A tragédia do novo estatismo grego

Publicado: junho 30, 2015 em Keynesianismo

Certa vez, o celebre economista Milton Friedman, Nobel de economia em 1976, proferiu uma de suas raras frases infelizes: “O governo nunca aprende, são pessoas que aprendem.” Atualmente, testemunhamos uma evidência deste equívoco através da atual situação grega. Por anos, a Grécia foi governada por partidos que gastavam muito, cedendo todo tipo de regalias a seus servidores. Antes da crise em 2008, o volume da dívida pública grega já chegava a exorbitantes 250% das receitas do governo. Mas mesmo com a crise, não pararam de gastar. Três anos depois, o volume chegou a 400% das receitas do governo e atualmente alcança 177% do PIB. Esta hipertrofia do Estado ocorreu de forma bem distinta que nas demais nações europeias (como Portugal e Espanha), devido a inclinação do governo grego em tomar somas altíssimas de empréstimos internacionais. Embora alguns digam que a crise foi causada pela taxa de juros cobrada sobre a dívida, não é verdade. Em 2011, os juros estavam em 4% do PIB, além do mais elevado prazo de vencimento para uma dúvida na UE.

A única medida cabível para socorrer a economia grega seria uma medida de austeridade bem estudada; levando em consideração um profundo corte nos gastos públicos, privatizações a fins de reduzir as funções e gastos do Estado, além de arrecadar fundos para quitar seus débitos e a desregulamentação econômica, visando estimular o empreendedorismo. Isto obviamente causaria algumas no setor público, em geral, nos setores mais ineficientes e estimularia o setor privado. Entretanto, mesmo que a história tenha revelado que este seja o único caminho e não aquele tomado pelos governos anteriores, o povo grego insistiu em defender um Estado amplo e intervencionista. Esta atitude se manifestou nas urnas, através da eleição do marxista Aléxis Tsípras para o cargo de primeiro ministro, sob a bandeira de combater a austeridade e ceder todo tipo de serviço estatal supostamente gratuito – sob o custo real de tributar e endividar ainda mais. A resposta foi imediata; a insegurança dos mercados e a queda nas bolsa de valores em todo mundo.

Para infelicidade grega, a maioria de seus eleitores não memoraram – se é que conhecem – o pensamento do estadista romano Marco Túlio Cícero. Ele descreve; “o orçamento deve ser equilibrado, o Tesouro deve ser equilibrado, a dívida pública deve ser diminuída, a arrogância dos funcionários deve ser moderada e controlada, e a ajuda a outros países deve ser eliminada para que o país não vá à bancarrota. As pessoas devem aprender novamente a trabalhar, em lugar de viver às custas do Estado”. Quase dois mil anos depois, este argumento notável lhes passou desapercebido, mesmo que esta, fora uma das causas para a queda do Império Romano. O motivo é claro; liberalismo tornou-se um palavrão em parte da Europa acostumada com o assistencialismo. Em suas premissas, encontramos a defesa de um governo limitado, sem se permitir o endividamento. Para os liberais, está claro que na medida em que o trabalhador é forçado a pagar pela imprudência dos governantes, capitais privados destinados a investimentos, contratações e salários são reduzidos, causando estagnação econômica – tal como ocorre atualmente na Grécia.

Entretanto, alguns governos europeus seguiram um caminho contrário à tragédia grega. Este é o caso de Estônia, cuja dívida pública está em 10,6%. Para entender os motivos, devemos recorrer a história política e econômica do pais. Com a Revolução Russa, a Estônia ficou à mercê dos intentos soviéticos, adotando uma economia planificada. Até então, seu padrão de vida era igual aos padrões finlandeses. Já em 1987 a renda per capita da Finlândia capitalista era de US$ 14.370 enquanto da Estônia comunista era de US$ 2.000.  Com o fim da URSS a Estônia adotou um governo mínimo e uma economia de livre mercado, privatizando, desregulamentando e liberalizando. Seu PIB cresceu cerca de 34,8% a mais que da União Europeia entre 1996 e 2007 e sua per capita cresceu 12 vezes em duas décadas. Mesmo com uma renda per capita elevada, o gasto público da Estônia referente ao PIB, atingiu a máxima de 38,3% em 2014, enquanto os gastos públicos gregos com relação ao PIB cresceram gradativamente desde 2006, época em que estavam em 44,6% do PIB, chegando a 59,2% do PIB em 2014.

Infelizmente, os governos realmente nunca aprendem – embora parcela do povo também não. Se compararmos o endividamento público da Estônia e o gasto do setor estatal, notamos que há uma gradativa elevação. Sua dívida pública já foi uma das menores do mundo, situando-se em meros 3,7%. O mesmo notamos no Chile, Luxemburgo e Nova Zelândia, embora sem a imprudência grega. Este último exemplo, é sem dúvidas aquele indica solução para o mal que aflige a Grécia. No final da década de 1980, a Nova Zelândia reduziu o tamanho do Estado, cortou gastos e quitou débitos. Ao contrário do que diziam os defensores do Estado inchado – muitos dos quais parasitavam em cargos públicos – não houve desemprego, mas a realocação para setores mais produtivos no setor privado. Desde então, a Nova Zelândia tem prosperado sem recessões ou pormenores econômicos negativos. A dívida pública caiu de 63% do PIB para meros 17% nos anos que se seguiram após a reforma. Embora, novas políticas estatistas tenham elevado sua dívida, ela é cerca de 5 vezes menor que a dívida grega, com um diferencial; uma economia solida e estável.

Infelizmente o mainstream econômico é dominado pela influência da escola neokeynesiana, que tem como maiores expoentes, Joseph Stiglitz e Paul Krugman – ambos ganhadores do Nobel. Segundo eles, o programa de austeridade e não o contínuo endividamento, fora o real o causador da atual situação grega. Stiglitz chegou a afirmar que o problema da UE é a Alemanha, defendendo sua saída da Zona Euro. Entretanto é a Alemanha quem mais contribui socorrendo países irresponsáveis como Espanha e Grécia, além de garantir a estabilidade econômica da região. Mas, não devemos esperar menos de neokeynesianos. Dentre suas fórmulas mágicas para o crescimento econômico estão a recomendação do aumento do gasto público, da burocracia e até mesmo que os governos participem de guerras para gerar demanda agregada – como escreveu Krugman para o NYT. É pela demência de acadêmicos como estes, que certas economias fracassam, ao contrário das democracias liberais prósperas, mas marginalidades entre os intelectuais. Para a infelicidade brasileira, seguimos o caminho grego.

Caso os gregos continuem neste caminho, nem mesmo as antigas ruínas restarão para contar sua história!

Caso os gregos continuem neste caminho, nem mesmo as antigas ruínas restarão para contar sua história!

Christiano Di Paulla

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