do regime nazista com eles. Isso resultou na expurgação de Ernst Röhm e outros membros radicais da SA no que veio a ser conhecido como a Noite das Facas Longas. O que poderia parecer uma inclinação contrária ao socialismo nada mais era que a manutenção de uma imagem.

O Führer nunca admitiu qualquer afeição ao pensamento liberal nem absorveu sua influência como o fez com o marxismo. Hermann Rauschning o Governador Nazista de Dantzig, era muito próximo de Hitler e escreveu vários textos referentes aos encontros que tinha com o Führer. Hitler citou durante várias vezes sua influência bolchevique e seus planos para os soviéticos: “Eu aprendi muito do marxismo, e eu não sonho esconder isso (…) O que me interessou e me instruiu nos marxistas foram os seus métodos”. Hitler chegou a dizer que converteria o marxismo em nacional socialismo: “Não é a Alemanha que será bolchevista, é o bolchevismo que se tornará uma espécie de nacional socialismo. Aliás, existem entre nós e os bolchevistas mais pontos comuns do que há divergências, e, antes de tudo, o verdadeiro espírito revolucionário, que se encontra na Rússia como entre nós, por toda a parte onde os marxistas judeus não controlam o jogo”. Não é de se espantar que muitos marxistas aderiram ao nazismo, como Hitler enunciara: “Eu sempre levei em conta está verdade e é por isso que dei ordem de aceitar imediatamente no partido todos os ex-comunistas”.

“Tão parecidos, Stalin e Hitler, tão gêmeos, tão construídos de ódio. Ninguém mais Stalin do que Hitler, ninguém mais Hitler do que Stalin.” – Nelson Rodrigues

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/07/24/nazismo-uma-das-varias-expressoes-do-socialismo-parte-2-2/

As diferenças entre estes sistemas são tão mínimas que sua irmandade descende do útero, embora o nazismo como filho bastardo seja distinto apenas por rejeitar seu pai: Karl Marx!

Nazismo, fascismo e comunismo são doutrinas com a mesma origem, cujos métodos são semelhantes e que cumprem o mesmo propósito: a destruição do livre mercado, das liberdades individuais e da democracia. Seu anseio é o estabelecimento de um regime totalitário que supostamente reformaria o homem levando-a a um estado social perfeito. Assim o Estado tomaria as régias da vida privada e do mercado parcialmente (nazifascismo) ou absolutamente (marxismo). Comunistas e nazifascistas no século XXI se digladiam sem o menor sentido, senão pelo fato de que no passado, lutavam pelo mesmo território, como bem cita Ayn Rang. Os comunistas contestam este fato, em dois argumentos tacanhos: alegam que Marx era judeu e que Stalin se opôs a Hitler. Esta consideração é de fato tacanha, pois Marx desprezava o judaísmo, além de ansiar pela destruição de todas as religiões. Tal argumento também desprezam o fato de que nazistas e comunistas foram primazes aliados, através do Pacto de Molotov-Ribbentrop. Para demonstrar a natureza antissemita de Marx e sua relação com o nazismo devemos ir de encontro ao conhecimento histórico tão obliterado pela esquerda em nosso tempo.

Primeiramente vale lembrar, que antissemitismo é uma concepção antiga e remota a antiguidade clássica. Todavia, o termo fora cunhado na modernidade pelo austríaco Wilhelm Marr a partir da publicação do livro Der Sieg der lidenthums über der Germanenthum (A Vitória do Judaísmo sobre o Germanismo) em 1879. Neste livro, Marr teoriza que judeus e alemães viviam em um conflito de longa data, com a ressalta de que os judeus foram os vencedores, graças a uma emancipação política e econômica advinda do liberalismo. Esta emancipação supostamente vos permitira governar as finanças e a indústria alemã. Para ele, esta luta somente findaria com a morte definitiva de uma das partes. Esta concepção é análoga ao sentimento compartilhado por vários intelectuais germânicos, dentre eles os tão conhecidos marxista. É exatamente este viés teórico que o antissemitismo proliferou-se entre os socialistas e anarquistas, de Fourier à Proudhon. Marx ampliou estas premissas, associado os judeus ao comércio e a instituição privada, tanto que alguns de seus seguidores, como Duhring e Lasselle usaram do antissemitismo como base para sua concepção anticapitalista.

Como Judeu, Marx renegou suas origens. Neto de rabino e filho de judeus praticantes, seu verdadeiro nome era Moses Mordechai Levi. Em três de suas obras, encontramos todo seu grau de antissemitismo: A Questão dos Judeus, A Ideologia Alemã e A Sagrada Família (título sarcástico que ironizava a juventude hegeliana). Ele deixa claro não somente seu desprezo ao judaísmo, mas também ao cristianismo e pela instituição religiosa. Em A Questão dos Judeus suas concepções são claras: “O Estado pode e deve prosseguir na abolição e na destruição da religião”. Os motivos que levaram Marx a se voltar contra o judaísmo e toda religião são óbvios: o tempo é uma instituição privada dividia entre classes. Sinagogas pertencem aos judeus, Igrejas Católicas ao Vaticano, Mesquitas ao Islã etc. Nestes templos as regras são ditadas por níveis hierárquicos, ou seja: classes. Para que o comunismo possa vigorar, toda propriedade e classes devem desaparecer. Marx compreendia estes fatos, portanto sua teoria deveria abolir a instituição privada e qualquer ordenação advinda dela a fins de estabelecer a ditadura do proletariado.

Como descendente de judeus, o antissemitismo emergiu como a base de seu pensamento. Segundo Marx: “O dinheiro é o ciumento deus de Israel, a cujo lado nenhuma outra divindade pode existir. O dinheiro rebaixa todos os deuses do Homem e transforma-os em mercadoria” (…) “O deus dos judeus foi secularizado e tornou-se o deus deste mundo. O câmbio é o deus real dos judeus. O seu deus é apenas o câmbio ilusório. A percepção que se obteve da natureza, sob o império da propriedade privada e do dinheiro, é o real desprezo, a degradação prática da natureza, que existe de fato na religião judaica, mas só na imaginação.” (…) “O que se contém de forma abstrata na religião judaica – o desprezo pela teoria, pela arte, pela história, e pelo homem como fim em si mesmo – é o ponto de vista real, consciente e a virtude do homem de dinheiro. A nacionalidade quimérica do judeu é a nacionalidade do negociante e, acima de tudo, do financeiro. Sem base ou razão. A lei do judeu não passa de caricatura”.

Marx e Hitler desprezavam os judeus e argumentavam que eles se apropriavam de todo o capital. Segundo eles, os judeus não detinham crenças, cultura ou arte e os elementos de seu mundo eram meras mercadorias. Para eles, a natureza judaica era capitalista, portanto deveriam ser extirpados para o renascimento de um novo homem igualitário e sem ambições. A economia de mercado seria apenas uma noção burguesa e inimiga da nova sociedade. Embora Hitler rejeitasse o marxismo, pois o associava de forma descabida ao judaísmo, deixou clara sua influencia: “Eu aprendi muito do marxismo, e eu não sonho esconder isso. (…) O que me interessou e me instruiu nos marxistas foram os seus métodos.” Hitler também definiu suas várias diferenças“Meu socialismo é outra coisa que o marxismo. Meu socialismo não é a luta de classes, mas a ordem”. O ditador colocava o socialismo alemão como superior ao marxismo:O nacional socialismo é aquilo que o marxismo poderia ter sido se ele fosse libertado dos entraves estúpidos e artificiais de uma pretensa ordem democrática” .

Para Hitler, o marxismo era simplório e reducionista, pois arruinava todo o avanço da humanidade, tinha como pretensão uma fraca democracia e anulava toda a individualidade. No nazismo, o individualismo seria sujeitado à nação, mas não extirpado. Sobretudo, seus métodos de doutrinação eram os mesmos: se opunham a economia de livre mercado, sem refutar seus argumentos, o que consiste em um nítido polilogismo, como bem teorizara Mises. Polilogismo refere-se a uma falácia retórica ataca o argumentador ao situa o pensamento lógico como distinto por classes e raças. Em lógica, as inter-relações humanas são baseadas em um ponto comum o que permite e argumentação e refutação. Ao invés de discorrer nestes parâmetros eles supõe um novo “segmento lógico”. Isto é tipicamente usado por socialistas na atualidade, que uma vez sem recursos, referem-se aos contra-argumento liberais como  uma lógica burguesa” tal Hitler pregava como “pensamento judeu”. Em comum haviam ainda mais pontos: Hitler e Marx criavam uma falsa dicotomia social, combatiam o individualismo, além de opressores da religião. Suas origens, métodos e intentos são os mesmos.

Referências:

Moshe Zimmermann –  Wilhelm Marr: O Patriarca de Anti-semitismo

Wilhelm Marr – Der Weg zum Siege des Germanenthums über das Judenthum

Karl Marx – Sobre a Questão Judaica Adolph Hitler e  Hermann Rauschning – Hitler m´a dit, Coopération

Ludwig Von Mises – Omnipotent Government: The Rise of Total State and Total War

Karl Marx-horz Marx pregava a luta de classe enquanto Hitler, a luta entre raças. Marx pregou o comunismo como posterior à transição do capitalismo para o socialismo. Hitler contentava-se apenas com a primeira etapa. Christiano Di Paulla