Transgênicos, corporações e a fome

Publicado: agosto 18, 2013 em Livre Mercado e progresso

Desde que os alimentos transgênicos surgiram, tornaram-se alvo de um imenso debate pautado em questões biológicas, econômicas e éticas. Na sua defesa, alega-se que são produtos mais baratos e acessíveis e que por tal via, são um meio de reduzir a fome. Em sua crítica, alega-se que sejam dispensáveis, que podem gerar danos à saúde e até mesmo que sejam causa de determinadas privações. A principal oposição dos alimentos transgênicos vem da ativista indiana Vandana Shiva. Ela alega que o mundo contemporâneo é vítima de uma ditadura alimentar no qual um pequeno número de corporações controla toda cadeia produtiva. Segundo a ativista, o único modo de alimentar o mundo seria livrando-se dos alimentos transgênicos. Ela alega que estas sementes não produzem alimentos mas “produtos industrializados” e que sejam nocivos ao organismo. Vandana também critica o livre mercado, alegando que ele apenas trouxera liberdade para as corporações e não para as pessoas, se desvirtuando de sua identidade original. Ela também faz críticas a privatização da água e à economia globalizada.

Embora os argumentos de Vendana tenham um forte apelo emocional, suas conclusões são precipitadas e demonstram vagos conhecimentos em economia e genética. O primeiro equívoco em seus argumentos é a alegação de que o mundo sofra de uma “ditadura alimentar” somente pelo fato da grande produção alimentícia ser dominado por determinadas instituições financeiras. Uma regra básica da economia é o fato de que nenhuma empresa torna-se proeminente sem que uma determinada demanda seja nutrida. As grandes empresas como Nestle, Cargil e Monsanto tornaram-se gigantes da indústria alimentícia porque atenderam as necessidades de seus consumidores. Neste sentido, o consumo não é imposto, tal como uma “ditadura”, mas representa uma real democracia em um processo constante de escolhas individuais. Caso os consumidores não estivessem realmente satisfeitos com os produtos destas empresas, bastaria mudar de marca, o que provocaria a necessidade destas empresas melhorarem seus produtos para evitar a falência. O fato de que se mantem no mercado mundial é um indicador de sucesso entre os consumidores.

O segundo equívoco de Vandana é sua postura dogmática no qual a única forma de eliminar a fome seria acabando com os transgênicos. A fome no mundo, não é resultado do método de produção, nem do tipo de alimento produzido, mas advém das fragilidade de certas economias nacionais como cita o Nobel de economia Amartya Sen. Em função de políticas protecionistas, planificação econômica e privações como a guerra, nações pobres tem dificuldade em gerar renda capaz de garantir a subsistência de suas populações. Entretanto, muitas nações estão tomando as medidas corretas, liberalizando suas economias a fins de torna-las mais competitivas e bem quistas no cenário internacional. Botswana, o tigre africano é um exemplo de como a liberdade econômica tem contribuído para a ampliação das rendas mais baixas. Além disto, alimentos transgênicos são mais baratos, o que pode contribuir (não solucionar) para a erradicação da fome. Em função das sementes serem produzidas para se tornarem invulneráveis a pragas, reduz-se a necessidade de agrotóxicos, diminuindo os custos de plantio, reduzindo o preço final.

Outro equívoco é a alegação de que os transgênicos façam mal à saúde. Estes produtos estão no mercado à mais de uma década sem nenhum registro confirmado de dano ao organismo. A Organização Mundial de Saúde e diversas instituições de renome internacional garantem que os transgênicos não fazem mal a saúde. E ao contrário do que alega Vadana, cientistas do mundo todo consideram que os transgênicos possam ser até mesmo superiores aos alimentos comuns, uma vez que a manipulação genética permite que uma espécie assuma características de outras, detendo um número maior de nutrientes, além de produzir vitaminas e proteínas com maior destreza. Os transgênicos também possuem a vantagem de serem cultivados em áreas, antes inóspitas como aquelas não aráveis. Cabe citar que os alimentos usados até mesmo na agricultura familiar sofreram seleção artificial através do cruzamento de espécies distintas. Os transgênicos são apenas um novo passo em uma direção tomada a milênios. E uma vez que foram inventados por pesquisadores, ao contrário de alimentos naturais, eles podem ser patenteados.

Vandana também se opõe a privatização da água. Segundo ela, a água é um “patrimônio da humanidade”, pertencendo a todos como um direito e que por isto ela não poderia estar nas mãos de proprietários privados. Este argumento é totalmente equivocado. Nenhum recurso é um direito, pois sua alocação depende de iniciativas que imprimem custos como barragem, filtragem, canalização dentre outros. Logo a distribuição de água é um serviço. Ao assumir que a distribuição de água não deve ser feita pelo mercado, imprime que este serviço seja feito pelo Estado.  O Estado sempre será ineficiente se comparado com a iniciativa privada, pois basta-lhe tributar sem nenhuma necessidade de economizar. Mantendo o monopólio público, sem qualquer competidor também não há nenhuma base comparativa ou meio de reduzir sua curva de demanda, o que retira qualquer responsabilidade com a qualidade. Já no mercado, há várias empresas competindo em busca de manter seus lucros. Com isto, há uma tendência a redução dos custos e melhoria dos serviços, como notamos em todos os bens ofertados pelo mercado quando sob livre concorrência.

O último erro nas alegações de Vandana são a respeito da globalização. Segundo ela, o mundo tornar-se-ia mais sustentável e prósperos se fossemos de uma economia industrial e global para ambientalista e local. Bem, o motivo da indústria existir é o fato de possibilitar produção em massa, para satisfazer as necessidades das massas. Como revelam as estatísticas, desde o início da Revolução Industrial houvera um imenso desenvolvimento tecnológico, ampla acessibilidade de bens e serviços para as camadas mais pobres, além da melhoria da qualidade de vida. No que concerne à globalização, esta ocorrência representa um processo inevitável de integração socioeconômica que permite um maior desenvolvimento para as nações. Quando analisamos os gráficos a respeito do crescimento econômico, notamos que a globalização possibilitara um desenvolvimento econômico maior para as nações mais pobres, como no caso de muitas nações africanas, cujo PIB cresce bem acima dos países desenvolvidos. Economias locais e ambientais podem resolver alguns problemas periféricos, mas são insuficientes para atender todas as demandas. Existem áreas inóspitas ao cultivo de determinados alimentos, levando a necessidade de importação levando há uma economia global.

Conclusão:

Vandana está repleta de boas intenções, mas possui colocações equivocadas à respeito de genética e economia. Ela usa o exemplo da Índia para criticar os alimentos transgênicos, a globalização econômica e as grandes empresas. Todavia, a Índia é uma economia repressiva, distante dos conceitos de livre mercado, ocupando a 120º colocação no ranking da Heritage. Países do mundo todo, como os EUA e Japão usam transgênicos e produção alimentícia industrial, possuem alta qualidade de vida e seus pequenos produtores não sofrem das mesmas mazelas que os produtores indianos. As gigantes da indústria alimentícia atuam no mundo todo e em especial, em nações que erradicaram a fome como no caso da Suécia, Noruega, Austrália e Canadá, logo suas ações não são a causa para problemas como a fome. Países são famintos, pois não tem acesso a estes bens e obviamente não interessa a qualquer empresa a ausência destes consumidores. Para erradicar a fome as economias nacionais devem se fortalecer através da redução de impostos, regulamentações e através de ampla abertura comercial. Comercialmente, empresas devem vender seus produtos livremente, sejam naturais ou transgênicos, permitindo que o consumidor faça suas próprias escolhas. Não ser livre para escolher é o problema que gera a fome.

Referências:

Desenvolvimento e Liberdade – Amartya Sen

Organização Mundial de Saúde

BBC Brasil

Heritage.Org

Vandana Shiva at Fronterias do PensamentoVandana considera que os transgênicos sejam um problema, quando na verdade, a raiz de toda fome não está na produção, nem no tipo de alimento, mas na renda baixa, impedindo a circulação destes produtos.

Christiano Di Paulla

comentários
  1. Jayne Westphal disse:

    Meu caro Christiano Di Paulla, ignorância sua pensar que os transgênicos não apresentam nenhum risco a saúde. De cada alimento que você come, 50% é veneno! Defendendo as maiores multinacionais que controlam toda cadeia produtiva de alimentos. E me polpe desse discurso ignorante de que transgênicos não afetam a saúde. Transgênico é veneno camuflado com um nome “bonitinho”. Apresente aos seus leitores essa pesquisa:
    “10 anos de transgênicos no Brasil
    Paulo Cezar Mendes Ramos
    Especialista em Meio Ambiente e Agroecologia
    Analista Ambiental/Parque Nacional de Brasília
    Membro do Grupo de Estudos sobre Agrobiodiversidade – GEA/NEAD/MDA”

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s