A saúde publica no Brasil e os médicos cubanos

Publicado: agosto 27, 2013 em Problemas brasileiros
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Neste ano repercute na sociedade brasileira um imenso debate a respeito da contratação de médicos estrangeiros (cubanos na grande maioria) para exercerem o oficio em hospitais públicos do interior. Há muitas opiniões divergentes, dentre defensores e opositores da importação, embora com o passar do tempo, à aceitação popular dos profissionais aumentara. A grande parte da oposição vem dos próprios profissionais da saúde. Segundo eles, a carência de médicos brasileiros no interior é resultado das más condições de trabalho e a ausência de planos de carreira, devido aos baixos investimentos no setor. Portanto, o Estado não deveria importar médicos, mas melhorar as condições para atrair os brasileiros. O Governo Federal alega que fará investimentos neste sentido, embora posteriormente a contratação dos médicos estrangeiros. Neste sentido, podemos afirmar que caso o governo estivesse interessado em contratar brasileiros, teria feito tais investimentos nos últimos anos.

Há por traz da contratação massiva de cubanos, o interesse de enaltecer a ditadura castrista, além de enviar recursos públicos a Cuba em troca destes “favores”. Na chegada ao Brasil, cubanos portavam faixas dizendo que fazem a medicina pelo amor, mas não pelo dinheiro. Bem, isto obviamente não é verdade já que muitos médicos cubanos não exercem a profissão na ilha em função as baixas condições salariais. Além disto, eles não possuem escolha senão acatar a ditadura castrista e trabalhar no Brasil. Todavia, estes médicos trabalharão por valores muito maiores do que estão acostumados. Cabe lembrar que dos US$ 4,347 que serão pagos aos médicos, ou seja: entre 173 e 217 vezes maior que o salário recebido em Cuba (entre UU$ 20 e UU$ 25) parte do valor será enviado ao governo cubano. No geral, os ditadores ficam de 60 e 75 % dos salários de seus médicos no exterior. Mesmo assim, estes médicos importados como escravos africanos, ganhando o mínimo para sobreviver receberão no Brasil 43 vezes o que recebiam em Cuba.

Durante a recepção médicos brasileiros protestaram citando-os com escravos e incompetentes. O governo posicionou através de discursos e de uma nota emitida pelo SUS, criticando a ação. Acusaram os brasileiros de xenófobos, mesmo que sem qualquer crítica étnica. Eles também não estão equivocados ao chama-los de escravos: no Brasil não terão direitos trabalhistas, atuarão onde o governo bem desejar e sem o direito de ir e vir sem que recebam 1/10 do que recebem os brasileiros. Entretanto, esta realidade é muito melhor que a vivida em Cuba, onde recebem um dos menores salários do mundo, sem qualquer liberdade de expressão: uma legítima escravidão. Sobre incompetência cubana: eles também não falam em vão, visto que Cuba possui uma das mais precárias infraestruturas do planeta e sem atualizações acadêmicas relevantes (incompetência programada). Como bem disse Yaoni Sanchez: “A medicina cubana é uma das mais atrasadas do mundo. A maiorias de seus profissionais se formam sem nunca ter visto um aparelho de ultrassom,  sem ouvir falar em stent coronário e sem poder se atualizar pela internet”.

Graças à tática do governo, militantes petistas logo se posicionaram criticando os médicos brasileiros alegando que são “mercenários” que apenas visam o capital. Isto obviamente consiste numa inverdade, pois os salários propostos são mais elevados que os habituais. Ao focar-se no argumento dos salários o governo visa “dividir e conquistar” através da luta de classes (povo vs médicos) a fins de torná-los massa de manobra. Assim desvia a atenção para outro suposto inimigo comum: os médicos burgueses. Os médicos brasileiros não aceitaram ir ao interior visto que não possuem plano de carreira ou infraestrutura. Como podem trabalhar sob o risco de não receber absolutamente nada após meses de salários atrasados? Nestas localidades eles se deparam com péssimas condições que impossibilitam o exercício do oficio. Como pode haver o exercício da medicina quando não há meios técnicos? Porque receitar sem medicamentos? Como é possível fazer uma cirurgia sem bisturis, pontos sem fios sintéticos, análises de fraturas sem máquina de Raios-X?! Medicina não é curandeirismo!

O grande culpado é o Governo Federal. Somente em 2012, foram desviados cinco bilhões da área da saúde para outros setores. Durante as ultimas décadas, o governo cortou recursos de forma inescrupulosa. Nosso sistema político econômico dependente do aval de Brasília também é outro entrave: para que a verba chegue a uma cidade do interior, deve passar por inúmeras secretarias o órgão público, após meses de negociações com os mesmos. As imposições feitas pelo MEC foram responsáveis pela destruição da autonomia das instituições de ensino. O baixo investimento público na formação de profissionais da saúde tornara precário o ensino público, sempre mal qualificado em pesquisas. Ao invés de questionar tais problemas como fizeram estimulando as recentes passeatas, o CFM agiu contra a abertura de novos cursos o que criara lobby que reduzira o numero de vagas nos cursos de medicina, propiciando o aumento artificial dos salários. Por estes e outros motivos, há falta de profissionais no mercado durante os últimos anos.

Neste texto, poderiam ser citadas dezenas de problemas, como das obras publicas inacabadas, o desvio de verbas, as restrições regulamentárias e tributárias impedem o crescimento do setor privado, capaz de suprir parte da demanda pública – isto é sem esquecer que somos recordistas mundiais em impostos sobre medicamentos. Em verdade, a saúde brasileira fora sabotada nas ultimas décadas o que forçara a importação de profissionais como forma de “tampar o sol com a peneira”. Por estes fatores, médicos cubanos não são culpados, mas vítimas tão antigas quanto nós. Para obtermos uma saúde pública de qualidade, devemos cobrar autonomia aos Estados e redução da burocracia na destinação de recursos, redução do poder dos sindicatos e do MEC sobre as universidades, isenção fiscal da indústria farmacêutica, escolas e hospitais privados.  Sobretudo devemos questionar o que é feito pelos políticos por nós contratados (nós os governamos), fiscalizando as obras públicas e combatendo a corrupção.

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Esta é a bizarra realidade da saúde pública no Brasil, acobertada com mentiras e falsas soluções.

Christiano Di Paulla

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