O destino do socialismo

Publicado: julho 17, 2013 em Mitos
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Em 1944 Friedrich Hayek publicara uma de suas obras mais magistrais: O Caminho da Servidão, que lhe ajudara a conquistar o Nobel de Economia. Nesta obra, Hayek demonstra que o coletivismo político-econômico, seja na forma do nazismo, fascismo ou comunismo levariam qualquer nação ao inevitável fracasso. Segundo ele, em tais economias marcadas pelo planejamento central a responsabilidade impera sobre um pequeno grupo, que por sua vez, é incapaz de processar a enorme gama de informação econômica, o que prejudica toda a alocação de bens e serviços. Com isto, os visíveis fracassos econômicos, impulsionam revoltas populares que culminam no uso da força por parte dos governantes, ampliando a opressão. Pouco depois, em 1949 seu mentor, Ludwig Von Mises publica Ação Humana, onde demonstra a impossibilidade de um sistema socialista através do “Problema de Cálculo Econômico”. Segundo Mises, sem propriedade privada, não há mercados, nem a formatação de preços responsáveis por estabelecer cálculos econômicos a fins de alocar bens com eficiência, o que leva ao irredutível colapso econômico.

Como bem dissera o economista brasileiro Roberto Campos, caso os marxistas que dominaram grande parte da Ásia, África e Europa tivessem estudado tais autores, poderiam facilmente compreender seu destino inevitável e talvez: remediá-lo. Estes foram os motivos que propiciaram a ruína da Coreia do Norte, a dissolução da URSS, a abertura comercial da China e a aceitação do fracasso socialista por parte do governo cubano. Todavia, em pleno século XXI, ainda cabe questionar: qual o destino do sistema socialista?! A resposta é muito óbvia: para manter-se de pé, tais nações necessitam reduzir as dimensões do Estado e liberalizar suas economias. Neste sentido, as primeiras tentativas de liberalização vieram na China em 1978 após a morte de Mao Tse Tung. Deng Xiaoping eliminou as comunas agrícolas, privatizou setores, permitiu a entrada de empresas e capitais estrangeiros. Deste então a China se liberaliza à passos lentos. Mas atualmente, o primeiro ministro Li Keqiang assumira a responsabilidade de tornar Shangai uma área de livre comércio com uma estrutura livre de impostos e regulamentações a fins de atrair investimentos. Este é o primeiro grande passo para um capitalismo chinês de âmbito nacional.

A segunda foi à Rússia, logo após a queda da URSS. Durante a desintegração da URSS (1990-1991) a Rússia passara por severas mudanças, desde sua primeira eleição direta presidencial à liberalização de sua economia. Ocorreram desregulamentações, privatizações e uma grande abertura comercial. Todavia, este processo ocorrera inicialmente de forma equivocada, e muitas empresas foram entregues a membros do governo que saíram do país estimulando uma fuga de capitais. Embora a transição de uma economia planificada para uma economia de mercado tenha fora conturbada, o governo russo intensificou sua liberalização em 1997 e já em 1999 a Rússia detinha uma taxa de crescimento em 6,8% ao ano. Desde então, a Rússia não parou de se liberalizar e crescer. O mais recente exemplo russo foi a liberalização do mercado de gás (2013) pelo governo de Pútin. O resultado destas medidas não poderia ser outro: a pobreza russa caiu e a classe média aumentou juntamente com a melhoria geral da qualidade de vida.

O mais recente exemplo vem de Cuba que desde 1990 lentamente liberaliza sua economia. Em uma entrevista Fidel Castro afirmara: “O modelo cubano não funciona nem mesmo para nós”.  Nos primeiros anos, 400 mil pessoas abandonaram empregos em estatais, reduzindo déficits ao mesmo que ampliavam-se permissões para a fluência da instituição privada. Centenas de atividades foram permitidas desde então e o numero de pequenos empreendedores cresce anualmente. Os investimentos estrangeiros aumentaram e a agricultura coletivista passou nos últimos anos para a gestão privada. Com o governo de Raul Castro, mais de 1 milhão de empregos em estatais foram eliminados e seus subsídios cortados. Todavia, Cuba parece remediar seu inevitável fim ao máximo. Mesmo com mudanças econômicas jamais pensadas pelo governo cubano, as mudanças políticas parecem não existir. Mas sabe que permanecerá estagnada se não agir no caminho de maiores liberdades políticas e econômicas. Por fim, devo citar o exemplo da Coreia do Norte: a servidão e uma fome que levara ao canibalismo assolam a nação cujo governo não permite mudanças. Sobrevivem graças a ajuda internacional enquanto milhares arriscam suas vidas tentando fugir do país.

Em todos os exemplos, está extremamente claro que o sistema socialista está a beira da morte. Russa e China se liberalizam mais rapidamente, pois visam mercados globais e ampliação de seus poderes econômicos continentais. Destas nações, quem mais depende de uma liberalização é a China cujo setor imobiliário estatal gerara cidades fantasmas e uma inevitável e velada bolha imobiliária. Já Cuba, segue lentamente, enquanto o espectro socialista ainda ronda a América Latina, uma vez que a estupidez governos como da atual Venezuela lhe permitem remediar o inevitável através de financiamentos. Na contramão, a Coreia do Norte persiste em uma absurda utopia marxista, atrasada, pobre e com sério revanchismo militar, cujo blefe constante lhe garante de autoridades internacionais, o mínimo para sobreviver do pior modo. O socialismo/marxismo fora absolutamente derrotado por si mesmo, enquanto o mundo testemunhou o inevitável sucesso dos mercados capitalistas. Diante este fato, os prudentes visam deixar de lado o idealismo tolo e os fanáticos da doutrina do fracasso, persistem pregando seu sistema nefasto. Por isto aqueles que visam defender as liberdades individuais o progresso social, político e econômico, devem estar de prontidão para impedir que outras nações se tornem laboratórios desta doença fatal!

Referências:

Wei Ge (1999) – Zonas Económicas Especiais e da transição econômica na China. World Scientific Publishing

Park, Jung-Dong (1997) – As Zonas Económicas Especiais da China e seu impacto no seu desenvolvimento econômico. Greenwood Press

Nuffield Study Group-Aves visita à Rússia – A Research BEMB e Education Trust. A.

Elisabeth J. Perry , Christine Wong  (1985). Economia Política da Reforma da China pós-Mao. Harvard University Press

Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo – 2013

FMI 2008 - Rússia

BBC News Março 2008 – Rússia atrai investidores apesar de sua imagem

VI Congresso do Partido Comunista em abril de 2011

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A meio século quem imaginaria ver os símbolos do capitalismo americano na China e Rússia? Os economistas austríacos é claro!

Christiano Di Paulla

comentários
  1. walace disse:

    Muito bom o texto

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