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Tal como Hitler, Goebbels não negava suas origens socialistas. Na obra Extratos da Época de Luta de 1935 ele citara: “Vale lembrar antes de submeter-se à essa leitura de que a visão de socialismo do movimento nacional-socialista não se tratava do mesmo socialismo soviético, embora podemos notar que o materialismo histórico de Marx tem raiz em Hegel, e que a crítica capitalista do nacional-socialismo por sua fez tenha raiz em Marx e consequentemente em Hegel, indo até Heráclito Éfeso em aproximadamente 500 anos antes de Cristo, suas visões sobre a sociedade e economia são totalmente diferentes. “Vale lembrar antes de submeter-se à essa leitura de que a visão de socialismo do movimento nacional-socialista não se tratava do mesmo socialismo soviético, embora podemos notar que o materialismo histórico de Marx tem raiz em Hegel, e que a crítica capitalista do nacional-socialismo por sua fez tenha raiz em Marx e consequentemente em Hegel, indo até Heráclito Éfeso em aproximadamente 500 anos antes de Cristo, suas visões sobre a sociedade e economia são totalmente diferentes.”

Neste trabalho, o líder da propaganda nazista declara que a economia de mercado fora a causadora da crise de 1929 e assim seria a ruína do mundo: “Capitalismo não é uma coisa, mas sim uma relação para com ela. Não são as minas, fábricas, imóveis e terrenos, instalações ferroviárias, dinheiro e ações, as causas de nossa necessidade social, mas sim o abuso destes bens do povo. O capitalismo não é nada mais que a usurpação do capital do povo e, de fato, esta definição não encontra sua definição na limitação da pura economia. Ela tem sua validade ampla em todas as áreas da vida pública. Ela representa um princípio. Capitalismo é, sobretudo, o uso abusivo dos bens comuns, e a pessoa, que comete este abuso, é um capitalista.” Goebbels considerava que o capitalismo era uma doutrina irresponsável e contrário aos interesses da nação, enquanto o socialismo significaria ordem: “No Socialismo é o contrário. A cosmovisão socialista começa no povo e então avança sobre as coisas. As coisas se submetem ao povo; o socialista coloca o povo sobre tudo, e as coisas são só meios para se atingir os fins.”

Nesta mesma obra, Goebbels tenta definir o nacional socialismo: “Em um sistema capitalista, o povo serve à produção, e esta é dependente por sua vez do poder do dinheiro. O fantasma do dinheiro triunfa sobre a presença viva do povo. Em um sistema socialista, o dinheiro serve à produção, e a produção serve ao povo. O fantasma dinheiro se submete à comunidade orgânica de sangue – povo. O Estado pode ter nestas coisas somente um papel regulador. Ele revela os eternos conflitos entre capital e trabalho, seu caráter destrutivo. Ele é o juiz entre ambos, mas que age implacavelmente quando o povo está ameaçado. Existe para ele somente uma clara decisão, seja como for. Se ele se coloca numa disputa econômica ao lado hostil ao povo – pode ser tão nacional como quiser – então ele é capitalista. Ao contrário, caso ele sirva à justiça, e que é análogo à necessidade estatal, então ele é socialista”. Ele também descreve: “Nós precisamos trabalhar para nossos opressores e não temos tempo para pensar em socialismo, para não mencionar que mesmo que tivéssemos também a modesta possibilidade, seria difícil colocá-lo em prática.”

Comunistas alegam que o nazismo não consistia em um socialismo real por que fora financiando por banqueiros e empresários e por permitir a atuação da iniciativa privada. Tais alegações ignoram a distinção alemã de socialismo. Desde o revisionismo de Eduard Bernstein e Karl Kautsky no fim do século XIX, novas modalidades de socialismo surgiam, tal como a Socialdemocracia e o Socialismo Cristão, na admissão controlada da instituição privada. O Nazismo descende de tais teorias, ao mesmo que se constrói um escopo distinto. A alegação de que o nazismo fizera uso de investimento privado também é equivocada, visto que a Revolução Russa também fora financiada por banqueiros e empreendedores alemães, como demonstra o historiador Antony C. Sutton e nem por isto, é desconsiderada como uma forma de socialismo. Embora o Socialismo Alemão permitisse a existência da instituição privada, ele defendia sua total subjugação ao controle governamental, como ocorre em todo pensamento de esquerda. Lembrando que os nazistas espalhavam cartazes em toda Alemanha declarando-se socialistas anticapitalistas – o que não fora diferente de sua gestão.

Pontos comuns entre nazismo, comunismo e fascismo:

  1. Origem no socialismo e no sindicalismo.
  2. Ideologia monopolizadora a fins de reengenharia social.
  3. Visão messiânica da política (espera de um líder ou evento salvador).
  4. Partido único com um líder absoluto.
  5. Monopólio dos meios de coerção: polícia e exército.
  6. Monopólio da comunicação pública.
  7. Centralização da economia, estatização, controle ou abolição da instituição privada.
  8. Visão dualista do mundo: proletariados contra burgueses / arianos contra judeus / nação contra indivíduo.
  9. Redução da diversidade cultural: massacre dos burgueses / judeus / opositores do regime.
  10. Campos de confinamento e extermínio: gulags / campos de concentração / campos de prisioneiros.
  11. Todos eram regimes totalitários, antidemocráticos e antiliberais.

Referências:

Joseph Goebbels – Extratos da Época de Luta

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Em uma boa parte de Mein Kempf, fica claro que Hitler associava o bolchevismo ao que intitulava “capitalismo internacional e judeu” as vezes representado pelas políticas de tolerância racial francesa: A internacionalização da economia alemã, isto é, a exploração do trabalho alemão por parte dos financeiros judeus internacionais, somente será praticável em um Estado politicamente bolchevizado. Mas a tropa de assalto marxista do capitalismo internacional judaico só poderá quebrar definitivamente a espinha dorsal do Estado alemão mediante a assistência amigável de fora. Por isso, os exércitos da França devem ocupar a Alemanha, até que o Reich, corroído no interior, seja dominado pelas forças bolchevistas a serviço do capitalismo judaico internacional.” Estas alegações por mais estranhas que possam parecer tem certo fundamento. Haviam banqueiros judeus na Alemanha e EUA que apoiaram a revolução bolchevique e que tentavam penetrar na Alemanha. Porém, a partir desta alegação Hitler desejava mais que expulsá-los, mas iniciar sua investida militar na Europa Ocidental, assim conquistando a Franca.

Como ocorre com o marxismo e a socialdemocracia, em Mein Kempf fica clara a aversão de Hitler ao capitalismo. No Volume 2 Capítulo VII, ele cita: “Em 1919-20 e também em 1921, eu assisti a alguns das reuniões os burguesas (capitalistas). Invariavelmente, eu tive o mesmo sentimento em relação a estes como para a dose obrigatória de óleo de mamona em meus dias de infância… E por isso não é de estranhar que as massas sãs e imaculadas devem fugir desses comícios burgueses “como o diabo foge da água benta.” Em outra parte do livro, Hitler culpava o avanço da economia de mercado através da bolsa de valores que segundo ele, teria contribuído para a ruína da economia nacional, subtraindo a propriedade dos alemães: “Um sintoma da ruína econômica foi a lenta eliminação do direito de propriedade individual e a passagem gradual da economia do povo para a propriedade das sociedades por ações. Por esse sistema, o trabalho desceu a objeto de especulação doa traficantes sem consciência. A alienação da propriedade aos capitalistas progrediu. A Bolsa começou a triunfar e preparou-se a pôr, lenta, mas firmemente, a vida da nação sob sua proteção e controle.”

Em 21 de maio 1930, Hitler falou Otto Strasser em Berlim: “Eu sou um socialista e um tipo muito diferente de socialista de seu amigo rico, Conde Reventlow… O que você entende por socialismo nada mais é do que o marxismo.” Hermann Rauschning, o Governador Nazista de Dantzig, e muito próximo de Hitler escreveu vários textos referentes aos encontros que tinha com o líder nazista. Embora Hitler fosse claro ao dizer que seu socialismo era distinto do marxismo, em muitos dos discursos narrados por Hermann Rauschning Hitler citava sua influência bolchevique e os planos que tinha para os soviéticos: “Eu aprendi muito do marxismo, e eu não sonho esconder isso (…). O que me interessou e me instruiu nos marxistas foram os seus métodos” e “Não é a Alemanha que será bolchevista, é o bolchevismo que se tornará uma espécie de nacional socialismo. Aliás, existem entre nós e os bolchevistas mais pontos comuns do que há divergências, e, antes de tudo, o verdadeiro espírito revolucionário, que se encontra na Rússia como entre nós, por toda a parte onde os marxistas judeus não controlam o jogo”. “Eu sempre levei em conta está verdade e é por isso que dei ordem de aceitar imediatamente no partido todos os ex-comunistas”.

O famoso ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, declamou várias vezes a influência comunista do partido, tal como sua visão socialista antissemita. Pouco após a morte de Lênin, publicou uma matéria no New York Times dizendo: “O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores, no qual Hitler é patrão e pai persiste em acreditar que Lênin e Hitler podem ser comparados”. Não seria de se espantar que pouco antes da guerra, Hitler assinou com os soviéticos o pacto de Molotov-Ribbentrop. Mais tarde Goebbels citara: “O que é que o antissemitismo tem a ver com socialismo? Gostaria de colocar da seguinte forma: o que é que o judeu tem a ver com o socialismo? O socialismo tem a ver com trabalho. Quando é que ninguém nunca vê-lo trabalhando em vez de saquear, roubar e viver do suor dos outros? Como socialistas, somos adversários dos judeus, porque vemos em hebreus a encarnação do capitalismo, do mau uso dos bens da nação”. Assim como Hitler, Goebbels culpava os judeus pela propagação do capitalismo e do comunismo, tendo-os como inimigos máximos.

Referências:

Adolf Hitler – Minha Luta

Adolf Hitler, apud Hermann Rauschning – Hitler m´a dit, Coopération

Joseph Goebbels – New York Times (1924)

Joseph Goebbels – Die Verfluchten Hakenkreuzler

GoebbelsGoebbels: uma expressão do anticapitalismo e antissemitismo nazista!

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/07/24/nazismo-uma-das-varias-expressoes-do-socialismo-parte-3/

Uma das falácias mais persistentes em toda história comumente contada por comunistas, faz-se da alegação de que o nazismo seja uma expressão do capitalismo (Obs: não usarmos os termos “direita” e “esquerda”, já criticados em outro artigo). Este mito carece de refutação. O Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, ou seja: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (nome dado por Hitler) foi fundado 1919, pelo serralheiro Anton Drexler e o jornalista Karl Harrer baseados no trabalhismo nacionalista e no antissemitismo. Neste ano, Drexler escreveu um artigo chamado: “Meu despertar político”, de subtítulo: “Do diário de um alemão socialista trabalhador” que serviria de base para o nacional socialismo de Hitler. Neste texto, Drexler afirmava que o partido deveria usar das classes trabalhadoras para vigorar seus intentos antissemitas. Ele alegava que os judeus usurparam 80% de toda a riqueza e que por isto, o proletariado deveria se tornar a força capaz de combater esta ameaça capitalista. Declarou várias vezes, que somente o “socialismo cristão” daria forças para lutar contra este mundo materialista e talmúdico.

Com a entrada de Hitler, em outubro deste mesmo ano o partido visa ampliar suas perspectivas socialistas para a prática. Em fevereiro de 1920, Hitler anuncia seus intentos, chamados de Programa Vinte e Cinco, marcando o pedido de revogação do Tratado de Versalhes e do Tratado de Saint Germain. Entre as diretrizes estavam: Um Estado assistencialista capaz de fornecer todos os meios de vida para o cidadão. A sujeição do indivíduo ao interesse coletivo. Supressão de rendas não oriundas do trabalho direto. Proibição dos juros. Nacionalização de grandes empresas. Divisão do lucro das pequenas empresas. Aumento das pensões. Entrega de grandes lojas a administração comunal. Controle da produção, preços e salários. Desapropriação de terras para reforma agrária sem indenização. Proibição da especulação fundiária. Controle da imprensa. Expatriação e desapropriação de judeus.  Tudo estaria subjugado a um poder central assumindo a natureza socialista do regime nazista: um sistema político-econômico baseado na propriedade estatal dos meios de produção.

Entretanto, após o fracasso do golpe de Estado do Putsch da Cervejaria em 1923, Hitler compreendia que a revolução armada como roga o socialismo radical não seria possível e desenvolve uma teoria distinta. A diferença entre o nacional socialismo alemão, o comunismo e a socialdemocracia pode ser encontrada no livro de Hitler: Mein Kempf. Segundo ele, Marx tinha se apoderado do termo socialismo anulando a personalidade nacional. O socialismo real não seria a luta de classes, mas ordem de classes já que o marxismo jamais pudera se consolidar, forçado a reformar seus preceitos em função da personalidade humana. Para Hitler, a diferença do socialismo racista e do marxismo seria que o primeiro reconhece o indivíduo e assim o submete ao coletivismo nacionalista. No Capítulo 4 cita: “A concepção racista deve ser completamente diferenciada (do marxismo) desde que reconhece não só o valor da raça como o do próprio indivíduo, duas colunas sobre ao qual deve repousar todo o edifício.”

Hitler ataca o marxismo dizendo que nega a natureza nacionalista e racial em função de uma identidade homogênea e internacional e o coloca na mesma posição capitalista, que segundo ele, havia internacionalizado os “valores nacionais”. Hitler ataca ambos, quase que ao mesmo tempo. No capítulo X de Mein Kempf, Hitler faz sua descrição do colapso do Império Alemão. Segundo ele, os capitalistas tinham uma grande responsabilidade neste evento: “Antes da guerra, a internacionalização dos negócios alemães já estava em andamento, sob o disfarce das sociedades por ações. É verdade que uma parte da indústria alemã fez uma decidida tentativa para evitar o perigo, mas, por fim, foi vencida por- uma investida combinada do capitalismo ambicioso, auxiliado pelos seus aliados do movimento marxista.” Logo, como os primeiros nacional-socialistas, Hitler considerava que o capitalismo e o marxismo lutavam para tomar posse da indústria alemã o que declararia um dos dois como vencedor. Assim, o nacional socialismo através de seu patriotismo seria a força necessária para evitar este destino.

Hitler alagava que os capitalistas e marxistas tentavam envenenar as massas alemães, destruindo o Reich enquanto conflitavam num mesmo propósito. A parti destas considerações, o ditador escrevera no capitulo X: “O que a chamada imprensa liberal fez antes da Guerra foi cavar um túmulo para a nação alemã e para o Reich. Não precisamos dizer nada sobre os mentirosos jornais marxistas. Para eles o mentir é tão necessário como para os gatos o miar. Seu único objetivo é quebrar as forças de resistência da nação, preparando-a para a escravidão do capitalismo internacional e dos seus senhores, os judeus” e “Que fez o Governo para resistir a esse envenenamento em massa do povo alemão? Nada, absolutamente nada! Alguns fracos decretos, algumas multas por ofensas tão graves que não podiam ser desprezadas, e nada mais!” Para Hitler, o avanço do judaísmo, do capitalismo e do marxismo declarando que impressa seria uma arma destas ideologias para assegurar a derrota do Reich. Deste modo, Hitler considerava que o controle da impressa seria indispensável para o nacional socialismo.

Referências:

Gottfield Feder – Das Manifest Zur Brechung der Zinsknechtschaft des Gelde

Anton Drexler  – Mein politisches Erwachen: aus dem Tagebuch eines deutschen sozialistischen Arbeiters

Adolf Hitler – Minha Luta

Gottfried Feder – Os Vinte e Cinco Pontos

Thierry e Pascal – Programa do NSDAP

Christiano Di Paulla

“Tão parecidos, Stalin e Hitler, tão gêmeos, tão construídos de ódio. Ninguém mais Stalin do que Hitler, ninguém mais Hitler do que Stalin.” Nelson Rodrigues

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/07/24/nazismo-uma-das-varias-expressoes-do-socialismo-parte-2-2/

As diferenças entre estes sistemas são tão mínimas que sua irmandade descende do útero, embora o nazismo como filho bastardo seja distinto apenas por rejeitar seu pai: Karl Marx!

Nazismo, fascismo e comunismo são doutrinas com a mesma origem, cujos métodos são semelhantes e que cumprem o mesmo propósito: a destruição do livre mercado, das liberdades individuais e da democracia. Seu anseio é o estabelecimento de um regime totalitário que supostamente reformaria o homem levando-a a um estado social perfeito. Assim o Estado tomaria as régias da vida privada e do mercado parcialmente (nazifascismo) ou absolutamente (marxismo). Comunistas e nazifascistas no século XXI se digladiam sem o menor sentido, senão pelo fato de que no passado, lutavam pelo mesmo território, como bem cita Ayn Rang. Os comunistas contestam este fato, em dois argumentos tacanhos: alegam que Marx era judeu e que Stalin se opôs a Hitler. Esta consideração é de fato tacanha, pois Marx desprezava o judaísmo, além de ansiar pela destruição de todas as religiões. Tal argumento também desprezam o fato de que nazistas e comunistas foram primazes aliados, através do Pacto de Molotov-Ribbentrop. Para demonstrar a natureza antissemita de Marx e sua relação com o nazismo devemos ir de encontro ao conhecimento histórico tão obliterado pela esquerda em nosso tempo.

Primeiramente vale lembrar, que antissemitismo é uma concepção antiga e remota a antiguidade clássica. Todavia, o termo fora cunhado na modernidade pelo austríaco Wilhelm Marr a partir da publicação do livro Der Sieg der lidenthums über der Germanenthum (A Vitória do Judaísmo sobre o Germanismo) em 1879. Neste livro, Marr teoriza que judeus e alemães viviam em um conflito de longa data, com a ressalta de que os judeus foram os vencedores, graças a uma emancipação política e econômica advinda do liberalismo. Esta emancipação supostamente vos permitira governar as finanças e a indústria alemã. Para ele, esta luta somente findaria com a morte definitiva de uma das partes. Esta concepção é análoga ao sentimento compartilhado por vários intelectuais germânicos, dentre eles os tão conhecidos marxista. É exatamente este viés teórico que o antissemitismo proliferou-se entre os socialistas e anarquistas, de Fourier à Proudhon. Marx ampliou estas premissas, associado os judeus ao comércio e a instituição privada, tanto que alguns de seus seguidores, como Duhring e Lasselle usaram do antissemitismo como base para sua concepção anticapitalista.

Como Judeu, Marx renegou suas origens. Neto de rabino e filho de judeus praticantes, seu verdadeiro nome era Moses Mordechai Levi. Em três de suas obras, encontramos todo seu grau de antissemitismo: A Questão dos Judeus, A Ideologia Alemã e A Sagrada Família (título sarcástico que ironizava a juventude hegeliana). Ele deixa claro não somente seu desprezo ao judaísmo, mas também ao cristianismo e pela instituição religiosa. Em A Questão dos Judeus suas concepções são claras: “O Estado pode e deve prosseguir na abolição e na destruição da religião”. Os motivos que levaram Marx a se voltar contra o judaísmo e toda religião são óbvios: o tempo é uma instituição privada dividia entre classes. Sinagogas pertencem aos judeus, Igrejas Católicas ao Vaticano, Mesquitas ao Islã etc. Nestes templos as regras são ditadas por níveis hierárquicos, ou seja: classes. Para que o comunismo possa vigorar, toda propriedade e classes devem desaparecer. Marx compreendia estes fatos, portanto sua teoria deveria abolir a instituição privada e qualquer ordenação advinda dela a fins de estabelecer a ditadura do proletariado.

Como descendente de judeus, o antissemitismo emergiu como a base de seu pensamento. Segundo Marx: “O dinheiro é o ciumento deus de Israel, a cujo lado nenhuma outra divindade pode existir. O dinheiro rebaixa todos os deuses do Homem e transforma-os em mercadoria” (…) “O deus dos judeus foi secularizado e tornou-se o deus deste mundo. O câmbio é o deus real dos judeus. O seu deus é apenas o câmbio ilusório. A percepção que se obteve da natureza, sob o império da propriedade privada e do dinheiro, é o real desprezo, a degradação prática da natureza, que existe de fato na religião judaica, mas só na imaginação.” (…) “O que se contém de forma abstrata na religião judaica – o desprezo pela teoria, pela arte, pela história, e pelo homem como fim em si mesmo – é o ponto de vista real, consciente e a virtude do homem de dinheiro. A nacionalidade quimérica do judeu é a nacionalidade do negociante e, acima de tudo, do financeiro. Sem base ou razão. A lei do judeu não passa de caricatura”.

Marx e Hitler desprezavam os judeus e argumentavam que eles se apropriavam de todo o capital. Segundo eles, os judeus não detinham crenças, cultura ou arte e os elementos de seu mundo eram meras mercadorias. Para eles, a natureza judaica era capitalista, portanto deveriam ser extirpados para o renascimento de um novo homem igualitário e sem ambições. A economia de mercado seria apenas uma noção burguesa e inimiga da nova sociedade. Embora Hitler rejeitasse o marxismo, pois o associava de forma descabida ao judaísmo, deixou clara sua influencia: “Eu aprendi muito do marxismo, e eu não sonho esconder isso. (…) O que me interessou e me instruiu nos marxistas foram os seus métodos.” Hitler também definiu suas várias diferenças“Meu socialismo é outra coisa que o marxismo. Meu socialismo não é a luta de classes, mas a ordem”. O ditador colocava o socialismo alemão como superior ao marxismo:O nacional socialismo é aquilo que o marxismo poderia ter sido se ele fosse libertado dos entraves estúpidos e artificiais de uma pretensa ordem democrática” .

Para Hitler, o marxismo era simplório e reducionista, pois arruinava todo o avanço da humanidade, tinha como pretensão uma fraca democracia e anulava toda a individualidade. No nazismo, o individualismo seria sujeitado à nação, mas não extirpado. Sobretudo, seus métodos de doutrinação eram os mesmos: se opunham a economia de livre mercado, sem refutar seus argumentos, o que consiste em um nítido polilogismo, como bem teorizara Mises. Polilogismo refere-se a uma falácia retórica ataca o argumentador ao situa o pensamento lógico como distinto por classes e raças. Em lógica, as inter-relações humanas são baseadas em um ponto comum o que permite e argumentação e refutação. Ao invés de discorrer nestes parâmetros eles supõe um novo “segmento lógico”. Isto é tipicamente usado por socialistas na atualidade, que uma vez sem recursos, referem-se aos contra-argumento liberais como  uma lógica burguesa” tal Hitler pregava como “pensamento judeu”. Em comum haviam ainda mais pontos: Hitler e Marx criavam uma falsa dicotomia social, combatiam o individualismo, além de opressores da religião. Suas origens, métodos e intentos são os mesmos.

Referências:

Moshe Zimmermann –  Wilhelm Marr: O Patriarca de Anti-semitismo

Wilhelm Marr – Der Weg zum Siege des Germanenthums über das Judenthum

Karl Marx – Sobre a Questão Judaica Adolph Hitler e  Hermann Rauschning – Hitler m´a dit, Coopération

Ludwig Von Mises – Omnipotent Government: The Rise of Total State and Total War

Karl Marx-horz Marx pregava a luta de classe enquanto Hitler, a luta entre raças. Marx pregou o comunismo como posterior à transição do capitalismo para o socialismo. Hitler contentava-se apenas com a primeira etapa. Christiano Di Paulla