Nazismo: uma das várias expressões do socialismo – Parte 3

Publicado: julho 24, 2013 em Nazismo
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Argumentos contra o Nazismo como doutrina socialista

Não resta dúvidas de que o nazismo teve sua origem no pensamento socialista, buscou criar um novo viés teórico inspirado na nacionalismo, chegou a admitir influência do marxismo embora fosse seu rival, teve sua política econômica e caráter ideológico voltado para conceitos socialistas e até mesmo marxistas. Embora o partido tivesse uma ala mais conservadora que intencionava se associar ao capitalismo, a ala socialista e radical foi predominante não somente em número, mas também no que tange os rumos de suas políticas econômicas. A propriedade privada foi sobreposta pela planificação econômica e pelos supostos interesses coletivos da raça de forma similar ao que ocorria na URSS, apenas alterando conceito de classe por raça. Ao notarmos estes fatos fica impossível conceber o nazismo como uma doutrina política de direita já que este lado do espectro está associado ao liberalismo e a democracia enquanto a  esquerda está associada ao socialismo, comunismo e o totalitarismo que mais se identificam com o nazismo. No mínimo o nazismo poderia ser chamado de centro ou mais propriamente de centro-esquerda.

Críticos desta posição alegam que o nazismo não consistia em um tipo real de socialismo uma vez que fora financiando por banqueiros e empresários e por permitir a atuação da iniciativa privada. Entretanto a Revolução Russa também foi financiada por banqueiros e empreendedores alemães, como demonstra o historiador Antony C. Sutton. Lembrando: após o fracasso dos primeiros anos de revolução os comunistas soviéticos recuaram quanto a privação da propriedade privada, o que foi seguido em todos os demais experimentos desde então. Nem por isto a URSS, China e Coreia do Norte são consideras formas ilegítimas de socialismo. E como já citamos anteriormente há um equívoco quanto a distinção alemã de socialismo. Desde o revisionismo de Eduard Bernstein e Karl Kautsky no fim do século XIX, novas modalidades de socialismo se tornavam comum na Alemanha como a Socialdemocracia e o Socialismo Cristão, na admissão controlada da instituição privada. O nazismo não é diferente destas novas formas de socialismo. Como então o nazismo poderia ser um tipo de “direita” enquanto outras formas de socialismo até menos radicais seriam de “esquerda”?!

Não é porque nazistas se opunham e perseguiram outros socialistas que também não eram socialistas. Os soviéticos expurgaram toda outra forma de poder, incluindo qualquer modalidade de socialismo. Em busca de poder absoluto tanto o nazismo como o comunismo perseguiriam qualquer oposição, mesmo que estivessem do mesmo lado do espectro político. Analogamente: a socialdemocracia, o socialismo cristão e o anarco-socialismo também rejeitam o comunismo, como foram perseguidos por ele. No Brasil PCdoB, PT e PSOL são rejeitados por PSTU e PCO e nem por isso algum deles é capitalista ou de “direita”. Os que alegam que o nazismo era tanto nacionalista quanto socialista focam-se na perspectiva ideológica e não na economia. Cegam-se frente a imensa intervenção do Estado na economia não pelo fato de ser um período de guerra, mas pela natureza coletivista do nazismo. Atualmente os mesmos chegam ao cúmulo da insanidade afirmando que países como Suécia, Noruega e Dinamarca sejam socialistas (embora estejam entre as nações mais capitalistas do mundo) porque possuem certas intervenções estatais. Tais intervenções econômicas nem se comparam com as intervenções nazistas.

Há aqueles que citam o nazismo uma expressão de “direita” simplesmente porque era um movimento conservador. Todavia a URSS stalinista e as atuais Cuba, Coreia do Norte também são regimes conservadores. Em suma a terminologia política como temos é bastante equivocada. Mises foi um grande crítico do espectro: “A terminologia usual da linguagem política é estúpida. O que é esquerda e o que é direita? Por que Hitler é de direita e Stalin, seu amigo e contemporâneo, de esquerda? (…) Quem é antitrabalhista, aqueles que querem rebaixar o trabalho ao nível da Rússia, ou aqueles que querem para o trabalho o padrão de vida capitalista dos Estados Unidos? Quem é nacionalista, aqueles que querem colocar seu país sob os calcanhares dos Nazistas ou os que querem preservar sua independência?” Tais colocações provocaram os nazistas e Mises foi rapidamente perseguido, felizmente fugindo para Genebra. Durante o período de dominação nazista seu apartamento foi invadido e seus trabalhos foram roubados. Boa parte da obra de Mises só reapareceria com a queda da URSS; que se apoderou destes bens após derrotar os nazistas no leste europeu uma vez que também possuía interesse em silenciá-lo.

A terminologia do espectro político é equivocada como tratamos noutro artigo. Quem respeita a democracia, o mercado, a individualidade e quem deseja “socializar” bens e homens? O espectro político atual é repleto de contradições. Ele deveria se resumir a individualismo vs. coletivismo colocando nazifascistas e imperialistas ao lado de comunistas já que seus métodos visavam objetivos similares. Hitler deixou isto bem claro: “Não há mais licença, nenhuma esfera privada onde o indivíduo pertence a si mesmo. Isso é o socialismo, não tão trivial quanto a possibilidade de possuir privadamente os meios de produção. Tais coisas não significam nada se eu sujeitar as pessoas a uma espécie de disciplina que não podem escapar… O que precisamos ter para socializar bancos e fábricas? Nós socializamos os seres humanos.” É fato que o próprio Stalin serviu de inspiração para Hitler, até mesmo por recomendação de Goebbels – dando origem ao bigode icônico. Assim que Hitler anunciou seu conflito, filiou-se a quem tinha mais afinidade. E não eram os liberais democratas ocidentais, mas a URSS através do Pacto Molotov-Ribbentrop. Isso porque haviam pontos mais comuns entre nazistas e comunistas que com liberais e não somente por uma perspectiva tática como muitos afirmam.

Ao final restam perguntas como: porque o nazismo foi classificado como direita embora fosse de natureza socialista; porque as demais vertentes socialista negam associar-se ao nazismo; e porque embora o comunismo tenha matado 14x mais que os nazistas (mais de 110 milhões) são tão menos odiados?! O fato do nazismo nunca te se pronunciado quando a sua posição no espectro político permitiu uma livre interpretação de seu posicionamento. E como “quem ganha a guerra, conta a história” os soviéticos logo trataram de classificar o nazismo como ao lado de doutrinas ocidentais que eles visavam combater como a democracia e o liberalismo. O romantismo que permeou a URSS nos anos seguintes se encarregou de difundir esta concepção. Obviamente ninguém desejaria se associar a um regime que produziu um genocídio tão sistematizado, embora o comunismo tenha provocado lentamente o maior genocídio da história. Por fim, o comunismo é menos odiado em grande parte pela ignorância popular a seu respeito, basear-se num igualitarismo universal atrativo e demagogo, não ter assumido a responsabilidade por seus fracasso práticos e por terem assassinado seu próprio povo como traidores e não por mero preconceito racial.

Não seria equivocado dizer que caso o nazistas fossem os vencedores do confronto com a URSS sendo a doutrina do outro lado da cortina de ferro, hoje estaríamos estudando “a superioridade racial ariana” em universidades ao invés de outros conceitos também pseudocientíficos como mais-valia e luta de classes. Diferentemente do nazismo, o Comunismo pode experimentar algo descrito pelos próprios nazistas: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade.” Assim se disseminou o conceito de que os nazistas eram opostos aos comunistas quando na verdade foram seus primos bastardos visando mascarar os males do comunismo que fora tão genocida e fadado ao fracasso econômico quanto o nazismo. De toda forma não devemos tolerar nem ou outro, senão corremos o risco de perder nossas liberdades sucumbindo há um novo Stalin ou Hitler. Como trata o Paradoxo da Tolerância de Popper: “tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes.”

Pontos comuns entre nazismo, comunismo e fascismo:

  • Origem no socialismo e no sindicalismo.
  • Ideologia monopolizadora a fins de reengenharia social.
  • Visão messiânica da política (espera de um líder ou evento salvador).
  • Totalitarismo através de um Partido único com liderança absoluta.
  • Negação do Estado de Direito
  • Negação dos direitos individuais
  • Antiliberalismo.
  • Organização social aos moldes militares.
  • Monopólio dos meios de coerção: polícia e exército.
  • Monopólio da comunicação pública.
  • Monopólio da doutrinação: sujeição da educação privada ao Estado
  • Centralização da economia; estatização, controle ou abolição da instituição privada.
  • Assistencialismo.
  • Protecionismo econômico.
  • Coletivismo político – o pilar central é uma suposta indenidade social idealista e não individual e subjetiva.
  • Trabalho escravo.
  • Contribuição compulsória.
  • Visão dualista do mundo: proletariados contra burgueses / arianos contra judeus / nação contra indivíduo.
  • Redução da diversidade cultural: massacre dos burgueses / judeus / opositores da nação.
  • Campos de confinamento e extermínio: gulags / campos de concentração / campos de prisioneiros

 

Referências:

Adolf Hitler – Apud Hermann Rauschning – Hitler m´a dit, Coopération

Adolf Hitler – Mein Kempf

Albert Speer – Inside the Third Reich: Memoirs, New York: NY, Simon and Schuster

Anton Drexler  – Mein politisches Erwachen: aus dem Tagebuch eines deutschen sozialistischen Arbeiters

Gottfried Feder – Os Vinte e Cinco Pontos

Henry A. Turner – Hitler’s Einstellung 1976

Gottfield Feder – Das Manifest Zur Brechung der Zinsknechtschaft des Gelde

Thierry e Pascal – Programa do NSDAP

Joseph Goebbels – New York Times (1924)

Joseph Goebbels – Die Verfluchten Hakenkreuzler

Joseph Goebbels Extratos da Época de Luta

Richard J. Evans – The Third Reich in Power, 1933-1939, New York. 2005

Günter Reimann, The Vampire Economy: Doing Business Under Fascism 2014

Götz Aly, Hitler’s Beneficiaries: Plunder, Racial War, and the Nazi Welfare State, New York: NY, Metropolitan Books, 2007

The Black Book of Communism – Various authors

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Nazismo: um mal sem precedentes que assim como o comunismo jamais deverá ser tolerado.

Christiano Di Paulla

 

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