Obsolescência programada

Publicado: dezembro 13, 2013 em Falácias socialistas

A chamada obsolescência programada é um conceito que sugere a existência de uma prática entre os fabricantes, no qual são desenvolvidos produtos de modo que venham a desgastar ou estragar rapidamente, obrigando os consumidores a comprarem mais produtos. Este conceito surgiu no início do século XX. . Segundo os defensores desta teoria, tudo começa na década de 1920 nos EUA, quando o mercado havia, supostamente chegado a um estado de saturação. Para manter as vendas utilitárias a General Motors, sugeriu mudanças leves no projeto anual, a fins de convencer os proprietários de carros que precisavam de uma substituição. Ao contrário a Ford não adotara o mesmo perfil, o que lhe renderá a perda da dianteira do mercado automobilístico em 1931. Em 1932 Bernard London em um panfleto intitulado Fim da Depressão através da Obsolescência Programada sugeriu que o governo impusesse estes métodos em bens industriais, forçando o consumo a fins de superar os efeitos da Grande Depressão de 1929. Este conceito fora disseminado de forma mais atenuante por John Kenneth Galbraith em sua obra A Sociedade Afluente de 1958.

Galbraith fora um economista macroeconômico de fortes inclinações institucionalistas e keynesianas. Seu trabalho exercera forte influencia sobre ativistas anticapitalistas. Como bem cita Lew Rockwell: “se antes os socialistas argumentavam que o capitalismo produzia pouco para manter seus lucros elevados, agora eles haviam mudado de ideia, passando a produzir de forma excessiva e errada.”  Segundo sua teoria, uma das táticas dos fabricantes é realizar pequenas mudanças estéticas num produto já lançado no mercado, a fins de darem impressão de que houve determinado aprimoramento. Em 1960 o jornalista e critico cultural norte-americano Vance Peckard publicou Os Fabricantes de Resíduos demonstrando que também havia uma tentativa sistemática nos negócios para tornar os bens inúteis, tornando os consumidores eternos descontentes, o que vos levaria ao gradativo endividamento. Ele introduziu o conceito de obsolescência psicológica, no qual os comerciantes estimulariam o descarte dos produtos na mente do consumidor. Unindo estes conceitos haveria o “ciclo de substituição” no qual as empresas buscam obter lucros, reduzindo o tempo de descarte em compras repetidas.

Com o  tempo, foram introduzidos novos conceitos a esta teoria. O primeiro tipo é a “obsolescência técnica”: que visa utilizar materiais de qualidade inferior, propensas a se danificar com maior facilidade, exigindo reparos ou a substituição. O segundo tipo é a “obsolescência de estilo”: quando um produto é substituído por outro de novo padrão estético. Há também a “obsolescência notificada”: que ocorre quando determinado produto é vendido com um informe do tempo em que deverá ser substituído. Assim, laminas de barbear ou velas automotivas, seriam trocadas, antes que realmente apresentassem um real desgaste. Outro tipo é a “obsolescência sistêmica”: quando um produto é deliberadamente produzido para ser substituído por outro que execute uma função supostamente superior. Neste caso é dado exemplo de softwares, que podem trazer as “mesmas funções”, mas que impedem que antigos formatos sejam lidos, como no caso de um editor de texto. Por fim é citada a “obsolescência de esgotamento”: quando um produto consome determinado recurso, mas substitui outro sem tal necessidade. O exemplo comum é das impressoras que ao esgotar determinada tinta, força a compra de todo o cartucho, ao invés da simples recarga.

Uma vez apresentavas as considerações da obsolescência programada, cabe sua devida refutação. Em primeiro, o exemplo comumente citado para a obsolescência programa refere-se a um mercado restrito (EUA no inicio do século XX) em um momento ao qual havia uma limitada concorrência. Somente neste caso, os produtores são capazes de impor seus produtos aos consumidores. Na existência de várias concorrentes, os consumidores migrarão para aquelas cujos bens possuem melhor custo/beneficio. Neste sentido, encontramos uma presunção equivocada a respeito da produção e do consumo aberto à concorrência. Consumidores não são estúpidos e estão sempre atentos com relação ao consumo de bens visto que o tempo necessário para obter seus recursos financeiros, fora árduo e cansativo, o que vos torna cada vez mais exigentes e minuciosos. Como podem simplesmente migrar para outra marca, os produtores visam fidelizar clientes, melhorando seu produto gradativamente, visando superar as inovações da concorrência.

Outra consideração equivocada devido à natureza técnica existente no processo de produção ao se relacionar com o mercado. Ao contrário do que ocorria no passado, a competição e a acentuada evolução tecnológica produzem a queda dos preços e o constante descobrimento de novos métodos e tecnologias. Não há conhecimento técnico que possa criar algo perfeito, de modo que não seja descartado por uma inovação superior. Logo seria um desperdício de recursos, criar um bem que dure tanto quanto será demandado. No quesito durabilidade, as tecnologias modernas cada vez mais avançadas, são mais sensíveis e fáceis de estragar que os bens robustos do passado. Porem não todas. Há uma grande diferença entre um computador sensível ao manuseio, cuja tecnologia se renovará rapidamente, propiciando uma menor atenção com relação à durabilidade se comparado a uma aliança maciça, cujo casal usará por toda vida.  Outro erro desta teoria é a suposição de que bens devam durar o máximo de tempo possível, quando na verdade, não há nenhuma preferencia geral por parte dos consumidores, que possa indicar um tempo uniforme no qual os bens devem durar.

Agora se faz necessário dissertar sobre os tipos de obsolescência. No que concerne à obsolescência técnica, muitos consumidores optam por um produto feito com matéria prima de baixa qualidade e consequentemente mais barato, pois não estão dispostos a pagar por um mais caro, visto que não pretendem usar este produto por muito tempo ou porque não lhe oferece tamanha utilidade. No que concerne à obsolescência de estilo, as mudanças estéticas, muitas vezes estão relacionadas a uma negação das novas tendências, se comparado as anteriores, ou pela observação de um design mais atrativo no concorrente. Uma empresa pode retirar determinado botão em um produto, considerando prático, mas os consumidores podem exigir seu retorno ou aos moldes de outro produto. Pode-se também usar uma nova cor ou detalhe distinto em um modelo de tênis para agradar mais ao publico feminino. No que cerne a obsolescência notificada, os consumidores estão atentos ao tempo em que o produto realmente fica obsoleto. Notarão uma lamina de barbear “vencida”, que ainda possua corte afiado. A evidência tátil não provocará seu descarte. Em outros casos como alimentos, odores podem demonstrar seu estado.

No que concerne à obsolescência sistêmica dos softwares, novos formatos são introduzidos porque melhoram a qualidade e propiciam maior economia. Em um novo editor de texto, a gramática é revisada e novas funções são inseridas a fins de facilitar à escrita. Por tais vias, os argumentos referentes à obsolescência programada são equivocados. Mesmo porque não há definição comum do tempo de duração dos bens, tal como seu descarte ocorre por questões de inovação tecnológica. Muito do tempo definido para o descarte, vai de acordo com os anseios dos consumidores, portanto não é arbitrário. Como bem cita Lockewell, consumidores preferem aperfeiçoamento à continuidade, disponibilidade à longevidade, substituição à reparação, progresso e mudança à duração. Cabe citar que também não há desperdício, por atender as demandas dos consumidores ao menor custo – meta sempre procurada por empresários. Sobretudo, há liberdade para escolher a troca, o tipo e durabilidade dos bens. Nada impede uma pessoa de morar em uma casa rústica, com fogão de lenha, tecendo as próprias roupas, ao mesmo que ouve uma vitrola, como nada impede que faça o contrário.

Referências:

Os Fabricantes de Resíduos –  Vance Peckard

Fim da Depressão através da Obsolescência Programa – Bernard London

A Sociedade Afluente –  John Kenneth Galbraith

A questão da obsolescência programada – quanto tempo as coisas devem durar? – Lew Rockwell

443423_(www.GdeFon.com)Ao observarmos bem as nações mais voltadas ao mercado e a indústria do século XXI, notamos uma obsolescência programada ou um progresso sem precedentes? A respostá é clara!

Christiano Di Paulla

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