Uma breve refutação de todas as principais teorias socialistas

Publicado: abril 3, 2015 em Mitos

Friedrich Hayek proferiu uma das mais brilhantes frases a fins de descrever os defensores do pensamento socialista: “Caso socialistas soubessem alguma coisa de economia, não seriam socialistas.” A frase seria perfeita, se nela estivesse incluso: história, psicologia, antropologia, política e etc. Esta afirmação torna-se gradativamente mais vívida, a cada debate com os defensores da planificação econômica ou do mero intervencionismo estatal. Mesmo refutados por acadêmicos de inumeráveis correntes ou pelas evidências históricas, eles não abstém de seu desvario ideológico, visando mantê-lo através de todo tipo de engodo. É por este motivo que escrevi este texto onde faço um breve resumo de 10 das principais teorias socialistas e suas respectivas contestações. Obviamente cabe aos interessados buscar um maior aprofundamento, afinal o tema é extenso demais para um simples resumo.

1º – O mito do bom selvagem. Segundo esta teoria, Rousseau alega que o homem teria nascido bom e que fora corrompido pela sociedade. Esta corrupção teria se iniciado quando o primeiro homem tomou para si um pedaço de terra. Portanto, a propriedade privada seria a causa do egoísmo, da agressão e corrupção entre os homens. Tal suposição é de fato é um mito. Rousseau não possuía qualquer evidência arqueológica, tal como temos hoje. Em “A guerra antes da civilização”, o arqueólogo Lawrence H. Keeley comprova que a violência era maior antes ao surgimento da propriedade privada, com cerca de 60% de chance de um indivíduo falecer por homicídio. O criminalista Manuel Eisner concluiu através de estudos históricos que a criminalidade vem decaindo desde o final a Idade Média – período em que a propriedade privada se consolidava como um direito. Atualmente as estatísticas revelam que as nações menos corruptas e violentas são aquelas que mais preservam a propriedade privada, tais como Mônaco, Dinamarca, Nova Zelândia, Suíça, Hong Kong e Singapura.

2º – Materialismo histórico. Segundo esta abordagem metodológica desenvolvida por Marx, as condições produtivas seriam o principal vetor na transformação da sociedade; seja em premissas ideológicas, políticas ou sociais. Desde modo, o homem seria um mero objeto das relações socioeconômicas na medida em que elas se transformam a revelia de seu mando. Em Teoria da História, Mises demonstra a invalidade desta teoria, citando que é o homem em sua natureza subjetiva/objetiva que transforma as ferramentas e o meio em prol de seu bem-estar e não o contrário. Foi a necessidade de se locomover em grandes jornadas que deu origem a charrete e não a charrete que dera início a esta necessidade. Qualquer consideração materialista a respeito da história, exclui a razão humana tornando o indivíduo um mero objeto de forças que não concebe nem controla. Em A Miséria do Historicismo, Popper descreve que é impossível construir uma descrição geral da sociedade, visto que seria necessário listar uma quantidade incomensurável e ilegível de dados, além do fato de que estes dados são singulares e imprevisíveis. Logo, a teoria marxista da história é simplesmente reducionista.

3º – Mais-valia e exploração do trabalho. Estas teorias marxistas tentaram explicar o lucro, baseando-se na teoria do valor do trabalho, que sugere que as mercadorias seriam valorizadas em função da quantidade de trabalho empregue em sua produção. Uma vez que o trabalhador não recebe o valor total por todos os bens que ele produzira, Marx alega que ele seria expropriado pelo empregador que assim obtém seu lucro. Como Menger explica, o valor da mercadoria depende da precificação subjetiva dos consumidores e pela utilidade marginal. Pode-se gastar $ 1000 em matéria prima, 20 trabalhadores e 50 horas para produzir 100 cadeiras ao risco de que nenhuma será vendida ou que seu preço varie em função da demanda – que cai na medida em que o objeto de consumo é adquirido. Logo, o preço flutua gerando lucro ou prejuízo. Como cita Böhm-Bawerk, este processo demanda tempo e é incerto. Como trabalhadores, locatários e vendedores de insumos possuem necessidades imediatas, eles se abstém riscos, recebendo um rendimento fixo mensal pelo seu auxílio à produção. Além disto há o fenômeno do juros que é parte dos lucros, devido a estas mesmas preferências temporais.

4º – Alienação do trabalho. Este conceito sugere a perda da autonomia, do conhecimento e do domínio do trabalhador com relação ao poder de decisão sobre os métodos de produção. Para Marx, o artesão possuía domínio sobre a produção, pois conhecia todo o processo produtivo. Entretanto, com a industrialização, ele foi levado à ruína, forçado a se sujeitar a funções, horários e salários. Como Smith explica em Riqueza das Nações, a indústria modernizou a produção e tornou o trabalho cada vez mais complexo a fins de atender a uma demanda jamais imaginada. Isto só seria possível mediante a divisão do trabalho. Com o decorrer do tempo, esta divisão tornou-se ainda maior. Em nossos tempos, não há indivíduo que tenha tempo, disponibilidade ou recursos suficientes para compreender todo processo produtivo, como por exemplo; de um automóvel. Não há como conhecer e dominar habilmente todo o processo produtivo, desde a extração das matérias primas, sua transformação, a elaboração de todo maquinário industrial para que então, sejam produzidos os veículos. Há alienação, pois o conhecimento é sempre limitado.

5º – Luta de Classes. Este conceito sugere que a história humana é marcada pelo confronto de forças antagônicas (opressores e oprimidos) e teria surgido com a propriedade privada. Este embate seria visto na antiguidade com escravos e seus senhores, na idade média com servos e feudos e na sociedade moderna com burgueses e proletariados. Para dar-lhe fim, Marx cita que é necessário que a classe oprimida se revolte, tomando para si as forças produtivas, abolindo o Estado e as classes sociais. Em A Mentalidade Anticapitalista, Mises descreve que o erro desta teoria é confundir classe com casta. Num sistema de casta (sistema social hindu) o indivíduo nasce em determinado patamar e nele permanecerá não importa o quanto se esforce. Num sistema de classes (economia de mercado) não existem barreiras. A ascensão socioeconômica depende de esforços individuais mediante a poupança e o investimento, sem que haja uma classe estática, pobres podem prosperar e ricos podem falir, dependendo do apreço dos consumidores. Lembrando; os trabalhadores nunca almejaram o fim da propriedade privada, mas adquiri-la, tornando-se novos burgueses.

6º – Socialismo real nunca existiu. As primeiras tentativas de implantar o socialismo vieram dos falanstérios de Charles Fourier e falharam em questão de meses. Observando este fato, Marx alegou que tinha encontrado um método científico para alcançar a tão sonhada sociedade coletivista, sem classes ou propriedade privada: o comunismo. Mais tarde, este modelo seria tentado com Revolução Russa. Do período que se estendeu da revolução até Revolta de Kronstadt, a miséria e o genocídio se instauraram. A transição do socialismo para o comunismo não ocorreu como Marx previa. Lênin foi forçado a estabelecer a “Nova Política Econômica” que permitia a suspensão da estatização de fábricas que ainda não haviam sido coletivizadas, fim da requisição forçada das matérias primas e insumos agrícolas e etc. Ficou claro que o modelo como teorizado era incapaz de produzir os resultados esperados. No entanto,os marxistas desejavam aperfeiçoar o sistema de transição para que o comunismo fosse alcançado no futuro. Todas as formas socialistas que se seguiram, visaram o mesmo e sempre fracassaram.

7º – O socialismo pode funcionar. Socialistas jamais compreenderam a origem da propriedade privada. Como cita Hoppe, ela surgiu uma vez que a população humana tende a crescer e assim os recursos ficam cada vez mais escassos. O homem não poderia mais viver como coletor/caçador, fixando-se em determinada região, passando a cultivar a terra. A partir de então, surgem trocas voluntárias. Como o escambo é ineficiente para alocar e poupar recursos, surge a moeda e o preço. Em Cálculo Econômico Sobre o Socialismo, Mises cita que é impossível estabelecer uma economia socialista devido a ausência de propriedade privada. Sem ela, não há mercado e um sistema de preços responsável pelas operações contábeis que guiam a economia. Em Caminho da Servidão Hayek explica que o conhecimento econômico necessário para alocar os numa economia complexa e dinâmica é inteligível devido a sua dispersão, já que provém da constante tomada de decisão de inumeráveis agentes econômicos em separado. Logo não meios para os planejadores centrais obterem tamanha informação a fins de regerem a economia (nem mesmo com os preços artificiais de Langer). Logo são modelos utópicos.

8º – Crises do capitalismo. Desde Marx, socialistas alegam que o capitalismo colapsaria, provocando a ascensão do socialismo. Da Grande Depressão (1929) à Grande Recessão (2008) esta alegação se estendera. Como bem cita a TACE: o crack de Nova York tem sua raiz na Primeira Guerra Mundial. Naquele período, a Europa estava arruinada, dependendo dos bens importados dos EUA – o que elevara sua produção. Quando sua indústria se recuperou, os EUA passaram a consumir os excedentes produzidos, causando uma deflação. Contrariando o conceito de livre mercado, o governo injetou crédito e inflacionou os preços ampliando a oferta de moeda no mercado. Sem a solidez da poupança, consumidores e empreendedores foram incapazes de arcar com investimentos a longo prazo, causando a Depressão. Em seguida, as interferências de um BC ampliaram ainda mais os efeitos da crise, Desde então os governos não pararam mais de intervir no setor monetário regulando câmbio, oferta de crédito e papel moeda. Tais medidas, contrariam o pensamento laissez-faire que desde Smith a Rothbard se opõe a existência de um Banco Central. Portanto são crise do Estado através de um órgão regulador e não do mercado.

9º – Nazifascismo. O nazifascismo descende do socialismo, tal como herdara suas características. Mussolini começou sua carreira no Partido Socialista Italiano em 1902, escreveu para o jornal A Luta de Classes e publicou um livreto chamado o Trentino visto por um Socialista em 1910. Mais tarde cria o movimento fascista, declarando que suas principais influências são os socialistas Georges Sorel e Charles Peguy e Hubert Lagardelle. Seu sistema defendia que o Estado se impusesse acima de tudo, inclusive da economia. Já o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães foi fundado por Anton Drexler que escrevera “Do diário de um alemão socialista trabalhador”, de grande influência a Hitler. Mais tarde, Hitler compôs o Programa Vinte e Cinco Pontos tratando dos intentos nazistas. Suas diretrizes eram o controle total da economia; da produção, salários, aluguéis, lucros, proibição dos juros, da especulação e a nacionalização de empresas. Ambas estas doutrinas se opunham ao livre mercado e são socialistas, pois emergem da necessidade de um Estado absoluto, provedor, que busca reformar o homem, além de reger a economia.

10º – O Estado do bem-estar social. No final do século XIX, os socialistas Karl Kautsky e Eduard Bernstein perceberam que as profecias de Marx não se concretizavam e do contrário; falhavam. O poder de compra do trabalhador e a classe média aumentavam junto com seu bem-estar. Eles fundaram o movimento socialdemocrata desejando reformar o capitalismo, tornando-o “menos desigual”.  Inspirado nestas ideias, Gunnar Myrdal desenvolve o conceito de Estado do bem-estar social, no qual o governo tornar-se-ia regulador da economia, além de manter ampla seguridade social. O sistema foi implantado em países escandinavos a partir da década de 1970 (prósperos desde as reformas liberais do século XIX). Entretanto, em duas décadas o sistema já apresentava sinais de decadência. A inflação se elevara juntamente com o custo de vida, enquanto empresas e capitais fugiam para nações com menor carga tributária e pouca burocracia. A solução foi liberalizar, privatizar e desregulamentar – o que segue até os dias atuais. Os impostos permaneceram altos (embora em níveis muito menores) graças a elevada renda per capita, fruto de uma população baixa com imensas reservas naturais de grande rentabilidade – até que se esgotem.

Conclusão:

É evidente para qualquer pessoa razoavelmente informada, a grande diferença entre estes sistemas. O socialismo fracassou em todas as nações onde fora implantado, sem exceções. Posso citar o exemplo de URSS, China, Coreia do Norte, Vietnã, Laos, Iêmen, Angola, Etiópia, Somália,  Zimbábue e mais recentemente na Argentina e Venezuela. Já a economia de livre mercado fora bem sucedida em todas as nações onde implantada, tais como Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Suíça, Áustria, Irlanda, Coreia do Sul, Singapura, Hong Kong e mais recentemente no Chile e em Mauricio. Todas as estatísticas compram este fato: IDH, qualidade de vida, moradia saúde, educação, infraestrutura, percepção de corrupção, taxa de homicídio etc. A doutrina socialista persiste nos dias atuais, não em face a seus resultados, mas em função de um enraizamento cultural que em grande parte se deve ao empenho intelectual da Escola de Frankfurt. Por estas vias, sua influência cresce no mundo de uma forma assombrosa, movendo governos e o mundo acadêmico; trazendo a tona velhas e nocivas utopias.

Referências:

  • A Origem da Desigualdade entre os Homens – Rousseau
  • A Guerra Antes da Civilização –  Lawrence H.  Keeley
  • Lógica da Pesquisa Científica – Popper
  • Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico – Engels
  • Teoria da História – Mises
  • A Miséria do Historicismo – Popper
  • O Capital – Marx e Engels
  • Princípios de Economia – Menger
  • A Teoria da Exploração do Socialismo/Comunismo – Böhm-Bawerk
  • A Riqueza das Nações –  Smith
  • A Mentalidade Anticapitalista – Mises
  • A Origem da Propriedade Privada e da Família – Hoppe
  • A Grande Depressão – Rothbard
  • Cálculo Econômico sobre o Socialismo – Mises
  • O Caminho da Servidão – Hayek
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Socialismo/marxismo: seu destino único é o fracasso!

Christiano Di Paulla

comentários
  1. md1superbyte disse:

    Excelente artigo parabéns.

  2. Wilton Alano disse:

    Todos sonham em trabalhar pouco e ganhar como todos os outros.

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