Refutação da mais-valia

Publicado: outubro 30, 2013 em Marxismo

Carl Menger dera início a uma série de refutações que desmantelariam as teorias comunistas a partir da publicação de: Princípios de Economia em 1871. Menger concluíra que o valor dos bens não decorre da quantidade de trabalho empregue, mas de sua utilidade para a satisfação subjetiva e se relaciona com a oferta e a demanda. Para demonstrar estes conceitos, Menger desenvolvera a teoria da utilidade marginal que sugere à necessidade descresse na medida em que mais unidades deste mesmo bem são adquiridas. Em exemplo, suponhamos um consumidor que tenha o anseio de possuir um “bom relógio” segundo suas considerações subjetivas. Para ele, este tipo de mercadoria deve possuir recursos que atendam as suas necessidades. Uma vez que este bem que atenda tais necessidades seja adquirida sua utilidade marginal decrescerá. Isto somente não ocorre em casos raros como quando tratamos de colecionadores. Este fato observável refuta o conceito de fetichismo no qual os bens seriam consumidos como se possuíssem alguma força viva capaz de forçar o consumidor a sua aquisição.

As premissas defendidas por Menger já estavam presentes nas teorias dos economistas clássicos, como no caso do paradoxo da água e do diamante, inicialmente postulada por Smith: “Porque a água, mais necessária é tão barata e o diamante, supérfluo, tem preço tão elevado? Ocorre, pois a água tem grande utilidade local, mas baixa utilidade marginal (é abundante e de difícil aquisição), enquanto o diamante, por ser escasso, tem grande utilidade marginal.” Portanto Menger define: o valor nada tem a ver com o trabalho empregue, visto que um diamante encontrado, mesmo que nunca lapidado, é de extremo valor, ao contrário da água de um rio. Eis o também exemplo de uma pepita de ouro encontrada por acaso e que jamais fora lapidada ou de um terreno jamais lavorado. Marx sugere que esta valorização seria fruto do fetichismo por mercadorias – o que não é explicado quando analisamos bens não laborados. Para Böhm-Bawerk, caso Marx não estivesse limitado a estudar (precariamente) o valor de manufaturas, analisando também, bens naturais trocáveis, entenderia a fragilidade de suas teorias.

Os erros de Marx são notórios quando notamos o valor de todos os bens raros que não podem ser produzidos, como terras ou recursos naturais. Há também a categoria daqueles que se encontram perdidos no tempo como no caso de moedas, livros ou relíquias antigas. Há também bens raros fruto de trabalho qualificado, como no caso de obras de arte como pinturas, esculturas, artesanato ou especiarias raras. Neste caso, uma hora de trabalho de um especialista passa a valer tanto quanto dias de um operário de fábrica. Marx não ignorou esta condição e alegou que uma pequena quantidade de trabalho complexo equivaleria a uma grande quantidade de trabalho comum.  Entretanto, qual seria a ferramenta capaz de definir quanto do trabalho especializado valeria o trabalho comum? Todavia, como isto seria possível se equipararmos o valor de trabalhadores no mesmo ofício como pintores, artesãos, artistas cênicos etc?

Como citado por Böhm-Bawerk, Marx comete outro erro fatal ao alegar que os empregadores não pagariam menos que o necessário para a sobrevivência. Esta consideração descarta trabalhos muito mal remunerados como no caso de trabalhos manuais simples como no caso de bordados, costuras, malharia etc. Neste caso, não é incomum que o produto de três dias de trabalho de uma bordadeira venha a valer menos que dois dias de uma operária de fábrica. Do contrário, podemos notar que Marx também ignora os trabalhos extremamente bem remunerados em um mesmo setor. Porque o trabalho do operário de determinada fábrica poderia receber o dobro que do operário de outra do mesmo seguimento, mesmo que ambos trabalhem o mesmo período? Estaria o explorador capitalista, apropriando-se de um nível menor de mais-valia? Mas como isto seria possível, se o empreendedor visa sempre maximizar seu lucro, ampliando a exploração?

Marx é incapaz de descrever valor e precificação, o que inclui manufaturas. Tomemos o exemplo de uma pequena produção industrial de camisetas estampadas. Imaginemos dois modelos que demandam o mesmo custo e tempo para produção. Em um lote de 100 camisas, há estampado de Che Guevara, em outro com 100 de Dario III. O empreendedor especula que serão vendidas por $ 5, mas ao chegarem ao mercado, apenas as camisas de Che foram bem vendidas. Já as camisas de Dário II não foram vendidas nem por um valor menor que o especulado visto à indiferença dos consumidores. Marx diria que as camisas de Che foram vendidas por fetichismo, mas enquanto as camisas de Dario? Elas não sofreriam do mesmo processo? O exemplo demonstra é que não importa o tempo nem os materiais gastos, as camisas de Dario não detiveram valor algum, levando a uma “menos-valia”.

Marx não compreendia regras simples de economia porque estava preso a teoria de valor que lhe permitia alegar que o lucro dependia em exclusivo da mais-valia. Todavia, uma vez que os valores dos bens não dependem da quantidade de trabalho empregue flutuando no mercado de acordo com preferencias temporais e leis de oferta e demanda, para obter-se lucro é necessário que o empresário simplesmente busque compreender a demanda dos consumidores e assim gerir os melhores investimentos com os recursos limitados que possui. Caso o empreendedor falhe, poderá falir sem qualquer tipo de lucratividade. Portanto, ao contrário do que alegava Marx, só há valor quando um bem é cotado subjetivamente no mercado. Mercadorias não possuem valor simplesmente porque foram lapidadas. Quando bens não são precificados pelo mercado, não há como imprimir qualquer valor ao trabalho.

Referências:

Karl Marx  – O capital

Carl Menger – Princípios de Economia Política

Eugen Von Böhm-Bawerk – Capital e Juros

Eugen Von Böhm-Bawerk – A teoria positiva do capital

Eugen Von Böhm-Bawerk –  Teoria da Exploração do socialismo/comunismo

Menger-horz

Christiano di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/11/13/refutacao-a-luta-de-classes-parte-1/

comentários
  1. Junior Graciano disse:

    Muito Boa Refutação!

  2. […] Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/30/refutacao-a-mais-valia-e-da-exploracao-do-… […]

  3. Sergio oliveira disse:

    Gostei. Ótima refutação. Isso explixa porque o iphone custa caro e muitos querem ter um.

  4. Nicholas Andrew disse:

    Gostei do texto! É bom saber que há pessoas dispostas a abrir os olhos dos marxistas para mostrá-los o quão falha é a ideologia que seguem.

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