Marxismo Cultural 5 – Escola de Frankfurt e Max Horkheimer

Publicado: fevereiro 19, 2014 em Marxismo
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Mesmo absolutamente equivocadas, as ideias de Gramsci e Lukács influenciaram inúmeros marxistas ocidentais como Karl Korsch, um filósofo alemão que possuía grande admiração pelo Socialismo Fabiano. Korsch foi professor de Felix Weil, filho do abastado industrial alemão-argentino Hermann Weil. Em 1923 Felix conseguiu convencer seu pai que financiasse o Centro de Pesquisa Social associado à Universidade de Frankfurt – que mais tarde teria seus afiliados conhecidos como Escola de Frankfurt. Embora o intuito de seu pai fosse o pluralismo de concepções e interpretações da modernidade, a intenção de seu Felix Weil era disseminar o marxismo como aprendido com seu professor. O Centro de Pesquisa Social era formado inicialmente por “cientistas sociais” marxistas que buscavam encontrar um novo viés para a teoria tradicional, buscando entender o sucesso capitalista no ocidente e como remediá-la. Seus principais teóricos foram: Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Friedrich Pollock, Erich Fromm, Otto Kirchheimer e Leo Löwenthal. Doravante, discorrerei sobre as teorias de cada um deles.

Max Horkheimer associou-se ao o Centro de Pesquisa Social durante sua criação em 1923, tornando-se seu diretor em 1931. Mais tarde, seus trabalhos acerca da Razão Instrumental tornar-se-iam juntamente com as teorias de Adorno e Marcuse, os pilares da Escola de Frankfurt. Para Horkheimer a razão instrumental seria um estado no qual os processos racionais seriam totalmente operacionalizados , opondo-se a razão crítica (baseada na dialética) que seria capaz de desestabilizar estas considerações tidas como falsas e manipuladoras. Para ele, na medida em que a razão se torna instrumental a ciência deixa de ser uma forma de acesso ao conhecimento para tornar-se um instrumento de dominação, poder e exploração, sendo sustentada pela ideologia cientificista através da educação acadêmica, meios de comunicação, produção etc. Por esta via, assim como Marx Horkheimer é um severo opositor das ciências tradicionais e laboratoriais, alegando que sejam falsas e usadas a fins de dominação de massa. A única libertação seria os métodos analíticos e práticos adotados pelos marxistas.

Horkheimer deixa claro em A Dialética do Iluminismo que as ciências tradicionais através do pensamento lógico e das ciências empíricas são os maiores inimigos do marxismo cultural, pois servem para escravizar pessoas inserindo-as em padrões fixos do mundo real. Para ele, o trabalho do especialista nos moldes da teoria tradicional, desvinculando-se das demais, o tornaria alheio à conexão global dos setores de produção (em um processo de alienação). Assim o pensamento cientificista seria caracterizado pela atuação segregada, de tal modo que o seu significado para o todo social não é relevado. Horkheimer também alega que na medida em que as ciências empíricas tornam-se mais rigorosas, a realidade social torna-se ainda mais estranha a seu praticante. Estas ciências baseada na alienação do conhecimento e no distanciamento do homem de sua realidade social total, seriam incapazes de compreender se determinado sistema politico ou econômico é valido ou não. Para ele, somente as condições históricas vividas pelos homens através de seus instrumentos de trabalho seriam capazes de construir uma ciência justa, tal como sugere Lucáks.

O principal argumento usado por Horkheimer em A Dialética do Esclarecimento é a alegação gramscista de que toda indústria cultural seria cunhada a fins de entorpecer as massas com copias infinitas copias produzidas da mesma coisa. Estas cópias produzidas em massa parecem mudar com o tempo, quando na verdade representam uma repetição das mesmas. Estes produtos seriam feitos de forma padronizadas a fins de ajudar os consumidores a compreender a compreendê-los e apreciá-los com pouca atenção dada a eles. Para o filosofo alemão há na aquisição destes bens repetidos, uma falsa individualidade, visto que o interesse dos industriais é somente o consumo repetido das mesmas coisas. Em Eclipse da Razão, escrito um ano depois, Horkheimer prossegue nos seus argumentos alegando que a ciência empírica e toda sua tecnologia dominaram o homem, tornando-o um mero escravo daquilo que estuda e produz e que “a máquina expeliu o maquinista e está correndo cegamente no espaço”. Como os demais marxistas culturais, Horkheimer funde a visão materialista no qual a subjetividade é anulada pela produção industrial (e assim cultural), de tal modo que somente a visão dialética seria capaz de trazer uma “real libertação”.

Referências:

A Origem da Teoria Crítica – Helmut Dubiel

A Dialética do Esclarecimento –  Max Horkheimer

Eclipse da Razão –  Max Horkheimer

AdornoHorkheimerHabermasbyJeremyJShapiro2Na imagem Horkheimer e Adorno, dois inimigos da lógica e do positivismo que deram continuidade ao pensamento de Gramsci e Lucáks.

Christiano Di Paulla

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