Anarquismo moderno: um comunismo disfarçado

Publicado: outubro 27, 2013 em Anarquismo

Com o surgimento protestos que ocorreram a partir de 2012 emergiram numerosos grupos de anarquistas, dentre eles, o mundialmente conhecido Black Bloc. Com ações violentas, o Black Bloc se infiltrara dentre os manifestantes, depredando tudo que encontravam, desde o patrimônio publico, como placas de sinalização, praças, edifícios públicos à instituição privada, como bancas de revistas, automóveis, lojas e principalmente bancos. Com seu discurso anticapitalista, não pararam na depredação, mas em muitos casos praticavam saques nas mesmas lojas que diziam repudiar. A resposta da sociedade foi rápida. Aproximadamente 95% do povo paulistano rejeitou o movimento. Mesmo assim, ele cresce, principalmente entre os jovens. Por tais vias cabe questionar: o motivo do surgimento e crescimento súbito destes grupos anarquistas? Qual é sua doutrina e quais serão os impactos de seus desejos, casos cumpridos. Neste texto discorrerei sobre cada um destes temas e sobre a natureza comunista do anarquismo moderno.

Os motivos para a emergência do anarquismo na sociedade brasileira são óbvios: a frustração diante governos que desde a redemocratização; ou produzira modestas melhorias, ou ampliara problemas. Sobretudo, o que suas metas irracionais causaram é o agravamento dos problemas, pois exigem mais do veneno que nos mata. Para entender isto, devemos ir à raiz do anarquismo moderno e que por sua vez, é a mesma do socialismo: Rousseau, um filosofo francês idealizador de equivocadas teorias pseudocientíficas. Em sua obra: Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, Rousseau cria o mito do “bom selvagem”. Segundo Rousseau, antes do surgimento da civilização e da propriedade privada, o homem era sedentário, viva em harmonia com seus semelhantes e com a natureza, desconhecendo a rivalidade. Todavia a partir do momento em que o primeiro delimitou o território, começaram as agressões. Neste ponto surge o contrato social, que visa estabelecer um governo, onde impere uma noção comum.

Em sua teoria do bom selvagem, Rousseau tentava narrar sociedades tribais sem nenhum conhecimento antropológico ou tão pouco arqueológico. Quando estudamos tais ciências, notamos que este suposto estado natural não passa de um mito. Na obra:  A Guerra antes da Civilização, o arqueólogo Lawewnce Keeyley, professor da universidade de Illinois, um especialista em Europa pré-histórica, narra que as sociedades tribais eram tão violentas quanto a atual.  A probabilidade de um indivíduo morrer por outro variava de 15 a 60%.  A taxa de baixas em confrontos chegava a 60% da população, um valor assombrosamente superior aos genocídios praticados no século XX por nazistas e comunistas, com taxas que chegavam até 60% da população.  Se tais valores valessem para o século XX haveria dois bilhões de mortos, ao invés dos 9O milhões mortos nas guerras mundiais, somado aos 110 milhões mortos por regimes comunistas, ou seja; um valor 10 vezes superior. Esta redução da violência, em muito ocorrera pela solidificação das fronteiras, a formação dos Estados nacionais e pela democracia, defendendo cidadãos e suas propriedades como descreve o especialista Manuel Eisner.

Quando analisamos a taxa de violência no mundo, há clara constatação: nações com menores taxas de violência são aquelas onde são assegurados os direitos de propriedade como Mônaco, Hong Kong e Singapura. Mesmo assim as teorias de Rousseau se preservam no tempo através de socialistas e anarquistas trazendo repudio a instituição privada. Estas perspectivas deram origem a várias doutrinas como o anarco-coletivismo, anarco-sindicalismo, anarco-comunismo e comunismo libertário. O anarquismo comunista surgiu na Rússia através de Peter Kropotkin e Michael Bakunin combatendo o livre mercado e a propriedade privada com um fervor maior que o comunismo. Para pensadores libertários, não seria equivocado chamar este pensamento de anarquismo de esquerda, visto que se fundamenta sobre os mesmos ideais coletivistas e redistributivos de propriedade publica dos meios de produção. Todavia, estes anarquistas se encontram em um severo dilema: como destituir o Estado e o mercado ao mesmo tempo?

A melhor teoria para a aplicação deste modelo fora a concepção anarco-sindicalista, no qual cada grupo formado por trabalhadores e camponeses seria proprietário conjunto dos meios de produção. Neste sentido, devemos presumir que algum grupo seria responsável por definir os subgrupos ou que eles se desenvolveriam autônomos. Para que ambas as hipóteses, temos apenas dois meios: o primeiro através de uma força revolucionaria armada, pois muitos se negariam a entregar suas posses, o que representaria uma mera demonstração de comunismo. O segundo (e mais improvável) ocorreria caso aqueles que se negassem a entregar as posses, abandonassem este território deixando-o aos anarquistas. Assim seriam formadas as comunas sem uso direto da força. Todavia os anarquistas ignoram um fator: conflitos de interesse sempre ocorrem uma vez que recursos são escassos. Sem a propriedade privada para definir o que é posse e o que é roubo, o conflito torna-se eminente, pois grupos autônomos tendem a considerar válido o preço da agressão. Logo, o princípio anarquista da “coexistência harmoniosa” e que seria um meio de impedir este conflito não se aplica a realidade. Uma vez existindo um conflito entre grupos, propiciara-se o ressurgimento de uma centralização política sem propriedade privada após a vitória de determinada facção, novamente chegando ao comunismo.

A maioria dos anarquistas modernos é esquerdista visto sua ligação com o pensamento anticapitalista e antiglobalização que propiciara a ruína de inúmeras nações durante o século XX (URSS, China, Coreia do Norte, Cuba, Camboja etc). Na esmagadora maioria, eles não agem diferentes dos revolucionários comunistas. Durante a guerra civil espanhola o anarquismo fora uma força política poderosa, na criação de comunas que aplicavam sua autoridade de forma coerciva. Eles impediram o uso do dinheiro sobre a pena de morte. Ao tentar abolir o mercado e as trocas voluntárias a partir da moeda através da força, encontrarmos uma contradição naqueles que se proclamam contra o Estado coercivo e ao mesmo tempo impunham suas com maior violência. Suas ações violentas apenas inspiram o repúdio da sociedade. Talvez os anarquistas compreendam inconscientemente sua desanimadora situação e por isto abandonaram o uso da razão, apelando para a militância indefinida que produzira grupos como o Black Bloc, cujas suas reivindicações contraditórias exigem mais auxílio Estado que supostamente deveriam combater. Como disseram os líderes deste grupo “não sabemos pelo que lutamos”. Eis a anarquia modera: um comunismo disfarçado, apoiado por contraditórios rebeldes sem causa.

Referências:

Jean Jacques Rousseau – Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens

Lawewnce Keeyley – A Guerra antes da Civilização 

Patsy Richards – Homicide Statistics

Global Study of Homicides

Homicide Statistics 2012

Murray Rothbard-  Libertários são anarquistas?

Black_bloc_at_RNC_running

Christiano di Paulla

comentários
  1. yury disse:

    ótimo texto continuem com o bom trabalho companheiros

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