Refutação a Economia Baseada em Recursos – Parte 4

Publicado: outubro 28, 2013 em Zeitgeist

Desenvolvimento científico e produção industrial

O próximo tema abordado por Fresco se refere ao desenvolvimento científico e tecnológico. Segundo ele, um sistema orientado pelos livres mercados baseados no lucro, reprime o “real potencial de desenvolvimento”. Ele acredita que este desenvolvimento possa ocorrer em uma economia onde os recursos produtivos (matéria prima, infraestrutura e mão de obra) sejam dimensionados a produção sem que exista a necessidade de lucro. Desta forma haveria supostamente um aproveitamento maior, pois a produção estaria acima das necessidades financeiras. Nesta sociedade sem propriedade privada, não haveria competição, mas uma cooperação mutua, onde todos os habitantes da terra uniriam forças para desenvolver novas tecnologias. Assim a informação sobre o conhecimento científico não estaria escondida, mas em livre acesso.

A primeira vista, as teorias de Fresco parecem encantadoras, mas pecam na teoria e fracassam diante o conhecimento histórico e  econômico. Neste sentido, a verdade é justamente oposta: o aperfeiçoamento tecnológico ocorre mais abundantemente ocorre através da livre concorrência. A lógica do mercado é simples: caso existam varias instituições oferecendo o mesmo serviço terão de competir entre si. Se um consumidor considera que determinado produto ou serviço não atende sua necessidade ou que seu valor está alto, ele busca seu concorrente. Ao final de um período é feito um balanço, onde os preços servirão como sinalizadores matemáticos para que o empresário entenda através da perca de lucro, que deve buscar um novo viés. Assim a economia de mercado tende a melhorar seus serviços e reduzir seus preços, produzindo o constante aperfeiçoamento tecnológico. Eis o motivo do descarte constante de tecnologias, o que é atacado por Fresco.

Uma economia que ignora o lucro que serve como um mecanismo de informação para a produção, não somente descarta os valores subjetivos que sublimam a aquisição de determinado bem, mas impedem a disseminação de um conhecimento concreto a respeito disto. O que o autor também sugere é que a competição do mercado seja responsável pela desarmonia social em uma associação indevida. Empresas funcionam exclusivamente ela cooperação de pessoas que atuam em áreas distintas fazendo todo emprego de seus conhecimentos e habilidades particulares. Em um mercado aberto a livre concorrência, há o enaltecimento do melhor desempenho, algo dimensionado e medido pelos consumidores. Esta competição em nada se difere das competições atléticas. Sobre a questão da informação restrita mantida pelas empresas, tentar torna-la comum, apenas fere o direito a propriedade intelectual.

Quando o autor sugere que poderemos alcançar um pico de desenvolvimento tecnológico, ignora todos os problemas técnicos que envolvem a produção do conhecimento cientifico e industrial. A ciência se desenvolve de forma gradativa pelo esforço particular ou conjunto de um numero incomensurável de pessoas. Não existe um patamar suficiente para gerar a perfeição na terra, visto que a natureza humana é inquieta e sem grandes contentamentos. O que existe é a inovação constante. Basta analisar a obsolescência da URSS, cuja economia era centralizada e sem propriedade privada com o desenvolvimento rápido da tecnologia japonesa no mesmo período. A URSS somente conseguira chegar ao espaço, porque competia em âmbito global com os EUA na corrida belicista e espacial. Nos demais setores, como no caso da indústria automobilista, permanecer obsoleta, uma vez que não havia incentivos competitivos para a constante melhoria.

Para refutar as alegações de Fresco, basta um simples exemplo: o primeiro computador tivera um custo gigantesco, possuindo um processamento menor que o de uma simples calculadora atual. Décadas depois, os computadores estão presentes na vida de um número gigantesco de pessoas, possuindo um processamento exacerbadamente maior e a um custo baixo. O mesmo pode ser visto na maioria esmagadora dos bens gerados pela indústria por um único fator: a existência de um mercado competitivo, orientado pelos sistema monetário. Em todos os exemplos de economias que tentaram limitar ou destruir a propriedade privada, a competição e o lucro, o que se verificara fora apenas a mais absoluta obsolescência.

UK-New-Technologies-and-North-Sea-Energy-IndustryComo bem disse Milton Friedman: ” As grandes invenções da humanidade não partiram da ordem de um gabinente central, mas de invidíduos perseguindo seus próprios objetivos.”

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/28/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-parte-5/

comentários
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