As profecias econômicas de Marx – Parte 1

Publicado: novembro 13, 2013 em Marxismo

Uma vez que Marx tenha cometido erros irremediáveis nos alicerces de suas teorias, seja no valor do trabalho ou na mais-valia, suas “profecias econômicas” estariam fadadas ao fracasso. Além do mais: ciência não é feita de adivinhação. Não é pautada na especulação embasada em conhecimentos rasos, mas calcada na análise racional e na rigidez da experimentação: fato ignorado por Marx. Mesmo antes da publicação de O Capital – sua obra mais “notória”– Marx já havia demonstrado suas profecias em Salário, Preço e Lucro. Este trabalho fora elaborado para uma palestra realizada em duas sessões no mês de junho de 1865, no Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional. Ele intencionava rebater a corrente dos operários ingleses ligados a Trade Unions, no qual havia aqueles que alegavam que a luta pela elevação dos salários levaria ao aumento do custo de vida, o que prejudicaria os trabalhadores. Assim visava enaltecer a ideia de que os trabalhadores tivessem uma maior ação política a fins de vigorar o comunismo.

Salário, Preço e Lucro foca-se em quatro alegações – nos quais a maioria é encontrada em O Capital: 1º Refutar a ideia de que os preços das mercadorias são determinados pelos salários. 2º Demonstrar que o aumento da taxa de lucro, força a redução dos salários e vice versa. 3º Demonstrar que a luta dos trabalhadores a fins de obter o aumento dos salários ocorrem porque eles se veem equiparados às mercadorias submetidas ao movimento dos preços. 4º Que as vitórias pela elevação dos salários são limitadas pela ação do capital, o que imprime a necessidade de abolir o sistema. A partir desta última necessidade, o proletariado estaria irredutivelmente fadado a entender a suposta exploração do sistema capitalista e mais: compreenderia que o rumo há uma sociedade comunista seria o único viés a fins de encontrar a tão sonhada libertação. Marx não estava somente interessado em demonstrar suas teorias, mas imprimir a ideia de que elas moveriam o futuro de toda a humanidade, o que demonstra uma arrogância anticientífica e uma presunção sem precedentes. 

Marx começa o trabalho Salário, Preço e Lucro focando em sua teoria de sua mais-valia e da exploração do trabalho alegando que os trabalhadores são explorados pelo tempo necessário para produzir mercadorias. Elas seriam as forças necessárias para o surgimento dos lucros capitalistas e da formação dos preços e da formação dos salários. Na defesa do primeiro argumento – que o preço das mercadorias não seja determinado pelos salários – Marx foca-se no conceito de que o preço tende há um valor referente ao tempo socialmente necessário para a produção, enquanto os salários representam uma espoliação deste tempo. Baseado nesta premissa, Marx tece o segundo argumento – sugerindo que quanto maior o lucro menor será os salários – visto que o capitalista não possui outro meio de obter lucro, senão por sua suposta mais-valia. Há nesta relação uma luta constante entre o capital e o trabalho em torno da divisão do montante agregado à mercadoria no processo de produção – o que levaria ao 3º e 4º argumento. Estas seriam as bases para a profecia de Marx, acerca da crise do capitalismo.

Em O Capital e o Manifesto do Partido Comunista Marx prossegue com suas afirmações proféticas. Primeira: a crise estrutural. Esta crise ocorreria em função da constante exploração capitalista levando à implantação do comunismo. Um motivo seria o aumento da produtividade e da mais-valia. Marx alega que com a melhoria e o aumento da produtividade, a taxa de mais valia cresceria. Neste sentido, o trabalhador seria capaz de produzir mais e de forma melhor rendendo mais lucro para o capitalista. Mesmo que o padrão social do trabalhador continuasse o mesmo, sua diferença para com o capitalista aumentaria. Entretanto, Marx sugere que também poderia ocorrer o contrário: com a queda da produtividade, haveria uma demanda maior de tempo para a produção, levando a sua consequente valorização das mercadorias. Caso os salários não acompanhassem esta elevação no valor das mercadorias, a exploração sobre o trabalhador aumentaria e consequentemente haveria queda em seu padrão de vida. Marx defende esta tese, pois uma vez que o capitalista está interessado no lucro através do aumento da produtividade, investe no desenvolvimento das forças produtivas na medida em que se apropria da mais-valia.

Para Marx, a parte do capital formado por máquinas, matéria prima e meio de produção cresce com mais rapidez que a parte destinada a compra da força de trabalho. E mesmo que o capital destinado à compra de força de trabalho não pare de crescer, o fará em proporão decrescente se comprado ao capital destinado ao desenvolvimento das forças produtivas. Assim Marx sugere que as máquinas retirariam do trabalhador sua porção no capital, retirando emprego e renda – o que prejudicaria ainda mais a situação dos trabalhadores. Para Marx, os engenhos dos capitalistas também possui a tendência de aumentar a intensidade do trabalho com a aceleração das máquinas ou pelo aumento do número de máquinas e funções que os trabalhadores devem operar. Deste modo, a jornada de trabalho será a mesma, o trabalho mais produtivo, a mais-valia será ainda superior, elevando ainda mais a diferença entre empregador e assalariado.

A crise estrutural relacionada à mais-valia também poderia ocorrer devido ao aumento da jornada de trabalho. Para Marx, o capitalista não teria o menor receio em aumentar a jornada de trabalho mantendo os salários a fins de explorar o trabalhador cada vez mais. Segundo ele: “o capital tende constantemente a dilatá-la ao máximo de sua possibilidade física, já que na mesma proporção aumenta o sobre-trabalho, portanto, o lucro que dele deriva”. Neste sentido, Marx alega que mesmo que o trabalhador consiga ampliar seu salário, o valor do trabalho pode diminuir se o aumento dos salários não corresponde à maior quantidade de trabalho espoliado. Assim, mais rápido será o esgotamento da força de trabalho. Assim os salários poderiam permanecer estagnados diante o aumento da jornada de trabalho ou com um aumento baixo se comparado este aumento – o que em todo caso, ampliaria a mais-valia.

Referências:

Karl Marx –  Salário, Preço e Lucro

Karl Marx – O Capital

Karl Marx – Manifesto do Partido Comunista

Karl_Marx__The_Prophet_by_Latuff2Christiano di Paulla

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