Marxismo Cultural 4 -Refutação à Antônio Gramsci

Publicado: fevereiro 5, 2014 em Marxismo

O pilar central das teorias de Gramsci é o conceito de hegemonia postulado inicialmente por Lenin. Em Memórias do Cárcere, Gramsci alega que este conceito seja a maior contribuição teórica do ditador: “O princípio teórico-político da hegemonia (…) é a maior contribuição teórica de Ilitch à filosofia da práxis.” Segundo as definições de Gramsci a hegemonia serve para descrever o tipo de dominação ideológica e cultural de uma classe sobre outra, particularmente da burguesia sobre o proletariado e outras classes de trabalhadores: “A dominação e manutenção de poder que exerce uma pessoa ou grupo em posição de domínio a outro(s) minoritário(s), impondo seus próprios valores, crenças e ideologias que configuram e sustentam o sistema majoritário, consegue assim um estado de homogeneidade no pensamento e ação como também uma restrição”. Para reverter este processo, os comunistas deveriam criar sua própria hegemonia: “O proletariado, afirmou ele (Lenin), pode se tornar classe dirigente e dominante na medida em que consegue criar um sistema de alianças de classes que permita mobilizar  a maioria da população trabalhadora contra o capitalismo e o Estado burguês.”

Cabe citar que a própria definição de cultura, se transforma ao longo do tempo: durante o século XVII se referia ao aperfeiçoamento individual através da educação. Nos séculos XVIII e XIX à referencias comuns em populações inteiras. Tais colocações parecem ter servido de base para teoria de Gramsci, embora reflitam uma visão limitada do tema. No século XX e XXI a cultura ganhou novos significados. O cientista Eduard Taylor refere-se a cultura como capacidade humana universal. Já Adamson Hoebel sugere que a cultura seja parte de um sistema integrado de comportamentos. Estudiosos mais recentes da antropologia, alegam que a cultura seja oriunda da capacidade humana em evoluir na medida em que classifica e representa experiências através de símbolos, criados a partir de sua imaginação. Logo há diversas maneiras das pessoas classificarem e viverem a partir de seus pontos de vista. A cultura seria uma criação constante, subjetiva e irrefreável que está ligada a própria natureza humana. Logo, ao contrário do que alegava Gramsci, nunca houvera uma hegemonia cultural criada pela burguesia. A cultura não é uma criação de determinada classe social, mas de inúmeros grupos e indivíduos ao longo da história.

A teoria de Gramsci nega a natureza subjetiva e independe do ser humano  e suas contribuições pessoais para a formação da cultura. O indivíduo livre está propício à idealizar suas próprias perspectivas, buscar alcançar seus interesses, errar e assim está disposta à uma constante mudança de opiniões e costumes. Ao mesmo tempo, o homem influencia, assim como é influenciado em um constante contanto com os símbolos de diversas classes sociais. Deste modo, neste universo de arquétipos não existe uma hegemonia política ordenada por classe. Por esta via, manifestações culturais podem emergir de qualquer nível social, influenciando umas às outras. Não há qualquer predominância dos mais ricos pelos hábitos dos mais pobres ou vice versa, mas um constante contanto entre as classes sociais criando tendências que mudam a todo instante. Tão pouco há um isolamento dos trabalhadores da formação da cultura. Em exemplo, na teoria de Gramsci seria impossível a música de a periferia alcançar os altos escalões da sociedade. Todavia, a propagação da música negra norte-americana é um dos inumeráveis exemplos deste equívoco.

Uma vez que a cultura seja uma formação continua e de inumeráveis autores – o que independe de classe social – não há uma consciência coletiva formada pela hegemonia, logo não há necessidade de uma hegemonia dialética e revolucionária. Portanto está claro que foram os marxistas os inventores deste pensamento dicotômico de classes, a fins de reproduzi-lo no imaginário popular visando propagar sua revolução. Ao entendermos esta regra marxista, encontramos a fórmula de todo teu pensamento: acusar seus inimigos de seus intentos, ações e resultados. Marxistas clássicos, assim como nazistas e fascistas, produzem um inimigo comum, na tentativa de gerar uma unidade, de tal modo que qualquer um que lhe faça oposição é tido como subversivo, legando a necessidade de ser descartado pelo sistema. Todavia, o marxismo cultural é mais inteligente: visa descartar elementos culturais de forma sutil através da doutrinação bem elaborada. Eles agem tal como cita H L Mencken: “A ânsia de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para a ânsia de governá-la”.

Embora, Gramsci negue a concepção fatalista e materialista do marxismo (baseada nos meios de produção), no qual o capitalismo estaria destinado a ruir dando lugar a uma sociedade socialista. Para ele, esta alegação mascarava a incapacidade política do partido produzir uma iniciativa capaz de conquistar a hegemonia. Somente através do marxismo cultural isto seria possível. Todavia, quando analisamos a história após a invenção desta forma velada de revolução notamos que suas concepções também deterministas estavam equivocadas. As reforma políticas em todo mundo, rumam na direção da liberalização como revela o Índice de Liberdade Econômica. Poucas nações retrocederam como intentam os marxistas culturais, como no caso da Venezuela. Do contrário que alegaram os marxistas, a real crise inevitável ocorre no socialismo, como bem teorizara Mises através do Problema de Cálculo Econômico. Esta crise cedo ou tarde levará qualquer nação à ruína, como sempre ocorrera através da história.

Gramsci é um fatalista cultural e econômico ao supor uma futura crise hegemônica ligada à incapacidade de gerenciar problemas sociais. Para ele, as classes dominantes falhariam ao tentar resolver os problemas sociais através de sua imposição de uma visão especifica de mundo. Entretanto, como a cultura não é oriunda em exclusivo das classes mais abastadas e poderosas, os trabalhadores vivem e recriam sua cultura sem que exista esta colisão de valores culturais – o que impedia a crise da hegemonia. E do contrário: ao observarmos a realidade histórica, notamos que ambas as culturas estão a cada dia mais interligadas. A arte da periferia está cada dia mais presente na vida das elites, como os modos de viver dos mais ricos inspiram os pobres em seus hábitos, ambos, em uma reconstrução constante. Lembrando: que no quesito econômico, a própria Revolução Industrial resolvera seus problemas, tal como o mercado está em constante adaptação às novas condições. Por tais vias, os trabalhadores jamais tiveram qualquer inclinação comunista. Esta consideração emergiu em exclusivo de intelectuais que jamais pisaram em uma indústria.

Como sempre, o marxismo falha por sua arrogância em descrever a história a partir de suas ideias revolucionárias e assim intentar reinventar o tempo futuro. Nunca houvera na história, uma crise cultural capaz de destruir todos os elementos de uma cultura (burguesa no caso). As culturas que se perderam através do tempo, findaram por razões naturais, mas jamais por uma revolução ideológica oriunda das massas. Como exemplo, nem mesmo a Revolução Francesa em sua introdução a certos pensamentos burgueses foram capazes de apagar o poder e a cultura monárquica. Do mesmo modo, a cultura burguesa nunca intencionou nem tão pouco fora capaz de inibir o desenvolvimento cultural das classes trabalhadores. Somente na Revolução Russa, uma cultura fora totalmente reformulada, mas não pelos trabalhadores, mas por uma classe marxista elitista que se difere dos intentos de Gramsci apenas pelos métodos. Quando analisamos estes fatos, notamos que a hegemonia não é vivia em nações com Estado de Direito e com economia de mercado, mas em nações socialistas como no caso de Cuba, Coreia do Norte e Venezuela.

Referências:

O Manifesto Comunista – Karl Marx

Cadernos do Cárcere – Antonio Gramsci

O que é cultura? – L. Robert Kohls

Antropologia: Estudo do Homem –  Adamson Hoebe

A Vida Simbólica: Escritos Diversos – Carl Gustav Jung

Índice de Liberdade Econômica – Heritage Institute

especial1Na Coreia do Norte as pessoas são doutrinadas desce criança à adorar seus ditadores a fins de criar uma hegemonia cultural. No entanto são inúmeros aqueles que mesmo sob pressão ideológica, tentam fugir de todos os modos para a Coreia do Sul.

Christiano Di Paulla

comentários
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