Um meio comum usado por aqueles que tentam defender um sistema que fracassara na prática, é a alegação de que tal experimento, não seguia todas as regras previamente postuladas. Neste sentido, marxistas alegam que todas as experiências comunistas (Rússia, China, Camboja. Vietnã etc.) não representavam o real socialismo idealizado por Marx e Engels, mas um “Capitalismo de Estado”, alegando que seus escritos, não foram rigorosamente seguidos. Para eles, este modelo não fora alcançado, já que o “comunismo real” seria uma sociedade sem Estado. Mas diferentemente, nestas nações os meios de produção pertenciam ao Estado, controlados por burocratas e não pelo proletariado. Além disto, seu controle aumentara ao invés de diminuir, havia salários e produção de mercadorias permitindo a existência da mais-valia. Alegam que a exploração não acabou e sim se modificou-se quem a explorava, conservando supostamente, os mesmos instrumentos de exploração capitalista. Este é um dos principais argumentos usados por marxistas modernos na defesa de uma nova tentativa de implantar este sistema.

Para refutá-los, primeiramente devo discorrer sobre o sistema marxista uma vez que suas etapas revelam a enorme cegueira dos marxistas modernos. Marx cita o Estado moderno como burguês e que atende em exclusivo os interesses capitalistas. Ele exige uma revolução armada a fins de formar um “Estado Operário” socialista e provisório que desapareceria com o fim da insurreição violenta de apropriações forçadas, dando origem ao comunismo. Neste novo Estado chamado de “Ditadura do Proletariado”, não haveria propriedade privada e o trabalho seria totalmente coletivizado. Na prática, marxistas a ignoram (ou escondem) o óbvio: o gênese deste Estado proletariado leva a inevitável centralização do poder na mão dos revolucionários. Uma vez que toda revolução armada é planejada, deve possuir líderes, um comando central para planejamento e consequentemente ramificações hierárquicas, tal como aglutinadores sociais a fins de disseminar a ideologia. Este fato, juntamente  com a constante resistência seja de forças militares ou do povo, levara Lênin ao poder após a revolução.

Entretanto, ao instalar o sistema, os bolcheviques logo se depararam sua impossibilidade prática. Do período que se estendeu da Revolução Russa (1917) até Revolta de Kronstadt (1921), o sistema revelara-se um total fracasso e a revolta civil era grande. A fome genocida se instaurara. Camponeses não aceitavam as apropriações forçadas e operários reclamavam a falta de acesso aos bens de consumo. A crise político-econômica levara os revolucionários a reverem sua gestão. Em resposta Lênin estabelecera a “Nova Política Econômica” que permitia a suspensão da estatização de fábricas que ainda não haviam sido coletivizadas, o fim da requisição forçada das matérias primas e insumos agrícolas, o fim da distribuição de tíquetes e talões de racionamento no lugar de pagamento direto em moeda com preços fixos. Somente com tais mudanças (contrárias às fracassadas teorias marxistas) o regime soviético se mantivera. Logo, o chamado Capitalismo de Estado não ocorreu em função de uma distorção do modelo marxista, mas devido a seu absoluto fracasso.

Diante tais perspectivas, lideres comunistas no mundo todo tentaram implantar um sistema, partindo dos feitos de Lênin ou Stalin – que fora mais bem sucedido. É prudente considerar que o comunismo real nunca fora alcançado, embora o mesmo não possa ser dito com relação ao socialismo. A tentativa de implantar o comunismo de Marx, se dissolvera na fome e no extermínio de milhões, pela revolta dos trabalhadores e na imposição brutal da violência revolucionária, levando sofrimento a população russa durante os primeiros anos de tentativa de sua implantação. Do mesmo modo, o sistema socialista que deveria existir como transitório, fracassara pois não eliminou os básicos elementos marxistas: não permitia a fluência da instituição privada através do controle de preços na consequente abolição do livre mercado. Tudo por motivos técnicos citados pelo economista Ludwig Von Mises através do “Problema de Calculo Econômico”: sem propriedade privada, não existe formatação de preços, levando a impossibilidade de estabelecer cálculos econômicos a fins de acentuar a demanda à oferta. Logo, mesmo aperfeiçoado, o socialismo sempre esteve destinado à ruína; cedo ou tarde.

Obs: capitalismo é um sistema baseado na propriedade privada dos meios de produção, concorrência aberta, livre formatação de preços e salários, de forma contrária a qualquer de planejamento econômico central. Logo o termo “Capitalismo de Estado” não passa de um neologismo estúpido.

Referências:

Friedrich Hayek – O Caminho da Servidão

Ludwig Von Mises – O cálculo econômico sob o socialismo

Leônico Martins Rodrigues – Preobrajensky e a “Nova Econômica

II Conferência de Escola Austríaca – São Paulo 2012

Eustáquio Lagoeiro Castelo – A revolução russa de 1917

Vladimir Ilyich Lenin

Lênin em discurso as “massas russas”.

Christiano Di Paulla

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comentários
  1. Kings disse:

    Belo Texto!

    Esses comunistas são ruins de história no mínimo.

    Não conseguem entender a diferença entre a idéia, o conceito e a prática, e seguem esse utopia assassina que matou e mata milhões!

  2. Vitor Gabriel disse:

    Inclusive Mao Tsé-Tung tentou o plano marxista com o Grande Salto Para Frente e não funcionou.

  3. jonh disse:

    exatamente! o problema é que os militantes esquerdistas (“idiotas uteis”) leram Marx e não entenderam que o plano Comunista é aumentar o poder do estado para depois querer acabar com o estado, o que é uma ideia desonesta. É como querer acabar com a guerra fazendo mais guerra. Eu usei o mesmo argumento que o seu, porém mostrei que o erro está na própria teoria marxista usando as palavras de Marx. Fiz isso porque sempre entravam no meu blog e diziam: “ah, esse argumento não vale, pois é de um blog de direita”. Usando as palavras do Marx o texto torna-se IRREFUTÁVEL. Tenho espalhado esse texto ao máximo que posso e tenho obtido sucesso entre os leitores. Veja no link abaixo:
    http://diganaoaoesquerdismo.blogspot.com.br/2013/07/por-que-o-socialismo-sempre-sera.html

  4. É engraçado, o socialismo é sempre o sonhado, e o capitalismo é o dos fatos e sua crítica.

  5. Nicolau disse:

    Esses covardes picaretas ate existiu a União Soviética aplaudiam que aquilo era o paraíso comunista na terra, hoje os mesmos bundas moles dizem que comunismo nunca existiu! Aí se vê a covardia dos borra botas comunistas!

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