Marxismo cultural 1 – Origem e Planos

Publicado: dezembro 30, 2013 em Marxismo

Embora possa parecer que os intelectuais marxistas estejam inseridos em “outro universo”, ignorando fatos históricos, o fracasso do sistema econômico comunista e toda sua violência tornaram-se notórios até mesmo para o mais fervoroso de seus defensores. Como dito anteriormente, Marx defendia que o capitalismo entraria em colapso e que por isto, os trabalhadores tomariam o poder, destruindo as classes, o que culminaria na implantação do comunismo. Entretanto na virada do século, nações capitalistas se fortaleciam sem a oposição revolucionaria dos trabalhadores. Diante estes fatos, ainda no século XIX, intelectuais marxistas como Bernstein e Kautsky passaram a revisar os conceitos marxistas, acreditando em uma revolução gradativa ao invés de uma revolução violenta e sanguinária, dando inicio a socialdemocracia que influenciaria a Rússia décadas antes à revolução. Eles foram os primeiros a perceber aquilo que viria a ser defendido pela escola de Frankfurt e que serviria de base para todo o marxismo cultural: o determinismo histórico de Marx estava equivocado e a revolução socialista precisava de um novo viés.

Ao contrário do que Marx teorizara, as revoluções se desenvolveram nas nações mais atrasadas com relação ao mercado e à Revolução Industrial. A Rússia revolucionária do inicio do século XX possuía uma economia pré-capitalista, rural e pouco industrializada, controlada por líderes absolutos, ao contrário do que ocorria em parte da Europa Ocidental e América do Norte. A Revolução Russa ocorrera em função da insatisfação com este sistema com resquícios feudais e não fora arquitetada pelos trabalhadores, mas por uma minoria que visava implantar o comunismo. Os mencheviques entendiam esta realidade e acreditavam que a Rússia deveria experimentar primeiramente uma introdução ao capitalismo, para somente então adentrar no socialismo de forma gradativa, na medida em que o proletariado estabeleceria sua consciência de classe. Já os bolcheviques acreditavam em uma revolução radical, baseada na luta armada, seguindo a ortodoxia marxista. Com a vitória dos bolcheviques sobre os mencheviques, a Rússia mergulhou no caos sangrento e revolucionário das teorias de Marx. Milhões morreram pela fome e pela guerra.

A Revolução Russa não produziu os efeitos esperados pelos devotos do marxismo e nem poderia, visto que o sistema comunista está irredutivelmente destinado ao fracasso por motivos econômicos – noções que seriam descritas mais tarde pelos economistas austríacos. Lenin fora forçado a adotar a Nova Política Econômica a fins de erguer a economia russa abalada com a guerra civil e pelo severo processo de estatização. Mesmo assim, a economia russa se mostraria insustentável modelo após modelo até sua derrocada na década de 1990.  Entretanto, desde o início os marxistas não estavam dispostos a entender aceitar esta condição. Sua resposta não fora o coerente abandono de seus conceitos, mas um desdobramento para novo viés revolucionário. Pouco importava o fracasso econômico, desde que o marxismo fosse plenamente implantado. Havia neles, uma devoção irracional ao fracasso óbvio. Os chamados marxistas ocidentais se abstiveram de noções economicistas, visando melhorar o processo revolucionário, desejando entender como disseminar sua doutrina em todo ocidente.

Os marxistas notaram que a cultura ocidental possuía raízes sólidas, além do fato do ocidente possuir um sistema militar forte e preparado para repelir sua revolução. Os marxistas compreenderam que o viés mais adequado seria uma revolução gradativa e silenciosa, penetrando de forma despercebida através de uma mudança paradigmática na cultura. Sua principal arma seria a propaganda subliminar ao invés da visível e traumática imposição pela força. Eles compreendiam que este tipo de revolução seria difícil de identificar e de se combater. Para Antônio Gramsci (um dos fundadores desta forma de revolução) o meio mais adequado para alicerçar tal revolução seria através da doutrinação acadêmica. Gramsci entendia que as crianças estão dispostas a aprender e reproduzir o que lhe é disposto. Sem que fosse notado, as crianças estariam contagiadas pelo pensamento marxista. Para Gramsci, os infantes indefesos de hoje, serão aqueles que ocuparão cargos de poder, influenciado as massas do amanhã.

O marxismo cultural fora estipulado com uma agenda bem definida e pode ser entendido como uma forma de subversão, deturpação e combate severo dos valores da cultura ocidental, como família, religião, gênero, raça, arte dentre outras concepções. Cabe lembrar que tais valores não são exclusivos do ocidente, mas estão impressos em toda a civilização. Devo memorar que as bases do marxismo cultural são encontradas nos próprios escritos de Marx. Em O Capital, Marx escrevera: “Abolição da família! Até os mais radicais ficam indignados com está proposta dos comunistas. Quais são as bases da família atual, a família burguesa? O capital, o ganho individual. Em sua plenitude a família só existe para a burguesia, mas encontra seu complemento na supressão forçada da família entre os proletários e a prostituição pública. A família burguesa desvanece-se totalmente com o desvanecer de seus complementos, e uma e outra com o desvanecer do capital.” Para Gramsci e Lukacs a família, a moral religiosa, o Direito Romano, e a filosofia greco-romana clássica eram uma barreira para o marxismo.

Referências:

Western Marxism – José Guilherme Merquior

Marxismo e totalitarismo –  Martin Jay

Escola de Frankfurt – Enciclopédia Britânica

As antinomias de Antonio Gramsci – Perry Anderson

Cadernos do Cárcere – Antonio Gramsci

img2271-2A meta do marxismo cultural é uma lavagem cerebral a fins de criar um povo obediente à ditadura comunista.

Christiano Di Paulla

Continuação:https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/12/31/marxismo-cultural-2-a-nova-consciencia-de-classe/

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