O valor do trabalho

Publicado: outubro 29, 2013 em Marxismo
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O valor do trabalho

Para refutar as teorias marxistas, devemos inicialmente compreender a obra de Marx e Engels. A base da teoria marxista consiste na teoria objetiva do valor ou teoria do valor do trabalho. Cabe citar que esta teoria não fora criada por Marx, mas exposta e de antemão por economistas clássicos como Smith e Ricardo. Embora tais pensadores tivessem inaugurado e agraciado a economia moderna com descobertas memoráveis, eles cometeram um erro grave ao tentar descrever o gênese do valor. Suas teorias estavam incompletas faltando-lhe desenvolver um fundamento crucial: a perspectiva psicológica sobre o mercado, mesmo que ela fosse enunciada por insight. Neste sentido, os filósofos escolásticos e primeiros economistas franceses como Turgot e Cantillon haviam concebido uma teoria mais avançada que dos clássicos britânicos, em si tratando do valor.  Para Rothbard, tal desatenção rendera o surgimento de uma doutrina não somente destinada ao fracasso, mas capaz de perverter a ciência econômica.

No século XXI, muitos economistas se perguntam os motivos que levaram a estes equívocos. É bem provável que as razões estejam impressas na época em que viviam. Alguns estudiosos consideram que em função dos avanços das ciências naturais, os economistas clássicos partiram de uma visão materialista e empirista do valor, atribuindo-o a coisas ao invés de às concepções subjetivas ligadas as preferencias dos consumidores, pois estas seriam indelineáveis. De toda forma, os clássicos britânicos contribuíram para a emergência do pensamento de Marx, que compreendia bem suas teorias. Podemos até dizer que Marx fora um economista clássico ortodoxo. E não é de todo exagero dizer que Ricardo fora um fundador involuntário do socialismo cientifico. Marx estava intimamente ligado a suas teorias, mesmo considerando-as insuficientes. Ele até chegara a afirmar que os economistas clássicos eram economistas de valor, enquanto os economistas heterodoxos como os austríacos eram supostamente submissos aos interesses da burguesia.

Para Marx, tal como para os economistas clássicos, o valor de toda mercadoria dependeria exclusivamente da quantidade de trabalho empregue na sua produção. Assim como acreditavam os clássicos, Marx defendia que as mercadorias possuíam um valor de utilidade e um valor de troca. Marx busca encontrar uma medida permanente para equipará-los através de vários exemplos como do trigo e do ferro em sua obra O Capital: “Tomemos agora duas mercadorias, trigo e ferro, por exemplo. Qualquer que seja a sua relação de troca, ela pode ser sempre representada por uma equação em que uma dada quantidade de trigo é considerada igual a uma quantidade qualquer de ferro (por exemplo, um alqueire de trigo = a quilos de ferro). Que significa esta equação? Significa que em dois objetos diferentes, em um alqueire de trigo e em a quilos de ferro, existe algo de comum. Ambos os objetos são, portanto, iguais a um terceiro que, em si mesmo, não é nem um nem outro. Cada um deles deve, enquanto valor-de-troca, ser redutível ao terceiro, independentemente do outro.”

Ao analisar determinadas mercadoras, Marx acreditava que haveria um ponto comum nas relações de troca. Ao mesmo tempo, notara que as relações de troca aparentavam abstrair-se do valor de uso. Por exemplo: uma refeição pode parecer tão útil quanto um brinco, mas o brinco pode ter um valor mais elevado que muitas refeições. Logo, valores de uso e troca estão representados em quantidades diferentes. Portanto, chegara à conclusão que deve haver um meio segundo uma quantidade de trigo possa ser comparada a uma quantidade de ferro e que este fator não é comum a um e nem a outro, visto que suas características corporais entram em consideração apenas na medida em que se tornam úteis, o que o faz relevar um terceiro elemento. Para encontrar este ponto em comum, Marx considera necessário ignorar as características corpóreas dos bens visto que elas entram em consideração, somente na medida em que os objetos são uteis.

Segundo Marx, durante a troca há uma abstração total do valor de uso o que produz uma distinção entre valor de uso e valor de troca, devido à incidência de um fenômeno social e psicológico que chamara fetichismo. Nele, as mercadorias aparentam possuir uma vontade de independente de seus produtores: “A existência das coisas enquanto mercadorias, e a relação de valor entre os produtos de trabalho que os marca como mercadorias, não têm absolutamente conexão alguma com suas propriedades físicas e com as relações materiais que daí se origina… É uma relação social definida entre os homens que assume, a seus olhos, a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas. A fim de encontrar uma analogia, devemos recorrer às regiões enevoadas do mundo religioso. Neste mundo, as produções do cérebro humano aparecem como seres independentes dotados de vida, e entrando em relações tanto entre si quanto com a espécie humana. O mesmo acontece no mundo das mercadorias com os produtos das mãos dos homens. A isto dou o nome de fetichismo que adere aos produtos do trabalho, tão logo eles são produzidos como mercadorias, e que é, portanto inseparável da produção de mercadorias”.

Para Marx, a manufatura quando finalizada não matinha o valor real de venda, que segundo ele seria baseada pela quantidade de trabalho materializado na mercadoria, visto que ela adquirira uma valoração de venda irreal e infundada, tal como se deixasse de ser fruto do trabalho humano e tal como se não pudesse ser mensurada. Assim a mercadoria parecia perder sua relação com o trabalho ganhado vida própria. Marx considerava que as mercadorias trabalhadas pelo homem, perdiam o valor de uso, tornando-se meros objetos simbólicos de adoração. Por tais vias, Marx define que o valor do trabalho o valor de troca são sempre representado de forma diferente. Entretanto Marx precisava de um ponto comum. Uma vez abstraído o valor de uso e de troca das mercadorias, ainda resta uma característica comum entre objetos em quantidades distintas: o trabalho empregue na lapidação destes bens de consumo. Neste sentido, todas as suas características como produtos são apagadas, reduzindo-se ao mero e abstrato trabalho humano: o terceiro e sincrético elemento procurado.

Após estas conclusões, Marx disserta sobre a medida de grandeza dos valores. Como o trabalho é substancia do valor, em consequência, a grandeza do valor de todos os bens se mede pela quantidade de trabalho contido através do tempo. Marx inclui a este valor, o tempo “socialmente necessário” na produção. Todavia, como seria possível entender o que é socialmente necessário à produção? Como distinguir a necessidade de produzir camisas listradas ou estampadas? Obviamente, o desejo dos consumidores: uma noção subjetiva ignorada em sua ideologia. Na teoria marxista, os valores são estáticos e dependem do tempo de trabalho e de sua dimensão social. Mas há algo que deve ser frisado. Marx argumentava que a quantidade de trabalho para produzir uma mercadoria varia constantemente ao variarem as forças produtivas de trabalho. Quanto maiores as forças de trabalho envolvidas, maior seria o número de mercadorias produtivas num determinado tempo. Portanto, quanto maior é a força produtiva do trabalho, menos trabalho inverte numa dada quantidade de produtos, portanto, menor é o valor dos produtos.

Assim Marx sugere sua lei geral para o valor do trabalho e da formação dos preços: “Os valores das mercadorias estão na razão direta do tempo de trabalho invertido em sua produção e na razão inversa das forças produtivas do trabalho empregado.” Para Marx, o preço de uma mercadoria é simplesmente a expressão em dinheiro do valor. Valor e preço nem sempre são iguais, pois há uma pequena diferença entre o valor social da mercadoria e seu preço individual num exato momento do mercado. Quando Marx, se depara com a evidente oscilação de preços muitas vezes provocada pela relação entre oferta e demanda, alega que são condições casuais e variáveis. Embora considere correto relevar as variações de preço de acordo com as flutuações de oferta e procura, alega que variações rodeiam o preço natural e representa uma exceção. Tal exceção seria uma infração à lei de troca e mercadoria, pois em longo prazo, o tempo de trabalho se impõe a força como uma lei racional e inquebrantável. Em logo prazo, eles sempre variariam para sua base, calcada no valor do trabalho. Marx considerava impossível a ideia de um produto vendido por um preço que exceda seu valor de trabalho.

Referências:

Karl Marx – O Capital

Karl Marx – Trabalho assalariado e o Capital

David Harvey – Lendo o Capital

marx-eng6

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/30/refutacao-a-mais-valia-e-da-exploracao-do-trabalho/

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comentários
  1. lilo disse:

    acredito que o trabalho humano é fruto da capacidade de cada um, ou era pra ser assim.

  2. Johne375 disse:

    Keep working ,fantastic job! acckeddbdeee

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