A falácia da infraestrutura e da superestrutura de Marx

Publicado: novembro 13, 2013 em Marxismo

Baseando-se no materialismo histórico e dialético Marx concebera o conceito de infraestrutura e superestrutura em seu trabalho “Contribuição para a crítica da economia politica”. Segundo ele, a infraestrutura seria composta pelos meios materiais de produção (mão de obra, equipamentos, técnicas de produção e tecnologias consequentes), enquanto a superestrutura compreenderia as esferas responsáveis pela produção ideológica da sociedade (governo, legislação, educação, religião, ciência, arte). Como descreve a sociologia marxista, a superestrutura é determinada pela infraestrutura. Para Marx, a maneira no qual a economia se organiza, irá influenciar nas ideologias presentes na sociedade. Este antagonismo sociológico daria forma as débeis teorias da mais-valia e da luta de classe, demonstrando que há uma relação antagônica de poder baseado na exploração.

Para refutar o conceito de infraestrutura e superestrutura de Marx, Mises dá o seguinte exemplo: “Os homens usam armas de fogo”. Para aprimorá-las, desenvolveu-se a balística. Mas é claro que, precisamente porque desejavam uma maior eficácia, fosse para caçar animais, fosse para se matarem uns aos outros, procuraram desenvolver uma teoria balística correta. De nada serviria uma balística meramente “ideológica”. Logo, os métodos de produção não possuem a menor relação com ideologias dominantes, visto que são concepções puramente materiais. Mesmo que a produção seja ditada pelo desejo dos consumidores, não há relação direta entre desejar um automóvel e como ele é produzido. Os métodos de produção se aprimoram por noções técnicas, como por exemplo: o desenvolvimento de um novo cálculo. Ideologias políticas não produzem novo viés em engenharia, arquitetura, agricultura etc.

O mesmo ocorre quando analisamos esta concepção no campo da ciência. Com bem cita o filósofo Olavo de Carvalho: “Como será que, pensando, por exemplo, na embriologia dos gatos ou na lei de queda dos corpos, posso produzir um discurso que, no fim das contas, nada diz sobre gatas prenhes ou bolas que caem, mas apenas afirma o direito que minha classe social tem de viver no bem-bom à custa da exploração das outras classes?”. Obviamente tais considerações não teriam sentido, nem o menor respaldo, uma vez que a inovação cientifica também depende um cunho técnico e não ideológico. Seria um argumento extremante tacanho supor que em função dos astros girarem ao redor do sol, os pobres deveriam girar ao redor dos ricos. Tal narrativa dificilmente convenceria o homem de menor formação intelectual, quanto mais, definir o pensamento de uma classe.

Vejamos agora outro exemplo, a questão da ideologia política. Como seria possível para os meios de produção influenciar uma pluralidade de perspectivas conflitantes? Em um Estado democrático, é natural que tenhamos partidos com opiniões adversas, mesmo dentro do mesmo campo ideológico. Há liberais que defendem o minarquismo baseado exclusivamente na justiça e na segurança publica. Outros poderiam defender estes dois elementos, somados da saúde e da educação pelo sistema de voucher. Liberais sociais poderiam ampliar isto, a determinados ajustes de seguridade social. Neste cenário, há também a presença de partidos socialistas. Socialdemocratas defendiam ampla seguridade social enquanto marxistas lutariam por uma estatização ainda maior. Logo, em nações democráticas, encontramos uma imensa pluralidade de pensamento, sem que exista nenhuma classe ideológica sob o domínio, mas ao mesmo tempo, um padrão técnico nos meios de produção reesposáveis pela produção de uma ampla gama de bens direcionados para vários públicos.

Do mesmo modo citado acima, ideologias diferentes convivem em uma fábrica de um país democrático, a mesma infraestrutura persiste em nações diferentes, mesmo distantes destes conceito. Tenhamos como exemplo a cultura do oriente médio que é distinta da cultura Europeia. Mesmo com tais discrepâncias, os métodos produtivos são os mesmos. Não se constrói um carro na França diferentemente do Irã ou África do Sul. O que Marx intenta com tais teorias é definir a sociedade em uma visão materialista e reducionista. Para ele, os homens são meros objetos da produção e é desta forma que são redimensionados em próprio seu sistema. Em nações que empregaram o modelo marxista como a URSS, a centralização dos meios de produção nas mãos do Estado, produziram efeitos contrários aos abordados por Marx. Nestes regimes, a superestrutura definira a infraestrutura. Líderes totalitários influiriam (e influem como na Coreia do Norte) no modo do povo pensar e agir das massas, sem qualquer oposição.

Referências:

Karl Marx – Contribuição para a crítica da economia politica

Ludwig Von Mises – Ação Humana

Olavo de Carvalho –  Seminário de Filosofia

Marx

É incrível como teorias tão estúpidas persistem no imaginário acadêmico, mesmo com os milhões de mortos em regimes comunistas!

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/11/14/problema-de-calculo-economico-parte-1/

comentários
  1. […] Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/11/13/a-falacia-da-infraestrutura-e-da-superestr… […]

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