Refutação a Economia Baseada em Recursos – Parte 2

Publicado: outubro 28, 2013 em Zeitgeist

Guerra e capitalismo

O segundo argumento de Fresco sugere que o livre mercado e a propriedade privada dos meios de produção levam ao egoísmo e são causadoras dos grandes conflitos que assolam a humanidade. Em primeiro, devo dissertar sobre violência e instituição privada. Como narrado em outra postagem, Rousseau fora a base teórica para o mito do bom selvagem que sugere que o homem é naturalmente bom, mas corrompido pela sociedade. Esta corrupção se daria pela propriedade, que causaria egoísmo, rivalidade e corrupção entre os homens. Entretanto historiadores, arqueólogos e antropólogos modernos desfizeram este mito, demonstrando que a violência teve uma redução atenuante desde a Idade Média. Em “A guerra antes da civilização”, Lawewnce Keeyley comprova que a probabilidade de um homem morrer por homicídio em período onde não haviam propriedade privada chegava a 60%. Mesmo sem nenhum território ou propriedade estabelecida, as guerra tribuis propiciavam baixas em mais da metade das populações.

Após árduo estudo sobre a violência e sobre a história da Europa, o criminalista Manuel Eisner concluiu que na idade moderna, a redução da violência ocorreria de forma gradativa. Segundo ele, em função da solidez das fronteiras, do advento da democracia, da preservação legal da propriedade privada e dos pactos internacionais. Ao contrário do que especulava Rousseau, os motivos da violência no mundo antigo, naturalmente relacionam-se a ausência dos direitos de propriedades e não o contrário, uma vez que povos e indivíduos disputavam áreas sem que houvesse grandes implicações, como penalidades jurídicas ou boicote geopolítico. Sobretudo, quando analisamos as atuais taxas de homicídio percebemos que as nações que mais preservam os direitos de propriedade e que detém as economias mais voltadas ao livre mercado, são aquelas com as menores taxas de violência, como Mônaco, Hong Kong e Singapura com taxas de homicídio entre 0,0 e 0,1 para cada 100 mil habitantes.

Sobre esta mesma teoria, Fresco prossegue no argumento, citando que as grandes guerras mundiais foram causadas pela “concorrência capitalista pelo poder” ignorando suas histórias.  A Primeira Guerra Mundial surgira da rivalidade entre impérios orientados por políticas econômicas protecionistas e antiliberais: o desenvolvimentismo. A Segunda Guerra Mundial ocorrera em detrimento do fortalecimento do socialismo/marxismo e das sanções protecionistas após as guerras e a crise de 1929. Nazistas e fascistas defendiam um governo antiliberal, tendo como meta, um assistencialismo que visava garantir todo tipo de bens e recursos para a sociedade através do planejamento central da economia. Cabe citar que até mesmo os EUA compartilhavam destas perspectivas através das perspectivas herdadas pelo New Deal. Obviamente a guerra não é um produto causado pelos mercados, mas pela restrição dos mesmos, através do alargamento dos Estados e suas despesas militares, através de tributos que arruínam a economia.

O primeiro a refutar o conceito de que a guerra gerava lucros, fora o francês Frédéric Bastiat através da Falácia de Janela Quebrada. Ele cita o exemplo de um garoto que joga uma pedra na janela de um alfaiate. A primeira vista, isto seria bom para a economia, pois o alfaiate contrataria um vidraceiro, gerando trabalho e renda. Mas isto seria uma visão superficial. Este capital poderia ser destinado ao um padeiro,  jornaleiro ou a qualquer outra finalidade. Na verdade, o vidraceiro e toda sociedade ficaram uma janela mais pobres. Neste sentido, Fresco está correto, embora culpe os agentes errados. O livre mercado é antibelicista.  Guerras não são produto dos investidores locais, mas dos governos que se apoderam de seus capitais para esta finalidade. A doutrina econômica que defende esta perspectiva é o keynesianismo. No mesmo sentido, Fresco é contra a globalização dos mercados. Todavia, estatísticas apontam que os mercados mais entrelaçados tem um risco mínimo de conflito, pois “não se guerreia com quem se comercializa”. Nações voltadas para o livre mercado possuem os menores gastos com defesa ou nem ao menos possuem exercito, como Suíça e Hong Kong.

Referências:

Lawewnce Keeyley – A Guerra antes da Civilização 

Patsy Richards – Homicide Statistics

Global Study of Homicides

Homicide Statistics 2012

dsdadawdawJacques Fresco novamente está correto em seu questionamento, no sentido de que as guerras apenas destroem recursos, todavia está equivocado ao associar a teoria keynesiana com a teoria liberal.

Christiano di Paulla

Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/28/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-parte-3/

comentários
  1. […] Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/11/06/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-p… […]

  2. Maria da Luz Cavasotto Botão disse:

    Certamente, Jacque Fresco, que passou por tudo isso (várias guerras), pois é um senhor de noventa e poucos anos, se não me engano, apesar de suas ideias ultrapassarem uma visão de centralização do poder, se pode perceber que as pessoas envolvidas (algumas) não estão preparadas para terem um autocomando de suas vidas. Mas o movimento, caso possa ser melhor orquestrado, ultrapassará qualquer visão de um mundo arcaico baseado na mercadoria e em um “livre mercado”(que é definido por quem pode pagar) e que focaliza a falta (em geral de produtos) como o maior bem que podemos cultivar em vida, já que ela não é eterna.

    • O fato de ser idoso, não sugere que esteja correto. Sobre dizer que as pessoas não estão preparadas é uma falácia retórica chamada Argumentum ad novitatem. Ela sugere que o novo é sempre melhor, sem uma replica plausível, justificativa teórica ou prática. A falácia seguinte é chamada de Esnobismo cronológico, que visa definir o anterior (e que neste caso é presente) como irrelevante. Neste caso, a visão chega a ser ainda mais absurda, visto que a teoria da EBR nunca fora testada – embora algo muito semelhante fora feito na Russia bolchevique.

      • Maria da Luz Cavasotto Botão disse:

        Jacque Fresco é sociologo, portanto é formado sim! O fato de você usar termos em latim também não prova nada, mostra apenas alguma facilidade em usar termos que ninguém tem conhecimento pois faz parte de uma lingua morta, e que não é mais utilizada. Quando digo que as pessoas não estão preparadas, quero dizer que a amplitude de ações que pode provocar uma mudança, por vezes assusta, no sentido de que quando lidamos com dinheiro lidamos também com riscos, e o fato de não ter mais parâmetros para medir as ações, pode causar ações indesejadas. No entanto você não citou o fato de que as escolas conseguem fazer uma lavagem cerebral ao formar-nos a todos para todo o tipo de consumo e para não enxergar as incoerencias e fragilidades da estrutura do sistema mercantil.

      • Fresco não é sociólogo. Ele nunca se graduou e abandonou a escola quando jovem. Em segundo, os termos empregues em latim são conhecidos por qualquer intelectual, visto que representam algumas das falácias retóricas mais comuns. Em terceiro, nunca vi escolas que incentivem ao consumo. As pessoas consomem porque sentem necessidades. Tentar impedir isto nada mais representa senão uma tirania que fere a liberdade e os anseios humanos. E mercantilismo é um sistema que faleceu com a idade moderna.

  3. Maria da Luz Cavasotto Botão disse:

    Enquanto este site anti-socialismo estiver baseando-se em visões ultrapassadas de mundo, jamais deixaremos de usar o dinheiro como base de valor que qualifica, não somente mercados, mas também as pessoas. É somente quando se passa por dificuldades na vida que se obtém, ou se consegue discernir melhor o que significa estar nesse mundo. Os valores são inculcados desde a mais tenra idade, em geral escolar. Vide trabalhos de Cornelius Castoriadis e a formação do imaginário social, e que essa obra seja esclarecedora quanto à lavagem cerebral produzida nas escolas, já que é desde a educação infantil que se conhece o jogo com bola, em geral futebol. E esses jogos nada mais simbolizam do que a criação de um mundo unívoco, onde não se dá outra opção às pessoas quando se trata de trocas, visto que a bola representa o dinheiro como única possibilidade de troca entre os jogadores. Desde que se nasce nesse mundo se houve falar: “estude, trabalhe, tenha teu dinheiro, pois daí ninguém mais irá poder mandar em você”. Não é que o fato de trabalhar e estudar esteja errado, mas a colocação do dinheiro como maior valor entre tudo o mais. E, por outro lado, a perda de valores preciosos devido ao uso do dinheiro. Já que, em escolas particulares se escuta dos alunos, desde a ed. infantil, falando aos professores: “Tu trabalhas pra mim (aluno-cliente), e se tu não fores um bom professor como eu quero, ou como meus pais querem, não serves pra ser meu professor.” Que valores estão sendo construídos, quando crianças da ed. infantil dizem isso ao professor? É preciso que fique claro que Jacque Fresco tenta dar uma outra opção de viver neste mundo, que não seja somente através do uso do dinheiro. Sua solução parte do uso de robôs. Alguém do mundo capitalista já se perguntou porque os avanços pararam depois da invenção dos robôs? Porque ninguém jamais se preocupou em criar fabricas de robôs? Porque as pessoas continuam lutando por trabalhos no modo antigo, ao invés de lutar para a construção de fábricas de robôs, que substituiriam a exploração humana? É porque essa é uma decisão que mexeria no “queijo” de muitas pessoas e muitos interesses. E as pessoas não ficam confortáveis quando se mexe no seu queijo, inclusive eu. É preciso desmistificar a visão socialista arcaica que colocam nas ideias de Jacque Fresco. Ele tenta superar o uso do dinheiro. Transformando o mundo em algo melhor. Mas, é claro, que isso não depende somente de sua vontade. É uma decisão de grupo que irá fazer a diferença.

    • Dizer que as visões são ultrapassadas é uma falácia retórica chamada Esnobismo cronológico. Sobre o dinheiro na sociedade, ele é necessário visto trés problemas econômicos básicos “o problema de dupla coincidência de desejos”, o “problema de retenção de valores” e o “problema de calculo econômico.” Dinheiro representa a precificação de cada individuo em suas relações de compra e venda, o que emite informações numéricas através da contabilidade dos lucros e prejuízos responsáveis pela coordenação do processo produtivo. Sobre a lógica do mercado, é justamente ela que propicia desenvolvimento. Basta comparar escola públicas com privadas. Se o serviço está caro ou ruim, é buscado outro, reduzindo a margem de lucro, o que leva o empreendedor a melhorar ambos, mesmo com recursos limitados – o que garante o continuo aperfeiçoamento e reciclagem. É correto demitir um professor por não atender o desejo das pessoas. É imoral manter uma pessoa educando crianças contra os desejos dos pais.Sobre manter robôs, temos o caso do Japão, a nação mais automatizada e uma das mais capitalistas. Robôs nunca substituirão o trabalho humano, visto que precisam ser projetados e programados. A ideia de uma sociedade parasitária, é tecnicamente impossível. O máximo que pode ocorrer é a redução da carga horária como ocorre na Europa, mas nunca sua extinção. Sobre Fresco tentar superar o dinheiro: isto não somente gera uma irredutível escassez, ao contrário do que sua mera filosofia alega, mas vai de encontro ao socialismo utópico e ao comunismo. Ideias do tipo foram testas e fracassaram. Mudar de nome, ou exibir maquetes bonitas, não muda o fato.

      • Maria da Luz Cavasotto Botão disse:

        Concordo contigo, que a melhora é buscada quando o serviço está ruim. Mas isso se verifica mais em relação ao atendimento entre pessoas, já que no dia-a-dia, no supermercado o que se verifica são as quantidades (peso) dos produtos diminuindo e o preço continua o mesmo ou até sobe, em prol de um lucro-qualidade(não sei pra quem), que funciona apenas para os donos dos grandes supermercados. Tudo bem, eles têm funcionários para pagar. Mas nunca como agora os funcionários das grandes redes tiveram que trabalhar, inclusive domingos e feriados. Então pergunto: para quem funciona bem o dinheiro. Não esquecendo da falta de sustentabilidade que ocasiona pelo consumismo extremo que provoca, pois tendo dinheiro é mais facil consumir, e ignorando a saúde de quem consome. Exemplo disso é a lei recente que colocaram para reduzir a quantidade de sódio dos alimentos. Quando se sabe que o menor caminho para a sustentabilidade é o menor uso de recursos, se passa a entender porque o uso do dinheiro vai nos levar à destruição, já que a lógica capitalista é de manter a exploração dos bens do planeta, pois considera o que a Terra fornece infinito, tanto que ainda continuamos explorando o petróleo, por conta daqueles que perderiam muito, caso fosse abolido seu uso. E aqueles que produzem estão conscientes disso. Ainda tem-se que considerar a obsolescenciia planejada de produtos, o lixo que produzem, a poluição na fabricação que ainda não respeita os padrões para a qualidade da vida de todos e saude do planeta. A produção do tempo do inicio do liberalismo mantem a quantidade dos produtos, mas já não necessita da mesma quantidade do passado em relação aos operários. Então é de se questionar: para que tipo de sociedade são formadas as pessoas…
        A escola tem sido o lugar preferencial para o desenvolvimento e a aquisição de hábitos para a convivência em sociedade, de modo que tudo o que existe atualmente foi construído a partir da linguagem e do simbólico. É importante incluir aqui a influência da mídia na formação do imaginário social, pois está presente em todas as camadas sociais, por meio da TV. E desvela Castoriadis (1982:142), Tudo o que se nos apresenta, no mundo social-histórico, está indissociavelmente entrelaçado com o simbólico. Esclarece como segue:

        Encontramos primeiro o simbólico, é claro, na linguagem. Mas o encontramos igualmente num outro grau e de uma outra maneira, nas instituições. As instituições não se reduzem ao simbólico, mas elas só podem existir no sirnbólico, são impossíveis fora de um simbólico em segundo grau e constituem cada qual sua rede simbólica. Urna organização dada da econornia, urn sistema de direito, um poder instituído, uma religião existern socialmente como sistemas simbólicos sancionados. [..]Eles consistern em ligar a símbolos (a significantes) significados (representações, ordens, injunções ou incitações para fazer ou não fazer, consequências, – significações, no sentido amplo do termo ) e faze-los valer como tais, ou seja a tornar esta ligação mais ou menos forçosa para a sociedade ou o grupo considerado.

        E numa realidade vinculada predominantemente ao capital se dá a construção de um imaginário social referenciado à escassez, a um menor valor do trabalhador, e à determinista existência de perdedores e vencedores. Ao mesmo tempo ficamos interligados e relacionados às figuras de autoridade, que são usadas como referenciais ou modelo, em geral.
        Utilizando a teoria dos jogos se percebe que sempre existirá um vencedor e um perdedor, o que nos leva a focalizar a escassez novamente, isto é, quando se faz um jogo de campo como o futebol, basquete ou handebol, temos diversos jogadores em um campo correndo atrás de somente uma bola (que representaria o dinheiro ou vantagens), quando alguém faz um ponto ou um gol, soma para a equipe toda, e obtém seu destaque pessoal. O que quero dizer é que os jogos apenas imitam o que já existe na realidade social, que resumidamente se trata da competição e da escassez implantada em nós de diversas formas e por diversas estratégias, mas também da necessidade de auto-superação, o que é positivo, mas utilizada para fins de acumulação pessoal de poucos (vide marketing nas Olimpíadas).
        O jogo em equipe ressalta que sem o time ninguém faz gol ou pontua, mas ao mesmo tempo dá destaque ao goleador ou pontuador, ou seja, aquele que possui mais destreza/influência na finalização ou, para o sistema capitalista, aquele que possui o dinheiro e financia aquilo que pode ser construído em grupo, que obviamente realimentará novamente o sistema. O que anteriormente estava em falta, hoje temos de sobra, isto é. produtos. E eles só servem para enfeitar prateleiras. Olhando de outro modo, se pode construir um entendimento como o que segue: aqueles que produzem são tão ricos ou produzem tanta riqueza que podem se dar ao luxo de ter os produtos empilhados em prateleiras para todos admirarem. Imagine o efeito que causa esse pensamento em quem não possui nada! O que tento dizer é que o capitalismo e a superprodução tem se mantido, apesar da desnecessidade de produtos! Fazendo uma relação do que é necessario para viver bem, a lista poderá se resumir aos artigos de vestuário, alimentos, manutenção da educação de qualidade para um mundo preparado para pessoas e não apenas para números e preservação da saúde tanto individual, quanto do planeta.
        Atualmente o desafio para a sobrevivência da grande maioria que nasce sobre a Terra, é a grande concentração de renda nos países de primeiro mundo e também aqui, no Brasil, o que reforça a injustiça e violência social, (dinheiro por débito). No entanto, precisamos deixar explicito que somente são de primeiro mundo porque o foco está colocado no dinheiro e no capital fictício e não nos recursos, sejam eles recursos naturais (presentes na natureza) ou instrumentos elaborados por competências pessoais e em geral coletivas.
        Precisamos desmistificar o grande valor dado ao dinheiro e ao fictício do capital, o qual em seu inicio, precisou de uma cooptação de grande parte da sociedade, já que não tinha valor algum, sendo apenas uma representação (um pedaço de papel com um numero) e uma promessa de pagamento, ou que teria algum valor. No portal economia.com.br , diz o seguinte:

        Com o passar do tempo, as mercadorias se tornaram inconveni-
        entes às transações comerciais, devido à oscilação de seu valor,
        pelo fato de não serem fracionáveis e por serem facilmente pere-
        cíveis, não permitindo o acúmulo de riquezas. […]Por apresentar
        vantagens como a possibilidade de entesouramento, divisibilida-
        de, raridade, facilidade de transporte e beleza, o metal se elegeu
        como principal padrão de valor. Era trocado sob as formas mais
        diversas. A princípio, em seu estado natural, depois sob a forma
        de barras e, ainda, sob a forma de objetos, como anéis, bracele-
        tes, etc.

        Atualmente, apesar de não haver mais a exigência da existência de um lastro em ouro para a emissão de cédulas e moedas, persiste a criação de um valor virtual e fictício para o dinheiro, ou seja, será que ainda é a lei da oferta e da procura que gera o valor em que se baseiam os grandes trustes e corporações existentes? Nos resta igualmente perguntar de onde o ser humano tirou a ideia de que precisa acumular, já que a natureza não acumula nada, mas sim transforma o que foi criado, fluentemente, em outras coisas.
        Entretanto, esse meio chamado dinheiro, se cristalizou, passando a uma necessidade intrinsecamente virtual e fictícia, desvinculado da realidade vivida, trazendo mais desigualdade e injustiça, bem como individualismo e competição, sem falar nos crimes cometidos, na corrupção, por algo que existe porque tacitamente resolvemos que deva existir: o dinheiro. Tofler (1995:p.87) diz o seguinte em relação ao dinheiro:

        Ao longo de toda era agrícola ou civilização da Primeira Onda, o dinhei-
        ro consistia em alguma substancia material que tinha um valor intrínse-
        co. Ouro e prata, é claro. Mas também sal, tabaco, coral, tecido de algo-
        dão, cobre e conchas de cauri. Uma interminável lista de outras coisas
        úteis também servia, em determinados momentos, de moeda.(O papel,
        – hoje plástico – ironicamente, tinha um uso apenas limitado na vida
        diária antes da disseminação da alfabetização em massa, e portanto,
        raramente – senão jamais – era usado como moeda.)

        Ou talvez até o dinheiro seja transformado e abolido, pelo uso que tem sido feito dele, possivelmente ele seja reduzido de tal forma em bitcoins que passe a se tornar realmente virtual.

      • Tal como Fresco, faz uma comparação equivocada entre economias que sofrem influência ampla do Estado e economias livres, baseadas na propriedade privada. Os preços no Brasil são altos, visto os amplos custos de produção, empregabilidade e regulamentações sobre as indústrias, tal como pela alta carga tributária sobre bens de consumo. O mesmo não se verifica nos Tigres Asiáticos, onde há ganho de renda e queda de preços. A deflação em Hong Kong chega a 4% em determinados setores anualmente. Sobre para que serve o dinheiro, para a locar bens visto que valores monetários são matemáticos. Serve para reter valores a fins de gerar investimentos e dinamizar a troca. http://www.youtube.com/watch?v=xyYDAy89C5A Sobre as pessoas consumirem e no caso, obterem danos, isto é problema delas. Sobre a lei sobre o sódio é estúpida, visto que basta que os consumidores deixem de comprar o produto, para que ele deixe de ser produzido. Isto não ocorre em países economicamente livres, onde o povo está habituado com o consumo. Isto ocorre nos EUA visto que o governo estimula o consumo pela oferta de crédito e redução da taxa de juros, o que nada tem a ver com economias de livre mercado. Sobre o capitalismo, é exatamente pelo fato dos recursos serem limitados que existe moeda, visto que a escassez provoca inflação e leva a busca por novos recursos. E não vejo dinheiro levando a Suíça, Canadá, Austrália etc a destruição. Mas vejo a falta dele levando a grande parte do continente africano. Sobre a questão do meio ambiente, são justamente as economias mais livres que possuem os melhores desempenhos. http://www.youtube.com/watch?v=7zD1wpx_cgE Sobre uma sociedade utópica e sem moeda, os primeiros anos da Rússia bolchevique demonstraram o fracasso destas doutrinas, assim como ocorre com a atual China em sua economia planificada e que a cada dia, se abre mais a iniciativa privada e capitais estrangeiros. Motivo? http://vimeo.com/13770323 Sobre a EBR recomendo este video: http://www.youtube.com/watch?v=9qCdHf6VOzY e este texto: http://mises.org/daily/4636

      • Maria da Luz Cavasotto Botão disse:

        Há uma concepção muito errada de desenvolvimento, pois se baseia na continuação da exploração do planeta, visto que as fabricas estão a cada dia mais mecanizadas. Dar as costas para o que tem acontecido à Portugal, Espanha, Grécia e até mesmo os E.U.A. favorece que os mesmos erros se repitam em outro lugar. Ninguém está livre de errar. Mas o nosso sistema capital tem ultimamente deixado a desejar, em termos de cuidado com os indivíduos que têm, por vezes investido uma vida inteira numa profissão, colaborando para o superávit nacional, sendo ao fim e ao cabo demitidos de seus trabalhos.
        Que concepção de nação é essa…
        Atualmente temos o auxilio das maquinas, que multiplicam em milhares de vezes o esforço que anteriormente era apenas humano, e nem por isso obtivemos mais liberdade e independência quanto ao modo de vida articulado no capitalismo monetarista. Temos produção em massa sem o auxilio humano, no entanto o que nos limita é a visão de mundo que fixamos, ou melhor, aquele que depende de quanto valor fictício se obtém em relação à produção de bens entre uma e outra nação. Então, o que se pode deduzir quanto aos desafios prementes é que eles são consequências do tipo de vida que temos levado, que se vincula às relações estabelecidas em torno da produção e reprodução do capital fictício e volátil – baseado no débito, independentemente do tipo de vida que ele acarreta à população, principalmente para os países em desenvolvimento e com economia dependente, gerando e fomentando o trabalho infantil, a desregulamentação trabalhista, a sobre-exploração daqueles que ainda têm algum trabalho, a terceirização, o subemprego e o desemprego estruturais. O ser humano conseguiu globalizar e, ao mesmo tempo, centralizar o capital fictício em uma lógica de débito constante, assim como a economia, mas não os bens por ela produzidos, ou seja, competimos ainda mais por um lugar ao sol, porém, as estruturas cristalizadas em nós não permitem visualizar um caminho melhor para o homo sapiens. O homem não se reconhece – ainda – como pertencente à mesma espécie, que “reside” sobre a mesma “casa”, o planeta Terra. A permanência da exploração, tanto de seres humanos quanto do planeta, nos moldes que tem realizado as concepções capitalistas, já está mostrando o quanto perdemos de nossa humanidade e civilização, com o desemprego em massa, a violência (de todos os tipos) e a desnaturalização do humano.
        Não se pode mais aplicar a teoria darwinista de que vence e se mantém o melhor adaptado ao ambiente social, econômico, politico, etc, que coincide com a teoria de Bourdieu novamente. O que surge nesse momento é resultado do trabalho humano, e deveria ser utilizado a favor de todos e não contra, que é o que acontece em relação à mecanização, robotização e miniaturização.
        É inevitável o avanço e a divulgação do conhecimento e da tecnologia, portanto, mais cedo ou mais tarde ele chegará àqueles que atualmente trabalham nos ambientes de reciclagem (e em outros ambientes), transmitindo uma concepção de consumo consciente e reutilização de resíduos, tanto como adubo, quanto como geração de energia, formando pequenas comunidades autossustentáveis e em rede, o mais desejável para o momento, pois se busca a sustentabilidade, e já que o caminho mais eficiente entre a necessidade e sua satisfação é o menor uso possível de recursos diretos e indiretos. E complementarmente, para dar uma definição mais clara de sustentabilidade, de acordo com a UNESCO o conceito de sustentabilidade é: “Desenvolvimento sustentável é o que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas”(UNESCO, 1999).
        Atualmente temos alimento produzido em larga escala, mas não o vemos sendo distribuído para aqueles que o fabricaram, senão como um acesso restrito – pelo pagamento de salário – aos bens básicos de que todos temos necessidade. E ainda segundo Mészaros (1997, p.152 apud Gennari):

        O capital necessita expandir-se apesar e em detrimento das condições
        necessárias para a vida humana, levando aos desastres ecológicos e ao
        desemprego crônico, isto é, à destruição das condições básicas para a
        reprodução do metabolismo social.(…)Um sistema de reprodução não pode
        se autocondenar mais enfaticamente do que quando atinge o ponto em que
        as pessoas se tornam supérfluas ao seu modo de funcionamento.

        E essa condenação sistêmica acontece devido apenas ao uso do dinheiro por débito, que, de acordo com Moreira (2011:6, parte 4), onde afirma em seu livro Sua Vida é uma Porcaria e a Culpa é Minha, que se alguém na realidade atual possui dinheiro para gastar, muitos outros estão sem, naturalizando a pobreza e a exclusão. Como diz em seu livro, “lidamos a partir dos sintomas, ignorando suas causas. O tipo de raciocínio que temos para resolver nossos desafios é obsoleto e sem relação com nossa força produtiva atual”.
        O ser dito humano precisa aprender o que fazer e como agir na abundância, neste caso, abundância produtiva, pois jamais tivemos produção em larga escala como nesse momento, já que as prateleiras cheias nos mercados, em diversos tipos e tamanhos, denunciam essa produção. Não sabemos reconhecer que passamos de uma fase de produção em série, para uma produção sem o uso da força humana, vinculada à robotização e informatização, o que deveria favorecer e baratear a disseminação dos bens produzidos, liberando a todos do trabalho repetitivo e da exploração. De acordo com Moreira(2011: 6 e 7):

        Já estudamos aquilo que precisamos: de recursos para vivermos, e que
        todo ser vivo (individual ou social) quer se manter saudável e vivo, que a
        sociedade é inevitável, que a economia é o meio como obtemos o que
        precisamos, que a economia monetária está obsoleta por ignorar a
        superprodutividade que temos, que a ciência é o método para resolver
        problemas, que existem dois tipos de tecnologias, que a sociedade é uma
        tecnologia científica, e que alguma coisa tem que estar muito estranha em
        nossa mente social para continuarmos agindo como autômatos
        politicamente alienados, incapazes de juntar problemas com soluções.
        […]Nossa espécie mata, por dia, dezenas de milhares de parentes com
        motivos que nem ao menos existem na vida real. [..] por causa de um
        método de raciocínio profundamente obsoleto e sem relação com nossa
        atual força produtiva, nossa atual capacidade de satisfazer nossas
        necessidades. […]isto significa que podemos reclamar da violência em
        nossa sociedade sem parar, apenas apontando “culpados” e “causas”, por
        exemplo, ou podemos reverter o quadro analisando o que é violência, o que
        a causa, em que ela se conecta, o que a alimenta, etc. A questão é que
        invariavelmente, o raciocínio cairá sobre a responsabilidade de todos, pois
        nada no universo é isolado. E, numa perspectiva humana, “todos” significa
        sociedade. E a economia que fazemos uso até os dias de hoje é a
        monetária. Entendemos também que ela é não apenas obsoleta, mas
        contraproducente à nossa saúde, pois ela precisa de ineficiência, escassez
        e insustentabilidade para funcionar, ao passo que precisamos de eficiência,
        abundância e sustentabilidade para vivermos saudáveis e garantirmos as
        mesmas condições para nossos filhos, netos e assim por diante.

        O ser humano consciente não pode mais ignorar que TODO acontecimento ou fato ocorre resultante de uma rede de funcionamento do todo. A globalização é REAL! E ela irá mostrar – já tem mostrado pelos efeitos no clima.
        Aquele que possui dinheiro se considera invulnerável. No entanto, todos iremos para o mesmo buraco, no final. Apenas não concordo com Fresco quando afirma que a tecnologia é o único caminho, tendo em vista que quem trilha os caminhos são pessoas, não máquinas.
        Apesar de o uso da tecnologia acarretar redução de mão de obra, é o modo como age o ser humano em relação a esses avanços, o que faz com que se crie desigualdade na área do mercado de trabalho e na vida pessoal. Ou melhor, há uma tendência latente à concentração de renda, dos meios de produção, em suma, da posse, e tendência à escassez, que predominam no imaginário e no comportamento humano. Nunca se apresentou outra opção ao homo sapiens, a não ser a acumulação fictícia de capital e a tendência à escassez, basta olhar as prateleiras dos grandes supermercados.
        Se é um caminho que se faz ao caminhar, a partir dos avanços tecnológicos estamos voando, literalmente, o que dificultou os planos não só dos governos, mas também da indústria, da agricultura, do comércio, que desemboca num planejamento da vida humana, que persegue mais equilíbrio e segurança. A financeirização fictícia da economia somente é possível enquanto houver consumidores, e para isso precisam ter trabalho registrado. Há uma forte crítica às mudanças ocorridas no mercado de trabalho, ou ainda indiretamente questionando como preparar jovens para a inexistência do mesmo. De acordo com Trombetta (2010:7):

        Em Paulo Freire, a construção da paz só é possível a partir de uma educação para a paz e mediante a superação da injustiça, das desigualdades sociais e a instauração da justiça. Sem respeito à dignidade e os direitos humanos de cada pessoa não há paz. A paz se cria, se constrói na construção incessante da justiça social. A paz se efetiva a partir da democracia, da ética que prioriza os seres humanos e da verdadeira democracia que é capaz de respeitar a diversidade cultural. Só nos realizamos em nossa vocação ontológica que é a de Ser Mais em um contexto democrático, justo que nos faz mais gente capaz de amar as outras pessoas.
        Os autores descrevem, na pagina 17(dos PCN da EJA), o quanto em recursos consomem as nações ricas, e mencionam o que Gandhi teria respondido ao ser questionado: […] se, depois da independência, a Índia perseguiria o estilo de vida britânico, teria respondido: “… a Grã-Bretanha precisou de metade dos recursos do planeta para alcançar sua prosperidade; quantos planetas não seriam necessários para que um país como a Índia alcançasse o mesmo patamar?” Concordo plenamente com Gandhi, se um país como o Brasil alcançasse o mesmo nível de consumo, também não seria muito diferente.

        Qual a origem dos padrões de produção? Trabalha-se para “enfeitar” as prateleiras das lojas/supermercados? Há uma tradição de superprodução a esmo, objetivando encher lojas e os olhos consumidores, o que acompanha o consumo dessa forma tradicional e fica despercebido é o esgotamento de matéria-prima existente na Terra, a poluição e os desequilíbrios climáticos, resultante disso.

        Há redução de postos de trabalho pela crescente mecanização e avanços da tecnologia. No entanto,há necessidade de profunda reflexão quanto ao que acontece ou o que se reforça em torno da superprodução cega, o capital fictício é uma delas. Não é o trabalho nem o valor do trabalhador, muito menos a preservação do planeta que estão em evidencia, quando se busca manter o mesmo volume de produção.
        Ao estar alicerçado o tipo de produção que conhecemos na competição, enfocamos as atitudes vinculadas a ela, que compreendem também a competição pessoal ou coletiva no ambiente de trabalho, que acaba se reproduzindo fora dele. É preciso que fique claro que o tipo de produção existente desde a primeira revolução industrial é aviltante à natureza humana e é aviltante para o planeta. Precisamos urgentemente mudar essa lógica!!!
        Enquanto persistir diferenças de classes, e/ou injustiça de qualquer tipo entre seres da mesma espécie, que se diz humana, não terá nenhuma possibilidade de paz e de justiça social, pois vigorará as desigualdades em detrimento de uma busca pelo bem maior de todos. Enquanto pensarmos que são as máquinas o que simboliza o mal para o homem, também estaremos nos enganando. Trata-se de seres da mesma espécie em situação mutua de exploração e dependência, que não precisaria mais existir se colocássemos as máquinas para trabalhar a favor de todos e não apenas de alguns.
        O que precisa mudar é a postura frente à concentração fictícia do capital, visto que é massiva a produção/trabalho para satisfazer a sede pela concentração, o mesmo ocorre às concepções arraigadas vinculadas à escassez e a tendência à acumulação, que são utilizadas contra a permanência saudável do ser humano na Terra, pois a tendência de todo aquele que nasce é continuar vivo e buscar a sobrevivência, para além de qualquer capital. Não sei se haverá tempo e planeta para alterarmos a situação vigente. “O tempo ruge!”

        :

      • É irônico citar que a EBR nada tem a ver como o socialismo, seu materialismo histórico e dialético, o suposto fim da instituição privada e a reengenharia social, uma vez que faz uso de textos socialistas, defende suas mesmas premissas e anseia que uma educação salvadora mude os hábitos humanos. Fresco é nitidamente socialista, e o socialismo sempre fracassou, porque se esconde atrás de um discurso demagogo, que supostamente salvaria o mundo, ignorando diversos problemas técnicos, sustentado por pessoas que nunca entraram numa sala de aula para estudar o mínimo de economia e que ao mesmo tempo, ignoram todo o fracasso das economias planejadas. Sobre os argumentos: não há produção sem recursos, sem extração e muito menos que não se baseie na liberdade das pessoas consumirem o que desejam. A teoria de Fresco é contraditória, pois sugere que os recursos sejam limitados, mas que a produção seja abundante. A produção somente é abundante, porque os recursos limitados são tratados desta forma pelo mercado – isto é um conhecimento básico de economia, qualquer acadêmico neste meio. Quando analisamos todas estas teorias, repletas de demagogia e distorções das escolas distintas do pensamento econômico, notamos que a realidade é bem contrária: aqueles que mais se desviam do capitalismo são aqueles que mais sofrem. Temos o caso da Venezuela, que com sua guerra ao capital afunda a cada ano ou da Coreia do Norte, onde o canibalismo tornou-se uma fonte de alimentos. Sobre “desenvolvimento sustentável” quem utiliza os recursos de melhor forma, não são as economias planificadas, como da URSS em seus terríveis desastres ambientais, mas nações como Alemanha, Holanda, Bélgica e Dinamarca. Todas orientadas pelo mercado. E por exemplo, de certo não lera o restante dos textos, como no caso da suposta redução dos postos de trabalho em função da mecanização. O Japão, nação mais mecanizada tem uma das maiores demandas de mão de obra, enquanto Zimbábue, não mecanizado possui elevadíssima taxa de desemprego. Nada do que diz com relação a economia baseada na moeda, se sustenta diante os fatos.

  4. Maria da Luz Cavasotto Botão disse:

    E como depende de uma visão e decisão de grupo, e o socialismo prega uma divisão dos lucros do trabalho por igual, a posse em grupo dos meios de produção, logo caracterizam as ideias de Jacque Fresco como socialistas. Não percebo dessa maneira. É UMA VIsÃO QUE ULTRAPAssA O sOCIALIsMO E TAMBÉM O CAPITALIsMO.

    • A ideia de Fresco é baseada na negação da propriedade privada, o que depende de uma gestão centralizada. Isto é obviamente análogo ao comunismo (não socialismo). A alegação de que seja uma nova corrente teórica, me parece simples publicidade do autor. Ele alega que não seja comunismo, visto que a URSS fez uso de moeda, mas isto, somente ocorrera após o total fracasso e a morte de 7 milhões de russos pela escassez gerada através da destruição da propriedade privada – o mesmo caminho que será tomado ao adotarmos as doutrinas de Fresco.

  5. Maria da Luz Cavasotto Botão disse:

    Concordo com Jacque Fresco quando diz que devemos abandonar o uso do dinheiro, e passar a construir robôs para substituir o trabalho humano. O que ocorre é que os laços ou vínculos construídos entre as pessoas se apresentam tênues, e influenciados profundamente pelo que se passa na TV. É mais fácil as pessoas apoiarem BBB’s, um mundo baseado nisso, do que tentar algo diferente, que nunca viu. Tudo o que é estranho causa estranhamento, ou mesmo espanto. Precisamos mudar o disco. Ouvir musicas que elevem o pensamento, que não fiquem sempre tocando a mesma música, como um disco antigo que foi arranhado e permanece no mesmo lugar, ou mesmo rememorando as mesmas ideias ou ideologias ultrapassadas.

    • Sobre abandonar o dinheiro, sugiro que leia todos os textos, pois no ultimo, demonstro a total impossibilidade deste tipo de economia, uma vez que os valores numéricos presentes na economia monetária possibilitam cálculos contábeis cardinais responsáveis por acentuar produção.a demanda. Sem isto, é impossível direcionar a produção com precisão – uma premissa básica da economia. Sobre os gostos pessoais, as valorizações são subjetivas, e naturais. O fato de alguém ter um gosto musical diferente não invalida seu pensamento nem sua ação. Hitler gostava de música erudita e era uma pessoa nociva.

  6. Maria da Luz Cavasotto Botão disse:

    “Somente quando a ciência e a tecnologia forem usadas com o consenso humano de que todos os recursos da Terra sejam tidos como patrimônio comum de todos os povos deste planeta é que poderemos realmente dizer que há vida inteligente na Terra.” – Jacque Fresco

    • Não existe patrimônio comum. Um pintor, compositor, escritor, engenheiro etc lapidam recursos e criam de acordo com seus próprios intentos. Estes bens a eles pertencem. Retira o trabalho de Picasso, para dar a outros pintores este recurso raro simplesmente não será possível (visto que é somente uma peça) nem moral. É roubo. Ao levantar esta hipótese Fresco demonstra desconhecer as básicas premissas econômicas, como no caso da Tragédia dos Iguais. Tem uma visão romântica e utópica da realidade.

  7. Maria da Luz Cavasotto Botão disse:

    Você é contador ou algo parecido? Tem alta preferencia por números. O que faz com que se vincule ao que lhe diz respeito automaticamente. É subconsciente! A tragédia dos iguais deve dizer respeito àquelas nações que produziam o mesmo produto e tinham carência de algo que não existia próximo a elas. Como é o caso dos países nórdicos em relação à produção de frutas tropicais. No entanto, atualmente se tem o uso de estufas, e da inexigência de que sejam cultivados na terra, podendo ser elaborada uma nutrição adequada para qualquer tipo ou no mínimo alguns tipos de plantas.

    Não dá para confundir o trabalho de pintores como Picasso e outros de fama internacional com a banalização produtiva industrial. No entanto concordo que cada um tem seus proprios recursos e habilidades, que não podem ser comparados à produção industrial. (se é o que entendi)

    • Não sou contador, sou economista. A Tragédia dos Iguais se refere a um conflito existente entre indivíduos ou grupos com interesse em um bem comum e finito e foi publicada em 1968 no ensaio “The Tragedy of the Commons”. Sobre a pintura de Picasso, não se trata de como e por qual motivo é produzida. É um bem escasso que não pode ser divido. É feito através da propriedade privada e intelectual. Sua posse com fins distributivos seja para um exposição (único viés neste caso) fere os direitos do autor, como ocorre em qualquer tipo de produção.

  8. Spinelli disse:

    Concordo com você em muitos pontos. Entretanto seus argumentos são, muitas vezes, tão utópicos quanto os que criticas. De certo que o capitalismo teórico (assim como o socialismo e o comunismo teórico) é perfeito e sempre retorna a uma posição de equilíbrio e estabilidade. Infelizmente não é esse “capitalismo” que vemos em grande parte do mundo e principalmente no Brasil, aqui o que impera é o corporativismo, o cartel, corrupção, impostos desnecessários sobre novas empresas e etc.

    Também é frequente nos seus textos a atribuição de causas equivocadas a certos efeitos, o que acaba enfraquecendo seus argumentos. Assim como fontes que parecem completamente alegóricas.

    Você nega a existência da obsolescência intrínseca, não diz o porquê, provavelmente baseado na competitividade do livre mercado, o que é absurdo. Com um conhecimento básico de construção mecânica e ciência dos materiais é possível ver que praticamente todos os produtos são feitos de maneira a reduzir a resistência a choques mecânicos, a umidade e a riscos.
    E afirma que a obsolescência tecnológica se deve a fragilidade dos novos componentes, o que é absurdo, já que em quase 100% das vezes um bem tecnológico se torna obsoleto, não por defeito, mas sim por não ser mais capaz de acompanhar as inovações (o que poderia ser resolvido pela simples troca de alguns componentes no aparelho).

    Há muitos equívocos quando você cita os problemas de extração, controle e manuseio de recursos, assim como de controle, produção e transporte de bens numa EBR. O filme zeitgeist passa uma ideia muito apelativa e superficial do projeto, tanto que este se desvinculou daquele.

    Apesar disso, foi bom ter encontrado um blog que tenta mostrar as falhas de uma EBR e suas consequências, pode ser extremamente útil.

    Se for possível, gostaria de saber sua opinião sobre como os seguintes fatores influenciarão a economia:
    -Impressoras 3D;
    -Tecnologias Open-Source;
    -Arduíno;
    -Moeda virtual;
    -Automação e desemprego tecnológico;
    -Hidroponia e aeroponia.

    • 1º Bem, todos os argumentos usados são baseados em experiências empíricas, na Ásia, Europa e América do Norte. Eles vão de encontro a fatos históricos e por isto não vejo qualquer equívoco entre causa e efeito. Caso tenha notado algum, cite. 2º Toda a biografia fora previamente estudada. 3º O livre mercado não se associa a economia brasileira que ocupa a 114º posição no ranking de liberdade econômica, mas somente a maioria das 30 primeiras colocações. 4º O termo capitalismo é um termo genérico e arbitrário, por isto definir que seja um modelo adotado em nações simplesmente porque possuem empresas, moeda e consumo é equivocado. 5º Sobre obsolescência programada leia: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/12/13/obsolescencia-programada/ Sobre o motivo da EBR ser utópica e de fadada ao fracasso leia artigos sobre o Problema de Cálculo Econômico ou: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/11/14/problema-de-calculo-economico-parte-1/ e https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/11/17/problema-de-calculo-economico-parte-2/ .Sobre os demais questionamentos: Impressora 3D = excelente. Poderá ajudar muitas pequenas empresas, na medida em que seus preços caírem. Open-Source e Arduíno = excelentes tecnologias. Todavia, quem deve decidir se é aberta ou não é o projetista. 4º Moeda virtual = como Bitcoin é uma ótima ideia, pois é produzida de forma limitada, diferentemente dos bancos estatais. Qualquer moeda virtual que aumente a oferta sem lastro, não será diferente dos bancos atuais e seus efeitos serão nocivos. Todavia como há competição estas logo seriam descartadas. Automação e desemprego tecnológico = isto já fora citado em um dos textos. É mítico, ex: Japão, o país mais automatizado e com mais empregos que mão de obra. Máquinas precisam ser construídas e programadas, o que fera emprego ainda mais qualificado, além do fato de que grande parte dos empregos, como em serviços, artes manufaturas artesanais, dentre outros não dependem de automação. Hidroponia e aeroponia = também são excelente técnicas de cultivo, mas representam apenas um nicho do mercado. Todos os fatores citados, influenciam a economia de forma positiva, gerando novas possibilidades, empregabilidade e renda.

  9. Wiliam disse:

    Segundo estudos “recentes” qualquer ser humano pode ser violento de acordo com o contexto em que está inserido e uma das coisas que “ativa” a violência é a desigualdade social. Por isso não acredito no livre mercado que é baseado em concorrência e permite que algumas pessoas tenham mais do que outras e não só isso, o dinheiro pode dar a uma pessoa poder sobre outras por meio de coerção. Uma das pesquisas sobre violência pode ser encontrada nesse site http://www.lucifereffect.com/.

    • O que diz não tem o menor fundamento. Nenhum comportamento parte em exclusivo do contexto social, muito menos há qualquer pesquisa provando que as desigualdades aumentam a violência, mas do contrário. Nações que fazem uso da economia de livre mercado são aquelas com as menores taxas de violência: Liechtenstein, Mônaco, Singapura, Japão, Hong Kong e etc http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_intentional_homicide_rate

    • Maria da Luz C. Botão disse:

      Que Liechtenstein, Mônaco, Singapura, Japão, Hong Kong tenham uma menor taxa de violencia, é possivel, talvez para aqueles que permanecem vivos, não se matem (por suicidio), nem sejam mortos devido à problemas sociais, ou mesmo latrocínio, depressão e outros. O trabalho q existe lá, é aquele que ninguém mais, (principalmente aqueles nascidos nessas nações), quer fazer, visto que há migrantes de todos os cantos do mundo, que vão para esses lugares em busca da independencia economica. O que não se traduz em justiça social, visto que é um trabalho que ninguém mais quer fazer.
      Há sem duvida, novas tecnologias que podem ajudar o ser humano, desde que o que surge como invenção seja posto à disposição de todos, e não somente daqueles que tenham mais dinheiro para pagar por elas. Cito as invenções de Nicola Tesla, que, por demonstrar como extrair energia elétrica do ar, foi perseguido, devido aos “interesses de livre mercado”, que o impediram de continuar sua pesquisa. Isso é o que interessa ao livre mercado: LUCRO, LUCRO, LUCRO!!! Tanto que hoje são abundantes os casos de processos contra planos de saude, que surgiram em um livre mercado, os quais beneficiam apenas seus proprietários. Aposentados e aqueles da terceira idade sabem muito bem do que se trata, quando os recursos financeiros se tornam escassos, o que resta ao aposentado. Entrar na fila do sUs. Você que é contador, talvez ainda não seja idoso, nem dependa de aposentadoria.

      • A taxa de imigrantes em Liechtenstein e Mônaco é extremamente baixa. A imigração no Japão e Tigres Asiáticos ocorre pela produtividade alta, não por que as pessoas nativas simplesmentes se abstem, mas pelo fato de que a propria estrutura econômica lhes permite a escolha, visto seu grau de instrução, se comparado as nações que rogam imigrantes. E obviamente: um trabalhador da Malásia prefere trabalhar em Singapura ganhando 10x mais que no seu pais – o que faz com gosto. Sobre Tesla, ele foi investidor, logo esteve ligado ao mercado. Todavia, não possuia habilidade para o mercado e acabou na bancarrota. E mais: a suposta teoria de Tesla a respeito de uma “energia livre” não foi comprovada por ele, nem por ninguem. Mesmo assim, a energia solar é atualmente uma forma de energia livre. Sobre planos de saúde ruins no livre mercado, são extremamente raros. Nunca ouvi falar disto em Macau, Austrália, Suíça ou paises do tipo, mas sempre em seu revés: Brasil, Argentina, China etc. Por fim, a aposentadoria que se refere é estatal, não privada. É o inverso do que proporciona o mercado.

  10. Wiliam disse:

    Guerras não favorecem a economia de um país mas favorece várias industrias e corporações que produzem material bélico, combustível etc.

    • Os ganhos destas indústrias desaparecem quando a economia entra em colapso durante e após as guerras. E mais: eles são os primeiros alvos de bombardeios inimigos.Além disto, no geral, aqueles que produzem os grandes armamentos são financiados e gerenciados pelo Estado.

  11. Maria da Luz C. Botão disse:

    Então corporações, empresas e Estado estão unidos pelo bem proprio de si mesmos. O fato de serem bombardeados não resulta que sejam totalmente aniquilados. O modo de fazer armamentos sempre fica sob o dominio de alguém q tenha interesse em continuar a produzi-los.
    Pelo potencial armamentista que o ser humano acumulou, já poderia ter sido extinto várias vezes,

    • Não disse que estão unidos, mas que existe coorporativismo nas nações com grandes poderes bélicos. Outra coisa: a demanda de armas seja pela proteção particular ou do território sempre existirá. A questão é para qual propósito é usadado. É onírico achar que não haverá agressão nem necessidade de se defender seja de um agressor particular ou seja de uma invasão externa. Em exemplo a Suíça é altamente armada, com uma baixa taxa de violência, não infringe confrontos internacionais e nem se quer possui exército. Lembrando: a demanda de armas não ocorre somente pela defesa, mas pela prática esportiva do tiro, portanto sempre serão produzidas. E obviamente, a guerra seja civil ou entre nações não produz nada de frutífero para a economia de mercadado https://www.youtube.com/watch?v=J3IxaEonCGY

  12. Maria da Luz C. Botão disse:

    O livre mercado nunca foi um sinal de justiça social, mas sim da existência de lucro para o proprietário do negócio existente. O modo cooperativo foi algo que surgiu para substituir a gestão mercantilizada e univoca, que abrange a decisão de uma unica pessoa, ou no máximo de um conselho.

    • Justiça social é um termo extremamente falacioso. Desde sua raiz etimológica a seus intentos. http://www.espada.eti.br/falacia.asp E nada é mais util a sociedade que o lucro. Ele serve de meio para a realização de operações contábeis cardinais responsáveis pela acentuação da oferta à demanda, pela melhoria gradativa dos bens e serviços, pelo investimento responsável no aperceiçomento dos meios produtivos e pelas elevações salariais. O modo cooperativo não possui tal racionalidade, funcionado apenas em sociedade tribais diante recursos tão abundantes quanto suas demandas. Sugiro que estude economia para poder argumentar… O problema de cálculo econômico e a experiência soviética demonstram isto na teoria e na prática….

  13. Maria da Luz C. Botão disse:

    A percepção de escassez em nós implantada provém dos tempos em que éramos nômades e não conhecíamos o modo de cultivar hortaliças, cereais, etc. Nem as estufas. O tempo/estação influenciava o que deveria ser cultivado ou não. Da mesma forma, a existência ou não de chuvas produzia influencias positivas ou negativas conforme o tipo de plantação. De certa forma, estávamos sempre sob a expectativa de como se apresentaria o tempo, as chuvas, o sol.
    Os esportes reforçam essas concepções, ao utilizar apenas uma bola, e fazendo com que os atletas corram atrás dela, criando estratégias para roubar a bola, a partir das regras que autorizam para isso. É uma guerra velada, que vence aquele que sabe roubar, simular, provocar o erro do oponente, etc. Ou seja, segue a facilidade que é dada àqueles que têm o entendimento das leis, para altera-las e também burla-las. Em suma, acabamos repetindo o que ocorre no sistema legislativo, quando criam e reformam leis ao seu bel-prazer, mesmo para se autofavorecerem.
    O capitalismo utiliza-se dos talentos individuais para transformar isso em propriedade individual, de uma só pessoa, também chamado de patente. Por outro lado, uma empresa se apropria do talento de seus funcionários, como se eles fossem sua propriedade, ao chama-los agora de colaboradores, e informalmente ou mesmo formalmente, adotando a denominação de capital intelectual. No fim, tudo se transforma em capital.

    • A escassez não é algo perceptível aos sentidos, mas algo tangível a matéria. Não importa o quanto filosofe em vão. Para um ser humano viver de forma nômade era necessário quase 3 quilometros por habitante. O irredutível crescimento populacional levou a racionalização da propriedade privada e da família. http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1037 Sua citação exporte > leis é uma falácia bem comum, o Ignoratio elenchi (conclusão sofismática). Por fim, não é o capitalismo que utiliza dos talentos pessoais, mas os talentos pessoais que utilizam o capitalismo. Não é o comprador de quadros valiosos que se valida de um Salvador Dali, mas Dalí que se beneficia dele. Da mesma forma, o operário da fábrica dotado de habilidades particulares, se valida do empreendedor para adquirir emprego e renda. É uma troca voluntária, visto que ninguém é obrigado a trabalhar em determinado ramo, em determinada empresa. A produção de capital intelectual ou social segue a mesma premissa. No final de toda produção milhares de pessoas que não se conhecem fornecem umas as outras, bens que não existiriam de outra forma. https://www.youtube.com/watch?v=PC_qFEwMBi8

  14. […] Continuação: https://resistenciaantisocialismo.wordpress.com/2013/10/28/refutacao-a-economia-baseada-em-recursos-… […]

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