Direita e Esquerda – Parte 1

Publicado: fevereiro 14, 2014 em Falácias socialistas
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O espectro político de esquerda-direita é um sistema de classificação de ideologias politicas e econômicas. As distinções de esquerda e direita são apresentadas como opostas, comumente usadas em debates partidários e no meio acadêmico. A origem do termo remota à Revolução Francesa, quando os membros da Assembleia Nacional dividiam-se entre aqueles que eram partidários ao rei sentando-se a direita e aqueles que eram a favor da revolução, sentando-se à esquerda do presidente. Desde então, a terminologia sofrera inúmeras modificações devido ao surgimento e declive de determinadas ideologias políticas e econômicas, até que chegará ao formato atual. Para alguns analistas a classificação atual deve a tendência de grupos coletivistas à centralização, como no caso de socialistas, comunistas e socialdemocratas. Estas considerações foram observadas pelo jornalista e filosofo francês, Émile-Auguste Chartier. Segundo ele, no início do século XX, pessoas tidas como de Direita, desconsideravam a existência desta terminologia, cabendo sua defesa exclusiva de partidários do socialismo.

Na atualidade encontramos uma espécie de consenso nos debates políticos que sugere que a esquerda seja composta por socialistas, progressistas, socialdemocratas, comunistas, secularistas e anarquistas. Enquanto isto, a direita incluiria conservadores, reacionários, de nazifascistas, capitalistas, monarquistas e teocratas. Para alguns estudiosos modernos, esta classificação se deve ao fato de que a esquerda é revolucionária e inovadora enquanto a direita tenderia a preservar um regime estabelecido – análogo à concepção destacada na Revolução Francesa. Entretanto, ao analisamos esta dicotomia encontramos veracidade nas palavras de Chartier, pois está claro que a esquerda possui uma proximidade ideológica com tendências de unificação, uma vez que o mesmo, não possa ser notado na direta, uma vez que se compõe de elementos notoriamente contraditórios – contendo alguns que mais bem se classificam como esquerda. Devido a esta observação, desde a primeira metade do século XX, quando este arranjo começara a se compor, inúmeros intelectuais e cientistas políticos que se opuseram a estas definições dicotômicas.

Um dos primeiros intelectuais a se opor a estas definições fora Mises que escrevera em sua obra Intervencionismo: Uma Análise Econômica de 1940: “A terminologia usualmente empregada no discurso político é uma rematada tolice. O que significa “esquerda” e o que significa “direita”? Porque Hitler seria “direita” e Stalin, seu amigo contemporâneo seria “esquerda”? O que significa ser “reacionário”? E “progressista”? Não se deve condenar objeções a políticas insensatas, assim como não se deve enaltecer medidas que estabeleçam o caos. Nada deveria ser aprovado só por ser novo, radical ou por esta na moda. A “ortodoxia” não é um mal, se a doutrina defendida pelos “ortodoxos” é correta e consistente. Quem é contra os trabalhadores: os que querem reduzi-los ao nível existente na Rússia ou os que querem elevados aos padrões norte-americanos? Quem são os “nacionalistas”: os que querem submeter sua nação aos nazistas, ou os que querem reservar sua independência?”

Segundo Mises, nazi-fascismo e comunismo representam ideais totalitários na política e economia. O nazi-fascismo modificara as condições de trabalho levando-as na direção da Rússia ao invés do caminho de economias mais liberalizadas. Não seria diferente, pois a origem destas doutrinas é a mesma: o socialismo. Hitler e Mussolini deixam isto claro em discursos e obras. Eles odiavam a economia de mercado em uma aversão maior que pelo comunismo. Hitler dizia defender o “verdadeiro socialismo” pautado na ordem e não na luta de classes. Mussolini desenvolvera o fascismo a partir do socialismo e do sindicalismo. Entretanto, pelo fato de Hitler e Mussolini se oporem a doutrina marxista, muitos vos classificaram equivocadamente como capitalistas. Mises também havia concluído que toda oposição a ideias novas mesmo que tolas era chamada de racionaria e ortodoxa, enquanto seria progressista a desconstrução mesmo levando ao caos. Isto faz memorar a celebre frase de Nelson Rodrigues: “Sou reacionário, minha reação é contra tudo que não presta”.

Mais tarde, psicólogos passaram a estudar o espectro político e também chegaram à conclusão que sua classificação tradicional estava equivocada e que nazismo e comunismo deveriam ser classificados na mesma categoria. O primeiro fora Leonard W. Ferguson na década de 1950. Ele analisara conceitos políticos, como pena capital, controle de natalidade, patriotismo, teísmo e comunismo através da análise fatorial, encontrando três agrupamentos políticos: nacionalista, humanista e religioso. Mais tarde, Hans Eysenck fizera um estudo empírico usando uma compilação de declarações a respeito de política, postulando-as como questionário. O estudo fora submetida a analise fatorial, encontrando duas classes distintas: o radicalismo e o humanismo. Tal como ele suspeitava, nazistas e comunistas se encontravam dentro do grupo radicalista, enquanto liberais e socialdemocratas dentro dos humanistas, visto seu nível de tolerância. Outro psicólogo a estudar o espectro político fora Milton Rokeach com uma metodologia própria. Sua análise chegara ao mesmo resultado: nazismo e comunismo são tipos ideológicos semelhantes.

Referências:

O Movimento da Esquerda e da Direita – Van Gosse

Intervencionismo: Uma Análise Econômica – Ludwig Von Mises

A Estabilidade das Atitudes Sociais Primárias – Leonard W. Ferguson

Senso e Não-senso na Psicologia – Hans Eysenck

A Natureza dos Valores Humanos – Milton Rokeach

[FR]DAs concepções do espectro político surgiram na Revolução Francesa quando eram bem definidos. Desde então estes conceitos tornaram-se contraditórios.

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2014/02/15/direita-e-esquerda-parte-2/

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