Capitalismo: uma das maiores conquistas da humanidade

Publicado: dezembro 26, 2018 em Livre Mercado e progresso

Considerações Iniciais

Não é nenhum exagero afirmar que a economia de mercado seja uma das maiores conquistas da humanidade uma vez que as evidências históricas servem como pressuposto argumentativo. Deve ser feito em nome das evidencias visto que sem elas não praticamos ciência, mas mera perspectiva ideológica. Resta agora delinear quais evidencias são tão atenuantes uma vez que são pouco descritas de forma científica. Para tanto este artigo fará um pequeno esboço visto que seriam necessários milhares de páginas somente para narrar às principais facetas deste grandioso e multifacetado sistema de relações sócio-econômicas.

Primeiramente; o que é uma economia de mercado ou vulgarmente “capitalista” e como ela funciona?! Uma economia de mercado é baseada na propriedade privada dos meios de produção, trocas voluntárias, livre concorrência, sistema de preços livre, acumulo de capital, relação de trabalho contratual, princípio de não-agressão. Sua origem remota ao final da idade média, quando as populações passaram a viver de seus ofícios em pequenos vilarejos chamados de burgos. Os burgueses foram responsáveis pela Revolução Francesa o que culimaria no surgimento da democracia liberal; direitos individuais; fim da escravidão; sufrágio feminino, igualdade de gênero etc.

Para entendermos os efeitos da economia burguesa faz-se necessário uma análise criteriosa e levando em conta o histórico de nações e blocos, uma vez que ela se distribuiu de forma desigual sobre o mundo. Para tanto serão analisados os impactos do capitalismo global dos últimos assim como dos distintos resultados nacionais. Visando compreender os efeitos de políticas macroeconômicas serão contrastados indicadores socioeconômicos, o modelo econômico vigente e os índices de Liberdade Econômica. Estes índices são responsáveis pela medição de quanto determinada economia está inclinada para o mercado.

Análise Histórica e Científica

Não resta dúvida que o capitalismo tenha se tornado um sistema global, algo que se consolidou a partir da segunda metade do século XIX. Neste período Japão, Escandinávia, Europa Continental e Norte da América mergulharam numa forte processo de industrialização, muitas vezes marcado guerras comerciais, protecionismos e imperialismos antiliberais. No entanto não há nenhum deles que não deva seu grande sucesso à tão atacada economia de mercado. Um dos fatores cruciais para o sucesso de um economia capitalista é sua capacidade de gerar riquezas.

Até o início da Revolução Industrial e do surgimento da economia de mercado o PIB per capita permaneceu quase que inalterado. Com o capitalismo a crescente acumulação de de capital possibilitou investimentos mais elevados na melhoria dos meios de produção, ampliando a capacidade produtiva – o que justifica a consideração de que a economia não seja um “bolo fixo” de recursos limitados em que “para um ganhar o outo deve perder”. A espantosa curva da produtividade mundial demonstra que o capitalismo é o maior produtor de riquezas de toda história da humanidade:

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Há de se ressaltar que o crescimento do PIB mundial não se deu de forma homogênea visto as particularidades históricas, políticas e econômicas de cada nação. Logo a taxa de crescimento não é a mesma num dado grau de desenvolvimento da economia – devido a esta desproporcionalidade. Independente de quanto cresce o PIB devemos compreender que o “crescimento ótimo” é aquele em que a produtividade se amplia acima do crescimento populacional. Ao tratamos de renda per capita notamos uma correlação de crescimento a longo prazo relacionado ao grau de inserção em políticas de livre mercado dando destaque a Singapura:

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Devemos ressaltar que o aumento da produtividade e condições de livre concorrência possibilitou o aumento não somente o aumento do PIB per capita, como a renda média domiciliar. Embora este crescimento não seja proporcional é sem duvidas exponencial. Um exemplo claro de desproporcionalidade com crescimento exponencial é os EUA onde o aumento da GDP per capita tem se mostrado mais elevado que a média salarial. No entanto o aumento da renda média real estado-unidense cresceu cerca de 120 vezes entre 1947 à 2013. De toda forma os países mais capitalistas são aqueles que mais elevaram a média salarial. Em alguns casos como da Grã Bretanha estes aumentos ocorreram acima do PIB per capita:

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Fonte: Office for National Statistics – Governo do Reino Unido

Como descrito por Mises em A Ação Humana o acúmulo de capital propiciou não somente o incremento da tecnologia com fins produtivos, mas também propiciou o aumento da segurança ergonomia, reduziu os esforços humanos, conduzindo a uma demanda de mão de obra cada vez mais especializada. Unindo esta perspectiva à gradativa redução da taxa de desemprego implica na ampliação do poder de barganha dos trabalhadores. Os trabalhadores passaram a obter maiores vantagens em termo de renda, melhoria das condições de trabalho, carga horária, benefícios sociais, participação nos lucros etc.

As evidencias históricas também são claras no que tangem a demonstração de que o capitalismo é o grande provedor de benfeitorias para a classe trabalhadora devido  a sua própria natureza acumulativa e não o contrário, como rogam seus defensores. Cabe também lembrar o quanto é presunçosa e equivocada a alegação de que as condições trabalhistas somente melhoraram graças as pressões de sindicatos e através da promulgação de leis trabalhistas – cujos efeitos de suas políticas geralmente são contrários as intenções. Como demonstrado por Robert Whaples à jornada semanal média vem caindo progressivamente nos EUA desde 1830 independentemente de regulamentação:

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O aumento da produtividade e da oferta bens e serviços de produz preços mais baixos forçando os empresários a desenvolverem tecnologias mais econômicas e lucrativas ou buscarem novos mercados. Estas perspectivas culminam na necessidade de uma globalização econômica; a busca por novos mercados consumidores e recursos produtivos. Bens, serviços, empresas, capital e conhecimentos passam a migrar pelas fronteiras, gerando empregabilidade, renda e poder de consumo. A globalização econômica associada à liberdade comercial é um forte vetor de desenvolvimento socioeconômico.

Há uma série de estudos como de Andreas Bergh e Therese Nilsson que comprovam que a abertura comercial está relacionada à redução da pobreza global:

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O competitivo mercado global incrementa a tecnologia a tal ponto que a obsolescência e o descarte de alguns bens e serviços tornam-se costumeiros como evidenciado na alta-tecnologia. O que é caro e inacessível num dado momento, noutro estará obsoleto e disponível as camadas mais pobres, o que reduz a pobreza relativa. A demanda por mão-de-obra mais barata redistribui os fatores de produção para países mais carentes criando empregos que não existiriam até então, assim reduzindo a pobreza absoluta. Devido a estas características intrínsecas do capitalismo as nações desenvolvidas foram capazes de obter níveis de qualidade de vida inéditos se comparado a qualquer outro período histórico.

Está claro que desde o surgimento do capitalismo industrial a pobreza extrema tem caído progressivamente, mesmo com o aumento exponencial da população:

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Em 1980 quase 45% da população viviam em miséria extrema. Em 2018 menos de 10%. Há várias projeções quanto à redução da pobreza extrema nas próximas décadas. Estima-se que a partir de 2030 a miséria extrema será totalmente eliminada.

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Em nenhum outro período da história os índices de pobreza estiveram tão baixos como está clara a correlação deste fato com o surgimento da revolução industrial, economia de mercado e globalização. O comercio global e a migração de capital como o “hot money” impõe outra faceta ao capitalismo moderno: a redução da corrupção. Neste novo cenário globalizado e competitivo as nações buscam se tornar mais atrativas para investimentos estrangeiros o que torna necessária estabilidade política e econômica. Para tanto é crucial que o país seja transparente e compromissado com o combate a corrupção. Quando correlacionamos o Índice de Liberdade Econômica da Heritage aos índices de corrupção há uma clara correlação entre liberdade e justiça:

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Outra grande conquista social do capitalismo é o aumento da voluntariedade, alavancada pelos países mais capitalistas. E o motivo é bastante simples: o capitalismo embora seja um sistema baseado na competição tem como pano de fundo a cooperação. Empresas privadas tal como times de futebol precisam agir de forma coordenada para atingir determinado objetivo cooperativa. É necessária coordenação entre os múltiplos esforços entre os setores de contabilidade, custos, processos, operações, logística, dentre outros, para que uma empresa possa ser bem sucedida num mercado livre, globalizado e competitivo. Esta cooperação passa a enraizar a cultura, tanto quanto a mera competição por cargos e salários ou entre empresas.

Ao relacionarmos o Índice de Liberdade Econômica da Heritage ao de Solidariedade Global a correlação torna-se evidente:

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Outro Índice de Liberdade Econômica que podemos utilizar para demonstrar os resultados positivos da economia capitalista é produzido pelo Fraser Institute. Através deste índice é possível constatar uma série de indicadores sociais oriundos das mais diversas organizações internacionais, tendo como base o grau de liberdade econômica. Os resultados demonstra que o quão livre economicamente fora a nação, maior será sua colocação quanto a qualquer indicador social, seja o grau de prosperidade, longevidade, educação, infraestrutura, felicidade etc. Para que este artigo não fique demasiadamente extenso – como proposto a princípio – citarei apenas cinco relações:

a) Relação Liberdade Econômica e Liberdades Civis:

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b) Relação Liberdade Econômica e Igualdade de Gênero

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c) Liberdade Econômica e Taxa de Mortalidade Infantil

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d) Liberdade Econômica e Expectativa de Vida:

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e) Liberdade Econômica e Felicidade

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Quando analisamos quais quer indicadores socioeconômicos encontramos uma correlação  evidente entre qualidade de vida e liberdade econômica. Seja na mensuração da economia, liberdades civis, satisfação individual, escolaridade, saúde, infraestrutura, segurança, justiça a “Riqueza de uma Nação” de fato está relacionada a liberdade concedida pelo Estado aos indivíduos para gerir seus recursos a partir da propriedade privada de forma livre e contratual. Isso apenas reafirma o sucesso das livres relações comerciais; uma marca das democracias liberais, capitalistas e industriais. A comprovação desta perspectiva evoca a necessidade de sua difusão, visando espalhar suas benesses para que possamos viver num mundo mais humanístico e justo.

CONCLUSÃO

Em face as evidencias não resta qualquer dúvida da eficiência do sistema capitalista quanto à sua eficiência acima de qualquer outro já experimentado.Ao final não resta sobra de dúvidas que o capitalismo seja o maior vetor de progressos da humanidade em todos os tempos. Este grandiosos e multifacetado sistema propiciou avanços inimagináveis na tecnologia, aumentou a produtividade, reduziu a pobreza a um nível historicamente inimaginável, triplicou a expectativa de vida, ampliou a renda em centenas de vezes, agregou a qualidade de vida do homem comum em níveis jamais vistos.  A economia de mercado surge como um sistema social baseado nas livres relações econômicas além de vetor da democracia, prosperidade e paz.

 

REFERÊNCIAS

BERGH Andreas e NILSSON Therese. Do Liberalization and Globalization Increase Income Inequality? 2013.

Center for International Comparisons at the University of Pennsylvania. Penn World Table. U.S. Global Investors. 2010

Charities Ai Foundation. World Giving Index. 2014

GWARTNEY James and LAWSON. Robert Lawson. Economic Freedom of the World: 2005 Annual Report. Fraser Institute.

The Wall Street Journal and Heritage foundation. Index Economic Freedom. 2018

United Nations Development Programa. Avarage Economic Freedom Panel Score 1995-2016. 2016

VON MISES, Ludwig. Human Action. 1949

MADISSON, Angus. Statistics on Wold Population. GDP an Per Capita. GDP.!-2008-AD

WHAPLES Robert. Modern Economic Issues. 2008

Word Bank.World Poverty in absolute numbers. 2015

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Times Square: um ícone da cultura pop e de capitalismo estado-unidense

Christiano Di Paulla

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