Consumo, livre mercado e liberdade

Publicado: dezembro 12, 2013 em Falácias socialistas

Estamos nos aproximando do final do ano e como de costume, vivenciamos severas criticas de anticapitalistas anarquistas, socialistas e comunistas condenando aquilo que chamam vulgarmente por “consumismo natalino”. Neste texto, rebaterei os equívocos destes argumentos. O termo consumismo fora cunhado pelo sociólogo e economista norte-americano Thorstein Veblen; considerado fundador da Economia Institucional. Veblen acreditava que a economia estava de acordo com uma “consciência histórica”, lapidando o modo de pensar. Em sua obra A Teoria da Classe ociosa, de 1889, o consumo no capitalismo seria simplesmente uma forma de demonstrar riqueza, ignorando o bem estar real: “As pessoas diminuem seu conforto ou necessidades para que possam parecer bem vestidas”. Em: A teoria do Negocio Empresarial de 1904, Veblen alega que os interesses empresariais visam apenas lucros, e que por tal via são opostos aos interesses da comunidade, limitando a produção, para ampliar os lucros, além de impedir o progresso tecnológico. Segundo ele, empresas visam proteger seus capitais, estimulam ao crédito e são responsáveis pelas crises financeiras e pelo aumento da guerra.

Veblen, um marxista declarado, comete os mesmos erros de Marx. A noção de consciência histórica abordada no materialismo histórico marxista ignora o relativismo psicológico dos seres humanos. Não existe pensamento comum, mas uma diversidade incomensurável de gostos e opiniões. A própria rejeição às teorias marxistas é um exemplo. Marxistas negam esta realidade e insistem na ideia de que deve-se produzir somente o que é útil -uma definição não existe nem ao menos entre marxistas. Considerar que um bem deve ser produzido ao invés de outro é apenas um fetichismo dos planejadores centrais, impondo seus gostos de forma tirânica. Do contrário, em uma economia de mercado, o que move o consumo em qualquer tempo ou cultura é o desejo subjetivo que decresce à medida em que o bem é adquirido (utilidade marginal). Empreendedores são pessoas capazes de entender estes desejos e sublimá-los da melhor forma possível. Neste sentido, não cabe ao empreendedor julgar o que seria correto produzir, mas servir o consumidor ao mesmo tempo em que preserva sua lucratividade. Caso um empreendedor ignore o anseio dos consumidores produzindo o que bem entende, um concorrente aparecerá e realizará estes desejos, podendo levá-lo à bancarrota.

Logo, não há como definir como certo ou errado qualquer tipo de consumo – o que  seria uma mera e desnecessária opinião particular. Seria ainda pior, tentar impor estas definições, o que resultaria em um atentado às liberdades individuais. Veblen julga em outro argumento, que o consumo é simples demonstração de riquezas (generalização psicológica). Na realidade, o número de lojas de luxo é demasiadamente inferior ao número de lojas populares. Embora isto ocorra em função do número restrito de pessoas com alto poder aquisitivo, o fato de haverem empresários dispostos à ofertar bens que atendam aos anseios dos mais pobres, descarta a ideia que a “ostentação” mova o mercado. E embora existam pessoas com mediano poder aquisitivo que se abstenham de bens que realmente anseiam em função da ostentação, isto ocorre em casos isolados. Tal incidência é típica de economias com pouca liberdade econômica, no qual poucos tem acesso a bens e serviços de qualidade. No que concerne as classes mais pobres, a ostentação é reflexo de baixa educação financeira. Nos Tigres Asiáticos, por exemplo, crianças são ensinadas a consumir o necessário (definido por elas mesmas), visando poupar para investir futuramente, o pode ser classificado como maturidade financeira.

Ao contrário do que alega Veblen, a economia de livre mercado está associada ao investimento baseado na poupança, não no crédito. Desde Adam Smith, liberais são contrários ao crédito cedido a partir da impressão de papel moeda sem lastro, com taxas de juros baixas. Estas perspectivas somente podem ser adotadas graças à existência de um banco estatal, o que vai de acordo com as perspectivas socialistas e não o contrário. Como é descrito por economistas liberais: consumo não é sinônimo de prosperidade. As teorias marxistas se equivocam ao associar o consumo à demanda de mão de obra e consequentemente ao enriquecimento dos empreendedores. Em primeiro, porque demanda de bens de consumo e demanda de mão de obra, são fatores separados. A aquisição de bens de consumo depende de valores monetários adquiridos pelos consumidores a partir do trabalho. Neste sentido, se um trabalhador consome tudo em artigos esportivos, faltarão recursos para adquirir outros tipos de bens. A demanda de mão de obra depende dos gastos produtivos o que se relaciona com a poupança capitalizada pelos empreendedores, visando aumentar suas receitas.

Quanto maior a poupança e os gastos produtivos por parte dos empreendedores, maior será a demanda por mão de obra e de bens de capital, se comprada à demanda a bens de consumo. Por esta via, haverá um aumento dos salários e da produtividade, gerando mais empregos, ampliando o poder aquisitivo e o consumo das classes trabalhadoras. Assim, as nações mais voltadas à economia de mercado, conseguiram ampliar o acesso dos trabalhadores a bens e serviços, melhorando sua qualidade de vida, o que demonstra que o aumento do consumo é efeito de maior capitalização por parte dos investidores ao invés de simplesmente se associar ao consumo sem discrepância. Mesmo porque, quando determinado trabalhador deseja prosperar financeiramente, deverá gastar menos que recebe, poupando o necessário para investir em longo prazo. Isto não vos abstém de todo o consumo, nem tão pouco limita a capacidade de capitalização e investimento dos empreendedores.

Não se não bastasse esta critica econômica descabida, ainda há um suposto argumento psicológico. Segundo os críticos do consumo, as pessoas são motivadas por propagandas a consumir o que não precisam, visando sublimar suas fragilidades emocionais ou confraternizar falsamente umas com as outras (caso do natal, dia dos pais etc.). Estes bens seriam as marcas de “status”, como a Nike, por exemplo. Esta alegação é puro reducionismo psicológico: a propaganda visa exibir os bens, o que não imprime compra. E uma vez que haja um livre mercado aberto à competição, haverá uma gama de marcas diferentes, cabendo ao consumidor escolher a que mais lhe agrada. Por esta via, existem marcas de sucesso (não de status) visto sua qualidade e bem-querer. E mais uma vez devo frisar: não existe definição do que seja “necessário”. Quem poderá definir se é necessário um chinelo Havaiana ou um tênis Adidas? Apenas o individuo! Tentar impor aos outros suas opiniões e desejos é tirânico imoral. Cada trabalhador que faça o que deseja com seu dinheiro, presentando, consumindo e arcando com tais responsabilidades.

Referências:

A Teoria da Classe ociosa – Thorstein Veblen

A teoria do Negocio Empresarial – Thorstein Veblen

História do pensamento econômico – Joseph Schumpeter

Economia e Liberdade – Ubiratan J. Iorio

compras-em-shops

Shoppings lotados no final de ano: produzem empregos temporários, renda extra, a alegria de crianças e de pessoas que se divertem e presenteiam seus entes e amigos queridos. Diante este ambiente, somente uma mente doentia pode desejar o revés.

Christiano Di Paulla

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