As profecias econômicas de Marx – Parte 2

Publicado: novembro 13, 2013 em Marxismo

A crise estrutural também poderia ocorrer pelo aumento da inflação diante salários baixos. Marx acreditava que haveria o aumento do preço das mercadorias de primeira necessidade, como produtos alimentícios sem que pudesse haver a variação do valor da força de trabalho. Para ele, os preços podem se elevar diante o valor do trabalho que é tão estático diferentemente dos preços.  Neste caso, os baixos salários contrastados com preços elevados levariam a uma piora da qualidade de vida dos trabalhadores. Marx profetizava que cedo ou tarde, haveria uma piora assustadora dos padrões de vida dos trabalhadores afirmando que “toda a história do passado prova que sempre que se produz uma depreciação do dinheiro, os capitalistas se aprestam para tirar proveito da conjuntura e enganar os operários”. Este argumento baseia-se na noção de inflação e deflação de Marx e que mesmo sem nenhuma definição precisa em seus estudos, poder ser extraída de suas considerações referentes ao dinheiro que são calcadas nas mesmas e equivocadas concepções de valor.

Para os economistas clássicos como Ricardo, o dinheiro era simplesmente um mecanismo de troca. Para Marx, o dinheiro era tal como toda outra mercadoria cujo valor poderia estabelecer-se a partir do tempo socialmente necessário para trabalha-lo. A partir desta premissa, encontramos em suas teorias a respeito do dinheiro sua definição de inflação e deflação referente ao padrão da época (ouro). Para Marx, os preços medidos em quantidade de ouro, só podem alterar-se de modo generalizado devido ao aumento ou diminuição da produtividade no setor produtor do metal, em termos relativos às produtividades dos setores das demais mercadorias. A inflação monetária ocorria devido a menor quantidade de mão de obra empregada para a extração do ouro, enquanto a deflação ocorreria em função do maior emprego de mão de obra na produção de moeda.  Portanto, para a teoria marxista, a inflação monetária que ocorrera na Espanha durante o período de extração de ouro e prata de suas colônias, não fora causada pelo volume de materiais extraídos, mas por uma suposta redução de mão de obra.

Marx também alegava haver um segundo tipo de crise, provocado pela superprodução. Para Marx o capitalismo seria um sistema fadado ao fracasso devido à própria irracionalidade do processo produtivo. Este sistema baseia-se em três fatores premissas que levam a crise permanente: Em primeiro, a concorrência anárquica de mercado: muitos capitalistas competindo entre si, quase sem regras, terminariam por lançar manufaturas em excesso no mercado, provocando uma superprodução. Sem conseguir vende-los porque os salários estariam baixos, dar-se-ia o subconsumo. Sem lucro, os investimentos decresceriam e haveria demissões em massa. Esta é a atribuição marxista para os ciclos econômicos tais como o ocorrido durante a Grande Depressão de 1929. Marx também alegava que baseado nesta competição, os grandes capitalistas eliminariam os pequenos produtores, monopolizando ainda mais o capital. Assim a riqueza estaria cada vez mais concentrada, e o trabalhador teria poucos recursos trabalhistas, forçado a uma exploração cada vez maior.

Por fim, as ocorreriam devido ao fato de que os capitalistas estão somente interessados no lucro, produzido mercadorias somente em função de seus ganhos. Os trabalhadores estariam fadados a receberem migalhas, enquanto os capitalistas teriam acesso exclusivo aos bens de melhor qualidade. Este comportamento de avareza prejudicaria os mais pobres, pois em países famintos, os produtores poderiam queimar os grãos desde que não estivessem satisfeitos com os preços. Mais tarde, no século XX, isto supostamente explicaria o fato de que em tempos da superprodução do café, os capitalistas queimaram as sacas para manter os altos lucros. Para os marxistas, estes empreendedores, pouco se importavam com o bem estar da sociedade, explorando-os e impedindo um acesso mais livre aos bens que eles mesmos produziam. Na teoria marxista, todas estas situações insustentáveis levariam a uma crise ainda maior no sistema, provocando seu colapso.

Marx chamou este estágio de crise final – aquele proveniente da revolta com a suposta relação de exploração em A Ideologia Alemã: “Esta «alienação» – para que a nossa posição seja compreensível para os filósofos – só pode ser abolida mediante duas condições práticas. Para que ela se transforme num poder «insuportável», quer dizer, num poder contra o qual se faça uma revolução, é necessário que tenha dado origem a uma massa de homens totalmente «privada de propriedade», que se encontre simultaneamente em contradição com um mundo de riqueza e de cultura com existência real; ambas as coisas pressupõem um grande aumento da força produtiva, isto é, um estádio elevado de desenvolvimento. Por outro lado, este desenvolvimento das forças produtivas (que implica já que a existência empírica atual dos homens decorra no âmbito da história mundial e não no da vida loca) é uma condição prática prévia absolutamente indispensável, pois, sem ele, apenas se generalizará a penúria e, com a pobreza, recomeçará paralelamente a luta pelo indispensável e cair-se-á fatalmente na imundície anterior”.

Referências:

Karl Marx – A Ideologia Alemã

Karl Marx – O Capital

Karl Marx – Manifesto do Partido Comunista

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Marx é como Einstein para seus admiradores, quando na verdade não passa de um charlatão ao nível de astrólogos que se consideram cosmólogos!

Chris Di Paulla

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