Marxismo Cultural 3 – Refutação à György Lukács

Publicado: fevereiro 1, 2014 em Marxismo

As teorias de Lukács e Gramsci Gramsci são fundamentadas no conceito de consciência e luta de classes, afirmando-a como um fenômeno histórico e cultural. Estes filósofos usaram da metodologia marxista, baseando-se no modelo dialético a fins de contrapor uma conjuntura histórica supostamente arquitetada pelas classes dominantes. Entretanto, a contradição dialética imposta sobre a análise histórica ignora as volições particulares dos sujeitos envolvidos na formação das condições históricas abordadas. Eis um determinismo (e reducionismo) histórico. A contradição dialética sobre o fluxo histórico seria necessária, uma vez que a história se resumiria no conflito de classes, no qual o grupo dominante, dotado de uma consciência uniforme, rivalizaria com o grupo explorado, também dotado de uma consciência uniforme. Ao inserir esta dicotomia entre classes, cria-se uma falsa contradição pautada na generalização psicológica. Tal dicotomia sugere que indivíduos não agem por si, mas por apenas dois tipos de consciência grupal. Eis um determinismo (e reducionismo) psicológico.

Ao alegarem que o revanchismo dicotômico é imposto pela classe dominante (superestrutura), ignoram as volições das classes supostamente dominadas (infraestrutura) e suas livres contribuições para o fluxo histórico. Este modelo determinista e reducionista, oblitera que a história seja feita por toda humanidade e que as subjetividades envoltas à este processo independam de classe social. Cabe citar que a história não é feita em exclusivo de rivalidades, mas em muitos casos, da união entre grupos. Em muitos casos, se unem mesmo quando partilham interesses distintos. Logo a história é movida pela ação de consciências individuais que se unem ou não em grupos distintos, voláteis e até mesmo contraditórios. Eis uma grande diferença do método marxista e o método liberal austríaco. Os marxistas em sua visão materialista, ignoram a subjetividade, generalizando indivíduos em grupos. Já os liberais cujo método é a Ação Humana, aceitam a subjetividade, não generalizam indivíduos nem vos classificam por grupos.

Doravante, cabe refutar detalhadamente as premissas postuladas por Lukács. A base de suas teorias advém de Marx, que as ideias dominantes são oriundas das classes abastadas no que se refere a produção intelectual. Entretanto, se analisarmos a história, podemos notar claramente que muitas pessoas destituídas de grandes posses, realizaram grandes obras nas artes, ciências e filosofia. No que concerne a filosofia, religião e no pensamento político, podemos destacar que muitos pensadores viveram em voto de pobreza e nada disto impedira que seu oficio ou pensamento fosse disseminado. Do contrário, muitos tiranos e poderosos tentaram impor suas ideias, mas falharam severamente. Em exemplos temos Jesus, Buda, Sócrates etc. Nestes casos, marxistas poderiam alegar que suas ideias tomaram conta do imaginário popular simplesmente porque foram abraçadas pelos donos dos meios de produção. Todavia, somente foram abraçadas pelas elites, após serem severamente divulgada entre os mais pobres. Eis uma inversão onde a infraestrutura impõe-se sobre a superestrutura da teoria marxista.

No que concerne o pensamento artístico temos inúmeros pensadores pobres que ganharam renome, influenciando não somente os artistas contemporâneos, mas os modos de pensar das elites. Em exemplo temos Leonardo Da Vinci, Van Gogh, Pablo Picasso, Machado de Assis etc. Nas ciências não seria diferente. Ao contrário do que supunha a teoria marxista, o pensamento científico também não é movido por aqueles que detém os meios de produção, embora em muitos casos, como na física quântica, seja necessário um nível de experimentação extremamente caro. Cabe lembrar que este fato não está ligado a um modo de dominação intelectual, mas simplesmente com os custos envolvidos nos rigores do método cientifico. Todavia, nada disto impede que um pensador estipule uma teoria genial que será testada somente no futuro. Assim fora com diversas teorias, como a Teoria da Relatividade Geral, Teoria do Big Bang, com a existência de Buraco Negro etc. Em exemplo temos Galileu Galilei, John Dalton, Carl Friedrich Gauss, Michael Faraday dentre diversos outros.

 Para Lukács as ideias e concepções culturais, filosóficas e cientificas e “aceitas” são mera criação da burguesia, quando na verdade, são obra conjunta de toda humanidade através dos tempos, criando, se inspirando no que fora criado e inovando em uma nova produção. Lukács alega que a “real ciência” não seria esta supostamente arquitetada a fins de defender os interesses burgueses, mas uma totalidade concreta (que ele mesmo não define) somente descrita pelo período histórico. Ele desconsidera que a genialidade é estar “a frente de seu tempo” e não inserido no mesmo universo de ideias que os demais indivíduos da sociedade. Para ele, o mesmo se aplica as ciências econômicas que seriam tidas como “leis eternas” forjadas pela burguesia e que cedo ou tarde seriam desmistificadas por esta consciência. Na verdade, nenhum economista compromissado com a ciência (diferentemente dos marxistas) jamais alegara que seus conceitos fossem eternos. Eles sempre estiveram dispostos a debater, tal como a ciência econômica voltada ao livre mercado é aquela que mais evoluíra com o passar do tempo. Lembrando que Lukács critica tais leis supostamente eternas e predominantes sem qualquer teorização a fins de refutá-las.

Referências:

História da Consciência de Classe – György Lukács

Defesa da História da Consciência de Classe – György Lukács

Lênin: Um Estudo na Unidade de seu pensamento – György Lukács

A história da Arte – Gombrich, E. H

Estudos de História do Pensamento Científico – Koyré

A História das Religiões Mircea Eliade

pessoas-juntasEis a sociedade real: indivíduos diferentes, com ideias únicas por mais semelhantes que sejam ao invés do conceito de classes defendido pelos marxistas.

Christiano Di Paulla

Continuação:  https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2014/02/05/marxismo-cultural-4-refutacao-a-antonio-gramsci/

comentários
  1. […] Marxismo Cultural sob a ótica da Igreja – Parte 2 Marxismo Cultural 3 – Refutação à György Lukács […]

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