Marximo Cultural 6 – Refutação à Max Horkheimer

Publicado: fevereiro 20, 2014 em Marxismo
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Horkheimer comete erros similares ao de Gramsci e Lucáks. O primeiro erro é considerar que o pensamento lógico e as ciências empíricas sejam fruto da necessidade de dominação. Em primeiro, devemos recapitular as bases do pensamento lógico: este conceito busca apurar fatos mediante uma análise racional dependendo de análises externas que possam servir de base para o estabelecimento de determinada regra. Ele conceito é distinto em três tipos de raciocínio: dedução, indução e abdução. Dedução corresponde à determinada afirmação inicial oriunda da observação. Um exemplo clássico fora dado por Aristóteles ao afirmará: “todos os homens são mortais”. Partindo desta premissa, Aristóteles define: “logo Sócrates, como homem é mortal” chegando à indução que seria uma regra baseada na afirmação inicial. Partido destes dois pontos, chegamos à abdução a fins de defender a premissa: ou seja: “Sócrates sendo como um ser mortal, assim falecera” ou “já que falecera, Sócrates, como homem é mortal”. Ou seja, todo raciocínio lógico depende de uma referencia tangível e que possa ser defendida racionalmente.

Ao negar o pensamento lógico em nome da dialética marxista, Horkheimer ignora as evidências descritas pelo método dedutivo e investigativo em nome de uma mera objeção. No exemplo acima, fora provado que Sócrates é mortal, através de evidências aplanadas pelo pensamento racional. O principio dialético não se importa com a observação final, mas visa simplesmente contrapor ideias e até mesmo fatos através de uma contradição, ou seja: “já que não falecera, Sócrates como homem é imortal”. Por mais infantil e obviamente equivocado que este pensamento possa parecer, constitui-se à base da teoria de Horkheimer. Todavia, como isto poderia ser alegado em uma discussão intelectual? Bastaria dizer que a figura de Sócrates é mítica, inventada pela burguesia da época para criar uma figura destruída pela força dos soberanos, logo, como não existira, não morrera, embora sua figura fosse imortalizada pela história. Há neste sentido, a negação da premissa inicial, ou seja: “que os homens sejam mortais”, a negação da regra, que seria “a mortalidade de Sócrates”, e por fim, do fato: “de que como homem, Sócrates morrera”.

Ao negar o raciocínio lógico, marxistas provam seu total interesse em analisar o objeto, mas somente em contrapô-lo com uma roupagem de identidade original obliterada pela indução social do sistema capitalista. Todas estas observações estariam equivocadas, uma vez que o homem tomado pela produção industrial e cultural fora afugentado de um “real pensar”. Portanto, as teorias marxistas não se importam com a razão ou com a evidência, mas com a simples contraposição das alegações. Horkheimer também ataca o empirismo com três alegações: a primeira que a transmissão do conhecimento cientificista mecanize o homem em função de seu método, pautado na experimentação e reprodução materialista. Este conhecimento seria estático na medida em que supre as necessidades da classe dominante. Em segundo; que a divisão do trabalho na produção do conhecimento acarrete alienação, impedindo que o homem em sua produção intelectual material entenda questões políticas e econômicas gerais. Por fim, considera o método falso, visto que ignora as condições sociais vividas em função do único aprofundamento no meio de produção.

O primeiro erro de Horkheimer é associação indevida do método de produção acadêmica positivista a criticismo social. O simples fato de um engenheiro trabalhar na produção de um projeto automobilístico, não vos retira a percepção de movimentos sociais que estão mais ligados à suas opiniões subjetivas que a seus conhecimentos matemáticos.  Em exemplo, o físico não reproduz em sua vida diária, os mesmos métodos utilizados para medir o comportamento de uma partícula. Ele usará de suas concepções morais e observações racionais, empregando um método distinto, por mais similar que possa parecer. Outro equivoco faz-se da suposição de que o pensamento positivista seja estático, uma vez que a própria experimentação pode fazer emergir um novo conhecimento. Todavia, a ciência empírica que trabalha com evidências e experimentação, não se permite tamanha volatilidade ao ponto de aceitar qualquer objeção – na teoria dialética, uma mera inversão. Isto anularia todos os conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, em função de um mero devaneio filosófico. Por fim, sem a divisão do trabalho na produção intelectual, seria impossível alcançarmos o desenvolvimento atual, visto que é impossível para qualquer cérebro, dominar todos os conceitos, como dito anteriormente.

Horkheimer parece desconhecer o processo de produção intelectual, a dimensão absurda destes conhecimentos e o tempo demasiado que é dado para aprendermos determinada função. E mais: associa a alienação da produção intelectual a uma suposta alienação de concepções políticas e econômicas. Por fim cabe citar o argumento de Horkheimer à produção de manufaturas e à cultura de massas. Para ele, a produção em massa faz copias dos mesmos bens e de fácil manuseio a fins de evitar uma compreensão profunda de sua validade, assim, abandonando-os. Todavia, a produção industrial é padronizada porque de outro modo, não haveria qualquer meio de produzir em massa. Seriam necessários inúmeros moldes para se produzir uma peça, o que aumentaria demasiadamente os gastos e os custos do objeto final. Isto prejudicaria a produção e o consumo, lesando toda a economia. Já na questão da facilidade de manuseio, há uma preocupação com a praticidade favorecendo sua utilização a fins de ampliar os lucros, somente porque os consumidores demandam de produtos práticos. Caso demandassem de bens complexos – o que não é uma tendência humana – assim seriam produzidos.

Horkheimer também comete outro erro ao alegar que as pessoas consomem os mesmos bens de forma repetida. Como bem explica Böhm-Bawerk através da Lei de Utilidade Marginal, a necessidade de um bem decresce na medida em que novas copias são adquiridas. Não é interessante para uma pessoa comprar o mesmo aparelho de televisor várias vezes e embora o faça com alimentos industrializados, por exemplo, não compra várias unidades do mesmo produto para uma alimentação diária, além do fato que alterna produtos em função de necessidades subjetivas momentâneas. O que ocorre é que pessoas diferentes adquirem produtos iguais, mas por interesses psicológicos semelhantes. Neste caso, nenhum consumo estipula uma subjetividade falsa, mas aquilo que realmente demanda, seja por qual for o motivo. Não cabe ao produtor questioná-lo, mas atender a estas necessidades. Assim como os demais marxistas Horkheimer nega que o consumidor tenha desejos autônomos e que por tais vias seja baseada a produção. O homem não tornara-se refém de suas ferramentas ou bens laborados, mas os dominara na medida em que necessita deles.

Referências:

Aplicações de Abduções: Modelagem em Nível de Conhecimento – Tim Menzies

A Dialética do Esclarecimento –  Max Horkheimer

Eclipse da Razão –  Max Horkheimer

Teoria Positiva do Capital – Eugen Von Böhm-Bawerk

eletrodoFazendo menção às palavras de Mises: “Não é porque produzem fogões que as pessoas cozinham. É porque as pessoas cozinham que produzem fogões”.

Christiano Di Paulla

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