Direita e Esquerda – Parte 2

Publicado: fevereiro 15, 2014 em Falácias socialistas
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Os equívocos da classificação do espectro político não se limitam somente a questão do nazi-fascismo e do comunismo situarem-se em lados opostos. Dentro dos agrupamentos encontramos nítidas contradições. Rothbard fora exímio ao analisar estes engodos em sua obra Direita e Esquerda: Perspectivas para a Liberdade, publicada em 1972. No início da obra, Rothbard demonstra a clara distinção entre perspectivas intituladas de direita. Segundo o economista, conservadores e libertários possuem uma visão oposta. Conservadores possuem uma visão pessimista quanto as suas perspectivas à longo prazo, enquanto libertários são otimistas quanto aos resultados finais. Estas definições emergem do processo histórico, visto que a Velha Ordem caracterizada pelo feudalismo e o despotismo eram característicos da tirania e da exploração. Esta Velha Ordem teve seus pilares abalados pelo pensamento libertário, pautado no humanismo, na democracia direta e na economia de mercado. Após a Revolução Francesa os conservadores tentaram reinstaurar a Velha Ordem de todos os modos, sem grande êxito.

Rothbard também narra que no início da Revolução Francesa, aqueles que a esquerda – que se opunha a Velha Ordem – constituíam-se de socialistas como Rousseau e liberais como Voltaire. Todavia, uma vez que os socialistas passaram a rejeitar a propriedade privada, adentraram numa contradição crucial: uma vez que o Estado deve desaparecer após a revolução, como gerir a propriedade tida como coletiva, sem que se forme um novo e gigantesco Estado. Então chegaram à conclusão que para acabar com o Estado e propriedade privada, seria antes necessário concentrar todo poder no governo. Do contrário acreditavam os liberais, que lutavam pela redução das dimensões do Estado, a fins de assegurar a igualdade diante as leis e o direito natural à propriedade privada. Fora este fato, que dividira a esquerda entre liberais e socialistas. Rothbard também chama atenção para o “capitalismo” como classificação genérica. Embora analistas consideram o New Deal como uma medida de direita, ele possuía os mesmos métodos coletivistas do socialismo, além de servir de estimulo para o nazi-fascismo.

As políticas adotadas pelos EUA após a década de 1930 e o keynesianismo pautado na burocracia e no corporativismo eram opostas aos ideias liberais. O Estado tomou como habito escolher os vitoriosos da competição econômica, resgatando empresários falidos e assim estendera seu domínio sobre a vida privada dos cidadãos. Rothbard também chama atenção ao fato de que muitos liberais passaram a fazer demasiadas concessões a partir do século XX. O Estado que deveria ser mínimo poderia cuidar da educação, saúde, moeda, infraestrutura, segurança e até mesmo do bem-estar social. Todas estas concepções vão na contramão do movimento libertário que visa a menor ou nenhuma interferência na vida privada. Todavia, as contradições dentro do que se considera direita e esquerda vão mais além e podem ser notadas através de evidencias históricas. Princípios conservadores e nacionalistas são encontrados facilmente no que se intitula como esquerda, como no caso da permanência de determinados conceitos coletivos. Na Coreia do Norte, por exemplo, há um extremo nacionalismo e um conservadorismo imposto pelo regime comunista.

Além da Coréia, podemos destacar outros exemplos contraditórios dentro do espectro político. Em Singapura, uma nação com extrema liberdade econômica, não encontramos a vertente liberal em sua política rígida e conservadora. Do mesmo modo, encontramos dentro de culturas tradicionais, como no caso da Igreja Anglicana uma tendência ao pensamento liberal por parte de alguns sacerdotes que aceitam o aborto e o casamento homossexual como ocorrera na Austrália. Assim podemos encontrar em cada perspectiva do espectro político, uma ampla gama de definições que não se enquadram em direita nem esquerda, visto a ampla confluência de concepções ideológicas. Por estas vias, a definição do espectro político de esquerda e direita são em muitos casos, contraditórias. Como bem cita Rodrigo Constantino em A Economia do Indivíduo, a ciência política e econômica está mais pautada naqueles que visam preservar as liberdades individuais, sem limitações e tradições e entre aqueles que possuem uma visão coletivista pautada na preservação de uma determinada forma de pensamento. Logo, as definições de esquerda e direita são generalistas e nitidamente equivocadas.

Referências:

Direita e Esquerda: Perspectivas para a Liberdade – Murray Rothbard

Acensão e Queda do New Deal – Steve Fraser

A Economia do Indivíduo –  Rodrigo Constantino

2206home13Nem esquerda, nem direita, devemos seguir em frente sem rótulos, mas nos baseando em modelos que deram certo, ao invés de utopias fracassadas.

Christiano Di Paulla

comentários
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