O mito do Estado do bem-estar social

Publicado: agosto 1, 2013 em Falácias socialistas
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Quando Karl Marx teorizou suas premissas estava diante um ambiente de revoluções ocasionadas pelo fracasso da monarquia absolutista imposta pelo Congresso de Viena. Naquele período o povo alemão não vivia o pensamento econômico de Adam Smith. As tomadas de decisão eram autocráticas, privilegiavam determinados grupos e indivíduos e forjava um ilusório e atrativo progresso que seduzia as pessoas do campo para a cidade. Com isto, as condições de trabalho tornavam-se precárias e os salários baixos. Entretanto a partir de 1871 com a unificação conquistada por Bismarck à região crescera de uma forma não pensada por Marx, tornando-se a maior potência na Europa continental. Neste período, também não havia espaço para o livre mercado. Cartéis eram formados através do poder estatal, assim como o Estado passou a intervir cada vez mais na vida dos cidadãos. Entretanto, com o avanço da industrialização, a unidade cultura, econômica e a expansão de seus mercados no exterior ocorrera um desenvolvimento social não previsto por Marx. Também havia-se de notar o grande desenvolvimento socioeconômico da Grã-Bretanha. Assim muitos intelectuais passaram a questionar o pensamento marxista.

No final do século XIX, surgiram os revisionistas através de Karl Kautsky e Eduard Bernstein. Estes intelectuais socialistas se dispuseram a repensar as teorias de Marx.  Em face a suas análises, tornaram-se contrários ao materialismo dialético, acreditando na existência de fatores sociais além da economia. Opunham-se a revolução armada visando uma revolução socialista gradativa e democrática. E principalmente: atacaram o conceito marxista de inevitabilidade da concentração de renda, provando através de estatísticas que o poder de compra e acumulação do proletariado aumentavam gradativamente, o que propiciava que assalariados se transformassem em empreendedores. Mais de meio século depois, o economista e socialista sueco Gunnar Myrdal desenvolve o conceito de Estado do bem-estar social. Este sistema defende que o Estado deva agir como agente da promoção do desenvolvimento social através de ampla seguridade social (custeada por impostos altos) e como regulador da economia. O governo tornar-se-ia o gestor da sociedade em parceria com sindicatos, empresas privadas e órgãos públicos.

Desde sua origem teórica e renome mundial, o Estado do bem-estar social fora amplamente adotado em países nórdicos. A partir de então há um mito defendido por socialistas sugere que este modelo propiciara um aumento exponencial da qualidade de vida na região com serviços públicos exemplares além de relatarem que este sistema persiste firmemente na atualidade. Doravante, desfarei este mito. Para tanto, cabe de antemão memorar a história sueca. Na primeira metade do século XIX a Suécia era pobre e pouco industrializada. Mas as reformas de livre mercado adotadas em 1860 permitiram seu ingresso na emergente evolução industrial, mantendo gastos governamentais inferiores a 10% do PIB. Rapidamente alcançaram o maior crescimento de renda per capita do mundo, entrando para o ranking das mais desenvolvidas. Entretanto, após a Grande Depressão em 1929 havia ressurgido certo entusiasmo com o intervencionismo através do New Deal, o que impulsionara os socialdemocratas a subiram ao poder. Entretanto, pouco fizeram neste sentido. Mas de 1950 a 1975 os gastos públicos subiram de 20% para 50% do PIB. Já na década de 1970, a economia sueca crescia abaixo da média mundial.

Com o Estado do bem-estar social, a inflação sueca se elevara, juntamente com os custos de vida, enquanto empresas e capitais fugiam para nações com menor carga tributária e pouca burocracia. Na década de 1990 a economia estava estagnada e em recessão. A empregabilidade caia e a dívida pública se elevava. A renda sueca que fora uma das mais elevadas no passado, chegara perto da vigésima colocação. O mesmo ocorria nas demais nações que praticavam tais políticas. A única alternativa fora a liberalização econômica. Estatais foram privatizadas, setores foram desregulamentados, tributos reduzidos, havendo uma busca pela eliminação do déficit público. Noruega, Dinamarca e Finlândia tornaram-se economistas mistas, assim como a Suécia está se tornando desde a liberação mais severa propiciada pelo Partido Liberal a partir de 2006. Na Suécia ocorrera a introdução do sistema de voucher na educação. Assim os pais recebem subsídios para escolher qual escola privada seus filhos estudarão. Na Dinamarca as leis trabalhistas foram revistas, uma vez que uma parte da população não tinha mais interesse em preencher as vagas de emprego, graças às altas pensões. Atualmente estas nações se encontram entre as maiores em liberdade econômica.

Outro fator que devemos notar é redução atenuante dos impostos sobre rendas elevadas, embora persistam sobre bens e serviços e a notória desregulamentação trabalhista: na Escandinávia nem ao menos existe salário mínimo. Atualmente tais nações possuem uma intervenção binária, ou seja: tributação com mercado desregulamentado. Assim estas nações reverteram o processo de estagnação e voltaram a crescer. Tais políticas econômicas são contrárias a aquelas defendidas por Myrdal cuja base era regulamentaria. Myrdal considerava que o Estado deveria reger a informação econômica e orientar o mercado, o que não é feito desde a década de 1990. A tendência única para o futuro escandinavo é a continuidade do processo de liberalização a fins de solidificar suas economias. Mesmo assim, ainda encontramos falhas que persiste graças aos vestígios do sistema de bem-estar social como a demora e burocracia no atendimento público. Na Suécia, para coisas simples, como instalar uma caixa de correio, o sistema é ágil, mas para questões mais serias como uma cirurgia há imensa lentidão. Milhares são forçados a deixar o país para se hospitalizarem em outras nações. Logo supor que sejam bons exemplos socialistas é um imenso disparate.

As perspectivas do Estado do bem-estar social criadas por Myrdal demonstraram-se excelentes nas intenções narradas por seu discurso demagogo, mas extremamente perigosas e impraticáveis. No mundo real, longe dos disparates teóricos, mostrou-se nociva a saúde econômica e ao real bem-estar de uma sociedade. Estas perspectivas são ainda mais impraticáveis em nações com recursos escassos e alta densidade demográfica. Embora tardio, seu fim está próximo. Em 2013 através de uma mensagem narrada pelo Rei Willem-Alexander, o Primeiro-ministro Mark Rutte anunciou o fim do “Estado do bem-estar social”. Uma perspectiva socialista que levou vários países nórdicos a falência. Segundo ele, este modelo trouxe arranjos insustentáveis!  Em seu lugar está emergindo uma “sociedade de participação “, em que as pessoas devem assumir a responsabilidade pelo seu próprio futuro e criar suas próprias redes de segurança social e financeira, com menos ajuda do governo nacional. Mesmo que haja certo descontentamento com as medidas de austeridades, o Partido para a Liberdade (que mescla liberais e conservadores) ganha popularidade nas pesquisas. A única tendência a ser observada é o desmantelamento do “Estado do mal-estar social”.

Referências:

Nipperdey – Alemanha, de Napoleão a Bismarck:

David T. Murphy – “Prussiano visa a Zollverein,

Stefan Karlsson – The Sweden Myth

Markus Bergström – The Scandinavian-Welfare Myth Revisited

Johan Norberg – Em defesa do capitalismo global

Sweden-V-126

A Suécia que no passado consistia em uma Estado misto entre socialismo e capitalismo está cada dia mais distante dos intentos de esquerda.

Christiano Di Paulla

comentários
  1. […] ótimo artigo do blog Resistência Anti Socialismo onde Christiano Di Paulla faz um resumo do básico que precisamos saber sobre o fracasso do Estado […]

  2. Oswaldo disse:

    Só falou besteira e usou falsos paradigmas. Educação na Finlândia é 100% pública. Não é preciso salário mínimo quando se tem salários altos. Não existem pobres nos países escandinavos. Alemanha paga para mães ficarem em casa por 3 anos quando tem filhos. Não se pode ganhar em uma corporação menos de 10% do maior salário. A Baixa Saxônia detém 29% das ações do grupo VW. Educação 100% pública(existem raras universidades privadas). Alemanha não tem milionários. É uma sociedade de classe média. Alemanha não é escandinava mas assim como aqueles países tb é estado de bem estar social. Não desvirtue o que vc desconhece para dar razão às suas teses ultraliberaia que não funcionaram nem nos EUA. Direto tem que chamar os Democratas para resolver os problemas desigualdade. E dois mandatos são pouco, pois eles são um país rico mas com muitos pobres. E muitos milionários, o que vc não vê na Alemanha e na Escandinávia.

    • Não existem besteiras baseadas em fatos históricos e dados estatísticos.. Besteira é o que vemos em argumentos sem tais referenciais. A educação na Finlândia não é a melhor do mundo para servir como referência e é custada com impostos massivos a um custo muito superior a educação privada nos países de primeiro mundo. Na Finlândia nem professores e alunos são testados. No ultimo PISA divulgado caiu 12 colocações. http://oglobo.globo.com/educacao/exemplo-mundial-de-educacao-finlandia-cai-no-ranking-do-pisa-10955163 A frente estão sistemas educacionais com alta influência do setor privado como Singapura, Hong Kong e Japão. Não existem pobres em países escandinavos? Já não haviam desde que aplicaram o sistema de livre mercado entre o século XIX e XX, basta deter os mínimos conhecimentos em história para saber disto. Sobre a Alemanha, ela possui 1 milhão de milionários: http://www.thelocal.de/20130619/50405. Sobre sociedade de classe média Singapura 2º em Liberalismo subiu para a 4º população mais rica do mundo em poucas décadas, tem 17% da população de milionários sem possuir nenhum índice de pobre. É uma população de ricos, ao contrário do Estado-do-mal-estar social… Sobre liberalismo não funcionar ele nunca teve crise. Todas as crises vieram de regulamentações estatais: 1929 o FED aumentou a expansão monetária e reduziu da taxa de juros para conter a deflação de 1923 gerando desvirtude nos investimentos e ações, em 2008 o FED ampliou a oferta de crédito imobiliário e reduziu a taxa de juros gerando a crise americana, em 2010 o governo Grego desmoronou diante a demasia de gastos públicos e todo assistencialismo barato e etc. Sobre os EUA, os democratas são ótimos para empobrecer as pessoas, assim criando a velha igualdade socialista: aqueles que todos são pobres, basta observar a ruína de Detroit.

      • Aiwass disse:

        Explica aí então: Xangai em primeiro lugar no PISA.Vietnã acima dos EUA e de outros países muito mais
        liberais.
        A queda da Finlândia não foi tão significativa, mas vá olhar a Suécia como caiu depois que
        privatizaram vários setores em 2006.Milhares de crianças ficaram sem escolas de repente, porque
        empresas do ramo da educação faliram.
        Mesmo Cingapura, o paraíso liberal, tem educação pública de qualidade.Não duvido que HK também
        tenha.
        Se formos pensar em nível superior, as melhores universidades do mundo ou são estatais ou sobrevivem
        graças ao governo (Cambridge, Harvard, Berkeley, universidades chinesas, e até a USP que vocês tanto
        odeiam).

        Aí vem me dizer que liberalismo nunca teve crise.Só segundo a ideologia fantasiosa de vocês.
        É MUITA desonestidade intelectual dizer que Detroit faliu por causa dos democratas ou por causa do
        socialismo.Extrema desonestidade.Analise todo o contexto geopolítico mundial e verá que não tem nada
        a ver com socialismo, nem mesmo com liberalismo.

      • Em primeiro, Shangai é uma área de livre comércio na China. Esta região não partilha do conceito de Economia Social de Mercado que é seguido pelo resto da nação. Fora baseada em estudos realizados sob Singapura e representa um teste. Dai Haibo, o subdiretor do Comitê Administrativo da Zona Piloto de Livre-Comércio de Xangai, alegou que será uma zona experimental até 2016, quando a China decidirá se seguirá em uma liberalização total de seus domínios. Em segundo, a queda da Finlândia foi significativa. Caiu doze posições. A Suécia privatizou fora exatamente pelo baixo desempenho, não pelo contrário. Basta uma simples análise do país no ranking antes do sistema de voucher (não confunda com privatização). Outra coisa: Em Singapura e Hong Kong há uma ampla participação do setor privado. Sobre alegar que as melhores universidade sejam públicas, isto não pode ser alegado. Não pode, visto que não há meios de estabelecer custo/benefício quando os valores são retirados via impostos em uma competição desleal. É desleal visto que as instituições privadas de ensino pagando impostos pelas públicas e são reguladas pelo Estado – logo limitadas financeiramente e academicamente. Além disto fora ótimo citar o exemplo da USP. Neste caso, eu poderia falar de todas as universidades brasileiras onde 0,3% da população estuda ao custo de impostos pagados pelo restante. Quem não estuda, nunca estudou ou paga universidade privada, acaba pagando por um serviço que não usa. Logo: sabotando a iniciativa privada através de restrições técnicas e financeiras, com subsídios coercivos, fica fácil estar um pouco à frente. Caso o setor privado de ensino universitário não seja regulado pelo Estado, isento de impostos e o setor público seja custeado somente por quem faz seu uso a diferença fica visível. Entretanto, há sempre aqueles que querem viver as custas dos outros, assim como o Estado vive à custa da iniciativa privada. Em terceiro, vos desafio a provar qualquer crise que tenha ocorrido em um ambiente de livre mercado. Ignorar a Falência de Detroid é ignorar fatos históricos – o que representa legítima desonestidade intelectual. Além disto, ao dizer que todo contexto mundial não tem a ver com liberalismo ou socialismo, além de contradizer seus próprios argumentos, representa um nítido reducionismo. Ignora particularidades, além de alta diversidade de sistemas vigentes.

  3. MArcoAntissocial disse:

    CadÊ vOCê Osvaldo????

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