Porque a utopia socialista persiste através do tempo?

Publicado: agosto 1, 2013 em Mitos
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Nada é mais espantoso para um acadêmico sério e sem clichês ideológicos, cuja base de estudo faz-se da história, direito, economia e antropologia que a visão da persistência da doutrina socialista/comunista. Talvez porque apenas estas áreas não sejam capazes de explicar a inclinação psicológica das massas a estas doutrinas, cuja base faz-se das mais vis noções emocionais, como a inveja calcada na demagogia, e a usurpação como reajuste social. Esta inclinação descabida se assemelha a de um cosmólogo que defende com veemência o modelo geocêntrico. Para qualquer estudioso que se baseie numa ciência legitima, calcada em evidencias, esta defesa lhe parecerá insana ou motivada por razões pessoais quando advinda do mundo acadêmico. Quando originária de leigos, nada mais representa que um aspecto puro da ingenuidade ignorante. Uma vez que comprometido com a necessidade de respostas, seria inconcebível aceitar estes fatos superficiais. Portanto, cabe uma análise mais profunda a fins de entender o motivo desta corrente já refutada persistir na atualidade. Para tanto, devemos indagar sobre suas origens.

Vasculhando as evidências históricas e analisando a psicologia, pude perceber algumas razões que servem de motivação para a persistência desta doutrina. Em seu gênese, o socialismo emergira do fracasso. Os socialistas utópicos e primeiros a rogar esta doutrina, viviam num ambiente hostil à maioria dos trabalhadores. A monarquia absolutista barrava a democracia, governava com punhos de ferro, industrializava formando cartéis que com pouca concorrência detinham o poder de tratar os trabalhadores como bem desejavam sem que ao menos existisse qualquer lei trabalhista. No ambiente vivido pelos marxistas, estas tensões tinham eclodido em revoltas civis, levado ao emergir de grupos e ideologias distintas. Ambos acusavam o livre mercado das falhas governamentais autocráticas ignorando que o liberalismo econômico deve vir acompanhado do político: da democracia. Ambos tentavam apressar um processo inevitável de melhoria das condições trabalhistas, via democracia que traria o Estado de direito, quebrando monopólios concedidos pelo Estado o que favoreceria a livre concorrência capaz de melhorar as condições de trabalho.

Pelas vias citadas acima, o socialismo emerge do fracasso de governos absolutos e pré-capitalistas, da ignorância a respeito do sistema de livre mercado, da fobia para com a democracia e da agitação revolucionária propiciada por estes fatores. Atualmente ele persiste por estes mesmos fatores. Governos autoritários e que nunca empregaram o laissez-faire são chamados de capitalista, simplesmente porque possuem bancos e empresas privadas. No geral, estas particularidades são de bancos centrais e empresas que recebem auxilio financeiro de entidades publicas – conceitos opostos ao livre mercado. Eles detestam a democracia, a voz das maiorias e principalmente conservadores. Desejam sobrepor valores, sem preservar a liberdade, mas ampliando a libertinagem. Diante fracassos sociais, usam destes fatores para promover sua revolução, sem interesse em mudanças capazes de melhorar o sistema, mas visando sempre sua destruição. Socialistas são reducionistas, sempre ignorando os benefícios trazidos pelo capitalismo a quem acusam de exploração. Defendem um sistema que fracassara em absoluto e criticam o bem-sucedido. Taticamente atacam nações que não praticam livre mercado, rogando que ele seja o culpado de seus fracassos a fins de supor que seja inviável.

Pouco depois do surgimento e disseminação do pensamento marxista, os economistas austríacos se dispuseram a estuda-lo e rapidamente refutaram todos seus preceitos. Isto leva ao questionamento: como persiste? A resposta é simples: a oposição fraca que releva o socialismo como derrotado no mundo prático e acadêmico, ignorando seu poder de persuasão das massas. O erro dos estudiosos da economia liberal é ignorarem que mesmo com a impossibilidade pratica deste, ocorra à impossibilidade de uma revolução socialista. O socialismo nunca precisou de uma vitória no campo das ideias ou na realidade para que fosse disseminado ou imposto e por isto, persiste forte. O socialismo é calcado na militância estratégica e publicidade demagoga, sem nenhuma responsabilidade com resultados. Seu linguajar fácil e emocional visa seduzir as massas através do sentimento de revolta, a fins de gerar um conflito revolucionário entre classes. São manipuladores astutos que não se prendem a fatores, mas se aproveitam dos conflitos de sua época, isto é; quando não os produzem. A base de tudo é uma militância cega, idiotas úteis como diria a própria KGB.

Para tamanha cegueira ideológica de seus militantes existe um motivo psicológico. Hayek o chama de economofobia. Significa que muitos indivíduos (em geral o jovem) desejam bens materiais, mas não está compromissado com o sacrifício para obtê-lo. Em psicologia eles sofrem de imaturidade, ou seja: “um padrão comportamental ocasionado pela permanência de um indivíduo em estágios anteriores de desenvolvimento tanto intelectual como moral. Uma das principais características da imaturidade é a dificuldade em assumir a responsabilidade pelos próprios atos”. Neste sentido podemos compara-los a crianças que tem tudo em suas mãos, devido ao esforço alheio de seus pais. Eles não precisam trabalhar para obter comida e brinquedo. Quando se chega à maturidade, estas pessoas estão acostumadas com este tipo de perspectiva e fogem de suas responsabilidades acreditando que a sociedade lhe deve algo. E tal como crianças acostumadas a partilhar os mesmos brinquedos e brincadeiras, são contrários a qualquer comportamento individualista. Aquele que pensa e age de forma distinta lhe é estranho, antissocial e prejudicial à ordem preestabelecida em sua idealidade.

Logo, o pensamento socialista persiste através do tempo pelo fracasso de determinadas nações, mentira, demagogia, imaturidade de seus adeptos e pela visão simplória de muitos de seus opositores. O socialismo é uma doença que não independe de resultados, e que se espalha por sentimentos baixos e pelo desprezo para com a individualidade. Durante o tempo em que permuta, vários intelectuais se dispuseram a analisar e conceituar o socialismo. Mas fora nas palavras de Winston Churchill, responsável pela derrota nazista e pela Cortina de Ferro que viria dar fim no comunismo permitindo que ele mesmo se autodestruísse que vieram as palavras mais sábias: “O socialismo é a filosofia do fracasso, o credo na ignorância e o evangelho da inveja. Sua virtude inerente é a distribuição igualitária da miséria”.

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Christiano Di Paulla

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comentários
  1. […] Porque a utopia socialista persiste através do tempo?. […]

  2. Perfeito! Genial! Clap! Clap! Clap!
    🙂

  3. CAMARGO disse:

    Muito bom o seu texto…
    O ser humano é egoísta e individualista por natureza!!!
    E há poucos séculos capitalista também!!!
    O sistema socialista/marxista na teoria seria o ideal, mas na realidade nunca vai funcionar, pois o estado provedor de tudo e as coisas sendo de todos, é uma utopia!!!
    Um grande abraço…
    CAMARGO – CURITIBANOS – SC

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