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A impossibilidade de uma economia baseada em recursos

Segundo a teoria de Fresco, a produção deve ser orientada pelos recursos produtivos. Nesta economia, seria necessário usar de todas as informações possíveis para coordenar esta produção a fins de superar a escassez e produzir em abundancia. Assim seria feito um banco de dados, aonde seriam catalogados os recursos naturais disponíveis, assim como os recursos humanos, centros de produção e até mesmo as necessidades das pessoas. Desta forma seria possível determinar a quantidade de bens e serviços necessários. Este sistema seria capaz de determinar até mesmo, quantas pessoas se adoentaram e como aloca-las para um hospital com todos os recursos necessários. Para tanto, a automatização máxima seria a chave, distribuindo recursos de forma rápida na mesma medida em que recebem a informação. Por tais vias, não haveria propriedade privada nesta sociedade, mas uma total planificação da economia através de uma informação computadorizada.

Há vários erros na teoria de Fresco, e a grande maioria vai de acordo com os mesmos erros praticados pelo comunismo e descritos na teoria anarquista de Proudhon, portanto a refutação faz-se semelhante. Há também críticas equivocadas ao livre mercado. Ele sugere que sua teoria econômica seja possível, baseado no fato de que a indústria moderna pode disponibilizara bens de forma abundante, ignorando que o motivo seja o mercado. Fresco dá o exemplo da segunda guerra mundial quando os EUA tinham apenas 600 aviões de primeira classe, mas ao adentrar na guerra, passaram a produzir 90 mil por anos. Logo, o problema não estaria na quantidade de ouro disponível (moeda vigente na época), mas nos recursos. Fresco desconsidera que tais aviões foram criados a custa de impostos massivos, reduzindo a renda e o consumo de bens e serviços, prejudicando o mercado. Em nenhum momento os EUA ignoraram o fator monetário baseando-se em exclusivo nos recursos.

A refutação para a teoria de Fresco e para todas as economias planificadas é antiga e fora publicada em 1920 por Ludwig Von Mises: o problema de cálculo econômico. Mises alega que sem propriedade privada não há trocas voluntárias, e sem trocas, não há formatação de preços. Sem preços, não é possível acentuar a demanda à oferta, visto que eles servem como operadores matemáticos responsáveis pela contabilidade. Mais tarde, Friedrich Hayek ampliou o argumento citando que a mudança constante dos gostos individuais, algo impossível de ser computado e gerido por um planejador central. Mesmo que a privacidade fosse invadida, e chips implantados nos cérebros a fins de computar tais informações, sem a formatação de preços, não haveria meios de compreender o melhor viés produtivo. Neste sentido, cabe citar a experiência soviética. Mesmo com computadores avançados e equações complexas, eles nunca foram capazes de alocar com maior eficiência que o livre mercado. Diante o imenso fracasso destas teorias, o caminho tomado pela Russia e China foram a liberalização econômica.

Embora Fresco negue que sua teoria seja socialista ou comunista isto não é verdade. Assim como o comunismo, a EBR é contra o livre mercado e contra a propriedade privada. Visa a reengenharia social, visando mudar os hábitos dos homens, na suposição de que atingiria uma perfeição. Fresco até mesmo chegou a elogiar Karl Marx, dizendo que foi de grande utilidade ao criticar a economia de mercado. Fresco, alega que sua economia não seja comunista, visto que todas as experiências não excluíram moedas ou bancos. A grande verdade é que antes que o comunismo fosse realmente alcançado, toda economia russa entrou em decadência. As experiências que tentaram acabar com a propriedade privada e com o mercado resultaram nos maiores genocídios da história da humanidade, na miséria, servidão, escassez, levando ao fracasso nações antes imponentes.

Conclusão:

Fresco faz críticas contundentes ao sistema monetário orientado pela emissão de papel moeda sem lastro, mas equivoca-se ao tentar o mesmo com relação ao padrão ouro. Falha ao associar as crises financeiras produzidas por ações governamentais à iniciativa privada. Seu argumento reducionista não releva os avanços do primeiro mundo em função do mercado. Ele ignora que o fracasso de nações pobres ocorreram por se distanciar destas premissas. Possui uma visão utópica de reengenharia social, visando mudar a natureza humana, retirando sua liberdade para errar e evoluir, na crença de o tornará perfeito, uma vez inserido em sua visão idealista. Seu erro mortal faz-se da planificação economia através da produção centralizada, na suposição de uma informação perfeita, como ocorrera com a finada URSS. É decepcionante perceber que angaria inúmeros adeptos apenas por criticar o obvio: como a necessidade de eliminar a guerra, a fome, a poluição etc. No século XXI é mais fácil acreditar num modelo supostamente perfeito enunciado pela internet, que estudar economia a finco. Entretanto, mesmo dentre estas perspectivas que mesclam misticismo, pseudociência e questões sociais, encontramos algumas considerações econômicas de valor, como no caso do thrivemovement – algo muito superior em resultados que o Projeto Vênus.

Referências:

Ludwig Von Mises – Ação Humana

Ludwig Von Mises – O cálculo econômico sobre o socialismo

Friedrich Hayek – O caminho da servidão

Jacque-Fresco-Venus-ProjectJacques Fresco: Razoável arquiteto, mas péssimo em economia. Por mais bem intencionado que esteja, o que faz é pregar um sistema destinado ao fracasso. Assim como os anarquistas modernos, sua teoria resultaria em comunismo. Ao final, só lhe restam as maquetes bonitas, para impressionar leigos em economia.

Christiano Di Paulla

Para ler desde o início: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/28/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-parte-1/

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Stefan Molyneux analisa o Zeitgeist

Publicado: outubro 28, 2013 em Zeitgeist

Desenvolvimento científico e produção industrial

O próximo tema abordado por Fresco se refere ao desenvolvimento científico e tecnológico. Segundo ele, um sistema orientado pelos livres mercados baseados no lucro, reprime o “real potencial de desenvolvimento”. Ele acredita que este desenvolvimento possa ocorrer em uma economia onde os recursos produtivos (matéria prima, infraestrutura e mão de obra) sejam dimensionados a produção sem que exista a necessidade de lucro. Desta forma haveria supostamente um aproveitamento maior, pois a produção estaria acima das necessidades financeiras. Nesta sociedade sem propriedade privada, não haveria competição, mas uma cooperação mutua, onde todos os habitantes da terra uniriam forças para desenvolver novas tecnologias. Assim a informação sobre o conhecimento científico não estaria escondida, mas em livre acesso.

A primeira vista, as teorias de Fresco parecem encantadoras, mas pecam na teoria e fracassam diante o conhecimento histórico e  econômico. Neste sentido, a verdade é justamente oposta: o aperfeiçoamento tecnológico ocorre mais abundantemente ocorre através da livre concorrência. A lógica do mercado é simples: caso existam varias instituições oferecendo o mesmo serviço terão de competir entre si. Se um consumidor considera que determinado produto ou serviço não atende sua necessidade ou que seu valor está alto, ele busca seu concorrente. Ao final de um período é feito um balanço, onde os preços servirão como sinalizadores matemáticos para que o empresário entenda através da perca de lucro, que deve buscar um novo viés. Assim a economia de mercado tende a melhorar seus serviços e reduzir seus preços, produzindo o constante aperfeiçoamento tecnológico. Eis o motivo do descarte constante de tecnologias, o que é atacado por Fresco.

Uma economia que ignora o lucro que serve como um mecanismo de informação para a produção, não somente descarta os valores subjetivos que sublimam a aquisição de determinado bem, mas impedem a disseminação de um conhecimento concreto a respeito disto. O que o autor também sugere é que a competição do mercado seja responsável pela desarmonia social em uma associação indevida. Empresas funcionam exclusivamente ela cooperação de pessoas que atuam em áreas distintas fazendo todo emprego de seus conhecimentos e habilidades particulares. Em um mercado aberto a livre concorrência, há o enaltecimento do melhor desempenho, algo dimensionado e medido pelos consumidores. Esta competição em nada se difere das competições atléticas. Sobre a questão da informação restrita mantida pelas empresas, tentar torna-la comum, apenas fere o direito a propriedade intelectual.

Quando o autor sugere que poderemos alcançar um pico de desenvolvimento tecnológico, ignora todos os problemas técnicos que envolvem a produção do conhecimento cientifico e industrial. A ciência se desenvolve de forma gradativa pelo esforço particular ou conjunto de um numero incomensurável de pessoas. Não existe um patamar suficiente para gerar a perfeição na terra, visto que a natureza humana é inquieta e sem grandes contentamentos. O que existe é a inovação constante. Basta analisar a obsolescência da URSS, cuja economia era centralizada e sem propriedade privada com o desenvolvimento rápido da tecnologia japonesa no mesmo período. A URSS somente conseguira chegar ao espaço, porque competia em âmbito global com os EUA na corrida belicista e espacial. Nos demais setores, como no caso da indústria automobilista, permanecer obsoleta, uma vez que não havia incentivos competitivos para a constante melhoria.

Para refutar as alegações de Fresco, basta um simples exemplo: o primeiro computador tivera um custo gigantesco, possuindo um processamento menor que o de uma simples calculadora atual. Décadas depois, os computadores estão presentes na vida de um número gigantesco de pessoas, possuindo um processamento exacerbadamente maior e a um custo baixo. O mesmo pode ser visto na maioria esmagadora dos bens gerados pela indústria por um único fator: a existência de um mercado competitivo, orientado pelos sistema monetário. Em todos os exemplos de economias que tentaram limitar ou destruir a propriedade privada, a competição e o lucro, o que se verificara fora apenas a mais absoluta obsolescência.

UK-New-Technologies-and-North-Sea-Energy-IndustryComo bem disse Milton Friedman: ” As grandes invenções da humanidade não partiram da ordem de um gabinente central, mas de invidíduos perseguindo seus próprios objetivos.”

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/28/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-parte-5/

Lucro, egoísmo e harmonia na sociedade

Fresco prossegue citando que a sociedade é baseada no lucro e no consumo e por isto tornara-se materialista, culminando em valores equivocados. Primeiramente, dissertarei sobre o lucro e sua função social. O lucro é essencial para uma economia e responsável por alocar os recursos de forma eficiente, logo pode ser compreendido como uma virtude. Lucros funcionam como sinais que indicam se uma empresa é eficaz em seus investimentos, quando a situação onde a receita é maior que os custos.  Ao contrário do que sugere Fresco, Marx e tantos outros, a valorização e o lucro não surgem do gasto em matéria prima ou o tempo de trabalho. Não importa se o empresário gasta 2 quilos de matéria prima em 30 horas de trabalho para construir uma bicicleta. Ela pode não agradar os consumidores como outra que possua um menor gasto em matéria prima e tempo de trabalho empregue. Ocorre, pois as pessoas não medem tais fatores ao visar objetos. Bens são obtidos pela satisfação subjetiva que causam como bem sugere Carl Menger na teoria do valor subjetivo.

E uma vez que as relações de troca baseiam-se em desejos particulares, responsáveis pela precificação, as elevações e quedas de receitas são ordenadas por este princípio. Não há meios de forçar um consumidor a obter um bem que não deseja, por mais que possa estimulá-lo. Caso ocorra um estimulo a obtenção do bem, torna a analise da satisfação tangível. Neste caso, o indivíduo em seu senso racional, buscando o que mais lhe satisfaz, é capaz de perceber quando um bem não atende sua necessidade. Quando isto ocorre, ele pode fazer a escolha de outra marca em uma compra futura. Logo, não é a oferta que cria a demanda, mas o contrário. Como bem cita Mises: “Não é porque existem destilarias que as pessoas bebem uísque; é porque as pessoas bebem uísque que existem destilarias”. Neste sentido, não existe sociedade sem consumo. Desde tempos imemoriais o homem utiliza recursos, lapida ferramentas a fins de favorecer sua sobrevivência. Quando bens mais apurados são lançados no mercado, agraciando os consumidores eles retribuem auferindo lucros.

Outro fator abordado por Fresco é o egoísmo que por sua vez consiste numa característica biológica impressa em nosso DNA e encontrada em qualquer espécie. Está ligado a autopreservação, indenidade e amor próprio. Seres se apegam de forma egoísta a seres, objetos e ideias, porque eles lhe trazem algum prazer. No caso dos seres humanos, dotados de habilidades e amplo convívio social, esta característica bem exploradas é positiva desde que não ultrapasse o espaço alheio (motivo para existência de leis). Tenhamos como exemplo um médico que ambiciona tornar-se o maior cardiologista do mundo. Mesmo que sua intenção seja egoísta, visando somente seu beneficio, seu trabalho beneficiará milhões. Não há reengenharia social que possa mudar a natureza humana. Na EBR, Fresco contra argumenta que as pessoas fariam aquilo que desejassem, deixando fluir suas habilidades, mesmo sem propriedade privada. Todavia, se todos desejassem trabalhar como administradores da linha de produção, quem se disponibilizaria a ser operário? Quem de disponibilizaria a catar o lixo?

A resposta de Fresco para o problema de incentivos é que com a automação estes serviços deixariam de existir. Porém, isto não é verdade. Máquinas precisam de manutenção, o que pode causar desprezo para a maioria das pessoas, visto toda sujeira provocada por lubrificantes etc. E enquanto a bens raros, como uma obra de arte? Não é possível partilhar uma obra de Picasso, a não ser que seja exposta em um museu público. Neste caso, suponhamos que o autor intente permanecer com ela, para desenvolver ideias para uma nova obra. Ao reivindicar tal posse, o autor apenas reafirma os direitos de propriedade. Fresco também ignora ou desconhece a noção de demanda e oferta de mão de obra. Caso haja mais pessoas desejando o trabalho de administrador que de operário, como lidar com o desequilíbrio da demanda? Fariam testes vocacionais inserindo os que possuem maiores inclinações? Uma vez inseridos nestes ofícios e com desgosto, seriam obrigados a permanecer neles ou inativos à espera de uma demanda? Em ambos os cenários a utópica satisfação não ocorreria.

Após esta dissertação, faz-se necessário analisar estas premissas de forma empírica. Será que as nações baseadas no lucro, na concorrência e no individuo são violentas e gananciosas?! As nações mais abertas ao lucro, com menores regulamentações, impostos, e maiores liberdades para o empreendedorismo são Hong Kong, Singapura, seguidas de Austrália, Nova Zelândia, Canadá e Suíça. Diante dados estatísticos, todas estas nações estão entre as menores taxas de violência, são as menos corruptas e estão no topo da qualidade de vida.. Todas possuem ao menos três indicadores no top cinco dos rankings internacionais, seja em educação, saúde, transporte, segurança, lazer etc. Isto porque as pessoas são livres para empreender de acordo com suas próprias ideias, a fins de realizar seus próprios desejos, sem que existam sobre elas, o demasiado peso do Estado.

Fresco argumenta que nenhum modelo fora capaz de resolver problemas sociais. Neste caso, devo citar dois exemplos distintos. O primeiro é de Hong Kong. Esta pequena ilha, extremamente densa e sem nenhum recurso natural, vivia em miséria após a revolução chinesa dizimar milhões e obrigar milhares a fugir para a ilha na década de 1970. Foi quando John Cowperthwaite assumiu as finanças, implantando uma politica de livre mercado, sem burocracias, sem impostos alfandegários e baixíssimos impostos internos. Com isto, a miséria foi praticamente eliminada em poucas décadas. Hoje, a nação encontra-se na 13º colocação em IDH. O mesmo exemplo vem de Singapura. Neste caso questiono?! Como seria a tal “economia baseada em recursos”, em uma nação que não possui recursos? A única resposta viera da livre iniciativa orientada pelos lucros.

singapore_pavilion_world_expo_2010__041Este é um museu em Singapura. Uma nação que vivia em miséria a tres gerações e que agora tem um dos mais elevados padrões de vida, sem pobreza, mesmo sem contar com recursos naturais.

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/28/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-parte-4/

Guerra e capitalismo

O segundo argumento de Fresco sugere que o livre mercado e a propriedade privada dos meios de produção levam ao egoísmo e são causadoras dos grandes conflitos que assolam a humanidade. Em primeiro, devo dissertar sobre violência e instituição privada. Como narrado em outra postagem, Rousseau fora a base teórica para o mito do bom selvagem que sugere que o homem é naturalmente bom, mas corrompido pela sociedade. Esta corrupção se daria pela propriedade, que causaria egoísmo, rivalidade e corrupção entre os homens. Entretanto historiadores, arqueólogos e antropólogos modernos desfizeram este mito, demonstrando que a violência teve uma redução atenuante desde a Idade Média. Em “A guerra antes da civilização”, Lawewnce Keeyley comprova que a probabilidade de um homem morrer por homicídio em período onde não haviam propriedade privada chegava a 60%. Mesmo sem nenhum território ou propriedade estabelecida, as guerra tribuis propiciavam baixas em mais da metade das populações.

Após árduo estudo sobre a violência e sobre a história da Europa, o criminalista Manuel Eisner concluiu que na idade moderna, a redução da violência ocorreria de forma gradativa. Segundo ele, em função da solidez das fronteiras, do advento da democracia, da preservação legal da propriedade privada e dos pactos internacionais. Ao contrário do que especulava Rousseau, os motivos da violência no mundo antigo, naturalmente relacionam-se a ausência dos direitos de propriedades e não o contrário, uma vez que povos e indivíduos disputavam áreas sem que houvesse grandes implicações, como penalidades jurídicas ou boicote geopolítico. Sobretudo, quando analisamos as atuais taxas de homicídio percebemos que as nações que mais preservam os direitos de propriedade e que detém as economias mais voltadas ao livre mercado, são aquelas com as menores taxas de violência, como Mônaco, Hong Kong e Singapura com taxas de homicídio entre 0,0 e 0,1 para cada 100 mil habitantes.

Sobre esta mesma teoria, Fresco prossegue no argumento, citando que as grandes guerras mundiais foram causadas pela “concorrência capitalista pelo poder” ignorando suas histórias.  A Primeira Guerra Mundial surgira da rivalidade entre impérios orientados por políticas econômicas protecionistas e antiliberais: o desenvolvimentismo. A Segunda Guerra Mundial ocorrera em detrimento do fortalecimento do socialismo/marxismo e das sanções protecionistas após as guerras e a crise de 1929. Nazistas e fascistas defendiam um governo antiliberal, tendo como meta, um assistencialismo que visava garantir todo tipo de bens e recursos para a sociedade através do planejamento central da economia. Cabe citar que até mesmo os EUA compartilhavam destas perspectivas através das perspectivas herdadas pelo New Deal. Obviamente a guerra não é um produto causado pelos mercados, mas pela restrição dos mesmos, através do alargamento dos Estados e suas despesas militares, através de tributos que arruínam a economia.

O primeiro a refutar o conceito de que a guerra gerava lucros, fora o francês Frédéric Bastiat através da Falácia de Janela Quebrada. Ele cita o exemplo de um garoto que joga uma pedra na janela de um alfaiate. A primeira vista, isto seria bom para a economia, pois o alfaiate contrataria um vidraceiro, gerando trabalho e renda. Mas isto seria uma visão superficial. Este capital poderia ser destinado ao um padeiro,  jornaleiro ou a qualquer outra finalidade. Na verdade, o vidraceiro e toda sociedade ficaram uma janela mais pobres. Neste sentido, Fresco está correto, embora culpe os agentes errados. O livre mercado é antibelicista.  Guerras não são produto dos investidores locais, mas dos governos que se apoderam de seus capitais para esta finalidade. A doutrina econômica que defende esta perspectiva é o keynesianismo. No mesmo sentido, Fresco é contra a globalização dos mercados. Todavia, estatísticas apontam que os mercados mais entrelaçados tem um risco mínimo de conflito, pois “não se guerreia com quem se comercializa”. Nações voltadas para o livre mercado possuem os menores gastos com defesa ou nem ao menos possuem exercito, como Suíça e Hong Kong.

Referências:

Lawewnce Keeyley – A Guerra antes da Civilização 

Patsy Richards – Homicide Statistics

Global Study of Homicides

Homicide Statistics 2012

dsdadawdawJacques Fresco novamente está correto em seu questionamento, no sentido de que as guerras apenas destroem recursos, todavia está equivocado ao associar a teoria keynesiana com a teoria liberal.

Christiano di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/28/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-parte-3/

A suposta crise do livre mercado

Neste trabalho venho a analisar e refutar a teoria da Economia Baseada em Recursos teorizado pelo escritor Jacques Fresco. Este conceito vem sendo divulgado e defendido através da internet, no geral, por pessoas que entendem pouco ou praticamente nada de ciências econômicas. Segundo o autor, pobreza, violência, corrupção e guerra são geradas pelo sistema econômico monetarista e de livre mercado (uma associação descabida), devido ao fato de ser orientado ao lucro, o que segundo o autor, gera crises e escassezes. Segundo ele este sistema reprime o progresso de tecnologias benéficas à sociedade e utiliza os recursos de forma irresponsável. Fresco defende a ideia de que a produção e a tecnologia sejam destinadas além dos limites lucrativos, o que supostamente propiciaria que os recursos estivessem disponíveis para mais pessoas, produzindo uma abundância de bens e serviços. Todo seu esquema ocorreria via um planejamento central comunitário.

O primeiro argumento de Fresco é a suposta “crise do capitalismo”  e remete a Grande Depressão. Nas palavras do escritor, a crise era injustificável, uma vez que milhares não tinham o que comer, embora existissem fábricas e recursos. Fresco, assim como os marxistas, culpam o mercado pelo colapso da economia mundial, o que é equivocado. Para narrar a crise, memorarei sua história. A grande depressão fora uma crise de superprodução, onde os sistemas de sinalizações contidas nos preços foram severamente distorcidos pela intervenção governamental. Em 1913, os EUA inaugurara o Federal Reserve System, com amplos poderes de expansão monetária. Após a primeira guerra mundial tornara os EUA o principal aliado na reconstrução da Europa ocidental, propiciando o aumento de sua produtividade a fins de manter o mercado externo. Com a reconstrução da indústria européia, não haviam tantos mercados disponíveis e sua industria teve de assimilar estes bens, o ocasionara uma deflação sistêmica, causando uma recessão.

Entretanto, ao invés de permitir a deflação, o FED aumentara a oferta de dinheiro a fins de contê-la. A quantidade de dinheiro disponível aumentara a demanda por bens e serviços igualando-a a quantidade de bens e serviços deflacionários, criando um equilíbrio aparente. Assim fora gerada uma estrutura de preços e lucros deturpada que induzira um grande numero de investimentos de longo prazo através de juros baixos, sem que houvesse poupança real disponível para sustentá-los. A consequência fora que o consumo constante criara um circulo vicioso de investimentos e demanda de crédito, propiciando o aumento da taxa de juros. O FED seguira com sua expansão monetária a fins de impedir a queda de juros para manter o ritmo de investimento. Porem toda esta ilusão monetária não duraria para sempre e em 1928 o nível dos preços começou a se elevar. Em contramedida o FED reduziu o ritmo de oferta monetária o que finalmente propiciara a elevação das taxas de juros. Os investimentos aparentemente lucrativos em longo prazo revelaram-se não lucrativos mediante as novas taxa de juros, acabando com boom, colapsando no crash da bolsa em 1929.

Portanto, a manutenção dos níveis dos preços em uma economia dinâmica pela interferência de um Banco Central é o inicio de seu colapso. Logo, o crack de 1929 jamais ocorreria sem a indevida intervenção estatal capaz de arruinar a economia e alargar os efeitos naturais da recessão com suas contramedidas. Estas mesmas intervenções foram vetores das crises de 1973, 1990, 2008 e 2011. Neste sentido, Fresco parece desconhecer as definições básicas das correntes econômicas. O livre mercado é contrário à existência de um banco estatal responsável pela  impressão de papel moeda sem lastro, como bem descreve Adam Smith em A Riqueza das Nações. A economia de livre mercado baseia-se no padrão ouro, ou seja: em riquezas reais e tangíveis e no cunho privado da moeda.  Diferentemente do que Fresco alega, o defensor de um Banco Central é na verdade Karl Marx, que teorizara tal suposta necessidade em O Manifesto do Partido Comunista, como uma das ferramentas exigidas para a transição dos poderes da burguesia para o proletariado.

Referências:

Hans Sennholz – A Grande Depresão

Murray N. Rothbard – A grande depressão americana

Adam Smith – A riqueza das nações

Karl Marx – O manifesto do partido comunista

adadaFresco esta correto ao atacar o FIAT money e ao citar os efeito catastróficos das crises financeiras, embora confunda suas origens, associando ao livre mercado.

Christiano di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/28/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-parte-2/