Porque socialistas odeiam a meritocracia – Parte 1

Publicado: fevereiro 21, 2014 em Livre Mercado e progresso
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Podemos considerar uma regra, o fato de que aqueles que criticam a meritocracia nem ao menos sabem caracterizá-la. Reducionismo e ignorância são as bases para suas falácias. A palavra meritocracia deriva do latim: “meritum” (merecer) e do sufixo grego “cracia” (poder) e destinge uma filosofia política e econômica no qual o poder deve ser investido aos indivíduos de acordo com seu mérito. Assim, as posições hierárquicas são conquistadas com base nas capacidades morais, intelectuais, aptidões específicas, tal como no esforço para emprega-las. A origem da meritocracia remota à filosofia de Confúcio na China antiga. Segundo Confúcio, aqueles que governam devem fazê-lo por causa do mérito e não por algum poder herdado. Com isto, considerava necessário que o império chinês aplicasse exames a fins de escolher seus funcionários. Filósofos legalistas como Han Feizi e Shang Yang também defendiam o sistema. Sob influência destes pensadores, as dinastias Qin e Han que possuíam um imenso império e uma complexa rede de funcionários passaram a adotar o sistema meritocrático, visando melhores desempenhos.

Nos primeiros impérios chineses onde a meritocracia fora instituída, funcionários poderiam vir de uma área rural ou da nobreza, sem que houvesse restrições senão a capacitação. Para tanto, uma boa educação tornou-se a chave para o sucesso destas dinastias. Estas noções revolucionariam a China antiga, permitindo a difusão do conhecimento acadêmico entre indivíduos de classes menos favorecidas, além de melhorar o desempenho dos órgãos públicos. Todavia, este conceito não se restringiu apenas a Ásia. Na Grécia antiga, Platão e Aristóteles também defendiam a meritocracia. Em República, Platão argumenta que o mais sábio deveria governar, portanto, assim seriam chamados de “reis filósofos”. Mais tarde, conceito de meritocracia expandiu-se na Europa através destas fontes, seja pela tradução dos textos de Confúcio ou pela releitura das antigas obras gregas durante o Iluminismo, tonando-se um viés para a idade moderna. Voltaire e Quesnay eram favoráveis à meritocracia. Para Voltaire os chineses tinham aperfeiçoado a ciência moral em função das virtudes, enquanto Quesnay alegou que este sistema seria o mais apto a fins de fazer um governo e uma economia prosperarem.

Outros economistas liberais como John Stuart Mill também defendera a meritocracia em sua obra Considerações sobre o Governo Representativo. A partir de então, o conceito tornou-se amplamente difundido no ocidente. O primeiro serviço público a fazer uso bem sucedido do sistema meritocrático foi o Império Britânico, depois os EUA através do Sistema Spolis em 1828 e a Austrália através do sistema público de ensino em 1850. Cem anos depois da Austrália, a meritocracia foi adotada por governos de Singapura e da Finlândia que até os dias atuais fazem uso de tal perspectiva para a escolha de suas autoridades. E embora a meritocracia tenha sua raiz na gestão pública, ela se expandiu-se amplamente para o setor privado em todo o mundo todo – seja através da consolidação do livre mercado ou em face ao surgimento de várias teorias a respeito da administração empresarial. Empresas aplicam o sistema meritocrático em seu sistema de reconhecimento, recompensa e gestão de carreira com o objetivo de valorizar aqueles que garantem bons resultados, fazendo a diferença nos negócios.

Na atualidade, as empresas privadas usam diversos mecanismos para reconhecer seus funcionários pelo mérito e os promovem de todos os meios possíveis, seja pela ascensão hierárquica, aumento do salário fixo, ampliação da remuneração variável, viagens, treinamentos, bolsas de estudo dentre outros, a fins de melhorar a qualificação profissional e seu desempenho. Com isto, melhoram seu desempenho garantindo, lucros elevados e o crescimento da instituição, aperfeiçoando seus produtos e serviços, gerando empregos e ampliando salários, assim recompensam toda a sociedade, sejam trabalhadores ou consumidores. O sistema meritocrático está inserido nas nações mais desenvolvidas do planeta, como da América do Norte, Europa Ocidental, Oceania e na Ásia Oriental. Diante tais evidências é impossível não se questionar o porquê de socialistas criticam este modelo?! Eu poderia destacar vários motivos, mas me centrarei nos principais. Eles baseiam em conceitos como: problema de definição, confiabilidade da seleção, “Princípio de Peter” e a falácia da evidência anedótica. Todos estes conceitos serão abordados nas duas partes seguintes deste artigo.

Referências:

Dicionário de Oxford (Definição de Meritocracia)

Enciclopédia do Mundo Antigo – Thomas J Sienkewicz

República – Platão

Enciclopédia de Princeton da História Americana

O contrário da meritocracia é a ineptocracia (neologismo), um sistema onde as pessoas não são reconhecidas pelo que fazem, mas pelo que deixam de fazer.

O contrário da meritocracia é a ineptocracia (neologismo), um sistema onde as pessoas não são reconhecidas pelo que fazem, mas pelo que deixam de fazer.

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2014/02/21/porque-socialistas-odeiam-a-meritocracia-parte-2/ 

Christiano Di Paulla

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