Refutação a Economia Baseada em Recursos – Parte 3

Publicado: outubro 28, 2013 em Zeitgeist

Lucro, egoísmo e harmonia na sociedade

Fresco prossegue citando que a sociedade é baseada no lucro e no consumo e por isto tornara-se materialista, culminando em valores equivocados. Primeiramente, dissertarei sobre o lucro e sua função social. O lucro é essencial para uma economia e responsável por alocar os recursos de forma eficiente, logo pode ser compreendido como uma virtude. Lucros funcionam como sinais que indicam se uma empresa é eficaz em seus investimentos, quando a situação onde a receita é maior que os custos.  Ao contrário do que sugere Fresco, Marx e tantos outros, a valorização e o lucro não surgem do gasto em matéria prima ou o tempo de trabalho. Não importa se o empresário gasta 2 quilos de matéria prima em 30 horas de trabalho para construir uma bicicleta. Ela pode não agradar os consumidores como outra que possua um menor gasto em matéria prima e tempo de trabalho empregue. Ocorre, pois as pessoas não medem tais fatores ao visar objetos. Bens são obtidos pela satisfação subjetiva que causam como bem sugere Carl Menger na teoria do valor subjetivo.

E uma vez que as relações de troca baseiam-se em desejos particulares, responsáveis pela precificação, as elevações e quedas de receitas são ordenadas por este princípio. Não há meios de forçar um consumidor a obter um bem que não deseja, por mais que possa estimulá-lo. Caso ocorra um estimulo a obtenção do bem, torna a analise da satisfação tangível. Neste caso, o indivíduo em seu senso racional, buscando o que mais lhe satisfaz, é capaz de perceber quando um bem não atende sua necessidade. Quando isto ocorre, ele pode fazer a escolha de outra marca em uma compra futura. Logo, não é a oferta que cria a demanda, mas o contrário. Como bem cita Mises: “Não é porque existem destilarias que as pessoas bebem uísque; é porque as pessoas bebem uísque que existem destilarias”. Neste sentido, não existe sociedade sem consumo. Desde tempos imemoriais o homem utiliza recursos, lapida ferramentas a fins de favorecer sua sobrevivência. Quando bens mais apurados são lançados no mercado, agraciando os consumidores eles retribuem auferindo lucros.

Outro fator abordado por Fresco é o egoísmo que por sua vez consiste numa característica biológica impressa em nosso DNA e encontrada em qualquer espécie. Está ligado a autopreservação, indenidade e amor próprio. Seres se apegam de forma egoísta a seres, objetos e ideias, porque eles lhe trazem algum prazer. No caso dos seres humanos, dotados de habilidades e amplo convívio social, esta característica bem exploradas é positiva desde que não ultrapasse o espaço alheio (motivo para existência de leis). Tenhamos como exemplo um médico que ambiciona tornar-se o maior cardiologista do mundo. Mesmo que sua intenção seja egoísta, visando somente seu beneficio, seu trabalho beneficiará milhões. Não há reengenharia social que possa mudar a natureza humana. Na EBR, Fresco contra argumenta que as pessoas fariam aquilo que desejassem, deixando fluir suas habilidades, mesmo sem propriedade privada. Todavia, se todos desejassem trabalhar como administradores da linha de produção, quem se disponibilizaria a ser operário? Quem de disponibilizaria a catar o lixo?

A resposta de Fresco para o problema de incentivos é que com a automação estes serviços deixariam de existir. Porém, isto não é verdade. Máquinas precisam de manutenção, o que pode causar desprezo para a maioria das pessoas, visto toda sujeira provocada por lubrificantes etc. E enquanto a bens raros, como uma obra de arte? Não é possível partilhar uma obra de Picasso, a não ser que seja exposta em um museu público. Neste caso, suponhamos que o autor intente permanecer com ela, para desenvolver ideias para uma nova obra. Ao reivindicar tal posse, o autor apenas reafirma os direitos de propriedade. Fresco também ignora ou desconhece a noção de demanda e oferta de mão de obra. Caso haja mais pessoas desejando o trabalho de administrador que de operário, como lidar com o desequilíbrio da demanda? Fariam testes vocacionais inserindo os que possuem maiores inclinações? Uma vez inseridos nestes ofícios e com desgosto, seriam obrigados a permanecer neles ou inativos à espera de uma demanda? Em ambos os cenários a utópica satisfação não ocorreria.

Após esta dissertação, faz-se necessário analisar estas premissas de forma empírica. Será que as nações baseadas no lucro, na concorrência e no individuo são violentas e gananciosas?! As nações mais abertas ao lucro, com menores regulamentações, impostos, e maiores liberdades para o empreendedorismo são Hong Kong, Singapura, seguidas de Austrália, Nova Zelândia, Canadá e Suíça. Diante dados estatísticos, todas estas nações estão entre as menores taxas de violência, são as menos corruptas e estão no topo da qualidade de vida.. Todas possuem ao menos três indicadores no top cinco dos rankings internacionais, seja em educação, saúde, transporte, segurança, lazer etc. Isto porque as pessoas são livres para empreender de acordo com suas próprias ideias, a fins de realizar seus próprios desejos, sem que existam sobre elas, o demasiado peso do Estado.

Fresco argumenta que nenhum modelo fora capaz de resolver problemas sociais. Neste caso, devo citar dois exemplos distintos. O primeiro é de Hong Kong. Esta pequena ilha, extremamente densa e sem nenhum recurso natural, vivia em miséria após a revolução chinesa dizimar milhões e obrigar milhares a fugir para a ilha na década de 1970. Foi quando John Cowperthwaite assumiu as finanças, implantando uma politica de livre mercado, sem burocracias, sem impostos alfandegários e baixíssimos impostos internos. Com isto, a miséria foi praticamente eliminada em poucas décadas. Hoje, a nação encontra-se na 13º colocação em IDH. O mesmo exemplo vem de Singapura. Neste caso questiono?! Como seria a tal “economia baseada em recursos”, em uma nação que não possui recursos? A única resposta viera da livre iniciativa orientada pelos lucros.

singapore_pavilion_world_expo_2010__041Este é um museu em Singapura. Uma nação que vivia em miséria a tres gerações e que agora tem um dos mais elevados padrões de vida, sem pobreza, mesmo sem contar com recursos naturais.

Christiano Di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/28/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-parte-4/

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