O mito da educação finlandesa

Publicado: dezembro 20, 2013 em Falácias socialistas

Em um mundo globalizado pelos meios de comunicação, onde há um fluxo constante de informação devemos estar atentos a quais levantamentos são factuais e quais são equivocados. Um dos exemplos mais comuns de considerações falaciosas diz respeito à educação Finlandesa que supostamente seria a melhor educação do mundo, totalmente estatal, gratuita e universal. Este argumento fora propagado nas redes sociais por militantes socialistas que insistem em dizer que o modelo educacional escandinavo (em principal finlandês) é vitorioso por adotar uma postura pautada no conceito do Estado do bem-estar social. Eles argumentam que nestes países a educação é vista como um direito e não como um serviço e que o sistema educacional incentiva um coletivismo cooperativo e não a nociva competição capitalista. Também alegam que diferentemente do sistema capitalista, a educação finlandesa é universal, pois não importa o patamar econômico, todos fazem uso do mesmo sistema de ensino.

Estes argumentos estapafúrdios demonstram ampla ignorância com relação ao sistema econômico finlandês e sua educação e com relação à educação em níveis mundiais. A primeira falácia sobre a educação Finlandesa é de natureza econômica. A Finlândia nunca fora um exemplo de economia socialista, mas o contrário: como citado anteriormente, o Estado do bem-estar social declinou na década de 1980 levando a liberalização. Houve a desregulamentação dos mercados, redução de impostos, privatização de estatais. A Finlândia tornou-se a economia mista que mais se aprofundara no processo de liberalização, ocupando a 19º colocação no Índice de Liberdade Econômica. Sobretudo, há um argumento ainda mais tacanho: a suposição de que a educação estatal seja gratuita. Nada ofertado pelo Estado é gratuito, pois é custeados por impostos que são pagos por todos os cidadãos. Não há nada de inclusivo em indivíduos usufruírem daquilo que pagaram. Lembrando: impostos altos implicam na redução das poupanças, investimentos individuais e produzi um efeito inflacionário – prejudicando a economia.

Agora vamos a educação finlandesa: os boatos que alegam que a educação finlandesa seria a melhor do mundo surgiram com 2006, quando o país alcançou a melhor colocação no ranking do PISA. Entretanto, em 2013, a Finlândia caiu para a 12º colocação, ficando atrás de nações com pouca tradição no que cerne o desenvolvimento educacional como no caso da Estônia. Mas não deveríamos esperar menos da Estônia, que no passado fora parte da URSS: eles alcançaram uma liberdade econômica maior que os EUA – por tais vias, o mesmo nível de desenvolvimento se aplicara ao sistema educacional. A mesma evidência se reflete no PISA 2013: as primeiras colocações foram: 1º Shangai, 2º Singapura, 3º Hong Kong, 4º Taiwan e 5º Coreia do Sul, o que indica que todos os atuais primeiros lugares são regiões administrativas ou nações com os mais elevados níveis de liberdade econômica, pautados na economia de livre mercado, além de se basearem na meritocracia e na competitividade – o oposto do modelo defendido pelos pedagogos socialistas.

Todavia, a educação Finlandesa não perde seu mérito, nem poderia ser tratado como um exemplo de socialismo. Os professores são instruídos a auxiliar os alunos a desenvolveram suas perspectivas individuais ao contrário do pensamento coletivista abordado pelos educadores socialistas. Assim, visam criar adultos independentes e seguros capazes de realizar seus objetivos. A educação finlandesa também engloba o desenvolvimento de habilidades sociais e respeito cívico. Talvez por isto, os socialistas considerem-na socialista, ignorando que o mesmo comportamento é padrão em empresas interessadas no lucro. Lembrando: na própria A Riqueza das Nações, o patrono do conceito moderno de livre mercado; Adam Smith, defende que o Estado se ocupe de funções mínimas: justiça, segurança e educação. Embora este não seja o ideário dos liberais contemporâneos, que pedem que o Estado se ocupe somente das duas primeiras funções, isto jamais caracterizaria um sistema como socialista.

Referências:

Rahoitusmarkkinoiden liberalisointi –  Taloustieto Oy

Daycare finlandesa: Cuidar, Educação e Instrução – Anneli Niikko

Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes 2009 à 2013

The Economist

findardized-testsA educação finlandesa, supostamente pautada em ideais socialistas, mas de fato: estatal, caíra inúmeras posições no ranking do PISA enquanto a Ásia meritocrática toma a dianteira nas avaliações internacionais.

Christiano di Paulla

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