O oportunismo é uma das características mais marcantes do socialismo. Eles deturpam valores e crenças a fins de se promoverem. Um exemplo clássico é a frase de Fidel Castro: “Ele, (Jesus Cristo) foi o primeiro comunista. Repartiu o pão, repartiu os peixes e transformou a água em vinho”. Como Fidel, muitos alegam que Cristo fora o primeiro notável socialista ou até mesmo comunista em toda história. Este pensamento reflete-se nas correntes chamadas por socialismo e comunismo cristão. Tais correntes de pensamento alegam que os cristãos devem apoiar o socialismo ou o comunismo em face a vida socioeconômica de Jesus e de seus apóstolos. Eles sugerem que os primeiros cristãos viviam num regime comunal durante a vida e morte do messias e por esta via, os fiéis devem seguir as mesmas perspectivas.  Entretanto, estas convicções são mesmo plausíveis? Neste texto demonstrarei o tamanho do engodo por traz destas alegações e por que o socialismo e o comunismo são o total oposto do cristianismo.

É quase unanime entre os estudiosos bíblicos que não há qualquer demonstração que Jesus fosse um socialista, muito menos comunista, embora também não possa ser chamado de capitalista. Todavia é atribuída esta ideologia a Cristo por três distintas alegações. A primeira alegação: os cristãos trabalhavam em conjunto, viviam sem qualquer propriedade privada e repartiam os frutos do trabalho em igualdade. A segunda: Cristo dizia a seus discípulos que deveriam abdicar das riquezas terrenas para adentrar no reino dos céus o que pode ser encontrado em Mateus 19:21 “Se queres ser perfeito, vai vender tudo o que tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus; depois vem seguir-me” e novamente em Mateus 23-24: “Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”.

O terceiro motivo para a alegação que Cristo fosse um socialista ou comunista deve-se ao fato de que em um momento de fúria, o messias expulsa os mercadores do tempo, o que pode ser encontrado Mateus 21: 12-13 entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.” Tal passagem enunciaria um suposto repúdio de Cristo pelo capitalismo (algo que nem existia na época). Entretanto todas estas três alegações partem do mesmo fundamento: o fundamento transcendental da religião. Por que Cristo vivia em regime comunal, dizia para os discípulos venderem e repartirem seus bens, além de inibir comércios nos tempos? Por que a espiritualidade é imaterial e logo: independe de volições materiais. Para se alcançar os reinos dos céus, seria preciso se desprender do reino dos homens. É uma visão sacerdotal e não socioeconômica.

Cristo também intencionava reformas: a antiga tradição hebraica exigia que parte da colheita fosse destinada aos pobres durante determinado período, mas com o crescimento de seu império, passaram a usar dinheiro. Entretanto, este foi um dos motivos da corrupção de Israel. Quando Cristo surgiu, havia o conluio corporativista entre o Império Romano, sacerdotes saduceus corrompidos e comerciantes. Ao exigir que o comércio fosse praticado longe dos tempos, Cristo não exigiu sua abolição mas que o templo voltasse a sua função original: a meditação e oração. Ele possuía uma visão libertária e pregava a separação entre Estado, economia e religião. Esta perspectiva é narrada na bíblia quando lhe perguntam se deveriam pagar impostos ao Império Romano, como é narrado em Mateus 17: 21 “Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro. E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e está inscrição? Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”

Ao contrário do que alegam os socialistas, Cristo não se opunha ao livre comércio nem ao uso do dinheiro. Era contrário a ostentação, ao descaso com os mais pobres e com o afastamento da espiritualidade em função da avareza como é evidenciado em Lucas 12:15 “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.” E como a Bíblia narra, Jesus trabalhou em sua infância e adolescência ajudando seu pai e como por tradição, seguiu esta perspectiva, como narra Marcos e Mateus. Sua família vivia da livre iniciativa. Todavia, ao se tornar um líder espiritual, Jesus passara a viver em pobreza e em celibato em função de sua missão. Logo; seria plausível exigir que todos os cristãos vivam em pobreza e em celibato?! Cristo nunca exigiu isto; mesmo por que o celibato entre os fiéis anularia a possibilidade de descendentes, fadando as comunidades cristãs à extinção. Já a destruição do mercado, impediria que milhões vivessem do próprio suor.

O cristianismo é uma religião calcada no amor, na cooperação voluntária, da iniciativa privada e do trabalho assalariado. Suas noções econômicas podem ser encontradas em Lucas 10:7: “Porque digno é o trabalhador do seu salário” e em 1 Coríntios 9:7-10,12: “Quem planta a vinha e não come de seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do seu leite? Porventura, digo isso apenas do meu ponto de vista humano, ou a lei não diz a mesma coisa? Pois está escrito: não atarás a boca do boi, quando pisa o trigo. Acaso, é com bois que Deus se preocupa? Não é certamente por nossa causa que ele o diz? Sim, isso foi escrito em nosso favor; pois o que a lavra cumpre fazê-lo com esperança; o que pisa o trigo faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devida (…). Entretanto, não usamos desse direito; antes, suportamos tudo, para não criarmos quaisquer obstáculos ao evangelho de Cristo.” Tais perspectivas também podem ser encontradas no velho testamento em Gênesis 3: 17-19 “Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado, porque tu és pó e ao pó retornarás”

Por fim cabe citar que a teria comunista é materialista e ateísta que acredita que a espiritualidade é uma noção construída pelas classes dominantes. Isto é bem diferente de um Estado laico que roga impede que os governantes exerçam poder sobre a religião. Em nações comunistas como a URSS, China maoísta, Coreia do Norte e Mongólia, as religiões foram severamente perseguidas. E tudo isto vai de encontro a doutrina socialista e comunista. A maioria dos socialistas utópicos caracterizava a religião com um entrave, e alguns como Owen eram nitidamente antissemitas. Marx também é conhecido pelo seu ateísmo estatal: “O Estado pode e deve prosseguir na abolição e na destruição da religião” e por “A religião é o ópio do povo”. Estas perspectivas foram seguidas por socialistas e comunistas da modernidade. Lenin definiu “Deus é o inimigo pessoal do comunismo”. Portanto, como o socialismo/comunismo que são inimigos da religião e favoráveis a coerção poderiam ter  ligação com Cristo? Eis o mais absoluto disparate!

O socialista exige que os bens sejam repartidos através do uso da força. O mestre Jesus pregava a caridade e não a intervenção violenta. Ele repartia somente a aquilo que produzia pescando com seus discípulos e que em milagre; multiplicava. Ele jamais disse: “Dê tudo que tem ao Estado Romano, para que ele reparta entre vós, e assim, vos faça iguais.”

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Christiano Di Paulla

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