Os problemas na África, Oriente Médio e a questão dos refugiados

Publicado: setembro 10, 2015 em Problemas globais
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Nos últimos meses, a mídia global se voltou para o problema dos elevados fluxos migratórios na Europa. Desde o início de 2015, mais de 300 mil pessoas tentaram chegar ao continente através de travessias perigosas pelo Mediterrâneo. Segundo a ONU, 62% destas pessoas são refugiados que fogem do terrorismo e de conflitos armados. Os demais são imigrantes que buscam melhores condições. Estes fatos evidenciam dois grandes problemas globais; a violência sistêmica e a pobreza. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, cerca de 60 milhões de pessoas em todo mundo, não estão assentadas devido a conflitos armados. Desde total, 19,5 milhões buscam asilo em outros países. Já a miséria extrema atinge mais de um bilhão de pessoas, embora esteja caindo gradativamente, como informa o último relatório do Banco Mundial. Quais as causas destes problemas e como revertê-los?! É o que discorrerei neste artigo, sem demagogia ou receitas superficiais.

Os principais refugiados vem dos confrontos no Oriente Médio. Após a Primavera Árabe em 2011, quando a população tentou derrubar o ditador Bashar al-Assad, houve uma fragmentação do poder sobre o território sírio. Governistas, disputaram território com rebeldes e com radicais da al-Nursa. O conflito abriu espaço para o Estado Islâmico que passou a controlar mais de 50% do território. No Afeganistão o fluxo de refugiados tem quatro fases: invasão soviética (1978 a 1989), guerra civil (1992 a 1996), regime do Taleban (1996 a 2001) e intervenção norte-americana, após os atentados do 11 de setembro. Embora 3,8 milhões de afegãos que se refugiaram no Paquistão tenham retornado após a intervenção norte-americana, a insurgência do Taleban fez ressurgir a imigração. No Iraque, confrontos entre xiitas e sunitas, arbitrariedades no governo de Nouri al-Maliki após a saída da coalisão e a fragilidade das fronteiras durante os conflitos sírios, permitiram o avanço do EI, gerando mais refugiados.

Na África não é diferente. Desde que Isaias Afwerki tornou-se o primeiro presidente da Eritreia, o país sofre com a opressão militar e com uma economia planificada, sendo chamado de Coreia do Norte africana. Após a queda do terrível ditador marxista Siad Barre em 1991, a Somália passou a sofrer conflitos internos e com instabilidade política. Milícias islâmicas como do al-Shabaab, geraram 1 milhão de refugiados. Na Nigéria, conflitos com a milícia islâmica Boko Haram, que controla grande parte do país e serve ao EI, produziram 1,3 milhões refugiados. Além disto, parte do mundo sofre com a pobreza que advém de vários fatores. Grande parte dos países pobres possuem governos autoritários e corruptos ou aderiram a um modelo de economia planificada, eliminando sua produtividade, devido a influência soviética na África, Ásia e Oriente Médio (1960-1990). Exceções, prosperam consideravelmente (Maurício e Botswana). Além disto, há o problema seca que reduz as áreas necessárias para pastagem e agricultura.

Diante tais problemas, milhares migram para o ocidente em busca de um sistema político estável, liberdades civil, segurança e prosperidade. Todavia, a imigração não é bem vista por todos. Alguns alegam que os imigrantes prejudicarão a economia, além de “roubarem empregos”. Entretanto, a quase totalidade dos imigrantes fornecem mão de obra pouco qualificada, atuando em setores cuja demanda não é suprida pela mão de obra local. Isto libera a mão de obra local para atividades ainda mais produtivas, agregando a economia. Mas a grande maioria receia quanto a terroristas disfarçados entre os refugiados. Embora países desenvolvidos tenham leis severas quanto a identificação e registro, não há como garantir a segurança. Terroristas poderão (com toda certeza) usar os refugiados como “cavalo de troia” para promover futuros ataques. A única saída é usar de todo sistema de inteligência, para os riscos e redobrar a segurança. Atentados, prisões e deportações não serão incomuns.

Alguns receiam quanto a “islamização radical” da Europa pelo crescimento da intolerância religiosa, dissolução do laicismo e do Estado de direito etc. Isto ocorreria já que a natalidade europeia é baixa, enquanto a muçulmana é alta, levando a um repovoamento islâmico. Embora alguns chamem isto de xenofobia, não é. A maioria dos imigrantes vem de países tomados pelo fundamentalismo e crimes motivados pelo extremismo não são incomuns. Atitudes barbaras também são presenciadas em recém refugiados. Ilhas gregas estão sendo depredadas e fundamentalistas rejeitaram comida na fronteira da Grécia com a Macedônia, devido ao símbolo da cruz vermelha. Este comportamento é nocivo para o ocidente que consolidara seu sistema pautado no racionalismo, na liberdade civil e econômica. Caso imigrantes sejam aceitos, devem ser educados quanto a leis e costumes e a Europa deve incentivar o repovoamento local. Lembrando; nenhum país é obrigado a aceitá-los nem deve ser condenado por isto.

Mesmo que todas estas medidas sejam tomadas, a imigração persistirá até que a raiz do problema seja atacada. Grupos extremistas e ditadores não aceitam diplomacia e não fazem concessões. O único modo de derrota-los é pela força, mas os governos da Síria, Iraque e demais nações, não possuem meios para isto. Deve haver uma intervenção estrangeira, mas jamais, como pretende EUA e França; armando rebeldes locais. A história prova que isto alimentará uma nova guerra, uma vez que o inimigo comum seja derrotado. A OTAN deve lançar suas tropas sobre os territórios dominados pelo terror pessoalmente, uma vez consentido pelas nações ameaçadas. Uma vez que estes criminosos estejam derrotados, a reconstrução política orientada pela ONU e econômica orientada pelo FMI será fundamental. O ocidente deve auxiliar a defesa destas nações, em seu desenvolvimento, promover a cultura da democracia e da tolerância, para que a miséria e o fundamentalismo sejam erradicados. O menor dos problemas é a seca, que pode ser erradicada com investimentos na dessalinização da água do mar.

Conclusão:

O problema dos fortes fluxos migratórios só acabarão quando ninguém for mais forçado a abandonar seu país em face as privações da miséria e da guerra. Esta crise é global e deve ser abraçada por todos. Portanto é necessária uma ação conjunta, firme e bem definida, cujos custos ainda não podemos definir. Entretanto é melhor arcar com estes custos agora, que permitir que mazelas maiores se multipliquem para o futuro!

Se você é daqueles que acha que há outro caminho para deter o EI senão o militar, tente convencê-lo!

Se você é daqueles que acha que há outro caminho para deter o EI senão o militar, tente convencê-lo!

Christiano Di Paulla

comentários
  1. Babi disse:

    foto agressiva

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