A falácia da dívida histórica

Publicado: setembro 4, 2015 em Falácias socialistas
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Uma das marcas mais atenuantes dos movimentos socialistas contemporâneos é sem dúvidas seu suposto discurso em defesa das minorias. Mas o que esta inclinação retórica realmente visa é a separação da sociedade em classes, raças e credos, a fins de incitar a uma conhecida tática marxista, que nas palavras de Cesar é resumida como “dividir e conquistar”. Desde Marx, eles compreendem que um povo dividido é mais facilmente manipulado e conquistado. Porém este novo discurso se difere de sua abordagem clássica. Marx alegava que nos países mais capitalistas a qualidade de vida dos trabalhadores decairiam e eles seriam cada vez mais numerosos, servindo assim ao ideal revolucionário. Todavia, nada disto ocorreu. A qualidade de vida melhorou gradativamente e os pobres se tornaram classe média. Até mesmo nos países menos capitalistas, a maioria da população tem uma inclinação natural para as finanças pessoais e para o comércio, sem tender ao socialismo. Diante este fracasso, os socialistas de nosso tempo se focaram nas minorias, a fins de conglomerá-las numa grande massa de manobra.

Contraditoriamente, as minorias que hoje são defendidas pelos socialistas, foram seus alvos no passado – com exceção dos judeus. Podemos citar negros, homossexuais, mulheres e indígenas e etc. Todavia, o objetivo deste texto não é discorrer a respeito das perspectivas preconceituosas de Marx, Engels, de seus antecessores e sucessores, mas focar nos motivos pelos quais, o discurso em prol das minorias é equivocado ao exigir retratações de uma suposta dívida histórica. Dívida histórica é um termo usado para afirmar que a população do presente deve pagar pelas injustiças que indivíduos, populações ou governos do passado, cometeram contra algum grupo. Em exemplo poderíamos dizer que a Alemanha teria uma suposta dívida histórica com os judeus, em função do Holocausto praticado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Da mesma forma, a Europa teria uma suposta dívida histórica com o continente africano, em face a colonização. Já o Brasil teria uma suposta dívida histórica com os negros, graças à escravidão negra que existiu no Brasil até 1888.

Os erros fundamentais destes argumentos são nítidos; o conceito de “dívida histórica” é anacrônico e penaliza terceiros. Não existem devedores vivos para que tal dívida possa ser cobrada. Portanto ela prescrevera. E mesmo que os descendentes dos responsáveis pela escravidão pudessem ser localizados, jamais poderiam ser penalizados pelo que fora feito por seus antepassados – em qualquer legislação do mundo. Por fim, não há qualquer ligação entre o governo, a constituição ou entre a população atual com os eventos daquela época. Os brancos de nossa época, descendem de imigrantes europeus que fugiram da opressão em países como Itália, Espanha ou Alemanha que chegaram no Brasil no início do século XX, quando já não havia mais escravidão – mesmo período em que chegaram os descendentes de asiáticos. Já os pardos que representam quase metade da população são descendentes de uma mistura de inúmeras etnias com origens e histórias distintas. Não obstante, estas não são etnias “puras”. O brasileiro é sem dúvidas, um dos povos mais miscigenados do mundo.

Ao contrário do que ocorreu com os judeus que foram indenizados pelo holocausto, uma vez que seus algozes estavam vivos e poderiam pagar por isto, o conceito de dívida história no Brasil é anacrônico e mais: fere o Estado de Direito, uma vez que qualquer retratação do governo atual, dependeria de de tributos pagos por toda a população, penalizando terceiros quando falamos de pensões. Assim, pagam pelo crime que não cometeram, para aqueles que não o sofrera. Quando falamos do tipo mais comum de retratação exigida: as cotas no sistema de ensino, penalizamos estudantes cujas medias são mais elevadas. Além disto, não há nada que possa provar qual a etnia de uma pessoa em nosso país nem mesmo um teste de DNA como ocorrera com os gêmeos idênticos Alan e Alex Teixeira da Cunha que foram declarados branco e negro pelo sistema de cotas da UNB em 2007. Para agravar, no Brasil negros e índios são classificados no sistema de cotas ao lado de deficientes. Isto demonstra um preconceito velado, como se estes indivíduos possuíssem alguma debilidade; que não possuem.

Quando o Estado, impõe que determinados indivíduos sejam aceitos em universidades sem que suas capacidades sejam relevadas ele tenta encobrir sua falha; um sistema público de ensino médio e fundamental decadentes. E neste ensino, não encontramos apenas negros ou pardos, mas estudantes pobres de todas as etnias. Por este motivo, estudantes mais pobres não são capazes de adentrar em uma universidade de qualidade, passam anos em pré-vestibulares e ao final, muitos desistem. Os motivos são simples. O economista norte-americano Thomas Sowell escreveu um estudo empírico chamado “Ações Afirmativas pelo Mundo”, no qual analisa as políticas de cotas. Ele chegou à conclusão de que todos elas – sem exceções – falharam no que buscavam. Muitos estudantes abandonavam os estudos, por não serem capazes de acompanhar as aulas. Em alguns casos, estas medidas apenas segregara populações, ampliando preconceitos. Segundo Sowell, lançar alunos que não tiveram um ensino de base de qualidade em universidades bem estruturadas não modificará seu histórico. Isto apenas encobre erros de gestão.

Conclusão:

O conceito de dívida história em muito é citado pelas militâncias socialistas a fins de fomentar uma luta de raças, e eles têm obtido certo êxito ao gerar ódio entre os que apoiam esta perspectiva, com relação aos que se opõe. Entretanto uma vez que analisemos o tema, podemos notar que o conceito de “dívida histórica” é uma falácia anacrônica, que penaliza inocentes e que gera uma série de ações afirmativas que não possuem qualquer resultado positivo; senão ocultar os reais problemas, como no caso das debilidades do ensino de base. E mesmo que qualquer um destes argumentos estivesse correto, nem ao menos haveriam meios de atestar quem é ou não negro, quem merece ou não uma retratação, visto tamanha miscigenação. Os socialistas visam impor tais “retratações” porque elas atingem a igualdade diante a lei, implicando na espoliação para fins de outros – o que fere o direito de propriedade. É um dos passos do marxismo cultural para o retrocesso e degradação da sociedade democrática e capitalista.

Referências:

Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior

CENSO 2010

Ações Afirmativas pelo Mundo – Thomas Sowell

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Christiano Di Paulla

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