África, pobreza e livre mercado

Publicado: julho 30, 2013 em Falácias socialistas
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Neste texto, refutarei uma das mais populares falácias socialistas. Segundo ela, as mazelas enfrentadas pelo continente africano foram causadas pelo capitalismo através do colonialismo, escravidão e mercantilismo; propiciando sua falência socioeconômica enquanto gerara a grande riqueza das nações capitalistas. Para refutar tais argumentos, usarei de dados a respeito da história, cultura e economia no continente, para somente então indicar o caminho que deve ser tomado a fins de remediar tais males. A base de toda esta falácia concentra-se na alegação de que o colonialismo e o mercantilismo sejam práticas capitalistas, o que corresponde a um severo anacronismo e em uma total ignorância a respeito dos modelos econômicos. A economia de mercado sugira no século XVVIII, posterior a estes sistemas, com a publicação da Riqueza das Nações. Nesta obra, Adam Smith faz uma severa critica ao mercantilismo, alegando que restringia os interesses de consumidores e comerciantes favorecendo minorias através do poder governamental, impedindo o alcance de uma riqueza sustentável.

Neste mesmo período, liberais como o Marquês de Cordorcet, foram os primeiros pensadores europeus a defender o fim da escravidão africana e seu repatriamento. Mais tarde, no inicio do século XX, economistas como Jacob Viner foram exímios em demonstrar que as colônias geravam tanto prejuízo quanto lucros uma vez que os gastos logísticos com soldados, suprimentos e infraestrutura eram exorbitantes. Ele alegara que seria pouco provável que o grande desenvolvimento das potencias europeias tivesse ocorrido por esta via. Obviamente o capitalismo não se desenvolvera por estes métodos, constituindo o quarto equívoco do argumento. Como evidencia, temos exemplos de nações prosperas como Japão, Coreia do Sul, Singapura, Austrália, Nova Zelândia e Suíça dentre tantas outras economias capitalistas que nunca detiveram colônias. Algumas destas foram colônias, como no caso de EUA, Canadá, Hong Kong, Chile e outras que até o século XIX eram pouco desenvolvidas como Japão e Coreia do Sul. Já Etiópia, Libéria, Tibete e Nepal jamais foram colônias, mas penduram em pobreza.

Cabe citar que o colonialismo em continente africano é tão antigo quanto à cultura ocidental. Em 1570 a.c as dinastias Egípcias colonizam a Núbia. Do século X ao V a.C os fenícios foram os primeiros estrangeiros a colonizar o norte da África. No século VII a.C os gregos, no século II a.C os romanos, no século V os vândalos, no século VI o império bizantino e partir do século VII  os árabes. Já a colonização mercantilista europeia (oposta o laissez-faire) ocorrera somente a partir do século XIV. Além disto, de forma reducionista e racista, socialistas comumente associam a escravidão africana como oriunda do homem branco europeu. Entretanto, mesmo antes da primeira colonização estrangeira (persa), tribos, reinos e impérios africanos faziam livre uso da escravização. Nestas culturas militares, um líder vitorioso em batalha tomava posse da família e escravos do perdedor, como espolio de guerra. Logo, bem antes que africanos fossem vendidos pelos próprios lideres de tribos aos europeus, foram comercializados aos gregos, romanos e árabes.

Em resumo: a colonização e a escravidão no continente africano não são de origem ocidental, mas anterior e causada de antemão até mesmo por próprios povos da região (ex: Egípcios), embora este fato não retire o peso das indevidas ações europeias. Ao citarmos tais  práticas monstruosas no sentido econômico, devemos deixar claro que tais ações não são produto “capitalista”, mas de seu oposto; o mercantilismo. A economia de livre mercado defende a ideia da minarquia, livre concorrência e direitos de propriedade. O mercantilismo era uma doutrina monopolista, que legava privilégios enquanto a escravidão não respeitava o direito a primeira propriedade privada: o próprio corpo. Estas práticas em nada poderiam agregar a riqueza das nações. Elas debilitavam um cenário onde deveriam haver trocas voluntárias, permitindo que vários agentes econômicos pudessem atuar de forma que todos saíssem ganhando. Doravante, não faz-se mais necessário analisar o passado das nações que sofreram com o colonialismo e com a escravidão. Mas cabe questionar: qual o motivo da grande pobreza que assola os povos africanos?!

Em primeiro, o colonialismo dividiu tribos amistosas e que acabou unindo tribos rivais. Este fator culminara na posterioridade às severas guerras civis após sua independência. Em segundo as mudanças climáticas que devastaram a região, gerando seca e destruindo a agricultura. O terceiro fator deve-se a Guerra Fria e a invasão comunista após a independência da Europa na década de 1960, quando a economia planificada dominara a região através de líderes como: Amilcar Cabral, Jonas Savibi, Modibo Keita, Somora Machel, Muammar Gaddafi, Ahmed Ben Bella, Ahmed Sekou, Idi Amim, Leopold Sendar, Mengistu, Sid Barre, Alphonse Massemba. Cabe citar um exemplo capaz da Etiópia nunca fora colonizada nem dividida, mas arruinada pelo marxismo. O quarto motivo faz-se do fato de que as nações africanas fizeram poucas reformas na direção dos livres mercados. Mesmo assim, desde a queda da URSS, 17% da pobreza no continente fora eliminada – pouco a baixo da média mundial (20%). Neste sentido, as nações que mais se inclinaram para o livre mercado, foram as que mais cresceram: Mauricio e Botswana.

Na atualidade muitas nações africanas tem um crescimento econômico superior à média mundial e até mesmo se comprado a superpotências. Segundo um relatório do Banco Mundial a África subsaariana terá um crescimento de até 5% em 2015. Angola angariará um crescimento superior a 7%. Estas nações já se tornaram a locomotiva do crescimento mundial, e estão atraindo investimentos do mundo todo. Angola, Nigéria, África do Sul, Moçambique, Botwsana, Serra Leoa, Níger, Costa do Marfim, Libéria, Etiópia, Burkina Faso e Ruanda situam-se como as nações com o mais rápido crescimento do século XXI. Deve-se a gradual melhoria da economia mundial, elevação dos preços das matérias-primas, novas descobertas de reservas minerais e de energia, investimento nas infraestruturas regionais e ampliação dos comércios no continente etc. Segundo a ONE, 16 nações africanas estão no caminho para a redução da pobreza extrema até 2015. Mas muito deve ser feito: estas nações precisam se aproximar ainda mais do sistema de livre mercado, visto que ainda ocupam baixas colocações no ranking. Porem, a mínima ação nesta direção, já rendera consideráveis resultados.

Referências:

Davidson Basil – Os Impérios Africanos

Luis Alberto de Boni  – Ética e escravidão na Idade Média

Kevin Shillington – History of Africa

Adam Smith – A Riqueza das Nações

World Bank – Angola Economic Update

Relatório da ONE – 2013

Encyclopedia of Afrian History and Culture Vol IV – The colonial Era (1850 to 1960)

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Reunião do grupo “Estudantes pela Liberdade” em continente africano: uma chama acesa em busca de progresso econômico em meio as trevas que barram o livre mercado.

Christiano Di Paulla

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