A mais-valia

Publicado: outubro 29, 2013 em Marxismo

A mais-valia

A teoria de valor do trabalho de Marx define que como valores, mercadorias são apenas medidas de tempo do trabalho cristalizado que sempre se acentuariam independendo das oscilações de preços. Este fator estaria intimamente ligado ao valor dos salários e ao lucro supostamente indevido dos capitalistas. A partir de então, Marx passa a segunda parte de sua doutrina. Ele visa dissertar sobre o lucro. Marx entende que os capitalistas usam de determinadas somas em dinheiro para produzir mercadorias e transformá-las por meio da venda em dinheiro. Uma vez que os valores dos bens, supostamente derivariam exclusivamente do valor do trabalho, para continuar sua produção, precisariam de um excedente obtido em relação à soma de capital originalmente aplicada. Esta seria a mais-valia. Neste sentido, Marx compreende que este valor não poderia vir do fato de que os capitalistas compram mercadorias por um valor menor que o da revenda. Ele deseja analisar os lucros desde sua raiz: nos processos que envolvem os meios de produção.

Para resolver este problema, Marx alega que existe uma mercadoria de valor único entre todos os bens produzidos, voltando-se novamente a força de trabalho. Ela é o produto posto a venda em dupla condição: primeiro o trabalhador é livre. No trabalho, ele vende-se como pessoa. Em segundo, neste ato, ele é destituído de seu labor, visto que caso detivesse o que produz por inteiro, obviamente trabalharia por contra própria. Assim Marx teria encontrado o que seria tomado como excedente: a quantidade de trabalho empregue na produção da mercadoria, o que supostamente explicaria o gênese do lucro capitalista em qualquer tipo de produção. Para Marx, a exploração capitalista é igual à que ocorre com um senhor de escravos. O escravista trabalha uma carga horária muito inferior aos seus servos e se apropria da quase totalidade da produção, destilando aos trabalhadores, o mínimo para subsistência. O explorador jamais pagará mais que o mínimo, pois precisa manter os lucros altos tendo o proletariado como escravo de seu método de produção.

Para demonstrar o conceito de mais-valia, Marx dá o seguinte exemplo: se o trabalhador produz em seis horas o necessário para sua sobrevivência, o que hipoteticamente valeria três moedas de ouro – o que Marx chama de tempo de trabalho necessário. Todavia, o escravista força-o há trabalhar 12 horas, se apoderando de outras três moedas de ouro – o que é chamado de tempo de trabalho excedente. Da mesma forma ocorreria na exploração capitalista. Tomemos como exemplo um proletário trabalha 12 horas para o capitalista, produzindo $ 12 onde são acrescidos os custos de produção (ferramentas, infraestrutura e encargos adicionais com adicionais com o trabalhador) no valor de $ 48. Assim o valor resultante da produção seria $ 60, sendo R$ 12 destinados ao pagamento do trabalhador. Todavia o capitalista pagaria somente $ 6, restando-lhe a mais-valia de $ 6. Deste modo, o empregador capitalista rouba o tempo do trabalhador, para que de forma parasitária possa se desenvolver tanto quanto ele.

Em resumo, podemos definir que a partir da teoria clássica do valor, no qual o valor do trabalho reflete simplesmente o tempo empregue na produção das manufaturas, o capitalista visa ampliar seu lucro, expropriando de parte deste tempo através da mais-valia. A mais-valia seria a diferença entre o capital que fica com o empreendedor para com o montante dos salários pagos ao trabalhador. Somente a partir desta regra, os capitalistas seriam capazes de continuar ampliando a produção, o que também resultaria na ampliação de sua exploração. Este seria o suposto gêneses da exploração capitalista. Estas teorias são embasadas em uma análise puramente materialista, no qual somente os meios de produção (aquilo que é supostamente tangível) são capazes de definir o sistema econômico capitalista e toda a sociedade inserida nele. Esta sociedade por sua vez, estaria envolta a um eterno conflito entre trabalhador e empregado, servindo de base para a necessidade de uma sociedade comunista.

Referências:

Karl Marx – O Capital

Karl Marx – Trabalho assalariado e o Capital

David Harvey – Lendo o Capital

asdaa

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