A ignorância econômica de Einstein

Publicado: julho 2, 2015 em Falácias socialistas

O artigo “Porque o Socialismo”, escrito por Albert Einstein para a publicação de Maio de 1949 da revista Monthlty Review, é constantemente usado pela esquerda, como um pressuposto da superioridade intelectual de sua ideologia. Neste sentido, o conteúdo é o menos importante, afinal fora escrito por um pensador notório. Entretanto, tal afirmação, não é mais que mero apelo a autoridade, uma vez que o texto traz nada de novo para o debate político e econômico de sua época. Embora Einstein admita não ser versado em ciências econômicas e sociais, permite-se avançar num campo que desconhece – o que não se difere de um pintor que disserta sobre os procedimentos de uma cirurgia bariátrica para o controle de diabetes. Como cita o economista Murray Rothbard: “Não é crime ser ignorante em temas de economia, que é, afinal, uma disciplina especializada. Mas é totalmente irresponsável ter uma opinião enfatuada em assuntos de economia, enquanto se permanece num estado de ignorância”.

Einstein inicia o texto abordando a questão epistemológica, alegando que ambas as ciências (naturais e sociais) visam descobrir leis que sejam aceitáveis de modo generalizado, mas que mesmo assim se diferem já que as leis econômicas seriam obscurecidas pela classe política dominante ao longo da história. Entretanto a era capitalista seria diferente, pois os fatos observáveis que derivam desta fase exclusiva, não se aplicam a outras fases, já que o poder econômico teria transcendido o poder político. Em contramedida, o socialismo buscaria transcender esta fase, o que impediria a ciência econômica da época, de prever a sociedade socialista do futuro. De fato, a sociedade capitalista se difere das anteriores, onde o status atribuído de geração em geração propiciava a continuidade do poder. Nela, o lucro derivado da satisfação dos consumidores é a única garantia de riquezas. Todavia, Einstein se equivoca, chegando ao nível da superstição ao dizer que não podemos narrar os meios no qual o socialismo se aplicaria – eis a falácia da teoria irrefutável, onde se argumenta com uma hipótese que não pode ser testada.

Tendo em bases os pilares teóricos da perspectiva socialista do socialismo utópico ao marxismo e a socialdemocracia, e seus experimentos desde os falanstérios de Fourier até a Revolução Russa é possível traçar possíveis alternativas, tendo em base conceitos e resultados. É exatamente por isto que o socialismo não mudou muito desde o surgimento; é pautado na coletivização dos meios de produção através do poder estatal. Na sequência, Einstein alega que a finalidade do socialismo é ética e social, diferentemente das ciências naturais que busca apenas os meios de alcançar resultados. As finalidades sociais só poderiam ser alcançadas por pessoas com ideais éticos elevados, cujas premissas seriam adotadas pela sociedade, determinado sua evolução. Nada é mais equivocado, imoral e arbitrário que considera que algum ser iluminado tenha ciência de tudo, acima do conhecimento oculto de milhares de indivíduos. Tal visão da economia, retira toda sua imparcialidade a respeito da ação humana, cujo objetivo é prescrever leis baseadas na observação.

Einstein prossegue o artigo alegando que a humanidade teria entrado em decadência, graças a sua indiferença e assim descreve sua concepção de sociedade moderna a partir do homem. Para ele, o homem seria solitário e social. A parte solitária estaria ligada a proteção de sua existência física, a satisfação dos desejos e o desenvolvimento de certas habilidades. Como social, o homem buscaria o reconhecimento e a afeição alheia, compartilhando do que dispõe. Estes aspectos seriam influenciados pela estrutura da sociedade, como valores e tradições. Assim o homem estaria irredutivelmente interligado a esta totalidade social, já que ela lhe forneceria tudo; comida roupas, lar, linguagem, formas de pensar, companheiros e etc. Entretanto, uma vez que a densidade demográfica conduziu a divisão do trabalho e a centralização produtiva em mãos privadas, a sociedade tornou-se uma comunidade de produção e consumo. É neste ponto, que Einstein explicita sua inclinação para o marxismo e tece sua defesa do socialismo:

“O proprietário dos meios de produção está em posição de comprar a força de trabalho do trabalhador. Usando os meios de produção, o trabalhador produz novos bens que se tornam propriedade do capitalista. O ponto essencial deste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e aquilo que lhe pagam, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que a contratação do trabalho é “livre”, o que o trabalhador recebe não é determinado pelo valor real dos bens que ele produz, e sim por quais são suas necessidade mínimas, bem como pela relação entre a demanda por força de trabalho por parte dos capitalistas e o número de trabalhadores que competem por empregos. É importante entender que nem mesmo na teoria o pagamento do trabalhador é determinado pelo valor do seu produto.”

Neste trecho, Einstein descreve a teoria marxista da mais-valia, demonstrando que nunca ouviu falar da Revolução Marginalista (1870-1874). Este merco na história das ciências econômicas se inicia pela derrubada da teoria do valor do trabalho, no qual os bens seriam precificados pela quantidade de trabalho empregue em sua produção. Como demonstra Menger, o valor dos bens é determinado pela necessidade subjetiva dos consumidores e flutua diante as leis de oferta e demanda. Não é a quantidade de trabalho que gera valor ou define a remuneração. Já Böhm-Bawerk explicita o óbvio; o processo econômico demanda tempo e é incerto. Pode-se empregar mil trabalhadores para fabricar um milhão, que levarão semanas para sempre produzidas e que mais tarde, depois de enviadas ao vendedor final, podem não encontrar nenhum comprador. Como trabalhadores, locatários e fornecedores de insumos possuem necessidades imediatas, eles se abstém riscos, recebendo um rendimento fixo mensal pelo auxílio à produção.

Einstein prossegue alegando que os proprietários usam dos meios de produção como bem entendem em busca do lucro, e portanto, a produção não estaria voltada ao uso. Cabe citar, quem é que define o valor de uso?! Pode-se alimentar-se por necessidade ou por degustação. Uma pessoa pode preferir roupas claras e outras escuras. Quem define a utilidade são os consumidores. Para que haja lucro, os proprietários dos meios de produção. Sobretudo, para haver lucro, deve haver demanda. Os proprietários usam seus meios devem satisfazer tais necessidades a um preço aceitável, senão os concorrentes o farão. Embora Einstein também afirme que a competição levaria há um gigantesco desperdício de força de trabalho e a “deformação da consciência social”, a realidade é absolutamente contrária. Como os recursos privados são escassos, os empreendedores buscam maior rentabilidade com menores gastos. Como o consumo se baseia na renda, o consumidor estará sempre atento buscando uma aliança entre custo/benefício.

Os equívocos do físico Alemão não param por ai. Segundo ele, o progresso tecnológico levaria ao desemprego ao invés de aliviar o peso sobre o trabalhador. Todavia, foi justamente o progresso tecnológico e a ampliação da divisão do trabalho que possibilitaram a melhoria das condições de trabalho. As máquinas tornaram-se cada vez mais seguras, limpas e produtivas. Isto ajudou a encurtar a jornada de trabalho e prevenir acidentes. A mão de obra que supostamente estaria fadada ao desemprego se realocou para setores emergentes, equilibrando a oferta de mão de obra. Atualmente os países mais industrializados, tem as menores taxas de desemprego e demandam de mão de obra estrangeira, ao contrário do que rogava Einstein. O trabalhador não ficou desempregado, seu rendimento salarial e sua qualidade de vida tem crescido anos pós anos. Todavia, as economias menos voltadas a industrialização e ao mercado, são as que estão em piores condições.

Einstein conclui o artigo defendendo uma economia baseada no planejamento central, ajustada a supostas necessidades da comunidade. Ele também adverte que este tipo de economia poderia ser acompanhada por uma escravidão completa do indivíduo. A realização do socialismo exigiria a solução de alguns problemas como a centralização do poder político e econômico e a burocracia consequente frente a proteção dos direitos humanos. Qual a solução?!  Simplesmente não há solução. A história prova que todas as tentativas de implantar este sistema, resultaram somente na total submissão do indivíduo. Anos depois da morte de Einstein, Hayek escreveu O Caminho da Servidão, no qual fala sobre os engôdos do socialismo e do planejamento central. Segundo ele, o planejamento central falha, porque o conhecimento a respeito dos agentes econômicos é extremamente disperso. Um conjunto de burocratas é incapaz de prever a escassez, demanda, inovação ou demais aspectos econômicos. Na medida em que falha, o povo se revolta, e o meio de impedir isto é pela repressão.

Conclusão:

Anos mais tarde à publicação da mais famosa obra de Hayek, o planejamento central desmoronou com o fim da URSS. Não importava quantos matemáticos estivessem envolvidos nas tomadas de decisão; o cientificismo econômico defendido por Einstein falhara por completo. As democracias que mais se desenvolveram, melhorando a vida do trabalhador foram justamente aquelas ordenadas pelo mercado e pela competição tão questionada pelo físico. Embora Einstein seja um dos maiores cientistas de todos os tempos, tendo agregado a história do pensamento humano com teorias tais como a Relatividade Geral, não era instruído em economia e cometeu um erro brutal ao perder seu precioso tempo redigindo este artigo. É lamentável, mas perdoável diante suas notáveis contribuições.

Biografia:

Porque Socialismo?! – Albert Einstein

História da economia política – George Stingler

O Caminho da Servidão – Friedrich Hayek

Fonte para o artigo de Einstein na íntegra: https://www.marxists.org/portugues/einstein/1949/05/socialismo.htm

einstein_fail_1

Christiano Di Paulla

comentários
  1. Zilda Mara disse:

    Ótimo texto ! Esclarecedor e muito bemescrito !

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s